RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: PREVENINDO A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA
ESPECIALIZANDO: WILIAN OSVALDO PEREZ TORRES
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
A gravidez na adolescência, tanto no Brasil como em diversos países do mundo, representa uma importante questão de saúde pública, evidenciado pelo crescente índice de gestações precoces e incidência de intercorrências obstétricas e neonatais. Denomina-se gravidez na adolescência a gestação ocorrida em jovens de até 19 anos que se encontram, portanto, em pleno desenvolvimento dessa fase da vida. No Brasil os números são alarmantes, pois as mães adolescentes responderam por 22% de cerca de 668 000 partos ocorridos em 2003 É preocupante também a gravidez em adolescentes em situação de vulnerabilidade social, observando-seque, conforme dados do IBGE/PIMAD/IPEA na série histórica 1992 a 2006, a taxa de fecundidade aumentou entre adolescentes com e sem vulnerabilidade social (CAMPOS, 2000; GUIMARÃES, 2001; BRASIL, 2007).
Em relação à taxa específica de fecundidade no grupo de mulheres entre 10 e 14 anos e 15 e 19 anos, observa-se que este número aumentou consideravelmente nas últimas quatro décadas no Brasil. Em 1980, a fecundidade das mulheres de 15 a 19 anos de idade representava 9,1% da fecundidade total do país. Em 2000, esse percentual aumentou para 19,4%. Do total de nascidos vivos do país, foram identificados 0,9% de nascidos vivos de mães entre 10 e 14 anos e 22,4% de nascidos vivos de mães entre 15 e 19 anos (BRASIL, 2004).
O aumento da gravidez na adolescência em países em desenvolvimento tem despertado o interesse de pesquisadores e profissionais de saúde. A literatura demonstra que as adolescentes grávidas são mais pobres, de mais baixa escolaridade, têm menor atenção durante o pré-natal, filhos com maiores taxas de baixo peso ao nascer e de mortalidades neonatal e infantil. A gravidez não planejada na adolescência traz sérias implicações biológicas, familiares, psicológicas, econômicas, além de sociais que atingem o adolescente e a sociedade como um todo sendo uma questão de saúde pública. As consequências da gravidez na adolescência são bem conhecidas: aumento do risco de mortalidade materna e infantil e morbidade entre as mães fertilidade de vida global mais alta e as consequências sociais, como o abandono dos estudos (BRASIL, 2010).
O PMAQ é a principal estratégia indutora de mudanças nas condições e nos modos de funcionamento das UBS e tem como objetivo geral induzir a ampliação do acesso e a melhoria da qualidade da Atenção Básica. Para refletir sobre as estratégias realizadas por nossa equipe a fim de desempenhar esta ação programática, primeiro realizamos uma reunião com o objetivo de fazer uma reflexão sobre o planejamento reprodutivo, atenção pré-natal e no puerpério, identificando como fragilidade principal a falta de discussão sobre saúde sexual em grupos de jovens e principalmente com adolescentes. Devido à importância desta questão e ao alto índice de adolescentes grávidas, em nossa área de abrangência (total de 35 gestantes, 10 são adolescentes), decidimos implementar esta microintervenção.
Sendo assim, dada a importância da questão da gravidez na adolescência no que diz respeito ao impacto na vida e saúde das jovens, constitui-se uma prioridade a intervenção sobre esse grupo de adolescentes. Nesse contexto, a equipe de saúde da Estratégia de saúde da Família apresenta grande potencial de intervenção por meio de processos educativos, apresentando-se a mesma como instrumento essencial voltado para aprimorar os conhecimentos da população e fornecer uma melhor qualidade de vida.
O objetivo principal desta intervenção é reduzir a incidência de gravidez na adolescência na área de atuação de nossa equipe.
A atividade educativa se deu através da implementação de uma intervenção educativa dividida em 3 encontros, distribuídas em 2 horas por semana. Os jovens foram divididos em dois grupos: um com adolescentes de 11 a 14 anos e outro com jovens de 15 a 19 anos. Essa divisão justifica-se pelas características específicas das fases de desenvolvimento. Os jovens de 11 a 14 anos apresentam-se no período peripuberal passando por grandes mudanças físicas e psicológicas. Estreitam os laços com pessoas do mesmo sexo e passam a se desconectar dos país. Possuem ainda metas profissionais irreais, desejam realizar fantasias e possuem comportamento impulsivo, começando a se preocupar com a aparência. Os jovens de 15 a 19 anos estão no período de máxima relação com seus parceiros, compartilhando valores, mas também conflitos com os pais. Para muitos, é a média de idade de início da atividade sexual.
Os encontros aconteceram na própria UBS. Para a implementação dos encontros foram utilizadas técnicas participativas e discussões em grupo, bem como vídeos relacionados ao tema. Os principais tópicos discutidos foram: Gravidez na adolescência, Doenças sexualmente transmissível e Métodos contraceptivos.
Acredita-se que o desenvolvimento de ações e estratégias de educação em saúde sobre o problema contribuirá para a diminuição da gravidez na adolescência na área de abrangência do serviço em saúde. Espera-se que essa atividade seja o disparador de várias ações que promovam: o aprimoramento do conhecimento sobre gravidez em adolescentes; a diminuição do número de adolescentes que engravidam por falta de orientação; mobilização social para incremento das opções de lazer para os adolescentes na comunidade; capacitação da equipe de saúde com o objetivo de aumentar os conhecimentos sobre a gravidez na adolescência e diferentes técnicas de educação em saúde participativas; implementação de ações no serviço de saúde como visita domiciliara pela equipe de saúde com o objetivo de esclarecer dúvidas e dos jovens sobre a gravidez na adolescência.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Comissão de Saúde do Adolescente. Adolescência e Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação em Saúde. Saúde Brasil 2007: uma análise da situação de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise de Situação em Saúde. Saúde Brasil 2004: uma análise da situação de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
CAMPOS, M. A. B. Gravidez na Adolescência. A imposição de uma nova identidade. Pediatr Atual. 2000, v.13, p.25-6.
GUIMARÃES, E. B. Gravidez na adolescência: fatores de risco. In: SAITO, M. I.; SILVA, E.V. Adolescência: prevenção e risco. São Paulo: Atheneu, 2001.
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