TÍTULO: MICROINTERVENÇÃO EDUCATIVA PARA APERFECIONAR O ACOLHIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA E PROGRAMADA NA UBS DR° JOSÉ MEDEIROS.
ESPECIALIZANDO: YOSIEL OLIVA PÉREZ
ORIENTADOR: TULIO FELIPE VIEIRA DE MELO
As definições ao termo “Atenção Primária à Saúde” (APS) são diversas, mais de forma geral expressa a atenção básica de todas as atenções, ofertada nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e que não é especializada. Majoritariamente é o espaço onde se dá, ou deveria se dar, o primeiro contato dos usuários com o sistema de saúde, sendo ali onde a maior porcentagem dos problemas da população deveria se solucionados. No Brasil, como em muitos outros países do mundo, na APS são ofertados serviços de qualidade, caracterizadas fundamentalmente por actividades de saúde pública, clínicas e diagnósticas, sendo pouco utilizado métodos tecnológicos (LAVRAS, C; 2011).
Na atualidade, a APS além de ser o primeiro contacto do usuário, é também onde se coordena a realização de exames e atenção por outras especialidades de casos que não se podem solucionar ou investigar por sua complexidade; além de dar continuidade, aos cuidados de pessoas que recebem ou receberam assistência em os demais níveis de atenção à saúde (STARFIELD, BÁRBARA; 2002).
Diariamente os profissionais da saúde temos que superar entraves que se reconhece que a maior de eles se constitui em desdobramentos de desafios que devem ser enfrentados pelo SUS o que dificultam o andamento dos propósitos na política nacional, procurando que possa desempenhar seu papel de organizadora do sistema e coordenadora do cuidado em saúde (LAVRAS, C; 2011).
Entre tantas dificuldades hoje presentes no SUS, deve-se considerar uma disseminação de maiores ofertas de ações e serviços de saúde como prioridade, para poder dar resposta adequadamente às necessidades de saúde dos brasileiros nesse momento. Para conseguir esse objetivo, o acolhimento é um dos temas que tem alta relevância e centralidade.
O acolhimento como ato, expressa uma atitude de aproximação, de “estar perto, uma forma de inclusão. E essa atitude implica relações interpessoais com base na empatia, portanto, é uma diretriz ética da Política Nacional de Humanização do SUS, ética que tem como sentido o compromisso de entender e corresponsabilizar-se nas diferenças, nas dúvidas, nas dores, nas angústias e também na felicidade de aqueles usuários que procuram nossos serviços (FREDERICO FERNANDO, E; 2018).
Partindo dessa perspectiva, podemos pensar em modos de acolher à demanda espontânea que chega às UBS.
Para melhorar a acessibilidade dos usuários e a escuta dos profissionais com a implantação de práticas e processos de acolhimento, não são suficientes ações normativas, burocráticas nem discursivas. Porque apesar de ser útil a até necessária em alguns tipos de unidades, não é suficiente ter uma “sala de acolhimento”, por exemplo, e é até um erro restringir toda a responsabilidade só aos trabalhadores da recepção pelo ato de acolher, pois esse ato não se reduz a uma etapa nem a um lugar. Além de ser insuficiente fazer a escuta apenas da demanda espontânea no começo do turno de atendimento e impor um conjunto de barreiras para aquele usuário que por alguma dificuldade chegue “fora do horário estipulado para o funcionamento do acolhimento”, o que acarreta insatisfações aos usuários e uma falta de atendimento qualificado (BRASIL, 2011).
Com a adoção da avaliação/estratificação de risco e de vulnerabilidades consegue-se garantir um melhor acesso aos usuários, possibilitando determinar as diferentes gradações de risco, as situações de maior urgência e, com isso, realizar as prioridades devidas que também era a diminuir as filas nas UBS. É indispensável o trabalho organizado e o treinamento adequado da equipe, já que uma vez que o usuário chegue na UBS, e é abordado por qualquer funcionário que comumente circulam ou permanecem nas áreas de recepção/esperas que possa identificar situações de risco, sem a necessidade de que só os funcionários da classificação de risco posa avaliar. Nem sempre é o risco é facilmente reconhecível pelo que é importante garantir os espaços mais reservados para a escuta e identificação de riscos e de vulnerabilidades individualmente já que a exposição pública pode intimidar ao usuário com o risco (BRASIL, 2012).
