24 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TÍTULO: ATUAÇÃO EM GRUPO DE GESTANTE NA USF FELIPE CAMARÃO III

ESPECIALIZANDO: Flávia Nathália de Góes Chaves

ORIENTADOR: Isaac Alencar Pinto

 COLABORADORES: Dra. Larissa Bezerra (Médica Mais Médicos da Equipe 98), Ivanilsa Freire da Rocha (Enfermeira da Equipe 96 e Responsável Técnica da USF Felipe Camarão III).

        Com intuito de contribuir para a construção e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), vinculado ao Programa Saúde da Família (PSF), a educação em saúde é um método que permite a interação do profissional com a comunidade, buscando aflorar na população o senso de responsabilidade em saúde. Dentre os diversos instrumentos utilizados pelos profissionais da Atenção Básica, a estratégia de grupo tem sido bastante incentivada e tem mostrado impactos positivos nos indivíduos assistidos (MOREIRA, 2007).

        O trabalho por meio de grupos também estimula a formação de um processo educativo ao permitir a interação de seus participantes de forma dinâmica e reflexiva, além de capacitar a comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade de vida e saúde. Isto inclui maior participação no controle desse processo através da divulgação de informação, educação para a saúde e intensificação das habilidades pessoais (MOREIRA, 2007; REBERTE et al, 2005, SANTOS et al, 2009).

        Na gestação, a mulher passa por profundas transformações, tanto no âmbito corporal quanto no emocional e social. A implementação de grupos de gestantes se faz fundamental por garantir uma abordagem integral e, ao mesmo tempo, específica à assistência no período gestacional (REBERTE et al, 2005). O desenvolvimento desses grupos objetiva o atendimento das necessidades originárias das próprias gestantes, seus parceiros e demais membros da família que juntos vivenciam um importante evento familiar, além de propiciar maior conhecimento a respeito do ciclo gravídico-puerperal. (MOREIRA, 2007; REBERTE et al, 2005, SANTOS et al, 2009).

        Dessa forma, o profissional de saúde reafirma sua responsabilidade de educar o indivíduo não apenas o de prescrever técnicas e ditar normas comportamentais, adquirindo, assim, uma postura de incentivo e motivação, além de fazer com que a promoção de saúde deixe de ser uma ideia e passe a ser uma prática rotineira (MOREIRA, 2007; REBERTE et al, 2005, SANTOS et al, 2009).

        Com base nessas reflexões, colocamos em prática mais uma microintervenção a partir da atuação da Equipe 96 no grupo de gestantes da USF Felipe Camarão III. Em reunião de equipe, avaliamos que fazemos uma busca ativa adequada das gestantes da área, incluindo um levantamento periodicamente atualizado destas. Além disso, atuamos fortemente no correto preenchimento das cadernetas e do SIS Pré-Natal, fizemos um material disponível nos consultórios médico e de enfermagem, constando todos os exames que devem ser solicitados às futuras mães em cada trimestre gestacional. Desde a primeira consulta (seja com a enfermeira ou com a médica) fazemos orientações nutricionais e do aumento de peso saudável desta fase, buscando promover a prevenção da obesidade e do diabetes gestacional. Dentre os exames solicitados, fazemos a devida pesquisa das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), visando diagnóstico, tratamento e seguimento adequado. Orientamos sobre a visita de puerpério, finalização do pré-natal no SIS Pré-Natal, a importância do aleitamento materno e a continuidade do processo com o início da puericultura.

        Porém, embora as gestantes sejam um motivo de grande atenção por parte da nossa equipe, todas as orientações até o momento eram feitas individualmente e, por este motivo, se mostrou interessante, ampliar nossa atuação, agindo em grupos. A ideia era intensificar as informações passadas nas consultas de pré-natal e estimular a interação entre as gestantes e o surgimento de dúvidas em comum.

        Dessa forma, organizamos nossa participação no grupo de gestantes, já existente na USF, e, juntamente com a Equipe 98, no dia 13/06/2018, fizemos nossa ação, por meio de palestra, focando no esclarecimento dos tópicos: a importância dos exames solicitados em cada trimestre gestacional, a suplementação com sulfato ferroso e ácido fólico, o porquê do aleitamento materno ser tão defendido e estimulado e a adequada anticoncepção nos primeiros meses de vida do(s) filho(s).

       Tivemos uma boa adesão, contando com a presença de cerca de 20 gestantes, nas mais diferentes idades gestacionais, primíparas e multíparas, oriundas das quatro equipes de ESF que constituem a nossa USF (Imagem 15). Contamos com o apoio dos agentes comunitários de saúde na distribuição dos convites em suas respectivas áreas e organizamos um lanche no fim da reunião com algumas comidas típicas do período junino.

 

Imagem 15: Grupo de Gestantes – USF Felipe Camarão III, junho 2018.

Imagem 15: Grupo de Gestantes – USF Felipe Camarão III, junho 2018.

 

Como desafios encontrados nesta microintervenção, tivemos: a dúvida quanto à adesão das mulheres ao grupo neste dia e no como fazer com que as explanações pretendidas por nós fossem devidamente internalizadas por elas. Nossa intenção, de fato, era propiciar um espaço livre para a exposição de dúvidas e a observação, por conseguinte, de como as demais gestantes se comportariam em relação a tais questionamentos (se iriam responder e explanar suas respectivas experiências e/ou se mostrariam possuir as mesmas indagações). Dessa forma, poderíamos avaliar se nossa atuação prévia dentro do consultório estava sendo efetiva.

Com isso, um dos aspectos mais interessantes observado foi exatamente neste quesito. Verificamos que algumas delas se posicionaram como educadoras das demais e que este fato transformou uma palestra em uma roda de ideias e experiências compartilhadas. Todavia, sabemos é possível potencializar os efeitos benéficos deste tipo de grupo e uma boa forma disso seria incluir os companheiros e/ou pais das crianças, estimulando não só a interação destes com os demais e o esclarecimento de dúvidas particulares destes, como também a divisão da responsabilidade fraternal, na tentativa progressiva de desmistificar a antiga premissa de que o período gestacional e o cuidado com o bebê é de caráter unicamente vinculado à mulher.

Dessa forma, a promoção em saúde atinge patamares mais altos de sucesso, uma vez que consegue atrelar a saúde da mulher, da criança e do casal, incentiva o fortalecimento do conceito de família e cria mais vínculos de confiança entre a unidade de saúde e a comunidade assistida.

 

REFERÊNCIAS:

MOREIRA, Camila Teixeira Moreira; MACHADO, Maria de Fátima Antero Sousa; BECKER, Samélia Léa Menezes. Educação em saúde a gestantes utilizando a estratégia grupo. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste, Fortaleza, 20 nov. 2007. 8(3), p. 107-116. Disponível em: <http://www.periodicos.ufc.br/rene/article/view/5340/3917>. Acesso em: 25 jun. 2018.

REBERTE, Luciana Magnoni; HOGAR, Luiza Akiko Komura. O desenvolvimento de um grupo de gestantes com a utilização da abordagem corporal. Texto & Contexto Enfermagem, São Paulo, 05 abr. 2005. 14(2), p. 186-192. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n2/a05v14n2.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018.

SANTOS, Regiane Veloso; PENNA, Cláudia Maria de Mattos. A educação em saúde como estratégia para o cuidado à gestante, puérpera e ao recém-nascido.. Texto & Contexto Enfermagem, Florianópolis, 03 nov. 2009. 18(4), p. 652-660. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/is_digital/is_0110/pdfs/IS30(1)011.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018.

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