29 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE NA UBS PEDRO FELIX DOS SANTOS: DIABETES E PÉ DIABÉTICO

 

ESPECIALIZANDO: NAYARA KETLEN FREITAS DOS SANTOS

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

 

A primeira microintervenção deu-se na UBS Pedro Felix dos Santos, ESF Pururuca, município de Lagarto Sergipe,  com cerca de 3656 pacientes cadastrados, cerca de 614 famílias, todavia existe ainda uma área descoberta com pacientes a serem cadastrados.

Trata-se de uma população basicamente de classe baixa, que precisa constantemente de apoio na Unidade de Saúde. Possuímos como recursos humanos na Unidade de saúde 01 enfermeira, 03 Técnicas de Enfermagem, e 02 funcionários administrativos.

A unidade também apresenta apoio do NASF – Núcleo de Apoio à Saúde da Família, CAPS – Centro de Atenção Psicossocial, e CRAS – Centro de Referência de Assistência Social.

Para arrumar espaço para esta reunião, houve resistência da secretaria de saúde municipal que alegava que o trabalho não deveria parar, para se fazer reunião, todavia encontramos na sexta feira dia 11 de maio um espaço entre as 16 horas até as 18 para execução do AMAQ.

Inicialmente os participantes ficaram um pouco confusos, não entendendo sobre o que se tratava. Mas ao iniciar a reunião, cumprimentando e agradecendo a todos pela participação trouxe os conceitos sobre o AMAQ.

Foi falado que se trata de um instrumento que tem como objetivo incentivar os gestores a melhorar a qualidade dos serviços de saúde oferecidos aos cidadãos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio das equipes de Atenção Básica à Saúde. A meta é garantir um padrão de qualidade por meio de um conjunto de estratégias de qualificação, acompanhamento e avaliação do trabalho das equipes de saúde. O programa eleva os recursos do incentivo federal para os municípios participantes, que atingirem melhora no padrão de qualidade no atendimento (AMAQ, 2018).

Também foi falado que o instrumento é orientado a processos. De modo que estes processos autoavaliativos na atenção básica devem ser contínuos e permanentes, constituindo-se como uma cultura interna de qualidade na atenção básica. Além do monitoramento e avaliação pela gestão, coordenação e equipes/profissionais (AMAQ, 2018).

Um importante ponto tratado com a equipe foi o fato de entre uma autoavaliação e outra haver o intervalo de tempo suficiente para a execução de parte do plano de intervenção,  como o que estamos tentando implementar na UBS, permitindo que nos próximos momentos autoavaliativos sejam identificadas melhorias na qualidade dos serviços.

O AMAQ é um instrumento que acredita que  através da reflexão dos sujeitos e grupos implicados é possível fomentar a autoanálise, a autogestão, a identificação dos problemas, bem como a formulação das estratégias de intervenção para melhoria dos serviços e das relações, atuando como um dispositivo indutor da reorganização do trabalho das equipes de Atenção Básica e da gestão municipal de saúde (AMAQ, 2018).

O sistema foi criado para facilitar a utilização do instrumento AMAQ/AB, tendo como objetivos principais (AMAQ, 2018):

– Auxiliar no registro dos resultados da auto avaliação realizada com auxílio do AMAQ/AB;

– Disponibilizar relatórios da auto avaliação considerando a classificação nas Dimensões e Subdimensões a partir das respostas inseridas no sistema;

– Facilitar o monitoramento das auto avaliações por meio do registro no sistema.

Após esta primeira apresentação iniciou-se a fase de conceituação das subdimensões dando notas de 0 a 10.

Muitas subdimensões ficaram com conceitos bastante baixos, todavia chegou-se a um consenso junto a equipe que o indicador mais necessário neste momento para a UBS seria a Educação Permanente  visto que há tempos que a Secretaria não promove nenhum curso ou qualquer tipo de capacitação.

Após estas avaliações, discussões com a equipe e pontuação nas folhas de respostas, pode-se perceber que a equipe esteve empenhada em promover cursos de educação permanente, e participar dos mesmos. Houve a sugestão de promoção de capacitação em Diabetes, com enfoque no Pé diabético, aprovado por todos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o pé diabético pode ser definido como “situação de infecção, ulceração ou também destruição dos tecidos profundos dos pés, associada a anormalidades neurológicas e vários graus de doença vascular periférica, nos membros inferiores de pacientes com diabetes mellitus” (SBD, 2001).

Mencione-se também que as úlceras nos pés e amputação tratam-se de complicações frequentes para pacientes portadores de Diabetes Mellitus (DM) (o que percebe-se neste grupo de indivíduos é que para eles a amputação de membros inferiores é aproximadamente 40 vezes maior que na população geral). Outra característica do pé diabético é que a  mortalidade relacionada à amputação imediata é estimada em 19% e a sobrevida de 65% em três anos e 41% em cinco anos. Nessa perspectiva, em termos globais, a complicação do diabetes conhecida como “Pé Diabético” ocupa as primeiras posições entre os principais problemas de saúde, afligindo vários países do mundo e causando grande impacto sócio econômico (SBD, 2001).

