24 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

MELHORIA DA SAÚDE MENTAL NA UNIDADE BASICA DE SAUDE IRMÃ ANA DIAS

ESPECIALIZANDA: LUDMILA ALMENARES GONZALEZ

ORIENTADORA: DANIELE VIERA DANTAS

COLABORADORES: NARAJANE DOS SANTOS FARIAS, ADIS DANTAS, REGIANA MARIA DOS SANTOS E SANTANA ROSARIO DOS SANTOS

 

Os pacientes com doenças mentais são um dos principais atendimentos em nossa Unidade Básica de Saúde (UBS). Por isso minha equipe decidiu fazer uma micro intervenção para melhorar o acolhimento e atendimento desses pacientes que precisam de ajuda.

Na minha Unidade temos 292 pacientes com transtornos mentais de um total de 2.277 pacientes, que representa um 12,8% da população total. Os principais problemas são     ansiedade, depressão, transtornos do pânico, insônia, idealização suicida e usuários de álcool e outras drogas.

De todos os casos atendidos na UBS, o mais significativo é da paciente X, 19 anos, estudante do técnico em enfermagem, residente com tia, tio e dois primos. Foi criada pela tia, que estava muito preocupada porque a paciente isolou-se em casa sem querer falar com ninguém e com ideia suicida, o que levou a responsável a procurar a consulta na unidade, sendo atendida no mesmo dia. Durante a consulta, a jovem não falou nada na frente a tia e pediu para conversar sozinha. Durante a conversa, a paciente não falou o motivo de querer morrer, apenas chorava.

Levei o caso a reunião da equipe junto com o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) e a Psicóloga falou conhecer a paciente, pois há um ano esta foi atendida com a mesma sintomatologia. Ela afirma sentir muita falta de seus pais. A mãe é usuária de drogas e o pai, de álcool, são separados e não criam a filha.

A equipe e o NASF decidiram encaminhar a paciente ao psiquiatra e psicólogo do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Durante a consulta com o psiquiatra, foi prescrito tratamento medicamentoso e está sendo acompanhada pelo psicólogo e a equipe de saúde. 

No município Caicó, contamos com dois psiquiatras que fazem consulta ambulatorial, duas vezes por semana e com CAPS III com funcionamento 24 horas/dia e leitos de atenção a crise, que atende toda a região Seridó.  Apesar da estrutura, apenas casos graves são encaminhados para ao psiquiatra, o acesso ao atendimento é demorado devido à alta demanda e poucos especialistas. Temos dificuldades com a contra referência e não existe boa comunicação do serviço de psiquiatria com as UBS.

Nós recebemos o apoio da equipe do NASF duas vezes por semana e essa equipe coordenou uma capacitação sobre matriciamento, acolhimento e manejo dos pacientes com doenças psicológicas. 

Na busca da melhoria dos serviços, nossa equipe fez uma reunião para a construção de instrumento de controle dos pacientes com uso crônico de benzodiazepínicos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, estabilizadores de humor, ansiolíticos, usuários de álcool e outras drogas e os pacientes com sofrimento psíquico grave. O instrumento contém os seguintes itens: prontuário, nome e sobrenome, data de nascimento, idade, sexo, endereço, ocupação, data de prescrição, doença psicológica, outras doenças, tratamento controlado, outros tratamentos, referência e sofrimento psíquico grave. Ele permite um maior controle das doses terapêuticas, tempo de uso das medicações para poder fazer desmame oportuno e reajustar a dose de quem precisa.

A consulta para os pacientes com sofrimento psíquico é feita no dia, pois são pacientes que entram dentro das prioridades do atendimento da UBS. Eles não podem aguardar agendamento porque o sofrimento mental pode levar a tentativa de suicídio, autoagressão e morte. Depois são agendados para ter seguimento mensais, que permitem o acompanhamento do tratamento.

A equipe tem um controle de todos os pacientes consumidores de psicotrópicos, que permite avaliação constante e redução da dose da medicação no momento oportuno sempre e quando seja possível.

Encontramos como dificuldades alto número de pacientes consumidores de vários tipos de medicamentos psicotrópicos e com uso prolongado e o pouco conhecimento da equipe para o manejo do paciente com doenças psicológicas.

Como estratégia, a equipe decidiu criar, junto com o NASF, um grupo de pessoas com casos menos graves, para oferecer apoio psicológico, desmame dos medicamentos, terapia com fitofármacos e outros tipos.

Portanto, com a micro intervenção a equipe ganhou em conhecimento e ferramentas para melhorar o cuidado com pessoas com doenças psicológicas na atenção primária a saúde e decidiu investir em capacitação permanente.    

 

 

 

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