25 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TÍTULO: O ACOLHIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA E PROGRAMADA NA UBS MARIETA SOUZA ANDRADE, EM MONTE ALEGRE (SE)

ESPECIALIZANDO: REINIER TURINO NAVAS

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

    O acolhimento é um modelo tecnoassistencial, um novo processo de trabalho para garantir ao usuário o direito ao acesso universal, sem exclusão social, com equidade, onde cada sujeito é entendido como único diferente, dotado de desejo, de cultura e de voz, com necessidades diferenciadas; garantir também a integralidade, onde cada usuário deve receber um cuidado direcionado para todas as suas necessidades, tudo isso com uma dose de humanização e respeito ao usuário que procura os serviços de saúde. Essa nova proposta vem mudar a lógica da oferta de serviço de saúde. Sabe-se que o serviço de saúde, hoje, é direcionado para a queixa do usuário, para sua doença, e não para este usuário no seu contexto único, individual, pertencente a uma determinada família, morador de uma determinada comunidade, com seus próprios valores, ideias e conceitos de saúde (SANTOS-FILHO, 2007).

       A prática do acolhimento pretende direcionar o cuidado para o usuário e não para a sua doença, vem ainda para mudar o foco da atenção, hoje centrado no médico, para o foco em equipe multiprofissional. Exige de profissional capacitação técnica, mudança na abordagem ao usuário e mais comprometimento com o processo saúde \doença da população (SANTOS-FILHO, 2007).

    Souza et al. (2008) ressaltam ainda que o acolhimento deve ser visto como um potente dispositivo para atender a exigência de acesso, favorecer o vínculo entre equipe e população, trabalhador e usuário, desencadear cuidado integral e modificar a clínica. Através de seus estudos, confirmaram a importância do acesso e do acolhimento como dispositivos potentes e estratégicos para o planejamento, organização e produção de ações e serviços de saúde. Além disso, configuraram-se em elementos centrais de melhoria da qualidade da atenção à saúde, sobretudo no contexto atual de sua expansão e reestruturação. Requer prestar um atendimento com resolutividade e responsabilização, orientando, quando for o caso, o paciente e a família em relação a outros serviços de saúde, para a continuidade da assistência, e estabelecendo articulações com esses serviços, para garantir a eficácia desses encaminhamentos (BAHIA, 2005).

    O acolhimento seria, então, uma estratégia para promover reorganização do serviço de saúde, mudança do foco de trabalho da doença para a pessoa, valorização do potencial da equipe multiprofissional, garantia do acesso universal e equânime aos serviços de saúde, alcance de resolutividade dos problemas ou necessidades de saúde, promoção da Humanização na assistência e estímulo à capacitação dos profissionais, fazendo com que estes assumam uma postura acolhedora (SILVA; ALVES, 2008).

     Minha Unidade Básica de Saúde (UBS) esta localizada no centro da cidade do Município de Monte Alegre de Sergipe a mesma esta composta por três equipes de saúde da família sendo minha equipe de trabalho o número dois. A recepção da UBS funciona como as primeiras alternativas do usuário no agendamento das consultas alem do atendimento de urgência. O acolhimento aos usuários que procuram a UBS encontra-se deficiente, a população chega para o atendimento bem cedo, a área da recepção fica lotada de usuários que não estão agendados para consulta no dia, sendo muitos encaminhados para consulta medica em caráter de urgência sim ter essa necessidade, outros usuários só aguardam para receber informações e esperam horas para ser atendidos e receber a informações que estão precisando. Então a partir de uma reunião feita na UBS onde se logrou a participação da maioria dos profissionais da saúde foi verificada uma deficiência no acolhimento aos usuários, foram listados os principais problemas que devem ser solucionados ressaltando o pouco conhecimento dos profissionais para implantação efetiva do acolhimento. Minha enfermeira fez uma reunião com a equipe todo para sensibilizar os membros da equipe sobre a importância que tem o acolhimento para melhoria do acesso do povo aos serviços com o objetivo de implantar estratégias para a reorganização do serviço e assim garantir um atendimento de qualidade e melhorar o acolhimento.

