PROGRAMA DE TREINAMENTO COM A EQUIPE DA UBS ALAGAMAR SOBRE O DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA HANSENÍASE
ESPECIALIZANDO: PAULINO FELIPE SILVESTRE LIMA
ORIENTADORA: ANGELO AUGUSTO PAULA DO NASCIMENTO
CAPÍTULO I: Observação na Unidade de Saúde
A primeira micro intervenção sobre o Projeto de Intervenção deu-se na Unidade Básica de Saúde Alagamar. Possui atualmente 1676 pacientes cadastrados, cobrindo uma área de cerca de 512 famílias, de classe baixa. Atualmente a unidade possui 01 enfermeiro, 01 Auxiliar de Enfermagem, 03 funcionários administrativos. São realizadas cerca de 20 consultas.
Devo salientar que presto atendimento não somente na UBS de Alagamar, mas em UBS correlatas como Agua Boa, Baixo Grande, Santa Izabel entre outras, todavia em virtude da UBS de Alagamar ser a UBS matriz acredita-se que seja a UBS de aplicar a Intervenção.
Quanto a atenção domiciliar é realizada somente através de demanda de urgência, em virtude da grande quantidade de localidades a ser atendida.
A primeira reunião com a equipe deu-se no dia 30 de Abril de 2018, a segunda feira entre as 13 horas até as 15 horas, onde foi realizado a Avaliação do AMAQ junto a equipe. No que diz respeito a Gestão municipal foi verificado a implantação e implementação da atenção básica no município, a organização e integração da Rede de Atenção à Saúde, a Gestão do trabalho, e a participação, controle social e satisfação do usuário; quanto a gestão da atenção básica foi verificado o Apoio institucional; a educação permanente, e o monitoramento e avaliação; Sobre a Unidade Básica de Saúde verificou-se a infraestrutura e equipamentos; quanto a Educação Permanente, Processo de Trabalho e Atenção Integral à Saúde verificou-se os insumos, imunobiológicos e medicamentos, a educação permanente e qualificação das equipes de Atenção Básica, a organização do processo de trabalho, a atenção integral à saúde, a participação, controle social e satisfação do usuário, o programa Saúde na Escola (para as equipes participantes do Programa).
Após estas avaliações junto a equipe de forma breve pode-se perceber que alguns destes indicadores merecem melhoria, todavia elegeu-se apenas um para ser melhorado, em consenso junto a equipe sobre o processo de Educação Permanente.
Pode-se perceber que a equipe sente-se muito desmotivada em virtude da falta de preocupação da Gestão da Atenção Básica com a Educação Permanente. Justamente por isso elegeu-se este indicador como um possível parâmetro a ser intervencionado.
Deste modo, percebeu-se que falta muito quanto ao apoio institucional em auxiliar as equipes a desenvolverem seu próprio trabalho e a promoverem de fato uma saúde da família eficiente. Justamente por isso este estudo acredita que a educação permanente ajuda as equipes a explicitarem e lidarem com problemas, com os desconfortos e conflitos e até mesmo auxiliar na construção e na utilização de ferramentas e tecnologias para a melhoria do trabalho.
A hanseníase é uma doença crônica, infectocontagiosa, causada por um bacilo capaz de infectar um grande número de indivíduos (por isso é considerada uma patologia de alta infectividade), ainda que poucos adoeçam (baixa patogenicidade) (BRASIL, 2017).
É considerada como uma das doenças mais antigas da terra, que acomete o homem, tendo até mesmo um estigma, pelo nome Lepra. É conhecida há mais de 3.000 anos, desde os primórdios e causa muita dor, além do estigma, em virtude do preconceito e das deformidades que atingem o infectado que não possui tratamento adequado. Há mais de duas décadas a doença tem tratamento e é capaz de curar na totalidade dos casos (BRASIL, 2017).
Existem na literatura achados que demonstram que a melhoria das condições de vida como também o avanço do conhecimento científico tem modificado o quadro atual da hanseníase, que atualmente tem tratamento e cura (BRASIL, 2002).
Quanto ao diagnóstico da hanseníase, é basicamente clínico e epidemiológico, realizado por meio da análise da história e condições de vida do pessoa, do exame dermatoneurológico, no intuito de identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos (sensitivo, motor e/ou autonômico) (BRASIL, 2017).
Já o tratamento está disponível na rede pública de saúde, e é eminentemente ambulatorial, por meio de uma associação de medicamentos, a poliquimioterapia (PQT/OMS), que mata o bacilo e evita a evolução da doença, prevenindo as incapacidades e deformidades por ela causadas, levando à cura. Desde início do tratamento a transmissão da doença é interrompida e, se realizado de forma completa e correta, garante a cura da doença. A PQT/OMS é constituída pelo conjunto dos seguintes medicamentos: rifampicina, dapsona e clofazimina, com administração associada. A alta por cura é dada após a administração do número de doses preconizado pelo esquema terapêutico, dentro do prazo recomendado (BRASIL, 2017).
