25 de Fevereiro de 2019 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

      

ATIVIDADE: MICROINTERVENÇÃO

 

AUTOAVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DA UNIDADE DE BÁSICA DE SAÚDE DR. DIMITRI RAMOS GRANDEZ DE ARAUJO, NO BAIRRO ALVORADA NO MUNICIPIO DE BOA-VISTA – RORAIMA

 

ESPECIALIZANDO: MÔNICA DE JESUS DA SILVA

 

ORIENTADORA: ROMANNINY HEVILLYN SILVA COSTA ALMINO

 

 

A equipe da Unidade Básica de Saúde – UBS Dr. Dimitri Ramos Grandez de Araújo, a qual trabalho como médica da família há um ano, se reuniu para refazer o processo de autoavaliação para a Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ), uma vez que a equipe já passou por esse processo no início de 2017, no entanto, conforme preconiza o Ministério da Saúde Os processos autoavaliativos na atenção básica devem ser contínuos e permanentes, constituindo-se como uma cultura internalizada de monitoramento e avaliação pela gestão, coordenação  equipes e profissionais. A equipe compartilha da ideia que uma análise crítica do processo de trabalho, discussão das fragilidades apontadas e reflexão é um passo importante para avançar no processo de melhorias na qualidade dos serviços, assim como das relações.

Nesse encontro de reavaliação do processo de cuidado o enfermeiro apresentou os resultados da terceira fase de avaliação do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB), o objetivo foi identificar as fragilidades através das questões norteadoras para o processo de melhorias da atenção e da qualidade. Na análise, percebeu-se através das discussões e resultados apresentados pela equipe que no contexto geral dentro das prioridades da Política Nacional da Atenção Básica, a UBS desenvolve bem as atividades contemplando quase que na totalidade as necessidades exigidas nos módulo de avaliação. Na discussão, o enfermeiro apresentou os resultados e apesar da obtenção de nota adequada obtida na maioria dos módulos do processo de avaliação, foram levantadas questões pertinentes que ainda precisa avançar no processo de melhorias da qualidade dos programas de atenção.

No módulo I, no que se trata da infraestrutura, materiais e insumos obteve-se nota acima de 8, nesse módulo a fragilidade foi apresentada na disposição e distribuição de medicamentos na UBS para atender alguns programas e grupos específicos, como exemplo foi citado o programa de saúde mental, onde o grupo que se trata de pessoas em sofrimento psíquico não dispõe de medicamentos disponíveis para distribuição na UBS, o que dificulta a adesão ao programa o acompanhamento e o tratamento das patologias diagnosticadas. Segundo o gestor o problema envolve questões burocráticas (financeiras, licitatórias, fiscalização e logística), para que esses medicamentos sejam dispensados na UBS.

No módulo II, que visa sobre o processo de trabalho da equipe, de organização dos serviços e cuidados para com os usuários, a nota foi satisfatória, onde a equipe atende quase que na totalidade os programas de saúde de forma integral, com qualidade parcial dos registros, fácil acesso e identificação dos serviços visita domiciliar e monitoramento das ações. Porém, as ações de promoção prevenção e saúde na escola precisam ser mais efetivas, quase não acontecem devido a extensa agenda para atender a demanda dos programas e a quantidade de profissionais para atender a demanda.

O atendimento ambulatorial as pessoas de saúde mental, também foi apontado como uma das fragilidades, assim como todas as pessoas que se enquadram nesse grupo. O atendimento acontece de forma aleatória, os paciente em sofrimento psiquico não tem atendimento especifico na UBS, não há registro deles de forma satisfatória, a farmácia não dispõe de medicamentos essenciais para esse acompanhamento, e a equipe apresenta inúmeros casos evidentes que precisam de acompanhamento, de suporte terapêutico. Essa realidade eu já tinha percebido no meu consultório, com relatos de pacientes e a necessidade de implementar ações que contemple a necessidade dessa população.

O maior desafio é a vergonha que essas pessoas sentem em procurar ajuda, a vulnerabilidade social, e a disponibilidade de equipe interdisciplinar na UBS, pois os pacientes não dispõe de condições financeiras para se dirigir até o CAPS, quando precisa, de ir a uma consulta com o psicólogo ou até mesmo pegar medicamentos, os relatos são que na primeira dificuldade desiste do acompanhamento, a família também precisa de suporte emocional, alega que não tem tempo de ficar atrás de exames, consultas pois precisa trabalhar para manter a família. A maioria se enquadra em quadro de vulnerabilidade social o que dificulta o acompanhamento.

Junto com a equipe e com base no protocolo de saúde mental, elaboramos uma matriz de intervenção de modo que possamos juntos melhorar a qualidade da atenção as pessoas em sofrimento psiquico com um acolhimento mais adequado, um dia de atendimento específico para essa população alvo, flexibilidade na agenda diária, com suporte da tabela de classificação de atendimento, o objetivo é identificar essas famílias, cadastrar e acompanhar de perto, inclui-las no programa de atenção especifico, de forma que ela possa se sentir parte da comunidade e acolhida pela UBS.

