10 de setembro de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

 

 

 

 

 

 TITULO: Hiperdia no día a día; Educação em Saúde e Rastreamento.  

ESPECIALIZANDO: Yumisleidys  Milián Perez.

ORIENTADOR :María Helena Pires Araújo Barbosa.

O Ministério de Saúde tem priorizado a execução da gestão pública, com o objetivo de programar iniciativas que promovam o acesso com qualidade aos serviços de saúde, além de fortalecer o Sistema Único de Saúde. Para isso, foram criados instrumentos nos quais se insere o Programa Nacional de Melhora no Acesso e de Qualidade da Atenção Básica(PMAQ).

O principal desafio do SUS: garantir a qualidade da atenção que compreenda os princípios de integralidade, universalidade, equidade e participação social. Para isso, o Ministério de Saúde apresenta a segunda versão do documento (AMAQ).

O AMAQ é um instrumento de autoavaliação que auxilia no planejamento de ações da equipe. Com ele são identificados os nós críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas. A autoavaliação é o ponto de partida para as ações de melhoria e qualidade dos serviços, devendo ser entendida como um processo necessário e contínuo nas ações de monitoramento e acompanhamento pelos gestores, profissionais e equipes.A autoavaliação é um processo contínuo. Objetiva-se que a auto avaliação tenha caráter pedagógico, reflexivo e problematizador nas equipes e na gestão municipal. É necessário que, no mínimo, anualmente as equipes realizem algum processo auto avaliativo.

A equipe se autoavalia em um conjunto de padrões de qualidade, que revelam quais são os padrões com maiores problemas que devem ser enfrentados pela equipe com o intuito de qualificar o processo de trabalho e a atenção ofertada aos usuários. 

 O registro dos resultados das autoavaliações possibilita que as equipes e os gestores possam monitorar a execução do plano de intervenções das situações-problema encontradas, bem como analisar a evolução dos resultados alcançados através dessas intervenções.

Para realizar a autoavaliação das ações, foi necessário reunir a equipe de saúde do Jardim Campo Novo que conta com a presença de enfermeira, médica, técnica de enfermagem, sete agentes comunitários de saúde, além da dentista e auxiliar de saúde bucal,que atende uma população aproxima de 3100 habitantes distribuídos em 7 microáreas.

Durante as avaliações realizadas pela equipe do Jardim Campo Novo foram identificados alguns problemas que precisaríamos trabalhar para obter uma melhora na qualidade da população. Identificamos problemas relacionados à Saúde da Mulher, Hiperdia, Saúde mental e saúde bucal nas crianças e adolescentes.

Para alcançar o objetivo sugerido, algumas estratégias foram levantadas e discutidas pela equipe. Dentre as estratégias, citamos: agendamento de consulta e aprazamento de retorno para mulheres em idade fértil e oferta de contraceptivos. A estratégia para saúde mental, onde o problema se relaciona ao uso de psicotrópicos por um grande números de usuários, e alguns de forma abusiva, traçou-se como meta o uso racional do psicotrópico, busca ativa dos usuários e encaminhando-os para reavaliação com psiquiatra e psicólogo.

Em relação às ações de saúde bucal voltada para a saúde da mulher, priorizou as gestantes. Após a consulta do pré-natal, a mesma será encaminhada para atendimento odontológico.No que se refere à saúde bucal da criança e adolescente, serão realizadas ações de educação em saúde bucal nas escolas através de escovação e palestras.

Durante a análise achamos uma quantidade significativa de pacientes hipertensos e diabéticos descompensados. Vimos que precisariam de uma atenção diferenciada, no intuito de melhorar a qualidade de vida, com promoção da saúde e prevenção de agravos, como também busca ativa de novos casos.Com base nisso, escolhemos essa problemática para ser trabalhada no relato de experiência I, porque consideramos esse um dos maiores problemas identificados na nossa comunidade.

A nossa área conta hoje com uma população de 198 hipertensos e 122 diabéticos, valores que continuarão aumentando através das intervenções planejadas pela equipe em busca de novos casos e de acompanhamento dos já notificados. Para isso traçamos, com base no AMAQ uma Matriz de Intervenção voltada para esse público.

Como estratégias, serão realizadas ações na comunidade como oferta de exame de glicemia capilar, aferição de pressão arterial,mensuração da circunferência abdominal e IMC, encaminhamentos ao especialista, orientações, palestras educativas na unidade e comunidade, rodas de conversas, além do diagnóstico de síndrome metabólica conforme exames recentes anotados no prontuário, como pode ser observado na matriz de intervenção abaixo.

 

Matriz de Intervenção:

Descrição do padrão:Hiperdia

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Prevalência de pacientes com diabetes mellitus (DM), hipertensão arterial sistêmica (HAS) descompensada e síndrome metabólica (SM)

Objetivo/meta: Realizar busca ativa de pacientes diabéticos e hipertensos sem diagnóstico, diagnóstico de síndrome metabólica (SM), além de acompanhar e controlar os pacientes já diagnosticados.

Estratégias para alcançar os objetivos e metas

Educação em saúde

Atividades a serem desenvolvidos (detalhamento da execução).

