28 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

CAPÍTULO III: Educação em saúde na atenção básica: disseminando o conhecimento

 

DANIELLE BARBOZA ARAÚJO

CLEYTON CÉZAR SOUTO SILVA

 

          A Atenção Primária é fundamentada em três princípios: universalidade, equidade e integridade. De acordo com a nova Política Nacional de Atenção Básica, a integralidade consiste no fornecimento de serviços adaptados às necessidades da população em campos de cuidados, entre eles a prevenção de doenças e agravos está incluída (BRASIL, 2017). 

          A prevenção pode ser divida em níveis: primária, secundária, terciária e quaternária. Nesse texto vamos abordar a prevenção primária que consiste em “ações objetivando remover causas e fatores de risco de doenças ou agravos da saúde individual ou populacional antes do desenvolvimento de uma patologia” (BRASIL, 2013) e dentre estas ações temos a educação em saúde como um mecanismo importante para a manutenção da saúde.

          Nesta microintervenção, minha equipe e eu decidimos trabalhar com palestras ao público de gestantes e seus acompanhantes (sendo estes os companheiros da gestante ou outra pessoa acompanhando a gestante nas consultas). A justificativa foi à necessidade de reforçar a importância do acompanhamento pré-natal, pois durante as consultas foi observado que as gestantes vinham com muitos medos e receios e algumas vezes isso atrapalhava a comunicação entre o profissional de saúde e a grávida e estas acabavam abandonando o acompanhamento. Além disso, objetivamos o compartilhamento de informações sobre mudanças próprias desse período, dar orientações de cuidados, vestimentas, alimentares e a retirada de dúvidas coletivas.

            Antes das consultas de pré-natais tanto com a enfermeira ou comigo (médica da unidade) eram realizadas uma palestra às gestantes e seus (suas) acompanhantes, ministradas por minha enfermeira e eu, na sala de espera da UBS (nossa unidade não consta de auditório). Foi desenvolvido um pequeno roteiro sobre os assuntos básicos a serem explanados: regularidade das consultas de pré-natal, a importância dos exames solicitados, os sintomas mais frequentes durante a gestação e maneiras não farmacológicas de contorná-lo, sintomas nos quais a gestante deve procurar o médico na unidade e os sinais de alerta para procurar a maternidade de referência de imediato, a importância do fracionamento e alimentação saudável durante a gestação. Além disso, de acordo com as dúvidas das pacientes outros assuntos poderiam ser abordados.

            Essa experiência foi bastante construtiva para nossa equipe, aprendemos que a nossa comunidade tem desejo de informação e que é nossa obrigação fazer esse trabalho de educação em saúde, pois apesar do acesso facilitado à informação em que vivemos, a divergência entre fontes e as informações falsas deixam muitas dúvidas que devem ser esclarecidas por profissionais capacitados.

            Entre as dificuldades encontradas na execução dessa atividade uma das principais é a falta de um espaço adequado para essas atividades. A sala de espera da unidade é um lugar de alto fluxo de trânsito de usuário com barulho, isso acaba dispersando a atenção do público destinado as palestras. A frágil cultura de educação em saúde no país em que a comunidade é resistente a ações de prevenção primária como mudança de hábitos, cessação de tabagismo e etilismo.

            Como potencialidade dessa intervenção temos o fortalecimento da educação em saúde em nossa equipe e o objetivo de ampliação para outros públicos, discutindo temas relevantes à preservação da saúde em cada faixa etária, além de incentivar na própria educação dentro da equipe com a capacitação de ACS e técnicos para transformá-los em multiplicadores na comunidade.

            Apesar do período curto de intervenção foi possível observar que tanto as gestantes quanto seus (suas) acompanhantes traziam mais suas dúvidas para as consultas com a enfermagem e comigo.

            A prevenção, não importando o seu nível, é o estágio mais avançado do cuidado, pois é o agir da equipe de saúde da família antes que se tenha uma patologia instalada ou a identificando com precocidade e instituindo o tratamento adequado e quando isso não for possível tentando minimizar as sequelas causas pela doença.

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