RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: USO DE ÀLCOOL E OUTRAS DROGAS EM ADOLESCENTES
ESPECIALIZANDO: SACHIL GRETTEL NEYRA TAMAYO
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
Ao chegar na minha área de saúde percebi que havia um alto índice de pessoas com consumo de álcool e outras drogas principalmente em adolescentes. A bebida é tida como um elemento de socialização, de autoafirmação e de inclusão no mundo juvenil e adulto. Além do estímulo da propaganda e dos amigos, muitas vezes o contato com o álcool e propiciado pelos próprios familiares do adolescente. Os pais não tem a mesma consciência em relação álcool, como costumam ter com a maconha e outras drogas por exemplo.
É importante salientar que, quanto mais cedo se inicia o uso de álcool na adolescência produz danos ao cérebro, afetando a memória e prejudicando a aprendizagem, além de favorecer o desenvolvimento de problemas familiares, com violência inclusive, e de uma vida sexual promiscua o que torna um comportamento de alto risco na era da AIDS e das gravidezes precoces.
O problema maior é que a adolescência e a fase da construção da identidade; portanto, e particularmente ruim que nessa idade os jovens se habituem a experimentar situações específicas sobre o efeito do álcool como festas, baladas, namoros, relações sexuais ou afetivas, criando assim, associações entre o uso de bebidas e as sensações de prazer, de modo que o consumo alcoólico vai se tornando frequente, abrindo caminho a dependência.
Querendo contribuir para uma boa solução ao problema, propomos que as futuras acões referentes a infância e adolescência, referentes ao consumo de álcool e drogas e sexualidade, sejam baseadas em três premissas: prevenção, tratamento e legislação (KERR-CORREA et al., 2008).
Para a prevenção ao uso indevido, ao abuso, a violência e outros problemas decorrentes do consumo de álcool e drogas devem-se desenvolver na nossa área campanhas educativas envolvendo ao máximo a sociedade, cuja produção fique a cargo de uma equipe multidisciplinar, de sites, stops de rádio, cartilhas para serem distribuídas em casas noturnas, bares, escolas, faculdades, postos de saúde, associações de bairros, delegacia. A informação deve ser prática com dicas simples sobre o direito dos usuários, mais com informações francas e diretas.
E importante que a linguagem e o tom fujam do paternalismo e falem diretamente aos jovens. Não ira adiantar satisfazer os pais com campanhas que não são capazes de sensibilizar os filhos. No aspecto da sexualidade, além de campanhas com o perfil supramencionado, a criação de espaços específicos para atendimento dos adolescentes e jovens dentro dos serviços de saúde, referente a saúde sexual e reprodutiva, em que a prevenção e o acolhimento sejam condizentes com a realidade desses jovens adolescentes, estimular um trabalho efetivo entre escolas e a unidade de saúde com relação ao tema.
No aspecto de abordagem preventiva, oferecer alternativas de esporte, e outras atividades de recreação sana. Precisamos urgentemente, buscar saídas para a redução na disponibilidade de álcool na comunidade. Os donos de bares devem pedir documento ou identificação para venda de bebida alcoólica. Não podemos esquecer que o debate com a sociedade deve ter continuidade, pois, além da respectiva distribuição de responsabilidades junto a proteção da infância e a juventude da comunidade de Colonia Sergipe, ao qual nos cabe, a reflexão do problema pela coletividade proporcionara novas questões e novas saídas.
Na questão do tratamento e importante considerar o usuário em seu contexto de vida, humanizando o tratamento e a capacitação qualificada não apenas na área de saúde, também de educação, assistência social, segurança pública. Também exige uma reabilitação psicossocial de base comunitária com atendimento multidisciplinar, respeitando as especificações de cada caso, visando garantir, de modo responsável, a eficácia e continuidade dos serviços de atendimento e reabilitação, assim como o acesso aos mesmos.
O álcool e uma droga depressora do sistema nervoso central, e uma das substâncias psicoativas mais consumidas pelo mundo há vários séculos. O álcool possui uma alta hidrossilicosidade e rápida absorção, por isso alcança níveis plasmáticos em pequeno tempo, onde proporciona desde uma intoxicação aguda a dependência alcoólica, causando muitos problemas sociais decorrentes do uso abusivo da substância. Visto como uma das substâncias mais consumidas no mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relata que aproximadamente dois bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas, sendo de uso social ou por indivíduos dependentes (MASTERS, 2005).