Tendo por base o tema da hanseníase e a necessidade da educação permanente, percebe-se que deve-se trabalhar como um apoiador institucional com objetivo de reconhecer a complexidade do trabalho da equipe partindo para os problemas concretos, desafios e tensões do cotidiano utilizando-os como matéria-prima para o trabalho e, sempre que necessário, buscar facilitar a conversão de situações paralisantes em situações produtivas.
Como exemplo, buscar-se-á desenvolver um programa de treinamento com a equipe de como lidar com pacientes com possível diagnóstico de hanseníase, treinando-os de forma permanente a como lidar com esta realidade, que precisa de intervenções específicas em todas as fases, desde acolhimento até a prescrição médica e monitoramento do tratamento.
Percebeu-se neste primeiro encontro que a equipe sentiu-se bastante animada como a atividade, todavia existem ainda muitas dúvidas de como o trabalho será estabelecido, mas no decorrer da pós-graduação acredito que estas serão sanadas.
A micro intervenção assim deu-se em três momento distintos, no primeiro houve a apresentação do AMAQ, posteriormente leitura e avaliação dos itens a serem avaliados como também atribuição de conceitos e por fim decisão de qual item intervir, onde se escolheu-se a Educação Permanente. No final surgiram algumas dúvidas mas que serão sanadas no decorrer do projeto.
As dificuldades para execução desta microintervenção estão relacionadas a falta de tempo em promover esta reunião, em virtude da grande demanda exigida pelo UBS, como também a interpretação da avaliação.
O impacto positivo diz respeito a receptibilidade da equipe em desenvolver a intervenção e melhorar a abordagem junto aos pacientes.
Matriz de Intervenção – Educação Permanente (Programa de treinamento com a equipe da UBS Alagamar sobre o Diagnóstico e Tratamento da Hanseníase)
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Descrição do padrão: Hanseníase |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Treinamento da Equipe da UBS Alagamar |
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Objetivo/meta: Equipe treinada e pronta a atender o paciente com Hanseníase. |
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Apresentação da Intervenção através de Reunião |
Reunião com a equipe apresentando o AMAQ, suas potencialidades, conceitos, e propondo a intervenção junto aos pacientes com possível diagnóstico de hanseníase. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Instrutivo AMAQ. |
Aceitação da equipe para a intervenção acerca do treinamento de diagnóstico e tratamento da hanseníase preconizando pelo entendimento da proposta; |
Médico |
04 meses |
Relatório de aceitação; |
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Agendamento de treinamentos com a equipe |
Agendar o treinamento com a equipe no sentido de orientá-los a como proceder com os pacientes com possível diagnóstico de Hanseníase. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Caderno de Atenção Básica N.10 e no Guia Prático sobre Hanseníase do Ministério da Saúde |
Entendimento dos profissionais da UBS de como lidar com possíveis diagnósticos de Hanseníase. |
Médico e enfermeiros |
60 dias |
Agenda e relatório de execução |
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Treinamento |
Reunir o pessoal da UBS Alagamar para treinamento |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Caderno de Atenção Básica N.10 e no Guia Prático sobre Hanseníase do Ministério da Saúde |
Aprendizagem de como lidar com pacientes com possível diagnóstico de Hanseníase. |
Médico e enfermeiros |
21 dias |
Relatório de aprendizagem |
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Agendamento das Ações |
Agendar com os pacientes já acompanhados as reuniões |
Humanos: pacientes |
Adesão de no mínimo 10 pacientes já acompanhados com diagnóstico confirmado de Hanseníase e que já estão em Tratamento. |
Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
15 dias. |
Agenda |
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Execução das ações |
Palestras, orientações, rodas de conversa, entre outras medidas no intuito de desmitificar a hanseníase |
Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: apresentações, folhetos, cartazes, entre outros. |
Compreensão sobre as principais características da Hanseníase seu diagnóstico, tratamento, formas de contágio, entre outros. |
Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
15 dias |
Questionário, relatórios |
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Monitoramento |
Verificação junto aos pacientes e recursos humanos da unidade se os conceitos foram assimilados . |
Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.
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Conhecimento acerca do Diagnóstico e Tratamento da Hanseníase. |
Paciente Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
03 meses |
Relatórios e questionários |
Refrências
Brasil. Guia prático sobre a hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
Brasil. Guia para o controle da hanseníase. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
Ponto(s)