RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: ORGANIZANDO O PLANEJAMENTO REPRODUTIVO, PRÉ-NATAL E PUERPÉRIO NO CONTEXTO RURAL DE SANTO AMARO (SE)
ESPECIALIZANDO: RAFAEL CINTRA ALCOLEA
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
O planejamento reprodutivo, pré-natal e puerpério formam parte do trabalho diário da equipe de saúde da família, sendo uma das ações com maior impacto na comunidade. Os direitos sexuais e reprodutivos devem ser entendidos como parte da garantia dos direitos humanos, conferindo ao casal a livre decisão de ter ou não filhos e em qual momento da vida. Com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida no ano de 1948, a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), vem firmando uma série de Convenções Internacionais nas quais são estabelecidos estatutos comuns de cooperação mútua e mecanismos de controle que garantam um elenco de direitos considerados básicos à vida digna. Em 1994, a Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento (CIPD) realizada no Cairo e posteriormente a IV Conferência Mundial sobre a Mulher realizada em Pequim, em 1995, conferiram aos direitos sexuais e reprodutivos um papel primordial. Ultrapassaram os objetivos puramente demográficos, focalizando no desenvolvimento do ser humano, definindo os direitos sexuais como parte dos direitos humanos (BRASIL, 2005).
Como todo processo de saúde ou doença, a gravidez desenvolve-se dentro de um contexto sociocultural, o qual determina sua evolução e ocorrência (GIGANTE, 2008). A falta de planejamento e também a precocidade das gestações podem comprometer a trajetória social, educacional e econômica das famílias, frequentemente gerando um ciclo vicioso, onde baixos índices de desenvolvimento associam-se ao aumento inadvertido das famílias, que por sua vez, tende a agravar as condições socioeconômicas. Gestações não planejadas também estão associadas à depressão pós-parto, gravidez na adolescência e aumento da prática de aborto, mobilizando recursos consideráveis do estado (MORAES, 2006; VIEIRA, 2007).
Desta forma, o planejamento familiar deve ser compreendido como uma estratégia da equipe de saúde, adequado às características socioculturais locais, que promova a educação em saúde reprodutiva para um melhor pré-natal e puerpério. Para um melhor enfrentamento da saúde reprodutiva nossa equipe promove ações educativas, para homens e mulheres, através de diálogo individual e em grupo, sobre a decisão de ter filhos ou não; encaminhadas a determinar pelo casal o momento adequado da concepção onde exista um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em todos os aspectos relacionados com o sistema reprodutivo e as suas funções e processos, e não de mera ausência de doença ou enfermidade, todo isso com acompanhamento e orientação dos profissionais.
Alem disso oferecemos métodos contraceptivos básicos à população tais como: preservativo masculino e feminino, pílula combinada, minipílula, anticoncepcional injetável mensal, trimestral e anticoncepção de emergência. Em palestras programadas orientamos e demonstramos sua utilização, as vantagens, e disponibilidades na UBS, sempre reforçando a importância que têm a dupla proteção na prevenção de doenças sexualmente transmissível e da gravidez não planejada e/ou indesejada.
No âmbito da diversidade sexual nosso trabalho está encaminhado a possibilitar que os profissionais abordem questões de gênero e diversidade sexual, visando superar toda forma de discriminação no ambiente, principalmente nas escolas da comunidade, fazendo uso de metodologias que proponham a eliminação da homofobia e do preconceito e promovam o respeito às diferenças e à dignidade humana.
Nossa área tem um plano de trabalho que face abordagem na prevenção de doenças como HIV e Sífilis, com a utilização de testes rápidos para o diagnóstico precoce. Além disso, oferecemos palestras comunitárias, com parceria dos médios de comunicação existentes no município, falando sobre a importância de proteção nas relações sexuais. Os casos diagnosticados som notificados na unidade y de acordo com as características da doença os pacientes som encaminhados aos centros de referencia estadual.
O tratamento e seguimento oportuno é vital não só em estas entidades sino em todas as doenças sexualmente transmissível (DSTs) pelo que nossa equipe tem o conhecimento dos diferentes protocolos para o enfrentamento, diagnóstico y tratamento de todas estas em patologias, mais é bom lembrar que ante as (DSTs) nossa principal tarefa é a prevenção, centrada na discussão em saúde sexual em grupos prioritários como adolescentes, grávidas e idosos que permita la interação e esclarecimento de todas as dúvidas.
Outro dos pilares do atendimento na atenção básica que aborda a equipe com muita responsabilidade é a atenção pré-natal. Este trabalho tem como ponto de partida a busca ativa das gestantes, incluindo as que fazem pré-natal em serviço privado, com ajuda dos agentes comunitária tomando como grupo prioritária as adolescentes da comunidade com o objetivo de realizar a captação da gestante nos primeiros 120 dias que garante o mínimo de 8 consultas durante a gestação de acordo com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O preenchimento adequado da caderneta da gestante forma parte da cotidianidade de nosso trabalho em equipe. As informações inseridas na caderneta podem apoiar o profissional no diálogo com a gestante e nas ações de educação em saúde e ajudam a gestante a esclarecer dúvidas, preparar-se para o parto e a amamentação, conhecer seus direitos e os sinais de alerta, entre outros.
Além do preenchimento das informações pessoais, histórico de doenças, antecedentes familiares, ginecológicos e obstétricos, os resultados de cada exame complementário são anotados com letra clara e legível já que eles som de vital importância no momento do parto para o obstetra.