O alcoolismo e uma intoxicação crônica que pode afetar o corpo e mente do individuo, no qual o mesmo faz uso da substância para causar conforto ou aliviar sintomas indesejáveis proporcionados pela abstinência. Uma substância que desenvolve tolerância devido ao consumo constante do álcool, muitas vezes e visto como uma rotina normal na vida dos usuários, e seus efeitos são caracterizados por sinais e sintomas decorrentes da dependência. Segundo aos mesmos autores a maneira de tratar o alcoolismo pode englobar vários aspectos, sendo que o uso de medicamentos e um dos métodos mais utilizados para controle em pacientes dependentes (MASTERS, 2005).
O sistema nervoso central é a parte do organismo que mais centraliza a ação do álcool sobre o organismo embora tenha ação ansiolítica, assim como os barbitúricos e benzodiazepinas, e seus efeitos causam depressão. Essa ação ocorre simultaneamente conforme a concentração aumenta, provocando desde sensações prazerosas a um estado de embriagues ou intoxicação. Depois de um tempo o SNC torna-se tolerante a certo nível de álcool, porque o organismo vai se adaptando ao uso contínuo do álcool em uma mesma dose, apresenta certa resistência representada por indivíduos que conseguem fazer uso da bebida sem apresentar sinais de embriaguez (MASTERS, 2005).
Na adolescência encontramos um vínculo estreito entre o consumo do álcool e diferentes problemas tais como aparição de gravidez não desejada, acidentes de trânsito, doenças sexualmente transmissíveis, e muitas vezes o consumo do mesmo e um fator desencadeante do uso de outras substâncias, ou seja, e a chave da porta de complicações associadas a problemas familiares, no plano social e principalmente no indivíduo que nesta idade não está preparado para enfrentar as consequências nefastas deste habito. Estes pacientes têm maior probabilidade de se tornar etilistas crônicos na idade adulta. O início e por influência de amigos, colegas e as vezes pela família, sem exceção de classes sociais ( EDWARDS et al., 2005).
O alcoolismo é um problema de saúde que tem sido muito estudado por suas repercussões na sociedade e no indivíduo em seu contexto físico e psicológico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que o mesmo é uma doença e um problema médico mundial sendo reconhecido há mais ou menos 35 anos pela Associação Psiquiátrica Americana como uma doença de ordem psiquiátrica. A OMS também considera o álcool e o tabaco como as drogas que mais vem causando dependência em todo o mundo devido a um uso desmedido e obsessivo-compulsivo.
Segundo Edwards et al (2005), uma das propriedades do álcool é uma rápida absorção por todo o organismo, levando assim a concentração sanguínea máxima em um curto tempo, aproximadamente 30 a 90 minutos. Existem fatores que podem levar a diferentes níveis de concentração do álcool no organismo, como a presença de alimentos, doses elevadas do álcool a curto tempo e bêbedas espumantes, podendo acelerar ou retardar sua absorção de etanol ocorre de forma diferenciada nos organismos: 20% no estômago e 80% no intestino delgado; depois é distribuído por toda a massa corpórea magra, uma vez que essa atinge em menor tempo uma alta concentração do álcool no sangue. O fígado é o órgão responsável pela metabolização do álcool de até 90%.
O uso cronico de bebidas alcoólicas em longo prazo pode afetar o aparelho cardiovascular e garantir assim o desenvolvimento de doenças tais como hipertensão, arritmias cardíacas e miocardiopatias, devido a uma elevação sistólica e diastólica da pressão por aumento na irrigação dos vasos sanguíneos.