    É importante que a UBS tenha uma estrutura física adequada para que os usuários possam aguardar confortavelmente. Uma dificuldade encontrada foi que na área da recepção não há suficientes cadeiras para que o usuário aguarde sentado o atendimento, alem  de não ter lugares preferenciais para idosos, grávidas e deficientes. As pessoas se aglomeram na recepção e às vezes escutam as orientações dadas a outros usuários e a prioridade de atendimento agendado e feito por ordem de chegada à exceção de pacientes idosos, grávidas e recém-nascidos que os mesmos têm prioridade e a população tem vezes que não entende isso. Convocamos uma reunião com os gestores em questão para melhorar a infraestrutura da unidade e colocar mais cadeiras na sala da recepção explicando a importância do acolhimento mais isso e uma dificuldade não completamente resolvida, já foram colocados mais bancos o qual tem melhorado um pouco o atendimento dos usuários.

   O primeiro que o equipe de saúde fez foi capacitar aos profissionais da UBS para garantir uma melhor prática de acolhimento mesmo assim não impediu o surgimento das dificuldades porque apenas uma capacitação não garante o desempenho dos profissionais da saúde para um adequado acolhimento na população por isso tomamos como acordo dar capacitações aos profissionais pelo menos duas vezes ao mês. Na capacitação estão presentes os profissionais das três equipes de saúde que trabalham na Unidade no PSF ou seja médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e os agentes comunitários de saúde alem de os responsáveis da área da recepção ,se abordo o tema do acolhimento explicando seu conceito e os principais problemas para a realização do mesmo por exemplo a questões de como esta sendo feito o atendimento aos usuários que procuram a unidade, as dificuldades encontradas, e como esses pontos e conceitos podem ser aplicados na prática diária de trabalho.e assim garantir uma melhoria no atendimento.

   Um problema na UBS que trabalho e que está comprometida a escuta qualificada; isso pelo aumento da frequência de os mesmos usuários que sempre frequentam a UBS tendo alguns usuários que só estão aguardando na recepção para tomar vacina ou fazer o curativo e não são devidamente direcionados provocando esperas desnecessárias e causando confusão na área da recepção. Para a consequente superação das dificuldades antes expostas foi elaborado um livro de ata onde os usuários atendidos eram registrados neste livro descrevendo a queixa e a conduta tomada, e ensinado ao pessoal que realiza a primeira escuta a conhecer o motivo de consulta, a identificação do problema ou necessidade apresentado e garantir uma melhor assistência estabelecendo prioridades no atendimento de acordo com a Classificação de risco. A capacitação de classificação de risco foi feita no inicio do ano 2018 na mesma UBS onde participaram os equipes de saúde, os diretivos da unidade e o pessoal da recepção devido aos problemas identificados   em quanto ao acolhimento do usuário na unidade, a identificação dos usuários que necessitam de tratamento imediato de acordo com o potencial de risco dos mesmos com o objetivo de avaliar o usuário logo na sua chegada na UBS e reduzir o tempo para o atendimento seja para o medico ou enfermeira e que o usuário seja visto precozmente de acordo a gravidade que apresente nesse momento , foi dirigido e avaliado pelo coordenador de atenção básica no município.

    A mesma já tem mudanças na UBS e já tem benefícios alcançados como o fim das filas da madrugada, a diminuição das filas de espera e com sua continuidade vamos garantir um melhor vínculo entre a equipe de saúde e a comunidade, uma relação de confiança e respeito mútuo entre a equipe e a população, maior agilidade para resolver os principais problemas que atinge a nosso povo e promover um atendimento de qualidade.

 

Referências:

 BAHIA. Secretaria de Saúde do Estado. A estratégia de acolhimento na atenção básica. Salvador, 2005.

 SANTOS-FILHO, S. B. Perspectivas da avaliação na Política Nacional de Humanização em Saúde: aspectos conceituais e metodológicos. Ciênc. saúde coletiva,  Rio de Janeiro, v.12, n.4, p.999-1010, Ciência e Saúde Coletiva, 2007.

 SILVA, L. G.; ALVES, M. S. O acolhimento como ferramenta de práticas inclusivas de saúde. Revista de APS, v.11, n.1, p.74-84, 2008.

 SOUZA, E. C. F. et al. Acesso e acolhimento na atenção básica: uma análise da percepção dos usuários e profissionais de saúde. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro, v.24, supl.1, p.s100-s110, 2008.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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