Na primeira consulta pré-natal solicitamos os exames recomendados pelo Ministério da Saúde. São eles: Hemograma; Tipagem sanguínea e fator Rh; Coombs indireto (se for Rh negativo); Glicemia de jejum; Teste rápido de triagem para sífilis e/ou VDRL/RPR; Teste rápido diagnóstico anti-HIV; Anti-HIV; Toxoplasmose IgM e IgG; Sorologia para hepatite B (HbsAg); Exame de urina e urocultura; Ultrassonografia obstétrica; Citopatológico de colo de útero (se necessário); Exame da secreção vaginal (se houver indicação clínica); Parasitológico de fezes (se houver indicação clínica); Eletroforese de hemoglobina (se a gestante for negra, tiver antecedentes familiares de anemia falciforme ou apresentar história de anemia crônica).(BRASIL, 2005; 2009).
A realização dos exames citados permitira o diagnóstico oportuno e tratamento de doenças que atentem em detrimento do bem-estar materno fetal, dentro das mais frequentes as doenças sexualmente transmissíveis, ficando atento às condições clínicas da paciente a fim de proceder com a conduta mais adequada para cada caso. Outro pilar no acompanhamento pré-natal é a orientação quanto aos cuidados nutricionais e hábitos de vida saudáveis. As refeições devem ser distribuídas em seis vezes ao dia: desjejum, colação, almoço, lanche, jantar e ceia. Os intervalos em média são de três horas entre uma e outra refeição.
As refeições devem contemplar todos os grupos alimentares existentes. A gestante deverá ingerir vegetais, frutas, carne bovina, frango, fígado (uma vez por semana), ovos e peixes, leguminosos (feijão, lentilha, ervilha), cereais (arroz integral, batata, milho, entre outros), azeites, leite e derivados do leite (fora do horário do almoço e jantar). A alimentação equilibrada é um hábito recomendado para toda a vida.
Também a prática de exercício complementa o bem-estar materno, orientado aqueles que sejam de baixo impacto nas articulações e não obriguem a grávida a fazer um grande esforço no abdômen. As atividades mais recomendadas são hidroginástica, ioga, e caminhada, sempre com acompanhamento profissional. Manter um estilo de vida saudável durante a gravidez é bom tanto para a mãe quanto para o filho.
Todas essas atividades, adicionadas no acompanhamento pré-natal, permitirão um parto e puerpério de qualidade, mas nosso acompanhamento deve continuar já que a etapa puerperal junto com amamentação precisa de orientação e seguimento.
Para garantir o bem-estar materno fetal, nossa equipe de saúde orienta, desde o pré-natal, sobre a importância do retorno precoce da mulher e do recém-nascido à consulta de puerpério. Após a alta da maternidade a equipe realiza visita domiciliar nos primeiros 7 dias para incentivar o aleitamento materno e auxiliar a mulher a sentir-se segura para assumir os cuidados com seu filho.
O aleitamento materno é a mais sábia estratégia natural de vínculo, afeto, proteção e nutrição para a criança. Também constitui a mais sensível, econômica e eficaz intervenção para redução da morbimortalidade infantil e permite um grandioso impacto na promoção da saúde integral da dupla mãe/bebê (BRASIL, 2009).
Nesse sentido, incentivamos desde o pré-natal sobre a importância da amamentação exclusiva por seis meses e complementado até os dois anos ou mais, além das técnicas corretas de amamentação para que o bebe consiga retirar de maneira eficiente o leite materno e evitar complicações do mamilo na mãe.
Podemos destacar que nossa equipe de saúde tem uma boa estrutura e está organizada para o acompanhamento adequado de todas as ações supracitadas, contamos com os recursos necessários e o capital humano essencial. Mais tá faltando muito por fazer e se face necessário determinar estratégias que permitam enfrentar a realidade e garantir que nosso trabalho fique melhor no dia a dia.
Uma das fragilidades identificadas em nossa área foi a gravidez na adolescência pelo que as estratégias do trabalho está encaminhadas a melhorar esse indicador negativo. Segue abaixo algumas propostas para transformar a realidade:
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas
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Atividades a serem desenvolvidas (Detalhamento da Execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades
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Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Realizar uma intervenção educativa sobre gravidez na adolescência da área rural do município Santo Amaro
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– Capacitar a equipe sobre a metodologia -Oferecer palestras teóricas educativas aos adolescentes sobre gravidez na adolescência
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Recursos humanos: -Equipe saúde da família -Escola próxima
Recursos materiais: Computador, Cartaz, impressora, papel A4, Cartucho HP 1018 Preto, Cartolinas, Canetas, tesoura e livro de ata etc.
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-Melhorar os conhecimentos dos adolescentes sobre gravidez na adolescência
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Médico da equipe
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Desde maio até junho de 2018 com uma frequência quinzenal (quatro encontros)
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Capacitação realizada
Palestra realizada, com registro em livro ata.
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Este processo de intervenção nos adolescentes é de vital importância já que o embaraço na adolescência é uma das mais importantes causas de abandono escolar, sem contar as enumeráveis complicações na saúde da futura madre e a criança. Quando trabalhamos com educação e saúde pública, temos que ter em mente nossa responsabilidade. Descobrimos que, com vontade política e investimento no capital humano, é possível diminuir a gravidez na adolescência.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: nutrição infantil: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2009. (Cadernos de Atenção Básica, n. 23).
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Direitos sexuais e direitos reprodutivos: uma prioridade do governo. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.
GIGANTE, D. P. et al. Maternidade e paternidade na coorte de nascimentos de 1982 a 2004-5, Pelotas, RS. Rev. saúde pública; 2008, v.4, supl.2, p.42-50.
MORAES, I.G.S. et al. Prevalência da depressão pós-parto e fatores associados. Rev. Saúde Pública, 2006, v.40, n.1, p.65-70.
VIEIRA, L. M. et al. Abortamento na adolescência: um estudo epidemiológico. Ciênc. saúde coletiva, 2007, v.12, n.5, p.1201-1208.
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