Quanto a dados epidemiológicos sobre o pé diabético os mesmos são variados e percebe-se neste sentido como existe diversidade regional quanto aos desfechos da complicação: no caso de países desenvolvidos, a Doença Arterial Periférica é o fator complicador mais comum, enquanto nos países em desenvolvimento, no caso do Brasil, a infecção é, ainda, uma complicação comum das úlceras dos pés em pacientes diabéticos, também chamadas de UPD, resultando frequentemente em amputações (BAKKER K, APELQVIST J, LIPSKY BA et al.,2015; UNWIN N., 2008).

Existe também frequência e gravidade quanto a questões socioeconômicas, tipo de calçados usados e cuidados dos pacientes, que infelizmente, não são padronizados em escala nacional nesses países subdesenvolvidos (BAKKER K, APELQVIST J, LIPSKY BA et al.,2015; UNWIN N., 2008).

Quanto à incidência anual de úlceras em pacientes com diabetes mellitus (DM) situa-se entre 2 a 4% e a prevalência, de 4 a 10%; acredita-se que estes índices sejam mais altas em países com baixa situação socioeconômica, o caso do Brasil (BOULTON AJM, VILEIKYTE L, RAGNARSON-TENNVALL G et al., 2005).

Percebe-se também que a incidência cumulativa ao longo da vida de UPD gira em torno de 25%, e tais lesões frequentemente precedem 85% das amputações. (SINGH N, ARMSTRONG DG, LIPSKY BA. 2005; PECORARO RE, REIBER GE, BURGESS EM., 1990).

Em torno de 66% das UPD cicatrizarão (JEFFCOATE WJ, CHIPCHASE SY, INCE P et al., 2006; PROMPERS L, SCHAPER N, APELQVIST J et al., 2008) e até 28% resultarão em algum tipo de amputação (ARMSTRONG DG, LAVERY LA, HARKLESS LB, 1998).

Por ano, mais de um milhão de pessoas com DM perde uma parte da perna em todo o globo, traduzindo-se em números espantosos que podem chegar a três amputações por minuto (BOULTON AJM, VILEIKYTE L, RAGNARSON-TENNVALL G et al, 2005).

Assim sendo, pode-se concluir parcialmente que o pé diabético é considerado como causa mais comum de internações prolongadas, o que compreende um quarto das admissões hospitalares nos Estados Unidos e implica custos elevados, chegando a uma média de 28 mil dólares por admissão por ulceração, enquanto na Suécia 18 mil dólares (sem amputação) e 34 mil dólares (com amputação), mostrando assim que é algo importante a ser combatido, conforme a proposta do PI aqui apresentado (RAGNARSON T, APELQVIST J., 2004; REIBER GE, LEMASTER JW., 2006).

Todavia entre as maiores dificuldades elenca-se a falta de tempo na UBS como também falta de apoio da secretaria que não tem intenção em liberar o tempo para capacitação e educação permanente dos recursos humanos com objetivo em melhorar o atendimento.

Matriz de Intervenção – Educação Permanente (PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE NA UBS PEDRO FELIX DOS SANTOS: DIABETES E PÉ DIABÉTICO)

 

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

Descrição do padrão: 4.29 A equipe de Atenção Básica organiza a atenção às pessoas com Diabetes Mellitus

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Pacientes com glicemia descompensada (descontrolada) com possível complicação futura de pé diabético

Objetivo/meta: Desenvolver um programa de prevenção de pé diabético em pacientes diabéticos da UBS Pedro Felix dos Santos

Estratégias para alcançar os objetivos /metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Apresentação da Intervenção sobre a prevenção ao pé diabético junto a equipe da UBS Pedro Felix dos Santos

Reunião com a equipe apresentando inicialmente os conceitos do  AMAQ, suas potencialidades, conceitos, e propondo a intervenção junto aos pacientes da UBS acerca das complicações do Diabetes com enfoque no pé diabético.

 

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Instrutivo AMAQ. Manual do Pé Diabético (BRASIL, 2016)

Aceitação por parte da  equipe em promover o Projeto de Intervenção acerca da prevenção junto a pacientes diabéticos do Pé diabético;

Médico

120 dias

Relatório

Agendar treinamento sobre as complicações do Diabetes e o Pé Diabético

Agendamento do treinamento junto a equipe sobre as complicações do Diabetes e o Pé Diabético.

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Manual do Pé Diabético (BRASIL, 2016)

Entendimento dos profissionais da UBS Pedro Felix dos Santos de como orientar os pacientes diabéticos quanto as complicações da Diabetes com enfoque no pé diabético. 

