TITULO: Melhoria da Atenção ao controle e detecção precoce do câncer de colo do útero e de mama, na UBS Nazaré Mineiro , Laranjal do Jari/AP
ESPECIALIZANDO: MINEYLIS DOMINGUEZ BRIZUELA
ORIENTADOR: CLEYTON CEZAR SOUTO SILVA
Logo ao realizar a auto avaliação da equipe foi possível detectar que a maior dificuldade ou problema em nosso posto de saúde, são a coleta de material citopatológico do colo do útero e a realização da mamografia nas mulheres em idade fértil e acima dos 40 anos respectivamente. O elevado número de incidências e mortalidade por câncer cervico-uterino e de mama, deve-se a baixa qualidade e cobertura do teste de Papanicolau, principalmente em nossa área de cobertura cuja maioria da população mora em área rural, e zonas descoberta onde não contamos com ACS. Além do que, a gestão em nosso município não possibilita a implantação dos insumos e capacitação profissional para a coleta desse exame. Também o desconhecimento das mulheres em fazer o exame de controle pelo menos a cada dois anos, e as consequências mortes de ambas as doenças. A maior parte das mulheres nunca realizou a mamografia.
O câncer constitui um problema de saúde pública, cuja prevenção e controle deverão continuar a ser priorizados em todos os Estados, mesmo naqueles onde, aparentemente, a população ainda apresenta um menor risco de adoecer dessa doença.
O câncer da mama representa a primeira causa de morte, por câncer, entre as mulheres, com uma variação percentual relativa de mais de 80% em pouco mais de duas décadas em que a taxa de mortalidade padronizada por idade. Já o câncer do colo do útero é o mais incidente na região Norte, como nosso território. (OLIVEIRA , 2006)
É bem conhecido que o câncer do colo uterino representa uma das causas de óbito mais frequente na população feminina da América Latina, onde as taxas de incidência encontram-se entre as mais altas do mundo. Esta situação pode ser atribuída à falta ou à deficiência de ações preventivas, em que um programa eficaz de screening continua sendo um desafio. (OLIVEIRA , 2006)
No Brasil, o Ministério da Saúde, para controlar o câncer cervico-uterino, em 1988, adotou a norma da OMS a qual propõe realizar o exame citológico nas mulheres entre 25 e 60 anos, a cada três anos após dois resultados negativos com intervalo anual, ainda que notadamente haja grande deficiência de recursos na área de saúde (OLIVEIRA , 2006).
O câncer cervico-uterino está relacionado com baixos níveis socioeconômicos; com a conduta sexual, como precocidade do início da atividade sexual e promiscuidade; com o hábito de fumar e com fatores nutricionais. Já no caso do câncer da mama, embora tenham sido identificados alguns fatores ambientais ou comportamentais associados a um risco aumentado, estudos epidemiológicos não fornecem evidências conclusivas que justifiquem a recomendação de estratégias específicas de prevenção (OLIVEIRA , 2006).
O que se procura é a detecção precoce, porém na grande maioria dos casos ele é diagnosticado em estágios não iniciais, assim, falta-nos programas de rastreamento realmente efetivos, visando à detecção precoce das formas subclínicas – lesões não palpáveis. A mamografia (MG) convencional é o método de escolha para a detecção precoce nos programas de rastreamento do câncer da mama. A mortalidade pode ser reduzida em aproximadamente 30%. A mamografia é um método de avaliação por imagem das lesões palpáveis em mulheres com idade igual ou superior a 40 anos. Podendo ser essa complementada pela ultrassonografia (OLIVEIRA , 2006)
Na atualidade, um grande número de usuárias diagnosticadas com câncer de colo do útero e de mama apresentam infelizmente a doença em estágio avançado já na primeira consulta o que limita muito a possibilidade da cura.
A análise situacional realizada, constatou-se que há necessidade de melhoria da cobertura deste programa de controle do câncer nas mulheres, já que no momento é muito baixa para ambos cânceres de mama e de colo uterino, pois a unidade possui muitas deficiências para cumprir os protocolos. Infelizmente, estes dois programas não são os que melhor se desenvolvem-na nossa UBS, já que não se realizam-se as coletas para o Citopatológico Cervico Vaginal (Preventivo), nem ocorre a solicitação dos exames mamográficos segundo a faixa etária. Porém, não existe um registro, pois não é costume registrar os resultados dos exames nos prontuários, o que provoca uma cobertura muito baixa para essas ações programáticas.
Este trabalho de microintervenção foi realizado na UBS “Nazaré Mineiro” no município de Laranjal do Jari, Estado Amapá. Nosso principal objetivo é melhorar a atenção ao controle e detecção precoce do câncer de colo do útero e do câncer de mama das mulheres da área, em função desta ser uma das ações programáticas que apresenta maior dificuldade em nosso serviço de saúde.
Foi realizada a avaliação a partir dos indicadores do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) que situa a avaliação como estratégia permanente para a tomada de decisão e ação central para a melhoria da qualidade das ações de saúde, sendo esta considerada como atributo fundamental a ser alcançado no SUS. (BRASILIA 2016).