Segundo Brunton et al (2006),os efeitos do álcool nos músculos esqueléticos dos etilistas ou não é devido ao uso agudo ou crônico do álcool, fazendo com que tenha uma menor força muscular ocasionado por uma diminuição da síntese de proteínas musculares, caracterizando uma atrofia na fibra dos músculos com o uso cronico do etanol podem aparecer problemas relacionados a outros sistemas tais como a gastrite, explicando que esta é devida a um aumento das secreções gástricas podendo aparecer também refluxo gastroesofágico com a consequente esofagite, ressaltando que estes quadros podem ser revertidos com o uso de medicamentos inibidores da bomba de protons e a retirada da substância. consequências graves podem ser derivadas pôr o consumo de álcool e uma também muito frequente é a hepatopatia alcoólica ressaltando que a mesma é resultado do uso crônico do etanol que leva a uma afeção importante do fígado, aparecendo uma hepatopatia alcoólica que em seu curso pode terminar em uma cirrose, com consequências muitas vezes irreversíveis para o paciente.
A Equipe de Colônia Sergipe se reuniou em varias ocasiões para identificar mediante um diagnóstico situacional realizado pela equipe, os principais problemas sendo o alcoolismo considerado como uma prioridade. Segue abaixo nossa matriz de intervenção:
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MATRIZ DE INTERVENÇÃO |
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Descrição do padrão: Uso de Álcool e outras Drogas em Adolescentes. |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Como disminuir o uso de álcool e outras drogas em adolescentes. |
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Objetivo/meta: Disminuir o uso de álcool e outras drogas em adolescentes. |
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Estratégias para alcançar os objetivos /metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Intervir no consumo de álcool e outras drogas em adolescentes |
Rodas de conversa educativas com os grupos de risco. |
Local para realizar as palestras, recursos humanos, recursos materiais (papel, lapiz) |
Que os adolescentes diminuam o consumo de álcool e outras drogas. |
Médica, Enfermeira, Técnica de Enfermagem,Trabalhador Social, ACS. |
6 meses |
Pesquisas na comunidade aos adolescentes. |
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Promover mais entretenimento. |
Programa de atividades esportivas, Programa de atividades culturais. |
Equipamento de Som, de Esporte, pessoal capacitado para realizar atividades culturais e esportivas. |
Que os adolescentes tenham meios de entretenimento. |
Comunidade e Prefeitura.(meios políticos e financeiros). |
6 meses |
Inquérito aos adolescentes sobre participação em atividades recreativas. |
Não devemos esquecer que o debate com a sociedade deve ter continuidade pois, além da respectiva distribuição de responsabilidade junto a proteção das crianças e juventude proporcionará novas questões e novas saídas. Na questão do tratamento é importante considerar o usuário em seu contexto de vida humanizando o tratamento; investir na capacitação qualificada de profissionais não apenas na área da saúde mais também da educação, assistência social e segurança pública. Garantir de modo responsável, a eficácia e conectividade dos serviços de atendimento e reabilitação assim o acesso aos mesmos. Em fim produzir estruturas de suporte adequadas para o desenvolvimento de formação integral das nossas crianças e jovens, proporcionando aos mesmos a possibilidade de processarem suas buscas para construírem seus projetos e ampliarem sua inserção na vida social.
Referências
BRUNTON, L. L.; LAZO, J. S.; PARKER, K. L. Goodman & Gilman: as bases farmacológicas da terapêutica. Rio de Janeiro: McGraw-Hill Interamericana do Brasil; 2006.
EDWARDS, G.; MARSHALL, E. J.; COOK, C. C. H. O tratamento do alcoolismo: um guia para profissionais da saúde. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005.
KERR-CORRÊA, F. et al. Relatório UNESP sobre o levantamento de uso de álcool e drogas por estudantes do ensino fundamental, médio e supletivo do municipio de Botucatu. UNESP/FAPESP. [Relatório]. 2008. Disponível em: <http://fmb.unesp.br/Home/Departamentos/Neurologia,PsicologiaePsiquiatria/ViverBem/Relatorio_sobre_o_uso_de_alcool_e_drogas_por_estudantes_de_Botucatu.pdf>. Acesso em: Jun, 2018.
MASTERS, S.B. Os Álcoois. In: KATZUNG, B.G. Farmacologia Básica & Clínica. 9ed. R Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. Cap.23, p.309-316.
ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD. Lexicon of Alcohol and Drug Terms. Madrid: Ministerio de Sanidad y Consumo, 1994.
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