Palestras na comunidade e na unidade; aferição da pressão arterial; verificação de glicemia capilar; cálculo do índice de massa corporal (IMC); mensuração da circunferência abdominal; revisão de prontuário.

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Aparelho para mediar pressão arterial; glicosímetro; fita métrica; balança; transporte; medicamentos; prontuário dos pacientes.

Resultados esperados

Acompanhamento regular; evitar complicações; melhorar os valores de pressão arterial e glicemia; diagnosticar mais casos de pacientes hipertensos e diabéticos; diagnosticar síndrome metabólica.

Responsáveis

Equipe de saúde da família e nutricionista.

Prazos

6 meses

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Valores normais de glicemia e pressão arterial; valores normais de HDL e triglicerídeos; redução da circunferência abdominal; aumento do número de pacientes diagnosticados com HAS e/ou DM

 

Relato de Experiência

 

Como foi dito anteriormente, nossa área apresenta importantes problemas relacionados a Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e Síndrome metabólica. Foi imprescindível desenvolver uma matriz de intervenção que atendesse essa demanda de saúde, com o intuito de melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Ao desenvolver as atividades estabelecidas na matriz de intervenção foi possível realizar a busca ativa de novos pacientes ainda não identificados e acompanhados pela equipe, conhecer as principais causas que determinam a descompensação das doenças crônicas e os principais fatores de risco da nossa comunidade.

A microintervenção foi organizada da seguinte forma: os Agentes de Saúde encaminharam um grupo de pacientes para a unidade com o objetivo de fazer o atendimento deles, que inclui: Aferição da Pressão Arterial, Glicemia, mensurar cintura abdominal e calcular índice de massa corporal (IMC).

A intervenção foi desenvolvida no dia 13 de abril de 2018, com 17 participantes, todos incluídos no Hiperdia, de ambos os sexos. No primeiro momento, a médica e enfermeira fizeram uma palestra sobre os riscos da Síndrome Metabólica e os riscos da descompensação do DM e da HAS, incluindo elementos como a mudança de hábitos de vida.

Durante a palestras muitos falaram sobre a dificuldades que eles encontram em tomar os remédios indicados,e se alimentar corretamente. É importante salientar que a área do Jardim Campo novo é predominante de pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica. Muitos sobrevivem com o valor que recebem do programa de transferência de renda, Bolsa Família, e têm dificuldades de comprar alimentos.

Foram escutadas cada uma das dúvidas sobre a hipertensão arterial e diabetes que tinham os pacientes e de certa forma conseguimos saber as principais dificuldades que eles tinham e entender os motivos pelos quais a equipe recebia inúmeros casos de pacientes descompensados, apesar do comparecimento às consultas regularmente.

A ação favoreceu o reconhecimento das intervenções que estavam dando certo e as que poderiam melhorar para continuar contribuindo para a melhora desses pacientes.

Em seguida, os técnicos de enfermagem realizaram uma pré-consulta com aferição da pressão arterial, glicemia e dados antropométricos, incluindo altura, peso e circunferência abdominal.

Durante a consulta médica e de enfermagem, foram classificados os pacientes com HAS e/ou DM descompensada, calculado o IMC, e feito o diagnóstico de Síndrome metabólica através dos resultados de exames recentes anotados no prontuário, com a instituição da terapêutica adequada e das orientações necessárias. Os pacientes foram encaminhados para a nutricionista do NASF, a fim de melhorar o IMC por meio de a educação alimentar.

Na intervenção encontramos 52% dos pacientes em estudo com hipertensão e/ou diabetes descompensado, além de 88,2% de pacientes acima do peso, sendo que, destes últimos, 40% estavam em obesidade grau II e III conforme o IMC. Além disso, foi feito o diagnóstico de SM. Dos pacientes que compareceram a atividade, 4 tiveram que ser excluídos dos cálculos por não ter exames recentes anotados em prontuário, e dos 13 avaliados, 69,23% preencheram os critérios para diagnóstico de SM.

Diante dessa intervenção, a equipe pode constatar os dados alarmantes de DM e/ou HAS descompensada, e a relação que guarda com a obesidade e a SM, necessitando de mais ações que abordem os fatores de risco modificáveis.

A ações têm o objetivo de melhorar o estilo de vida desses pacientes  mediante  palestras educativas, orientações, promovendo atividade física, dicas de alimentação saudável e acessível à população, monitoramento do peso e exames laboratoriais, para que possam ter uma evolução adequada dessas doença.

. Uma das nossas dificuldades foi a marcação de exames pelo sistema de saúde. Esperamos que nos próximos 6 meses esses pacientes consigam compensar essas doenças crônicas e adquirir um estilo de vida mais saudável.

Pretendemos aumentar o número de pacientes participantes de nossas atividades e identificar mais pacientes subdiagnosticados com SM, DM e HAS.

A avaliação dos resultados das ações pode ser observada numa maior adesão de pacientes aos dias de Hiperdia, maior procura e preocupação com sua saúde.É evidente que ainda há muito a se fazer, mas através da educação em saúde é possível melhorar, paulatinamente essas estatísticas.

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