Os processos auto avaliativos na atenção básica devem ser contínuos e permanentes, constituindo-se como uma cultura. internalizada de monitoramento e avaliação pela gestão, coordenação e equipes/profissionais (BRASIL 2017).
Na minha Unidade o processo de autoavaliação foi feito primeiramente por uma reunião com todos os membros da equipe, para a identificação dos principais potencialidades e fragilidades de nossa área de abrangência, e propor as possíveis soluções para garantir a qualidade da atenção básica.
Existiu uma interação entre a equipe, e se identifico o problema prioritário para estabelecer uma matriz de intervenção. A dimensão avaliada foi Educação Permanente, Processo de Trabalho e Atenção Integral a Saúde; na Subdimensão Atenção Integral à Saúde possui 35 padrões com uma totalidade de 350 pontos, mais em nossa autoavaliação só foram analisados os padrões referentes a saúde da mulher( Anexo 1) que se constitui em 11 com um total de 110 pontos possíveis de serem alcançados, nossa equipe obtém resultado igual a 54 pontos, o que representa 49% classificando o desempenho como regular na subdimensão analisada ( Anexo 2).
O problema identificado foi na subdimensão: Atenção Integral à Saúde, no padrão de qualidade 4.26: A equipe de Atenção Básica desenvolve ações sistemáticas de identificação precoce do câncer de colo uterino e de mama e faz busca ativa dos casos de citologia alterada. Nesse ponto qualifico com 1 pontos (Anexo 2), ou seja, muito insatisfatório, pôs como já tinha falado em nossa Unidade de Saúde não se faz citopatológico de colo de útero, não existindo os insumos necessários para sua coleta, sendo uma ferramenta imprescindível para o controle e prevenção da doença; mais si a solicitação do mesmo para fazer em outros postos ou pelo setor privado; e de mamografia nas faixas etárias recomendadas.
Para a solução do problema realizamos a Matriz de intervenção (Anexo 3) com atividades que priorizam o fortalecimento do trabalho para melhorar a qualidade da atenção básica. Em um segundo momento da reunião, foi analisado pela equipe do professionais o instrumento de registro dos indicadores de desempenho, como as fichas de atendimento individuais, fichas dos procedimentos e livros de registros. Além deconstruir um instrumento( Anexo 4), que se aplicara em nossa unidade de saúde, com uma avaliação geral mensal por ano; começará a ser feito no momento que fosse possível na coleta do citopatológico, mais a gestão municipal asseguro que para o próximo mês se ia a providenciar na unidade; para assim acompanhar os efeitos da microintervenção, identificar e corrigir os problemas, e analisar desempenho feito pela equipe. E preciso retroalimentar as equipes de saúde, a gestão e a comunidade com informações a respeito do processo de melhoria de acesso e da qualidade na Atenção Básica.
A microintervenção foi feita em um período de tempo curto o que apresentou uma dificuldade para a obtenção dos dados já que a reunião e os demais encontros da equipe foram feitos em horário fora do expediente, e não contávamos com a presença de 100% da equipe. Outras das dificuldades encontradas durante o trabalho foi, que a pesar das estratégias e das atividades realizadas, ainda encontrassem dificuldades na hora dos registros de alguns dados. Mais continuaremos fornecendo e aumentando nossos conhecimentos, para uma atenção de qualidade nos serviços da saúde.
A principal potencialidade foi o trabalho em equipe, o que facilito a realização da investigação em pouco tempo, além disso a Secretaria Municipal de Saúde nos facilito arquivos ordenados e com suficientes dados que foi de muita ajuda para a realização do projeto. A Unidade encontrasse em área rural mais os pacientes participam nas atividades programadas. Além de ter uma equipe multifuncional (Medico, Enfermeiro, Agente Comunitário de Saúde, Técnico em Enfermagem, Psicólogo, Medico Especializado em Ginecobstetricia, Nutricionista, entre outros) bem preparados no tema abordado.
A investigação possibilitou e melhorou em grande medida a formação de um vínculo maior com a comunidade, melhorando assim a qualidade e acessibilidade do serviço de saúde. Conclui-se que há ainda necessidade de melhorias no serviço e maior envolvimento e comprometimento da equipe, dos gestores e usuários, promovendo a incorporação e continuidade da intervenção no serviço, para assim melhorar cada vez mais a atenção das nossas usuárias.
Espera-se com o presente projeto de microintervenção enfatizar na promoção dos estudos que são feitos para a prevenção da doença do câncer de colo e de mama. Realizando-se controles periódicos, diminuindo a incidência e mortalidade da doença. Também que com nosso trabalho alcancemos resultados satisfatórios, nos prazos previamente estabelecidos, e que a equipe aumente o grão de conhecimento sobre o correto preenchimento de dados, e sobre a importância que isso traga para a equipe e a comunidade.
