26 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TITULO: Microintervenção educativa para aprimorar o conhecimento sobre a importância do acompanhamento da gravidez no primeiro trimestre em mulheres em idade fértil em Santana AP.

          Uma gravidez é vista como um evento fisiológico, porém de acordo com Zuspan deve ser considerado como exceção, já que é capaz de produzir morte ou dano permanentes a mãe ou recém-nascidos. Gestantes de alto risco constituem de 20 a 30 % do total de grávidas e são responsáveis por 70 a 80 % da mortalidade perinatal (OLIVA, 2016 et al.)

         O sucesso do pré-natal depende da rápida identificação das gestantes com fatores de risco, valorizando-as clinicamente, planejando uma atenção adequada a elas com a finalidade de evitar ou diminuir ao máximo a dano materno ou fetal. Um fator de risco é definido como aquele que direta ou indiretamente contribui para o desenvolvimento normal do feto, do estado materno ou de ambos serem modificados. A identificação precoce de fatores de rico, seguida de um manejo adequado pode prevenir ou modificar resultados perinatais desfavoráveis. (OLIVA, 2016 et al.)

          A medicina moderna impõe metas e desafios no cotidiano das ações do médico, entre esses desafios estão as doenças associadas à gravidez no mundo da obstetrícia, como a investigação de sua gênese e evolução, e o impacto destas doenças a curto ou longo prazo durante a gravidez, tanto para a mãe como para o feto ou recém-nascido. (MARTINS 2012 et al).

          Para que a gravidez transcorra com segurança, são necessários cuidados da própria gestante, do parceiro, da família e especialmente, dos profissionais de saúde. A atenção básica na gravidez inclui a prevenção, a promoção da saúde e o tratamento dos problemas que ocorrem durante o período gestacional e após parto.  (SCHIRMER, 2000 et al.)

          As mulheres estão sendo estimuladas a fazer ao pré-natal e estão respondendo a esse chamado. Elas acreditam que terão benefícios quando procuram os serviços de saúde. Depositam confiança e entregam seus corpos aos cuidados de pessoas autorizadas, legalmente, a cuidarem delas.  O principal objetivo da assistência pré-natal é acolher a mulher desde o início de sua gravidez, período de mudanças físicas e emocionais, que cada gestante vivencia de forma distinta. Essas transformações podem gerar medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente a curiosidade de saber o que acontece no interior de seu corpo. Na construção da qualidade da atenção pré-natal está implícita a valorização desses aspectos, traduzida em ações concretas que permitam sua integração no conjunto das ações oferecidas. (MARTINS,2005 et al).

          Como condições para uma assistência pré-natal efetiva, deve-se garantir:

1. Discussão permanente com a população da área, em especial com as mulheres, sobre a importância da assistência pré-natal na unidade de saúde e nas diversas ações comunitárias.

2. Identificação precoce de todas as gestantes na comunidade e o pronto início do acompanhamento pré-natal, para que tal se dê ainda no 1° trimestre da gravidez, visando às intervenções oportunas em todo o período gestacional, sejam elas preventivas ou terapêuticas. Deve-se garantir a possibilidade de as mulheres realizarem o teste de gravidez na unidade de saúde sempre que necessário. O início precoce da assistência pré-natal e sua continuidade requerem preocupação permanente com o vínculo entre os profissionais e a gestante, assim como com a qualidade técnica da atenção.

3. Acompanhamento periódico e contínuo de todas as mulheres grávidas, visando assegurar o seguimento da gestante durante toda a gestação, em intervalos preestabelecidos, acompanhando-a tanto na unidade de saúde como em seu domicílio, e por meio de reuniões comunitárias; sistema eficiente de referência e contra referência, objetivando garantir a continuidade da assistência pré-natal em todos os níveis de complexidade do sistema de saúde, para toda a clientela, conforme a exigência de cada caso. (SCHIRMER, 2000 et al.)

          Foi feita uma reunião da equipe 014 da Policlínica Maria Tadeu Aguiar, no município Santana, Estado do  Amapá, sendo usado como instrumento de auto avaliação o AMAQ, ( avaliação para melhoria da Qualidade da estratégia de saúde da família), durante o análise foram identificados vários problemas como : a equipe não realiza captação ás  puérpera e recém nascidos na primeira semana de vida, não  acompanha todas as gestantes do território, não  solicita e/ou avalia  os exames recomendados durante ao pré –natal e, assim, um de cada problema recebeu uma pontuação onde neste último alcançou uma pontuação de 3 pontos no questionário de autoavaliação do AMAQ. Com ocorreu a menor pontuação a equipe decidiu que seria este o eixo da microintervenção.

