RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: PRÉ-NATAL, PUERPÉRIO E PARTICIPAÇÃO DO PARCEIRO
ESPECIALIZANDO: WANDEIR LIMA DOS SANTOS
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
COLABORADORES: ANNAYR BARRETO (COORDENADORA DA ATENÇÃO BÁSICA MUNICIPAL); ALINE TÂMISA OLIVEIRA (ENFERMEIRA DA UNIDADE BÁSICA); ELEÔNIA SILVA (TÉCNICA EM ENFERMAGEM DA UNIDADE BÁSICA); MAÍSA SILVA (AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE); ELENILDA OLIVEIRA (AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE)
Atualmente, no Brasil, é reconhecida a importância de se ter um acompanhamento abrangente no pré-natal, que inclua não só as questões biológicas, mas, também, outros aspectos relevantes ao desenvolvimento infantil, como a saúde emocional da mãe, o apoio que ela encontra nos familiares, no trabalho, na escola e na comunidade, bem como orientações sobre a importância da construção do vínculo com o bebê e da participação do pai. Assim, deve-se tratar com igual atenção e importância os aspectos relacionados à vida psíquica da gestante, sua família e seu ambiente social direto e indireto. Isto porque o impacto que se tem com essa abordagem ampliada do pré-natal, trabalhando os aspectos físicos, emocionais e sociais da gestante e seu ambiente, potencializa o desenvolvimento infantil em suas múltiplas dimensões: motora, intelectual, de linguagem, social e emocional (BRASIL, 2004).
O principal objetivo da Atenção Básica no que diz respeito ao pré-natal e período puerperal é acolher de maneira adequada e satisfatória todas as gestantes do território, garantindo-lhes uma gestação saudável, livre de dúvidas e integral em todos os seus direitos. Para que se possa realizar uma atenção pré-natal adequada, otimizada e humanizada, é necessário que sejam estabelecidas formas de acolhimento que tornem este processo mais acessível e que de alguma maneira, nós, profissionais de saúde consigamos chamar a atenção não só da gestante, como também do seu parceiro, para tudo o que diz respeito ao período de consultas, imunizações e planejamento familiar (BRASIL, 2013).
Após reunião realizada com todos os membros da Equipe de Saúde, concluímos que o maior problema relacionado a este tema é, sem dúvidas, a falta quase que total, de participação dos parceiros durante do o período gestacional em consultas e avaliações especificas. Baseado em estudos realizados nas mais diversas partes do mundo, se evidenciou que a participação do companheiro durante a gestação, agrega em conhecimento por parte do pai, além de maior segurança por parte da mãe.
Avaliamos que por vários motivos, os parceiros não comparecem, seja por trabalho, seja por achar que não “tem nada a ver” nesta consulta. Após debatermos sobre tal debilidade, chegamos à conclusão que deveríamos implementar uma ferramenta ou estratégia para que este problema fosse resolvido ou amenizado. Decidimos atrair os parceiros através da junção de consultas de pré-natal com outros temas como “hiperdia” e saúde sexual, desta maneira imaginamos que a presença masculina se dará em ao menos uma consulta pré-natal mensal devido ao fato de os dois temas estarem sendo abordados no mesmo dia, tanto a demanda da esposa, quanto do marido, fazendo uso disto para aproveitar a oportunidade com a presença do mesmo na UBS.
Após implementada a estratégia mencionada, tivemos uma discreta elevação nos indicadores de presença do parceiro nas consultas durante a gestação nos últimos 03 (três) meses, porém, muito distante ainda, do que consideramos ideal ou aceitável. Para seguir tentando melhorar neste aspecto, vamos iniciar a realização de palestras com multimídia voltadas aos casais, além de aproveitar visitas puerperais para orientar também os pais sobre a importância de sua presença durante todo este período.
Identificado também, dificuldade para atender usuária da Unidade nos primeiros dias de puerpério, explicamos aos membros da equipe, sobre a importância de boa orientação, avaliação de condições de moradia, de maternidade, testes de triagem neonatal, situação psicossocial da família e sobre a importância do aleitamento materno exclusivo até os 06 (seis) meses de vida.
Nesta reunião, os Agentes de Saúde se mostraram, na sua totalidade, inseguros e repletos de dúvidas sobre que orientações e procedimentos devem ser dados aos pais, assim como que dados devem ser trazidos destas visitas, como “feedback” para a UBS. Nos pediram que de alguma maneira, possamos atualizá-los com relação a este tema.
Foi percebida também, deficiência com relação à oferta de métodos anticoncepcionais. Hoje, na Unidade, disponibilizamos pílulas e injetáveis. Existe pouco conhecimento sobre a importância do seu uso, por parte da população. Por isto, ficou determinado que serão ofertadas ações educativas voltadas para este tema, que se darão de maneira frequente, inicialmente planejadas a cada 45 dias. Nestas ações também serão abordados todos os principais assuntos relacionados à Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s) como Sífilis e HIV, prevenção e consequente tratamento, além da oferta e importância da realização dos testes rápidos, disponíveis atualmente, na nossa Unidade.
Para cumprir os protocolos existentes sobre este processo de desenvolvimento na vida familiar, deve existir o acompanhamento continuo da população pela Equipe de Saúde de sua localidade, para o qual em nossa Unidade decidimos realizar uma reunião com todos os membros para avaliar o cumprimento de cada um dos fatores que levam ao ótimo desenvolvimento deste Processo.
Com base nisto, organizamos em nosso cronograma, a realização de atividades em saúde permanente para todos os profissionais de saúde do território, voltadas para a orientação e atualização destes profissionais, visando otimizar as orientações e visitas domiciliares tanto no pré quanto no pós-parto.
Melhorar a divulgação em Murais Informativos das ações educativas desenvolvidas na Unidade, bem como as atividades programadas, de maneira clara e com boa antecedência, para uma maior cobertura e conhecimento por parte dos pacientes.
Além disto, decidimos, de maneira coletiva, complementar os cuidados com formação de um grupo de gestantes, todos os meses em sua última semana, com datas divulgadas previamente na Unidade com visualização acessível a todos. Nestas reuniões, abordaremos temas e orientações específicas voltadas para uma gestação saudável e isenta de surpresas ou sustos, tais como:
– Modificações fisiológicas durante da gestação;
– Importância da participação do parceiro;
– Sinais e sintomas durante a gestação;
– Hábitos saudáveis em alimentação;
– Planejamento familiar;
– Estímulo ao parto normal.
Ao final das reuniões voltadas ao tema em debate, foi importante perceber que todos os membros da Equipe se sentiram mais seguros e preparados para abordar e orientar as gestantes e seus parceiros, também nos serviu como fator motivacional para a busca e elevação dos indicadores de participação dos parceiros.
A implementação de atividades em saúde permanente foi motivo de vários elogios por parte de Agentes Comunitários de Saúde principalmente, que revelaram estar desatualizados sobre este assunto. Com isto, esperamos otimizar cada vez mais o pré-natal, melhorar as consultas de puericultura em seus primeiros dias, e que os pais possam somar e contribuir cada vez mais para o desenvolvimento de sua esposa e filho, que o aleitamento exclusivo seja realmente realizado e que todas as dúvidas relacionadas ao planejamento familiar sejam esclarecidas de maneira simplificada, por fácil acessibilidade aos membros da Equipe de Saúde da Família, que estarão por sua vez, cada vez mais preparados para atender a estes usuários.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política nacional de atenção integral à saúde da mulher: princípios e diretrizes. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
Ponto(s)