A equipe se mostrou disponível as mudanças, concordou com as reuniões semanais, as capacitações e a gestora com as adequações que precisamos fazer para esse acompanhamento, inicialmente elaboramos algumas ferramentas para os registros como o cartão espelho dos atendimentos, cartão de agendamento e ficha para cadastro das famílias, todos compartilhas que a tarefa não é fácil pelos desafios apresentados porém, a intervenção é pertinente.    

No módulo III, que visa verificar a satisfação e percepção dos usuários quanto aos serviços de saúde no que se refere ao seu acesso e utilização, a nota foi satisfatória, onde a maioria dos profissionais relataram ter boas referências dos usuários em relação ao bom acolhimento, agendamento de consultas e tempo de espera assim como a oferta dos serviços de saúde disponíveis, as queixas maiores foram em relação As ações de saúde na escola, saúde bucal e os transtornos psicológicos, a queixa maior girou em torno da contra referência a falta de atendimento na UBS, os usuários não querem encaminhamentos eles tem a necessidade de atendimento por profissional capacitado na UBS e não no CAPS, alegam a distância, o transtorno de deslocamento devido as condições sócias.

É comum os profissionais da área identificar famílias que precisam de ajuda relacionada a transtornos psicológicos, drogas, álcool,  embora a UBS não possua um programa específico de suporte a esses pacientes, eles são orientados a procurar os serviços da unidade e fazer uma consulta com o médico, dificilmente aparecem, na maioria dos casos, o paciente tem vergonha e a família compartilha desse sentimento por serem pessoas estereotipadas e sofrerem preconceitos o que dificulta a situação, uma vez que fica sem suporte clinico o quadro vai piorando e o paciente vai cada vez mais se afastando do convívio social,  muitas vezes quando a família não suporta mais a carga emocional, não encontra formas de lidar com o comportamento da pessoa em sofrimento é que resolve procurar ajuda, e o quadro às vezes já ultrapassou os recursos de uma atenção primária. A proposta é ampliar o acesso do cuidado e priorizar o atendimento, promover a coordenação do cuidado em rede, com suporte da gestão para as especialidades, diagnóstico, tratamento e monitoramento da equipe tendo a família como o maior suporte na responsabilização do tratamento.

Após a reunião foi elaborado um plano de ação para os problemas levantados, de imediato optamos por intervir na saúde mental, com ações e estratégias de melhorias direcionadas para a atenção do cuidado. Os profissionais serão capacitados nos temas relevantes que contemple as pessoas em sofrimento psíquico, principalmente no manejo do cuidado e abordagem de forma que o profissional consiga identificar essas famílias que vivenciam esse problema e estreite os laços com a UBS para que ele se sinta acolhido e procure ajuda ainda no âmbito da atenção primária. A saúde mental não está dissociada da saúde geral. E por isso faz-se necessário reconhecer que as demandas de saúde mental estão presentes em diversas queixas relatadas pelos pacientes que chegam aos serviços de Saúde, em especial da Atenção Básica. Cabe aos profissionais o desafio de perceber e intervir sobre estas questões.

O suporte a esses pacientes não está restrito a terapia psiquiátrica e medicamentosa, a ideia é que a equipe possa ser conduzida a uma reorientação do manejo a saúde mental na UBS, reorganizando os serviços, com triagem na demanda espontânea de forma que esse público seja identificado e direcionado para uma atenção específica, nesse sentido todos precisam se responsabilizar pelo reconhecimento, abordagem e acolhimento a pessoas com sinais de crise em sofrimento psíquico e suporte aos atendimentos de urgência, com uma comunicação estreita com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

            O CAPS têm como objetivo olhar a pessoa em sofrimento psíquico em sua integralidade e perceber esta em seus modos de organização de vida. Um CAPS, quando considerado à luz das ideias da desinstitucionalização, deve trabalhar para amenizar o sofrimento dos seus usuários, a partir da construção de estratégias geradoras de novidades, de cuidados novos, de novos modos de vida para os sujeitos, sem que estes precisem estar adaptados aos padrões de normalidade que regem o funcionamento da nossa sociedade (SALES e DIMENSTEIN, 2009).

A capacitação da equipe é uma estratégia indispensável para que se possa alcançar os objetivos, de forma que a equipe esteja apta a identificar sinais em pessoas que precisam de ajuda, é importante reconhecer a prioridade de atendimento, para isso construiremos juntos sob coordenação do médico e enfermeiro da equipe uma ferramenta de classificação para o atendimento, baseada no protocolo de Manchester que classifica a prioridade de atendimento baseada nos sintomas, identifica os pacientes por cores de acordo com a gravidade eo tempo de espera deste modo, podemos atuar de forma eficiente na priorização do atendimento a essa população.

