Título. Construção da matriz de autoavaliação e intervenção para melhoria do acesso e da qualidade da Atenção Básica( AMAQ) da Equipe da estratégia da Família- ESF- Equipe 112 da Unidade Básica de Saúde-UBS Dr Sueldo Câmara.
Especializando:Antonio Caballero Ortiz
Orientadora: Maria Helena Pires Araújo Barbosa
Colaborador: Nara Maria da Silva- Assistente Social do Núcleo Ampliado de saúde da Família e Atenção Básica- NASF-AB
Nesta experiência, eu vou a fazer um relato do processo de autoavaliação da minha Equipe de Atenção Básica (EAB) 112 da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Aeroporto 2, no município de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte. Para isso foram utilizados os critérios avaliativos da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) e foi construída uma matriz de intervenção para intervir nos problemas analisados. Ressalta-se que a AMAQ é um dos instrumentos de monitoramento dos indicadores de qualidade do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (PMAQ – AB).
Os processos autoavaliativos na atenção básica devem de ser contínuos e permanentes, assim como constituídos não apenas pela identificação de problemas, mas também pela realização de intervenções no sentido de superá-los. É fundamental que sejam estabelecidas prioridades de investimento para construir estratégias de ação com iniciativas concretas para a superação dos problemas identificados (BRASIL, 2012).
Para realização da AMAQ pela equipe, foi agendada reunião técnica a fim de realizar a leitura e debate da dimensão e subdimensão de acordo com o material. Foram convocados para reunião todos os membros da equipe de saúde. Houve a presença de médico, enfermeira e 5 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), técnico de enfermagem e da equipe do Núcleo Ampliado de Apoio à Saúde da Família e Atenção Básica (NASF –AB).
Sendo assim, foram respondidos os critérios relativos à dimensão “Unidade Básica de Saúde”, subdimensão: Infraestruturar e equipamentos (H 3.1-3.8); Insumos, imunobiológicos e medicamentos (I. 3.9-3.16); Educação permanente e qualificação das equipes de atenção básica (J 4.1-4.3); Organização do processo de trabalho (K 4.4-4.17); Atenção integral a saúde (L 4.4-4.52); Participação, controle social e satisfação do usuário (M 4.53-4.56) e; Programa Saúde na Escola – PSE (N 4.57-4.62). A pontuação de cada critério era atribuída após debate e consenso do grupo a cerca do tema disposto. O resultado das pontuações e classificação conforme critério do AMAQ foi o disposto conforme o quadro 1.
Quadro 1: Pontuações e classificações por subdimensão da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica.
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Subdimensão |
Pontuação |
Classificação |
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Infraestruturar e equipamentos (H 3.1-3.8) |
45 |
Regular |
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Insumos, imunobiológicos e medicamentos (I. 3.9-3.16 |
52 |
Satisfatórios |
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Educação permanente e qualificação das equipes de atenção básica (J 4.1-4.3) |
23 |
Satisfatórios |
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Organização do processo de trabalho (K 4.4-4.17) |
125 |
Satisfatórios |
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Atenção integral a saúde (L 4.18-4.52) |
250 |
Satisfatórios |
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Participação, controle social e satisfação do usuário (M 4.53-4.56) |
27 |
Satisfatórios |
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Programa Saúde na Escola – PSE (N 4.57-4.62). |
55 |
Satisfatórios |
Fonte: Elaborado pelo próprio autor.
Na continuação da realização da autoavaliação foi selecionado um problema de acordo com os seguintes critérios: nota ≤ 5, factibilidade de resolução e independência da gestão municipal para realização. O próximo passo foi a construção da matriz de intervenção que é exposta no quadro 2.
A matriz de intervenção elaborada pela equipe abordou a subdimensão L – Atenção Integral à Saúde. Essa subdimensão envolve o acolhimento, tanto da demanda programada quanto da espontânea. As principais críticas apontadas foram: não possui identificação e não mantém registros atualizados das pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.
De acordo com os critérios de prevalência média no Brasil para doenças crônicas, a Hipertensão Arterial Sistêmica atinge 24,3% dos brasileiros maiores de 18 anos. Já a Diabetes Mellitus (DM) 7,4% entre maiores de 18 anos (VIGITEL, 2012). Na unidade básica de saúde na qual atuo, a equipe registrou até o momento entre os maiores de 18 anos, 17% de as pessoas com diagnóstico de HAS e 4,3% de DM.