A atenção à demanda espontânea é um processo complexo e que precisa que os profissionais se reúnam com regularidade para procurar entender como vai funcionando, identificar as diferentes dificuldades e definir o caminho que a equipe vai utilizar para melhorar essa tarefa, além de esclarecer-se o papel de cada profissional nas diferentes etapas do processo (BRASIL, 2012).
É nesse sentido que nossa equipe no dia 21 de Maio do presente ano e no expediente da tarde, realizou uma reunião na consulta do enfermeiro da UBS Dr° José Medeiros do município de Caicó, entre os integrantes da equipe (enfermeiro, 2 técnicas de enfermagem, 3 agentes comunitários de saúde, técnica de odontologia, residente em enfermagem, administradora e médico). O principal problema que justificou a realização dessa reunião de equipe, foi o aumento do número de atendimentos, o que provocou a sobrecarga de um profissional em relação aos outros, e a equipe identificou que precisávamos de um aperfeiçoamento para implementar corretamente o acolhimento à demanda espontânea e programada.
Diante dessa situação-problema é que a equipe formulou a seguinte pergunta e decidiu aplicar uma microintervenção: Será que organizar nosso trabalho nos ajudaria a melhorar o acolhimento?
Essa microintervenção fói totalmente educativa e teve como objetivo melhorar e aperfeiçoar o acolhimento por parte da equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS) Dr° José Medeiros do município de Caicó, avaliar o nível de conhecimento dos profissionais dessa UBS.
Durante a microintervenção se procurou a abordagem de diferentes questões, dentro delas: como melhorar o acolhimento dos usuários durante sua visita à UBS, como trabalhar na estratificação de rico e conseguir que toda a equipe possa acolher os usuários sem depender só de um profissional, além de dar uma maior porcentagem de atendimentos à demandas espontâneas.
Foram identificadas dificuldades como: os usuários que pediam para renovações de receitas, por exemplo, eram agendados no mesmo dia apesar de poder ser encaminhado para o agendamento programado, e não necessariamente ser atendido naquele momento, principalmente sem a demanda espontânea do dia estiver sobrecarregada; que a classificação de risco só estava sendo aplicada por uma técnica de enfermagem a qual não identificava os usuários que precisavam de atendimento de outros profissionais, sobrecarregando os atendimentos médicos.
Depois da aplicação da microintervenção, os participantes chegaram à conclusão que essa microintervenção foi muito importante já que aprendemos que o trabalho de toda a UBS depende de um bom acolhimento.
Hoje podemos afirmar que o aperfeiçoamento foi realizado e que ainda estamos trabalhando para melhorá-lo, já que as filas de usuários em busca de atendimentos está diminuído, temos um maior número de vagas para a demanda espontânea permitindo que suas necessidades sejam solucionadas em sua maioria em aquele mesmo dia. Também pode-se observar que o atendimento na UBS já apresenta muitas mudanças em comparação ao acolhimento que era feiro antes da microintervenção; agora qualquer funcionário tem a capacidade e o conhecimento para poder identificar risco, avaliar e definir o atendimento que o usuário precisa em aquele momento.
As mudanças que a equipe até agora pode observar com a microintervenção é que a capacidade de acolhida e escuta da equipe aos usuários, demandas, necessidades e manifestações dos usuários na UBS, domicílio e nos espaços comunitários melhoraram, além de que já se tá fazendo uma melhor estratificação de risco o que melhora o acesso dos usuários que precisam de um atendimento no dia.
Com a continuidade e aplicação dos conhecimentos adquiridos nesta microintervenção esperamos poder estar abertos para perceber as peculiaridades de cada situação que se apresenta sendo esse um elemento chave.
REFERÊNCIAS