OBSERVAÇÃO NA UNIDADE DE SAÚDE – DISCUSSÃO MULTIPROFISSIONAL PARA MELHORIA DO CUIDADO NA ATENÇÃO BÁSICA
ESPECIALIZANDO: WELLINGTON DA SILVA BESSA
ORIENTADOR: TULIO FELIPE VIEIRA DE MELO
COLABORADORES: EQUIPE DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DOS DOURADOS – SÃO MIGUEL DO GOSTOSO/ RN
A partir da vivência com usuários e equipe na atenção primária de saúde e da aquisição de experiências advindas das dificuldades e desafios nesse percurso, viu-se a necessidade da realização de uma análise sistemática sobre a qualidade dos serviços de atenção e assistência prestados. Baseado nisso, a equipe de Estratégia de Saúde da Família dos Dourados de São Miguel do Gostoso/RN promoveu um momento, reservado aos funcionários, para uma autoavaliação da qualidade do trabalho, cujo objetivo era identificar pontos de deficiência para que medidas de intervenção pudessem ser tomadas para a melhoria do serviço.
Para garantir a presença de todos os envolvidos, optou-se por realizar esse momento após a reunião de matriciamento mensal, junto ao Núcleo de Apoio a Saúde da Família – NASF. Como ferramenta de instrução analítica, utilizou-se o documento de Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica – AMAQ-AB.
Todos os integrantes da equipe debateram sobre as dimensões e subdimensões que a AMAQ abrange, os indivíduos mostraram concordâncias na maioria das dimensões, com discordâncias pontuais. Discorrido sobre os temas, foi possível observar pontos fortes e fracos não só nos serviços que a unidade promove, mas também na estrutura física, educação permanente da equipe, gerenciamento e funcionamento do trabalho.
Identificaram-se problemas nas seguintes subdimensões da AMAQ, gestão do trabalho, educação permanente e qualificação da equipe, infraestrutura e equipamentos, obtendo-se nota inferior a cinco. Levantada a possibilidade de elaboração de medidas factíveis, independentes de instâncias superiores para o alcance de resultados promissores, viu-se maior chance de sucesso em se debruçar sobre o tema da educação permanente, para o qual se elaborou uma matriz de intervenção.
Essa matriz tem o objetivo de alcançar a promoção de capacitações continuadas, com enfoque na equipe, para que a mesma proporcione melhorias no acesso, na atenção, acolhimento e resposta ativa aos problemas vivenciados no território. Como estratégia para alcançar o sucesso dessas medidas, propuseram-se reuniões mensais entre os membros da equipe para a discussão de temas pertinentes, compartilhamento de experiências, estudos em grupo, baseado em referencial bibliográfico e reflexões sobre os aspectos que estão sendo pertinentes ou não nessas atividades. Espera-se total adesão dos membros da equipe às reuniões, estímulo à busca de conhecimentos e treinamentos permanentes, reprodutibilidade por outras equipes e continuidade de atividades semelhantes à posterior e, além de aumento da capacidade de atender aos anseios dos usuários e suas famílias.
Os recursos necessários a sua implementação são: notebook, sala, retroprojetor e referencial teórico. A intervenção terá a duração de seis meses, inicialmente, podendo ser estendida de acordo com as necessidades e resultados. Os responsáveis pela sua execução são os próprios membros da equipe com apoio da coordenação da estratégia de saúde da família.
As dificuldades no sucesso de tais medidas estão na dedicação pessoal dos envolvidos e na execução das atividades de uma maneira didática e não enfadonha. No entanto, veem-se potencialidades pertinentes e inovadoras que poderão refletir positivamente na qualidade de vida da população adstrita, podendo se tornar modelo para que outras equipes se espelhem e criem formas criativas de intervenção com o bônus de não requerer subsídios elevados para a implementação.
Dentre os pontos abordados em reunião, notou-se também a necessidade de se avaliar e monitorar a produtividade da unidade de forma clara e objetiva, até então existente apenas nos livros de registro de produção, pouco apreciados e difíceis de analisar. Assim, de forma que funcionários e usuários pudessem ter melhor conhecimento das potencialidades e deficiências do serviço, após votação dos presentes na decisão de como trabalhar e expor tais dados, ficou acordado que será disponibilizado na unidade, semelhante à sala de situação, uma tabela feita em papel madeira, com as informações dos indicadores do programa nacional de melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – PMAQ, onde os mesmos serão registrados mensalmente, através do recolhimento dos dados produzidos por toda a equipe no mês anterior com posterior plotagem na tabela (figura 1). Esse instrumento servirá não só para autoavaliação da equipe e das atividades, mas também será ferramenta de monitoramento e medidas de intervenção.
Ao final de todas as etapas desta pequena intervenção foi possível observar que os conceitos aprendidos puderam ser postos em prática e que através do trabalho conjunto e do compartilhamento de ideias, medidas criativas e financeiramente viáveis são factíveis e potencialmente benéficas à melhoria da atenção básica para usuários e seus familiares.
figura 1