REFERÊNCIAS:
– BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.206, de 14 de setembro de 2011. Institui, no âmbito da Política Nacional de Atenção Básica, o Programa de Requalificação de Unidades Básicas de Saúde e o respectivo Componente Reforma. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, 19 set. 2011a. Disponível em: . Acesso em: 22 dez. 2016.
– BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ): manual instrutivo. Brasília: Ministério da Saúde, 2011e. 62 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos).
-BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012d. (Série E. Legislação em Saúde). Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2016.
– Departamento de Atenção Básica. PMAQ. Portal do Departamento de Atenção Básica. 2015. Disponível em:
<http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_pmaq.php>. Acesso em: 29 abr. 2018.
-BRASIL. Ministério da Saúde. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica – AMAQ. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: . Acesso em: 20 nov. 2016.
– BRASIL. Instituto Nacional de Câncer [homepage na Internet]. Rio de Janeiro: INCA; c1996-2005 [citado em 9 set 2005]. Atlas de mortalidade por Câncer no Brasil: 1979-1999. Disponível em: http://www.inca.gov.br/atlas.
-BRASIL. Instituto Nacional de Câncer [homepage na Internet]. Rio de Janeiro: INCA; c1996-2005 [citado em 9 set 2005]. Prevenção do câncer de colo uterino. Disponível em: http:/ /www.inca.gov.br/conteúdo.
ANEXOS
Anexo 2
Dimensão: Educação Permanente, Processo de Trabalho e Atenção Integral á Saúde
Subdimensão– L: Atenção Integral à Saúde.
|
# padrões |
4.20 |
4.21 |
4.22 |
4.23 |
4.24 |
4.25 |
4.26 |
4.27 |
4.40 |
4.46 |
4.49 |
total |
|
Resultados |
5 |
3 |
3 |
7 |
5 |
7 |
1 |
7 |
5 |
4 |
7 |
54 |
Escala de classificação dos padrões
|
Classificação |
Muito insatisfatório |
Insatisfatório |
Regular |
Satisfatório |
Muito satisfatório |
|
Pontos |
0-2 |
3-5 |
6-7 |
8-9 |
10 |
Percentual das subdimensões em categorias
|
Classificação |
Muito insatisfatório |
Insatisfatório |
Regular |
Satisfatório |
Muito satisfatório |
|
Pontos |
0 a 17 |
18 a 35 |
36 a 53 |
54 a 71 |
72 a 90 |
Anexo 3: Matriz da intervenção
Descrição o padrão: A equipe de Atenção Básica desenvolve ações sistemáticas de identificação precoce do câncer de colo uterino e de mama e faz busca ativa dos casos de citologia alterada.
Descrição da situação problema para o alcance do padrão: A equipe tem dificuldade na coleta de material citopatológico do colo do útero e a realização da mamografia, a mulheres em idade fértil e acima dos 40 anos respectivamente.
Objetivo: Melhorar a atenção do controle e detecção precoce do câncer de colo do útero e de mama da UBS Nazaré Mineiro no município Laranjal do Jari/ AP.
Meta: Alcançar plenamente o padrão descrito, realizar a integração da população feminina em idade fértil sobre a importância da realização dos exames periódicos para identificação precoce do câncer de colo uterino e de mama.
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Estratégia para alcançar os objetivos e metas |
Atividades a serem desenvolvidas |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
|
Realizar palestras sobre a importância da prevenção do câncer de colo e mama |
Realizar contato a comunidade feminina em idade fértil. |
Recurso humano |
Participação da maior quantidade de mulheres possíveis. |
Enfermeira Médico ACS Representante do NASF 5.2 |
Mensal |
Cronograma de participantes preenchido. |
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Procurar com a gestão municipal os insumos necessários para a coleta de citopatológico |
Realizar reunião com a gestão |
———————– |
Insumos para coleta de cito patológico |
Enfermeira Médico ACS Direção de lá UBS Gestor municipal ou Chefe de Atenção Básica |
Maio /2018 |
Preenchimento de constância da reunião. |
|
Indicação de exames de identificação precoce de câncer de mama. |
Indicar examines: mamografía. |
Consultas medicas e de enfermagem. |
Procurar a indicação a todas as mulheres acima de 40 anos |
Enfermeira Tec. Enfermagem ACS Medica
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Cada 2 anos |
Cada 2 anos. |
Anexo 4 Indicadores de desempenho
Estratégia de Saúde da Família – ESF Nazaré Mineiro
Instrumento construído por minha Equipe de Saúde para monitorar dos indicadores de desempenho do PMAQ a partir do SIS.
Indicador de desempenho: Acesso e continuidade do cuidado: Razão da coleta de material citopatológico do colo do útero e número de avaliação de resultados
Número de indicações de mamografias e número de avaliação de resultados
| Indicador de desempenho | Jan | Fev. | Mar | Abr. | Mai | Jun. | Jul. | Ago. | Set | Out | Nov. | Dez |
| No. coleta de material citopatológico do colo do útero | ||||||||||||
| No de avaliações
de cito patológico do colo do útero |
||||||||||||
| No de indicações de mamografias | ||||||||||||
| No de avaliações de mamografias |
Ponto(s)