27 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

 Título. Construção da matriz de autoavaliação e intervenção para melhoria  do acesso e da qualidade da Atenção  Básica( AMAQ) da Equipe da estratégia da Família- ESF- Equipe 112 da Unidade Básica de Saúde-UBS Dr Sueldo Câmara.

Especializando:Antonio Caballero Ortiz

Orientadora: Maria Helena Pires Araújo Barbosa

Colaborador: Nara Maria da Silva- Assistente Social do Núcleo Ampliado de saúde da Família e Atenção Básica- NASF-AB

Nesta experiência, eu vou a fazer um relato do processo de autoavaliação da minha Equipe de Atenção Básica (EAB) 112 da Unidade Básica de Saúde (UBS) de Aeroporto 2, no município de Mossoró no estado do Rio Grande do Norte. Para isso foram utilizados os critérios avaliativos da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) e foi construída uma matriz de intervenção para intervir nos problemas analisados. Ressalta-se que a AMAQ é um dos instrumentos de monitoramento dos indicadores de qualidade do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica (PMAQ – AB).

Os processos autoavaliativos na atenção básica devem de ser contínuos e permanentes, assim como constituídos não apenas pela identificação de problemas, mas também pela realização de intervenções no sentido de superá-los. É fundamental que sejam estabelecidas prioridades de investimento para construir estratégias de ação com iniciativas concretas para a superação dos problemas identificados (BRASIL, 2012).

Para realização da AMAQ pela equipe, foi agendada reunião técnica a fim de realizar a leitura e debate da dimensão e subdimensão de acordo com o material. Foram convocados para reunião todos os membros da equipe de saúde. Houve a presença de médico, enfermeira e 5 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), técnico de enfermagem e da equipe do Núcleo Ampliado de Apoio à Saúde da Família e Atenção Básica (NASF –AB).

Sendo assim, foram respondidos os critérios relativos à dimensão “Unidade Básica de Saúde”, subdimensão: Infraestruturar e equipamentos (H 3.1-3.8); Insumos, imunobiológicos e medicamentos (I. 3.9-3.16); Educação permanente e qualificação das equipes de atenção básica (J 4.1-4.3); Organização do processo de trabalho (K 4.4-4.17); Atenção integral a saúde (L 4.4-4.52); Participação, controle social e satisfação do usuário (M 4.53-4.56) e; Programa Saúde na Escola – PSE (N 4.57-4.62). A pontuação de cada critério era atribuída após debate e consenso do grupo a cerca do tema disposto. O resultado das pontuações e classificação conforme critério do AMAQ foi o disposto conforme o quadro 1.

 

 

 

Quadro 1: Pontuações e classificações por subdimensão da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica.

                      Subdimensão

  Pontuação

      Classificação

Infraestruturar e equipamentos              (H 3.1-3.8)

45

Regular

Insumos, imunobiológicos e medicamentos (I. 3.9-3.16

52

Satisfatórios

Educação permanente e qualificação das equipes de atenção básica

 (J 4.1-4.3)

23

Satisfatórios

Organização do processo de trabalho

 (K 4.4-4.17)

125

Satisfatórios

Atenção integral a saúde

(L 4.18-4.52)

250

Satisfatórios

Participação, controle social e satisfação do usuário

 (M 4.53-4.56)

27

Satisfatórios

 Programa Saúde na Escola – PSE

(N 4.57-4.62).

55

Satisfatórios

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

 

Na continuação da realização da autoavaliação foi selecionado um problema de acordo com os seguintes critérios: nota ≤ 5, factibilidade de resolução e independência da gestão municipal para realização. O próximo passo foi a construção da matriz de intervenção que é exposta no quadro 2.

            A matriz de intervenção elaborada pela equipe abordou a subdimensão L – Atenção Integral à Saúde. Essa subdimensão envolve o acolhimento, tanto da demanda programada quanto da espontânea. As principais críticas apontadas foram: não possui identificação e não mantém registros atualizados das pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

De acordo com os critérios de prevalência média no Brasil para doenças crônicas, a Hipertensão Arterial Sistêmica atinge 24,3% dos brasileiros maiores de 18 anos. Já a Diabetes Mellitus (DM) 7,4% entre maiores de 18 anos (VIGITEL, 2012). Na unidade básica de saúde na qual atuo, a equipe registrou até o momento entre os maiores de 18 anos, 17% de as pessoas com diagnóstico de HAS e 4,3% de DM.

