Título: Estratificação de risco nas doenças crônicas não transmissíveis no Município Afonso Bezerra equipe de saúde 3.
Especializando: wendy gutierrez cruz
Orientador: tulio felipe vieira de melo
Introdução
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são responsáveis por cerca de 60% das causas de mortes em todo mundo, afetando cerca de 35 milhões de pessoas por ano e, para a próxima década, espera-se que haja um aumento de 17% na mortalidade causada pelas DCNT. Dentre os principais tipos de DCNT, a doença cardiovascular (DCV) é a que tem o maior impacto epidemiológico, sendo responsável por cerca de 30% de todas as mortes no mundo. A DCV tem aumentado progressivamente, por conta do acúmulo de fatores de risco tradicionais como hipertensão e diabetes, bem como pelo envelhecimento e aumento da expectativa de vida, decorrentes da transição demográfica observada nas últimas décadas. (BRASIL, 2014).
Informe
Ao incorpora-me ao programa Mais médicos no Brasil e começar meu trabalho na atenção primaria de saúde não imaginava que o desafio seria tão grande. Trabalho no município Afonso Bezerra, pertencendo a equipe de saúde 3 da zona rural. Nossa equipe está composta por médico, enfermeira, odontólogo, técnica em saúde bucal, 3 técnicos de enfermagem, 8 agentes de saúde, ou seja, nossa equipe está completa o que nos permite oferecer uma atenção básica integral para nossa comunidade, mas atender uma população com um nível socioeconômico e educacional baixo foi difícil. Seria muito difícil organizar a agenda já que a demanda espontânea é muito grande e impossibilitava a realização de atividades de promoção e proteção de saúde.
Em pouco tempo pude observar que a maioria das consultas de pacientes com doenças crônicas se dava por agudizações, alguns já com complicações produzidas por estas doenças, principalmente a hipertensão arterial, diabetes mellitus e a obesidade mórbida.
Considerando que a maior demanda de doenças crônicas não transmissíveis são por hipertensos, diabéticos e obesos, justifica-se a realização deste projeto para a efetivação de um melhor atendimento de saúde neste segmento da população.
A classificação do risco destas doenças bem como o conhecimento do paciente e o seu seio familiar e social são medidas necessárias para avaliar o estado de saúde do paciente e traçar estratégias de controle.
Para realizar este projeto o primeiro passo foi o processo de autoavaliação da equipe utilizando como instrumento o manual da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ), nos reunimos primeiro para explicar a atividade que íamos ter nos próximos dias. Após essa primeira reunião iniciamos o processo de AMAQ. Utilizamos como instrumentos para agrupar a informação os registros dos prontuários familiares e individuais. Finalizamos essa etapa e realizamos a reunião final onde discutimos e analisamos os problemas encontrados. (BRASIL, 2017).
Um dos principais problemas encontrados foi que a equipe de Atenção Básica não organiza a atenção às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. A equipe de saúde desenvolve ações de saúde para os pacientes com estas doenças crônicas mais são insuficientes, só uma consulta mensal de hiperdia onde são atendidos no mesmo dia os hipertensos, diabéticos e obesos, dessa forma a consulta torna-se muito carregada é muito difícil fazer uma consulta de qualidade com a consequente dificuldade para estratificar adequadamente o risco dos pacientes.
Por tanto a consulta é programada com a mesma regularidade para todos os pacientes com doenças crônicas não transmissíveis independentemente da estratificação de risco. Por último a atenção para os pacientes obesos sem outras doenças associadas também é insuficiente.
Depois de identificado o problema realizamos a matriz de intervenção para a resolução do mesmo. (Anexo 1)
Com a realização deste projeto conseguimos resgatar os pacientes que não tinham um seguimento adequado pela equipe e registrar aqueles que foram diagnosticados a pouco tempo. Esperamos estimular mudanças nos estilos de vida destes pacientes para diminuir os fatores de risco relacionados com estas doenças.
