28 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

ACOLHIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA NA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA CHICO COSTA: TREINAMENTO DA EQUIPE PARA O MÉTODO DE CLASSIFICAÇÃO DE RISCO

 

ESPECIALIZANDO: YOEL PARRAS ROBAS

ORIENTADOR: TULIO FELIPE VIEIRA DE MELO

 

            Neste capítulo será abordado o relato de experiência sobre a realização da microintervenção sobre o acolhimento à demanda espontânea na Unidade de Saúde da Família Chico Costa, através de um treinamento feito com a equipe para implantar o método de avaliação e classificação de riscos na triagem.

            De acordo com Bellucci e Misue (2012), no âmbito da saúde, entende-se acolhimento como uma ação técnico-assistencial que supõe antecipadamente uma mudança na relação entre o usuário e o profissional, colocando o primeiro como participante ativo no processo de produção de saúde.

            O acolhimento deve abranger os problemas de recepção de demanda fazendo junção às diretrizes de clínica ampliada, co-gestão, ambiência e valorização do trabalho em saúde, que fazem parte do HumanizaSUS, para a mudança nos processos de trabalho e gestão de serviços. Outra consideração importante sobre o acolhimento é que, em razão da afetividade que essa tecnologia proporciona, consiste em uma ferramenta potente para humanizar o cuidado (BRASIL, 2009).

            Segundo a Política Nacional de Humanização, o acolhimento ocorre com uma escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco (BRASIL, 2015).

            Observa-se que o Ministério da Saúde destaca o acolhimento como a garantia ao acesso aos serviços de saúde da atenção básica através de uma avaliação da situação de saúde que a pessoa se encontra no momento do atendimento, e não pela ordem de chegada, como ocorre na maioria das Unidades de Saúde da Família. Dessa forma, destaca-se a importância da implantação de um sistema de acolhimento a demanda espontânea através de uma classificação de risco do usuário de saúde e não mais pela ordem de chegada.

            Para realizar tal tarefa, primeiro foi necessário marcar uma reunião com a equipe da Unidade para fazer um treinamento voltado para sua capacitação sobre o acolhimento de classificação de risco e implantação desse sistema em definitivo na Unidade. Na reunião, a equipe foi informada e mediante essa mudança no atendimento, apresentou-se disposta para essa implementação, visando resultados positivos.

            Ressalte-se, assim, a importância da capacitação profissional para o atendimento com classificação de risco, e tal objetivo pode ser alcançado pela capacitação das equipes de enfermagem por meio de estratégias educativas. Tendo a educação em saúde como base teórica e metodológica para a realização das atividades do projeto, procura-se, nesta pesquisa, valorizar os saberes e práticas, buscando estabelecer uma relação dialógica entre enfermeiros, comunidade acadêmica e usuários (SILVA; BARROS; TORRES, 2012).

            No dia da capacitação, foram abordados os temas principais da Política Nacional de Humanização, bem como o sistema de classificação de risco. Essa capacitação foi realizada por mim enquanto médico da Unidade, e durou certa de 5 horas diretas, realizada na própria unidade de saúde.

 

Os principais objetivos a serem alcançados com essa capacitação foram:

 

  • Transformar o processo de trabalho nos serviços de saúde, no sentido de aumentar a capacidade dos trabalhadores de distinguir os problemas, identificar riscos e agravos, e adequar respostas à complexidade de problemas trazidos pelos usuários;
  • Potencializar profissionais comuns e especializados, sem extrapolar as competências inerentes ao exercício profissional de cada categoria;
  • Reconfigurar o trabalho médico e da equipe;
  • Elaborar protocolos de avaliação do paciente logo na sua chegada e reduzir o tempo de atendimento.

 

            Com essa microintervenção, foi possível perceber algumas dificuldades da equipe em saber separar o acolhimento à demanda espontânea tradicional e por classificação de risco, mas logo foram sanadas e a equipe apresentou-se motivada para mudar logo o sistema de atendimento.

            Como potencialidades vejo que a Unidade de Saúde possui uma estrutura que se for bem organizada apresentará um espaço de atendimento com acolhimento diversificado e integral. A motivação da equipe em por em prática o acolhimento por classificação de risco foi bem visível como uma potencialidade para a execução dessa estratégia.

            Como desafio estará a população, que levará um tempo para compreender esse novo sistema, mas acredito que irão gostar pois o atendimento será rápido, promovendo uma melhor resolutividade para seu problema.

            Com a continuidade dessa estratégia eu espero que haja uma melhoria do acesso dos usuários aos serviços de saúde, mudando a forma burocrática de entrada por filas e ordem de chegada, bem como uma melhoria na humanização das relações entre profissionais de saúde e usuários no que se refere à forma de escutar este usuário em seus problemas e demandas.

 

REFERENCIAS

 

BELLUCCI Júnior, José Aparecido; MISUE Matsuda, Laura. Implantação do sistema acolhimento com Classificação e Avaliação de Risco e uso do Fluxograma Analisador. Texto & Contexto Enfermagem [en linea] 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde (BR), Secretaria de Atenção à Saúde, Acolhimento e classificação de risco nos serviços de urgência. Política nacional de humanização da atenção e gestão do SUS. Brasília (DF): MS; 2009.

BRASIL. Ministério da Saúde (BR), Departamento de atenção básica. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Humanização.  Brasília (DF): MS; 2015.

SILVA, P; BARROS, K; TORRES, H. Acolhimento com classificação de risco na Atenção Primária: percepção dos profissionais de enfermagem. remE – Rev. Min. Enferm.;16(2): 225-231, abr./jun., 2012.

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