As dificuldades para a realização desse trabalho são referentes a situação da equipe diante das limitações para avançar no processo de melhorias, tendo como prioridade o trabalho de promoção e prevenção da saúde, o fluxo da demanda exige uma carga extensa de atividades onde eu me incluo nesse processo, o atendimento de agendas extensas não sobra tempo para discussão de casos, organização do trabalho e implementação de novas ações, embora a equipe consiga identificar suas fragilidades tem como barreira protocolos e questões burocráticas que envolve gestão e metas a cumprir.

As potencialidades são referentes ao esforço da equipe em atender as necessidades da comunidade, a formação de vinculo estabelecido, o empenho no desenvolvimento das ações, e a visão crítica direcionada para o processo de melhorias continua. Embora nas reuniões de grupo as discussões apresente relatos de impotencialidades o processo de trabalho na UBS é desenvolvido de forma muito eficaz garantindo a assistência e o cuidado dos usuários de forma integral.  

O maior desafio da equipe é atender a demanda  de atendimentos não programados, como instrumento de monitoramento para o percentual de atendimento por consultas de demanda espontânea usamos o sistema de informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB/e-SUS AB), que nos indica o percentual mensalmente da demanda espontânea, a partir daí a equipe junto a gestão elabora estratégias como adequação de agenda, solicitação de profissionais, ações de orientação para o usuário procurar a unidade de sua área abrangente, de modo que possamos atender as necessidades da comunidade, e avançar no processo de melhorias e qualidade.    

 

TABELA DE CLASSIFICAÇÃO DE PRIORIDADE

 

PRIORIDADE

COR

TEMPO

1

EMERGÊNCIA

VERMELHO

 

2

MUITO URGENTE

LARANJA

 

3

URGENTE

AMARELO

 

4

POUCO URGENTE

VERDE

 

5

NÃO URGENTE

AZUL

 

Vermelho — atendimento prioritário. Paciente em crise comhistória clínica  recorrentes e vulnerabilidade social.   Laranja – Paciente em crise ou instável que evolui com estados graves persistentes.

Amarela– Paciente que já teve o primeiro atendimentoem primeira consulta com a psiquiatria,  que já está em atendimento pela psicologia ou serviço social.
Verde- Pacientes em acompanhamento, em uso de medicação com intervalo menor nas consultas para monitoramento da evolução do caso.

Azul – Paciente estável, que adere ao tratamento, com alta da psiquiatria e psicólogo, que o acompanhamento pode ser realizado pela clinica médica com intervalos maiores na agenda.

.(Instrumento de monitoramento das consultas)

 

 

Equipe de saúde da UBS Dr. Dimitri Ramos Grandez de Araujo

 

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

Descrição do padrão: Atenção a Pessoa em sofrimento psíquico.

Descrição da situação problema para o alcancedo padrão: A equipe não utiliza estratégicas específicas para cuidar desses casos.

Objetivo e metas: Identificar, cadastrar e acompanhar as pessoas em sofrimento psíquico.

Estratégias para

Alcançar objetobjetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas

(Detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Cadastrar as famílias

 

Capacitar a equipe em acolhimento e protocolo de saúde mental

 

Adequar o mapa de atendimento para pessoas em sofrimento psiquico em geral, em uso de álcool e outras drogas

 

Construir projeto terapêutico

 

Dispensar medicamentos na farmácia da UBS

 

Visita domiciliar

Discussão dos casos já identificados pelos agentes comunitários de saúde – ACS e do plano de ação para cadastrar as famílias.

 

As capacitações terão como base o protocolo de saúde mental, que ficará de fácil acesso para consulta

 

Conversar com o gestor e a equipe para as adequações na agenda conforme a tabela de classificação de prioridade

 

Os casos mais complexos serão estudados e o médico irá construir um plano terapêutico para acompanhar (será plano terapêutico singular? Se sim, será apenas com o médico ou será multiprofissional e intersetorial?)

 

Será feito um documento para o CAF (escrever o significado da sigla) para liberação de medicamentos para a UBS

 

O ACS fará a busca ativa dos faltosos a consulta e a adesão ao tratamento juntamente com a médica

 

 

Ficha de registro, mapa de visita domiciliar

 

Celular para registrar (foto) as reuniões de grupo e visita domiciliar

 

Xerox

Cadastrar e acompanhar 100% das famílias, identificadas com sofrimento psíquico em geral

ACS, enfermeiro e médica

3 meses

Ficha espelho das famílias cadastradas

 

Tabela com a classificação de prioridade de atendimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERENCIAS

 

 

 

Brasil. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) – Manual Instrutivo 3º Ciclo (2015 – 2016). Brasília, 2015. Disponível m: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/Manual_Instrutivo_3_Ciclo_PMAQ.pdf>. Acessado em: maio 2018.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Instrumento de Avaliação Externa para as Equipes de Atenção Básica e Saúde Bucal (Saúde da Família ou Parametrizada). Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/Instrumento_Avaliacao_ externa_AB_SB.pdf. Acesso em: abril. 2018.

 

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ): manual instrutivo – Brasília: Ministério da Saúde, 2012.62 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos).

 

 

 

 

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