Com a microintervenção, pudemos inserir em nosso processo de trabalho a rotina da autoavaliação, vimos que com esse instrumento poderíamos aumentar a qualidade da assistência aos usuários. Outra potencialidade foi o comprometimento, tanto da equipe quanto dos pacientes, para o sucesso da intervenção. Como fragilidades, a falta de alguns insumos e de compromisso da gestão.
O instrumento de avaliação será feito com os diferentes registros que será incluído na matriz de intervenção (livro de registro de prevalência e incidência de HAS, DM e obesidade, fichas individuais dos pacientes registrados, livro de registro de atividades educativas, livro registro de consultas da nutricionista).
Anexos
Anexo 1. Matriz de micro intervenção
| Descrição do padrão: A equipe de Atenção Básica organiza a atenção às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco | ||||
| Descrição da situação problema para o alcance do padrão:
Não todos os pacientes estão classificados segundo a estratificação do risco, pelo que as consultas não são organizadas na base deste problema. A quantidade de consultas é insuficiente assim como a educação destes pacientes. |
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| Objetivo/meta
Classificar todos os pacientes segundo estratificação de risco registrados com hipertensão arterial sistémica, diabetes mellitus e obesidade para |
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| Estratégias para alcançar os objetivos/ metas | Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) | Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades | Resultados esperados | Responsáveis |
| 1.Registrar ao 100% dos pacientes com hipertensão arterial sistémica (HAS), diabetes mellitus (DM), obesidade | – Realizar visitas de terrenos ao 100% das famílias para registrar ao 100% dos pacientes com HAS, DM e obesidade
– Revisar os prontuários individuais para atualizar os prontuários com os casos novos |
– Transporte | – atualizar o registro de pacientes com HAS, DM e obesidade | – ASG
– Médica – Enfermeira – Técnica de enfermagem |
| 2. Realizar a estratificação de risco pacientes com HAS, DM e obesidade | – Programar 2 consultas mensais para os pacientes com HAS, DM e obesidade
– Realizar anamnese, exame físico completo aos pacientes com HAS, DM e obesidade -Realizar estratificação de risco nestes pacientes |
– Balança, fita métrica, tensiómeto, glucosímetro. | – realizar estratificação do risco de todos os pacientes com HAS, DM e obesidade
– Programar as consultas na base da estratificação de risco |
– ASG
– Médica – Enfermeira – Técnica de enfermagem |
| 3. Estimular estilos de vida saudáveis nos pacientes com HAS, DM e obesidade | – Palestras sobre alimentação saudável
-Palestras sobre estilos de vida saudável -Inter consulta com a nutricionista do 100% dos pacientes |
– Material didático
– salão para reunião com mobiliário adequado |
– lograr mudanças nos estilos de vida dos pacientes com HAS, DM e obesidade | – ASG
– Médica – Enfermeira – Técnica de enfermagem – Nutricionista |
| Descrição do padrão: A equipe de Atenção Básica organiza a atenção às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco | |
| Descrição da situação problema para o alcance do padrão:
Não todos os pacientes estão classificados segundo a estratificação do risco, pelo que as consultas não são organizadas na base deste problema. A quantidade de consultas é insuficiente assim como a educação destes pacientes. |
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| Objetivo/meta
Classificar todos os pacientes segundo estratificação de risco registrados com hipertensão arterial sistémica, diabetes mellitus e obesidade para |
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| Prazos | Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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2. Pacientes comprometidos ao trabalho a realizar
. Fichas individuais dos pacientes registrados |
| 3. maio 2018 até dezembro 2018 | 3. registro de atividades educativas
pacientes e familiares comprometidos com a atividades a realizar Registro de consultas da nutricionista Fichas individuais dos pacientes |
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. Diretrizes Clínicas para o Cuidado ao paciente com Doença Renal Crônica – DRC no Sistema Único de Saúde/ Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. p.: 37 p.: il.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica : AMAQ [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/autoavaliacao_acesso_qualidade_atencao_basica_ eletronico_1ed.pdf>.