Na segunda parte da reunião criamos um quadro para registrar os dados e avaliar os indicadores de qualidade do PMAQ. Estes indicadores são: média de atendimentos de médicos e enfermeiros por habitante; Percentual de atendimentos de consultas por demanda espontânea; Percentual de atendimentos de consulta agendada; Índice de atendimentos por condição de saúde avaliada; Razão de coleta de material citopatológico do colo do útero; Cobertura de primeira consulta odontológica programática; Percentual de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida; Percentual de encaminhamentos para serviço especializado; Razão entre tratamentos concluídos e primeiras consultas odontológicas programáticas; Percentual de serviços ofertados pela EAB; Percentual de serviços ofertados pela Equipe de Saúde Bucal; Índice de atendimentos realizados pelo NASF – AB. Essas informações serão preenchidas conforme disposição no quadro 3.
Após o término da criação do quadro de indicadores, ficou estabelecido que a avaliação da equipe utilizaria esse quadro, assim como o monitoramente seria realizado também por meio de uma planilha eletrônica para o acompanhamento de alguns indicadores. Destaca-se que a UBS em que atuo ainda não tem prontuário eletrônico, mas todas as ações são preenchidas em uma base de dados de Sistema Único de Saúde, onde são avaliados e analisados durante todos os meses na reunião de equipe. Esses dados também ficam expostos na área de recepção da unidade.
Quadro 2: Matriz de Intervenção
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Descrição do padrão. 4.28 A equipe executa e mantem registro de pessoas com doenças crônicas, hipertensão e deabetes. |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão. A equipe não tem identificado e não mantém registros atualizados das pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. |
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Objetivo/meta. Melhorar acolhimento e atenção a pessoa com doença crônica |
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Capacitação dos ACS e funcionários. |
Encontro para capacitação em HIPERDIA |
Aula elaborada em slide acerca do tema; HIPERDIA
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Melhorar o a qualidade de vida de pessoa com HIPERDIA |
Medico |
30 dias |
Exposição de impressões em reunião técnica mensal |
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Levantamento do # de pacientes com HIPERDIA |
Visita domiciliar buscando pessoas com HIPERDIA |
Recursos humanos, ACS, Enfermeira, Medico, NAFS |
Pesquisa de todas as pessoas em risco de HIPERDIA |
ACS, Medico Enfermeira |
60 dias |
Exposição de impressões em reunião técnica mensal |
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Pesquisa ativa todas as pessoas maior de 18 anos |
Verificação de pressão arterial em consulta de todas as pessoas maior de 18 anos |
Esfigmomanómetro, estetoscópio, Médico. |
Captura de 100% de pessoas com HIPERDIA |
Medico |
90 dias |
Exposição de impressões em reunião técnica mensal |
Fonte: Elaborado pelo autor.
Quadro 3: Registro de indicadores de qualidade do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica.
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Produção por meses |
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Indicadores |
J |
F |
M |
A |
M |
J |
J |
A |
S |
O |
N |
D |
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Total de população |
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> de 15 |
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Mulheres 15-59 |
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> 60 anos |
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< de 15 anos |
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< 1 ano |
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< 6 meses |
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< 4 meses |
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<1mes |
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Atendimentos |
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Total de atendimento |
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Demanda espontânea |
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Consulta agendada |
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Puericultura |
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< 1ano |
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<6 meses |
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< 4meses |
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<1mes |
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Ablactação materna |
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<1ano |
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< 6 meses |
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<4 meses |
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< 1mes |
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Pediatria |
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Gestantes acompanhadas |
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Atendimento pré-natal enfermeira |
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Atendimento pré-natal medica |
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Hipertensos |
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Atendimento de hipertenso |
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Diabéticos |
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Atendimento de diabéticos |
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Atendimento de asma |
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Atendimento de saúde mental |
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Atendimento de TB |
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Atendimento de hansen |
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Rastreamento de dpccu |
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Rastreamento de colo |
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Atendimento de álcool e drogas |
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Visita domiciliaria |
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Atividade coletiva |
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Encaminhamento |
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Durante a realização de trabalho verificou-se que alguns agentes comunitários de saúde não entendiam a necessidade de trabalhar em equipe de maneira organizada e programada, e não reconheciam as deficiências encontradas. Sendo assim, foi muito difícil fazer as rodas de conversa e reuniões de equipe com este grupo profissional, pois sempre havia uma justificativa para não participar. Além disso, outro desafio foi o apoio a compreensão da população, uma vez que ela não quer perder uma jornada de atendimento por causa de uma reunião.
No final da microintervenção percebemos outro humor na equipe. As pessoas estavam mais interessadas e a atmosfera foi boa. Todo mundo está empenhado em terminar o cadastro de microáreas e manter atualizadas as listagens com o objetivo de melhor a atenção à saúde da população.
Ponto(s)