          Por todo o exposto, formulamos a seguinte questão: Será que podemos aprimorar os níveis de conhecimento sobre importância do acompanhamento no primeiro trimestre da gravidez?

Objetivos

          Esta microintervenção teve como objetivo aprimorar os níveis de conhecimento sobre importância do acompanhamento da gravidez no primeiro trimestre em mulheres em idade fértil da população de Santana, determinar os conhecimentos sobre planejamento familiar, estabelecer uma intervenção educativa com estratégias que permitam   incrementar o conhecimento sobre a gravidez de alto risco em mulheres em idade fértil e a modificação do conhecimento após microintervenção.

Metodologia

          A microintervenção evolveram ao todo às 800 mulheres em idade fértil da equipe 014 no território de abrangência da Policlínica Maria Tadeu Aguiar. A equipe de intervenção foi composta pelo Médico, Enfermeira, Técnica de Enfermagem e nove Agentes Comunitarios de Saúde e realizada juntamente com aos pacientes. O questionário foi aplicado no início e após intervenção onde usamos uma linguagem clara e compreensível pelos pacientes (Anexo 1). Ministramos quatro aulas educativas sobre os aspectos da gravidez, planejamento familiar, gravidez de alto risco, importância da realização de exames durante a gravidez e acompanhamento no primeiro trimestre. Também foram realizadas quatro aulas para os agentes comunitários de saúde acerca de planejamento familiar para subsidiar uma melhor identificação dentro das mulheres em idade fértil em nossa área.

Avaliação e monitoramento

          Durante as aulas os pacientes foram estimulados a refletir sobre suas experiências com o grupo, aspectos positivos e negativos vivenciados durante a microintervenção para uma avaliação constante da efetividade do projeto. Nas reuniões semanais da equipe foi discutido o projeto de microintervenção para melhorar o resultado do mesmo, além de isso, haverá um monitoramento mensal das mulheres em idade fértil durante as visitas domiciliares realizadas pelos agentes comunitarios de saúde.

          A etapa de avaliação foi aplicada após a estratégia educativa,  para avaliar os conhecimentos adquiridos pela população em estudo e assim, se realizou uma comparação com os resultados iniciais, onde comprovamos que a técnica aplicada foi eficaz com resultados extremamente positivos.

 

Resultados Esperados

         Com a implementação desta microintervenção, esperamos : Aprimorar o conhecimento sobre planejamento familiar e atenção pré-natal nas pacientes estudadas, partindo das dificuldades apontadas pelas mesmas, vincular os pacientes aos grupos de mulheres em idade fértil junto à  UBS, aumentar o nível de conhecimentos sobre a gravidez de alto risco, buscando mudanças do estilo de vida, como um bom controle da doença e assim diminuir as complicações durante a gravidez, lembrando a importância do acompanhamento no primeiro trimestre e realização dos exames. Sempre com a ideia de que é melhor a prevenção do que o tratamento das complicações provocadas pela mesma. Este projeto permitiu uma melhora às mulheres da comunidade para uma gestação com menos riscos.

Importância da microintervenção

          Esta microintervenção foi muito importante porque fomos capazes de criar um grupo de mulheres em idade fértil para realizar atividades de grupo e troca de experiências entre os participantes, além de isso permitiu incrementar os conhecimentos aos agentes comunitarios de saúde  sobre gravidez, objetivando trabalhar com enfoque na identificação das gestantes com maior risco para um bom trabalho e acompanhamento .

          Depois da Microintervenção a equipe fez a construção de um instrumento capaz de monitorar um dos indicadores do PMAQ segundo SIS. O PMAQ-AB situa a avaliação como estratégia permanente para a tomada de decisão e ação central para a melhoria da qualidade das ações de saúde. A equipe desenvolveu o indicador referente Índice de atendimentos por condição de saúde avaliada, onde podemos avaliar nosso poder de resolutividade, assim teremos um melhor seguimento das gravidas por esse registro, permitindo conhecer em que trimestre elas foram acompanhadas, então elas terão realizado um ótimo atendimento por parte da equipe. (anexo 3)

           Neste trabalho tive potencialidades já que no final da intervenção temos um equipe mais preparada,  muitos dos agentes comunitarios de saúde não conheciam  os aspectos relacionadas com a  gravidez, agora eles tão mais comprometidos e continuam estudando o tema da gravidez mais intensamente, nossa  equipe conta com 9 agentes comunitarios de saúde em uma população de 3972 pessoas, sendo assim 441 pacientes por ACS, permitindo chegar ao 100% da população de nossa área de abrangência.

