CAPÍTULO I: Observação na Unidade de Saúde
Uso de psicotrópicos, dos pacientes da UBS # 8, do município Nossa Senhora das Dores
Dr. Yordanis carbo salazar
Orientador (a): Maria Elena Pires Araujo
A Estratégia Saúde da Família (ESF) foi proposta pelo Ministério da Saúde (MS) como uma ferramenta de reorganização da atenção básica e possibilidade de reorientação do sistema de saúde, incorporando os princípios da universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade. As ações abrangem a assistência integral ao indivíduo, e prioritariamente, atividades de promoção da saúde e prevenção de doenças para população adstrita. Dentre estas, a educação em saúde é a de maior destaque pelo seu alcance e pelo custo benefício favorável.
O Ministério da Saúde tem priorizado a execução da gestão pública com base em ações de monitoramento e avaliação de processos e resultados. São muitos os esforços empreendidos para a implementação de iniciativas que promovam o acesso com qualidade aos serviços de saúde à sociedade brasileira e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) nos diversos contextos existentes no País (BRASIL, 2017).
A garantia da qualidade da atenção apresenta-se atualmente como um dos principais desafios do SUS. Essa qualidade deve compreender os princípios de integralidade, universalidade, equidade e participação social. Nesse contexto, o Ministério da Saúde apresenta a terceira versão do documento Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ), reafirmando seu compromisso com os processos de melhoria contínua do acesso e da qualidade dos serviços da Atenção Básica em todo o País. O presente instrumento é composto de ações e atividades desenvolvidas no âmbito da Saúde Mais Perto de Você, conjunto de iniciativas do Departamento de Atenção Básica (DAB) para cuidar da população no ambiente em que vive (BRASIL, 2017).
A atenção básica e a saúde mental são temas constantes em diversos artigos. No Brasil, ainda são escassos os dados sobre a utilização dos Psicotrópicos na população e na Atenção Básica (ALFENAS, 2015). Estima-se que a prevalência mundial dos transtornos mentais e de comportamento seja de 12%, sendo a maioria dos casos tratados na Atenção Primária em Saúde (ROCHA; WERLANG, 2013).
O uso indiscriminado dos psicotrópicos é uma realidade e representa um motivo de preocupação, uma vez que o uso prolongado dessas drogas provoca efeitos colaterais indesejáveis e dependência química.
Devido à alta demanda de usuários em uso de psicotrópicos, e a dificuldade cada vez maior de atendimentos pelos psiquiatras, a Unidade Básica de Saúde (UBS) vem acolhendo os casos de usuários que fazem uso de substâncias Psicotrópicas. Por tais motivos se faz necessário a criação de um grupo terapêutico, com o objetivo de elaborar um projeto de intervenção (Matriz de intervenção), para conhecer o perfil do uso de psicotrópicos pela comunidade da UBS #8 em Nossa Senhora das Dores, Sergipe – SE.
Tal situação apresentada acima, mais o elevado consumo pela população de psicotrópicos sem indicação clinica foi identificado por meio de uma autoavaliação, feita na equipe com o instrumento avaliativo o AMAQ, o qual é composto de ações e atividades desenvolvidas no âmbito da saúde, para cuidar da população no ambiente em que vivem. A equipe básica da ESF está composta por um médico, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem e a cinco agentes comunitários de saúde (ACS). No formato ampliado, é formada também por um dentista, um auxiliar de consultório dentário e um técnico em higiene dental.
Na reunião feita na equipe, levou-se em consideração, alguns fatores importantes para o enfrentamento da situação problema, como são: a urgência e a capacidade de enfrentamento ao problema. Também foi identificado na equipe os atores envolvidos nesse processo para as possíveis soluções, como a própria equipe de saúde do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e da Atenção Básica (NASF – AB) e a comunidade.
Foram identificadas potencialidades e fragilidades da equipe para a execução da avaliação. A principal potencialidade foi a infraestrutura da equipe e os equipamentos necessários para o desenvolvimento das ações, além das potencialidades, teve uma dificuldade relevante, a equipe não tinha desenvolvido grupos terapêuticos na UBS, nem no território.
Foi evidenciada a ausência de registros e controles dos usuários que fazem uso desse tipo de medicação, pelo que foi feita uma matriz de intervenção, com o objetivo, e a meta de incluir no rol de oferta da equipe a criação de um grupo terapêutico para dar solução a este problema. Foram criados planos de ação na medida das prioridades para cumprir essa matriz de intervenção. Nas estratégias traçadas se organizou o grupo de usuários que fazem uso de substâncias psicotrópicas por meio de sua identificação no prontuário na unidade de saúde.
Os indicadores utilizados para monitorar estas ações foram a ficha de atendimento individual, a ficha de uso de psicotrópicos (instrumento criado para fazer o levantamento dos usuários), a ficha de atendimento coletivo, as reuniões da equipe, marcada mensalmente onde será discutido sobre a avaliação do processo da matriz de intervenção. Estes indicadores vão avaliar o número de atendimentos feitos pelos profissionais de saúde, e avaliar o número de serviços ofertados pela equipe, assim como maior controle sobre os usuários destas drogas psicotrópicas.
Na etapa de desenho das operações, na equipe impactou no fato de não conhecer ao certo o perfil dos usuários que fazem uso destas substâncias psicotrópicas. A fim de organizar as ações para o enfrentamento do problema, foi criado um método para a aquisição das informações por meio de uma ficha para realizar o levantamento dos usuários que fazem uso de psicotrópicos (apêndice 1). Esta ficha é preenchida diariamente pelos ACS durante as visitas domiciliares. Esperamos com esta estratégia um melhor acompanhamento desses usuários e o planejamento de intervenções comunitárias, a fim de alcançar o uso racional desses medicamentos, e ganhar na percepção de risco das complicações dos usos e abusos, assim como o consumo indevido dessas substâncias.
REFERÊNCIAS
1 – Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – Amaq. 1. ed. Brasília, 2017. Modo de acesso: World Wide Web: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/autoavaliacao_acesso_qualidade_atencao_basica_ eletronico_1ed.pdf.
2 – ALFENAS, M.D. Uso de Psicotrópicos na atenção primaria. Dissertação (mestrado em Saúde Pública) – Escola Nacional de Saúde Publica Arouca, rio de Janeiro 2015. Disponível em: http://bvssp.icict.fiocruz.br/lildbi/docsonline/get.php.id=4212.
3 – ROCHA, B.S.: WERLANG, M.C. Psicofármacos na Estratégia Saúde da Família; perfil de atualização, acesso e estratégias para a promoção do uso racional. Ciência &Saúde Coletiva, vol. 18, n. 4, p. 32913300. Disponivel em : http://www.scielo.php. pid=S1413-81232013001100019&script=sci arttext.
APÊNDICE 1 – OBSERVAÇÃO DA UNIDADE
Ficha de Usuários de Psicotrópicos
UBS # 8
Maria Adeli Dos Santos.
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No. |
Nome e Sobrenome |
Idade |
Sexo |
Microárea |
Medicamento |
Doses |
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