Médico, enfermeiros, ACS, Administrativos

07 dias

Agenda e relatório de execução

Treinamento

Reunião com a equipe da UBS Pedro Felix dos Santos de como orientar os pacientes diabéticos quanto as complicações do Pé Diabético;

Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: Manual do Pé Diabético (BRASIL, 2016)

Ensino aprendizagem de como lidar com os pacientes diabéticos e as complicações com enfoque no pé Diabético;

Médico, enfermeiros, ACS, Administrativos

21 dias

Relatório de aprendizagem

Agendamento das Ações

Agendar com os pacientes diabéticos as reuniões para orientações sobre as complicações do Diabetes com enfoque no Pé Diabético

Humanos: os pacientes

Adesão de 20 pacientes que estejam fazendo acompanhamento do Diabetes, com possibilidade de complicações quanto ao Pé Diabético.

Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

15 dias.

Agenda

Execução das ações junto aos pacientes diabéticos sobre as complicações do diabetes com enfoque no pé diabético

Palestras, orientações, rodas de conversa, entre outras medidas no objetivo de demonstrar as complicações do diabetes com enfoque no pé diabético.

Humanos: pacientes, Médico, enfermeiras, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

Materiais: apresentações powrpoint, folhetos, cartazes, entre outros materiais.

Compreensão e adoção de medidas de combate ao Diabetes e suas complicações com enfoque no pé diabético.

Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

15 dias

Questionário, relatórios

Monitoramento

Verificação se os pacientes diabéticos estão tomando as medidas preventivas necessárias e fazendo controle da glicemia periodicamente. 

Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.

 

Seguimento da orientação do Ministério da Saúde de controle da glicemia entre 80 e 110. 

Paciente

Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos.

90 dias

Relatórios

 

 

Acredita-se que a microintervenção tem impactos positivos sob a perspectiva de que os recursos humanos ficaram empenhados e entusiasmados em participar da educação permanente, e quanto aos pacientes diabéticos com certeza após está intervenção os pacientes serão melhor atendidos e esclarecidos. Também haverá um grande impacto em capacitar a equipe, ganhos advindos tanto para a equipe quanto para os pacientes que são atendidos pela Unidade de Saúde. Os recursos humanos podem refletir esta capacitação com a gestão e o trato dos pacientes diabéticos que possivelmente possam apresentar posteriormente o pé diabético.

 

Referências

 

 

ARMSTRONG DG, LAVERY LA, HARKLESS LB. Validation of a diabetic wound classification system. The contribution of depth, infection, and ischemia to risk of amputation. Diabetes Care. 1998 may;21(5):855-9.

 

BAKKER K, APELQVIST J, LIPSKY BA et al. The 2015 Guidance on prevention and management of foot problems in diabetes: development of an evidence-based global consensus. International Working Group on the Diabetic Foot (IWGDF). Disponível em:<http://www.iwgdf.org>. Acesso em: 02/09/2017.

 

BOULTON AJM, VILEIKYTE L, RAGNARSON-TENNVALL G et al. The global burden of diabetic foot disease. Lancet. 2005; 366:1719-24.

 

 JEFFCOATE WJ, CHIPCHASE SY, INCE P et al. Assessing the outcome of the management of diabetic foot ulcers using ulcer-related and person-related measures. Diabetes Care. 2006 aug; 29(8):1784-7.     

 

PECORARO RE, REIBER GE, BURGESS EM. Pathways to diabetic limb amputations. Basis for prevention. Diabetes Care. 1990; 13:513-21.

 

PEDROSA HC, NERY ES, SENA FV, NOVAES C, FELDKIRCHER TC, DIAS MSO, LEME LAP, Miziara M, ASSIS MA, KALUMA C. O Desafio do Projeto Salvando o Pé Diabético. Terapêutica em Diabetes – Boletim Médico do Centro B-D de Educação em Diabetes, 19, 10p 1998.

 

SBD. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2015-2016) / Adolfo Milech…[et. al.]; organização José Egidio Paulo de Oliveira, Sérgio Vencio – São Paulo: A.C. Farmacêutica, 2016.

 

PEDROSA HC, LEME LAP, NOVAES C et al. The diabetic foot in South America: progress with the Brazilian Save the Diabetic Foot Project. Int Diabetes Monitor. 2004; 16(4):17-24.

 

PROMPERS L, SCHAPER N, APELQVIST J et al. Prediction of outcome in individuals with diabetic foot ulcers: focus on the diferences between individuals with and without peripheral arterial disease. The Eurodiale Study. Diabetologia 2008 may; 51(5):747-55.

 

RAGNARSON T, APELQVIST J. Health economic consequences of diabetic foot lesions. Clin Infect Dis. 2004; 39(Suppl 2):S132-S9.

 

REIBER GE, LEMASTER JW. Epidemiology and economic impact of foot ulcers. In: Boulton AJM, Cavanagh P, Rayman G, eds. The Foot in diabetes. 4th ed. Chichester: John Wiley & Sons. 2006; 1:1-16.

 

SINGH N, ARMSTRONG DG, LIPSKY BA. Preventing foot ulcers in patients with Diabetes. JAMA. 2005; 293:217-28.

 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Consenso Sobre Diabetes– Diagnóstico e Classificação dos Diabetes Mellitus Tipo II-2001.

 

UNWIN N. The diabetic foot in the developing world. Diabetes Metab Res Rev. 2008; 24(Suppl 1):S31-S3.

 

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