          As dificuldades deste projeto consistiram  em migrações  de pessoas do interior do estado, isso fez com que as pessoas abandonassem as aulas e o projeto,   as informações não foram recebidas pelas mulheres em sua  totalidade, além disso, também afetou no acompanhamento  da gravidez no primeiro trimestre o fato que, por enquanto,  está sem o médico  ginecologista em nossa Policlínica ,  não permitindo que  avaliações sejam feitas as mulheres grávidas de alto risco, tendo então que procurar consultas com ginecologistas em  outras UBS.

           Está demonstrado que a adesão das mulheres ao pré-natal está relacionada com a qualidade da assistência prestada pelo serviço e pelos profissionais de saúde, o que, em última análise, será essencial para redução dos elevados índices de mortalidade materna e perinatal verificados no Brasil. As ações de saúde devem estar voltadas para a cobertura de toda a população, assegurando continuidade no atendimento, acompanhamento e avaliação dessas ações sobre a saúde materna e perinatal. (SCHIRMER, 2000 et al.)

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

 

  EQUIPE 014 Policlínica Maria Tadeu Aguiar. MUNICIPIO SANTANA. AMAPÁ.

 

Descrição do padrão: Unidade de análise atenção integral. Equipe de Atenção básica. Dimensão: Educação permanente,

processos de trabalho e atenção integral à saúde. Subdimensão L:  Atenção integral à saúde. 4.21: A equipe de Atenção Básica

 realiza captação das gestantes no primeiro trimestre.

Nota:3

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Nossa equipe não faz captação ás maioria das gestantes no

primeiro trimestre.

Objetivo/meta: Fazer captação de todas as mulheres grávidas no primeiro trimestre da gravidez.

Estratégias para alcançar os objetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores

 para avaliar o alcance dos

 resultados

Treinamento dos ACS .

Desenvolver conferência de capacitação em planejamento familiar.

Recursos humanos:

Materiais: Sala de aula para realizar a conferência.

Projetor, papéis, caneta.

 

Capacitar os ACS

-Enfermeira

Iasmin

 

Fazer uma conferência na semana

18/4/2018.

23/4/2018

26/4/2018

2/5/2018.

Supervisar a conferência.

Capacitar a 95 % das personas envolvidas.

 

Pesquisar mulheres grávidas no primeiro trimestre na população de mulheres em idade fértil.

Realizar visita domiciliar para identificar as mulheres grávidas no primeiro trimestre.

 

Recursos humanos:

Os 9 ACS da equipe e atores sociais da comunidade.

Visitar às mulheres em idade fértil da área.

-Enfermeira.

Iasmin

-Técnica de enfermagem

Elzimara.

Visita domiciliar

19/4/2018

24/4/2018

25/4/2018

3/5/2018

Visitar o total de

Mulheres em idade fértil.

Desenvolver atividades educativas com mulheres em idade fértil.

Palestra sobre Planejamento Familiar

 

Recursos humanos:

Médico da equipe

Aula, banner.

Incrementar os conhecimentos sobre a importância de atendimento preços na gravidez.

-Médico e enfermeira de equipe.

-Yanieska

-Iasmin

Duas vezes ao mês:

30/42018.

7/5/2018

 

Capacitar às mulheres em

 idade fértil.

Supervisar a palestra.

 

Palestra sobre gravidez de alto risco.

 

Recursos humanos:

Médico da equipe, aula, banner.

Incrementar os conhecimentos sobre gravidez de alto risco.

-Médico e enfermeira de equipe.

Yanieska

Iasmin

1 vez por mês: 19/4/2018.

Entrevistar às mulheres em

 idade fértil.

Supervisar a palestra.

 

Palestra sobre importância da realização dos exames na primeira consulta de captação: Hemograma, Glicemia, EAS, grupo e fator, USD obstétrico, secreção vaginal entre outros.

Recursos humanos:

Enfermeira da equipe.

Projetor, Aula.

Incrementar os conhecimentos sobre importância dos exames.

-Doutora Yanieska

1 vez por mês:  6/5/2018

 

Supervisar a palestra.

Entrevistando às mulheres

Grávidas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Referências bibliográficas

1- A OLIVA Dr. José, Temas de Ginecologia e obstetrícia coletivo de autores 2016.

2-MARTINS, Adauto et al, Caderno de Atenção Básica, atenção ao pré-natal de baixo risco, 2012.

3-SCHIRMER, Janine, Assistência pré-natal: Manual técnico, 2000.

4- MARTINS, Adauto, et al, Caderno de Atenção Básica 2, assistência ao pré-natal de baixo risco, 2005.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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