            Na segunda parte da reunião criamos um quadro para registrar os dados e avaliar os indicadores de qualidade do PMAQ. Estes indicadores são: média de atendimentos de médicos e enfermeiros por habitante; Percentual de atendimentos de consultas por demanda espontânea; Percentual de atendimentos de consulta agendada; Índice de atendimentos por condição de saúde avaliada; Razão de coleta de material citopatológico do colo do útero; Cobertura de primeira consulta odontológica programática; Percentual de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida; Percentual de encaminhamentos para serviço especializado; Razão entre tratamentos concluídos e primeiras consultas odontológicas programáticas; Percentual de serviços ofertados pela EAB; Percentual de serviços ofertados pela Equipe de Saúde Bucal; Índice de atendimentos realizados pelo NASF – AB. Essas informações serão preenchidas conforme disposição no quadro 3.

Após o término da criação do quadro de indicadores, ficou estabelecido que a avaliação da equipe utilizaria esse quadro, assim como o monitoramente seria realizado também por meio de uma planilha eletrônica para o acompanhamento de alguns indicadores. Destaca-se que a UBS em que atuo ainda não tem prontuário eletrônico, mas todas as ações são preenchidas em uma base de dados de Sistema Único de Saúde, onde são avaliados e analisados durante todos os meses na reunião de equipe. Esses dados também ficam expostos na área de recepção da unidade.

Quadro 2: Matriz de Intervenção

Descrição do padrão. 4.28 A equipe executa e mantem registro de pessoas com  doenças crônicas, hipertensão e deabetes.

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão. A equipe não tem identificado e não mantém registros atualizados das pessoas com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes.

Objetivo/meta. Melhorar acolhimento e atenção a pessoa com doença crônica

Estratégias para alcançar os objetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Capacitação dos ACS e funcionários.

Encontro para capacitação em HIPERDIA

Aula elaborada em slide acerca do tema;

HIPERDIA

 

Melhorar o a qualidade de vida de pessoa com HIPERDIA

Medico

30 dias

Exposição de impressões em reunião técnica mensal

Levantamento do # de pacientes com HIPERDIA

Visita domiciliar buscando pessoas com HIPERDIA

Recursos humanos,

ACS,

Enfermeira,

Medico,

NAFS

Pesquisa de todas as pessoas em risco de HIPERDIA

ACS,

Medico Enfermeira

60

dias

Exposição de impressões em reunião técnica mensal

Pesquisa ativa todas as pessoas maior de 18 anos

Verificação de pressão arterial em consulta de todas as pessoas maior de 18 anos

Esfigmomanómetro, estetoscópio, Médico.

Captura de 100% de pessoas com HIPERDIA

Medico

90 dias

Exposição de impressões em reunião técnica mensal

Fonte: Elaborado pelo autor.

 

Quadro 3: Registro de indicadores de qualidade do Programa de Melhoria do Acesso e Qualidade da Atenção Básica.

 

                   Produção por meses

Indicadores

J

F

M

A

M

J

J

A

S

O

N

D

Total de população

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

> de 15

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mulheres

15-59

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

> 60 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< de 15 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 1 ano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 6 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 4 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<1mes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimentos

Total de atendimento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Demanda espontânea

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Consulta agendada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Puericultura

< 1ano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<6 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 4meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<1mes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ablactação materna

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<1ano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 6 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

<4 meses

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

< 1mes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pediatria

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gestantes acompanhadas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento pré-natal enfermeira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento pré-natal medica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Hipertensos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de hipertenso

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diabéticos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de diabéticos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de asma

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de saúde mental

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de TB

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de hansen

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rastreamento de dpccu

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Rastreamento de colo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atendimento de álcool e drogas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Visita domiciliaria

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atividade coletiva

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Encaminhamento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Durante a realização de trabalho verificou-se que alguns agentes comunitários de saúde não entendiam a necessidade de trabalhar em equipe de maneira organizada e programada, e não reconheciam as deficiências encontradas. Sendo assim, foi muito difícil fazer as rodas de conversa e reuniões de equipe com este grupo profissional, pois sempre havia uma justificativa para não participar. Além disso, outro desafio foi o apoio a compreensão da população, uma vez que ela não quer perder uma jornada de atendimento por causa de uma reunião.

No final da microintervenção percebemos outro humor na equipe. As pessoas estavam mais interessadas e a atmosfera foi boa. Todo mundo está empenhado em terminar o cadastro de microáreas e manter atualizadas as listagens com o objetivo de melhor a atenção à saúde da população.

 

 

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