25 de Maio de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

CAPÍTULO I: MELHORANDO O ATENDIMENTO DAS GESTANTES

DANIELLE BARBOZA ARAÚJO

CLEYTON CÉZAR SOUTO SILVA

A Rede Cegonha foi instituída pela Portaria nº 1.459, de 24 de junho de 2011 para melhorar o “acesso, a cobertura e a qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto e puerpério e da assistência à criança” (BRASIL, 2011a). Esta rede de cuidado é dividida em quatro eixos: 1) Pré-natal; 2) Parto e Nascimento; 3) Puerpério e Atenção Integral à Saúde da Criança e 4) Sistema logístico (transporte sanitário e regulação).

O acompanhamento pré-natal engloba as seguintes ações de atenção à saúde: a) captação precoce de grávidas e a disponibilização do acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com a avaliação das demandas trazidas durante a gestação e realização da classificação de risco e vulnerabilidade com encaminhamento oportuno ao pré-natal de alto risco, quando necessário; b) acesso aos exames preconizados pelo Ministério da Saúde para um pré-natal de qualidade seja de baixo ou alto risco; c) vinculação da grávida ao seu local de parto desde o início do pré-natal; d) aprimoramento do sistema e da gestão da informação; e) difusão das estratégias de comunicação social e programas educativos referentes à saúde sexual e reprodutiva feminina; f) prevenção e tratamento das DST/HIV/Aids e Hepatites e g) disponibilização de transporte as gestantes para as consultas de pré-natal e para o local do parto.

Em abril de 2018, foi realizado a Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) com a minha equipe de Estratégia de Saúde da Família (situada na UBS Álvaro Correa, na zona norte de Macapá, capital do Estado do Amapá) para avaliarmos nosso serviço e identificarmos pontos que deveríamos melhorar na assistência.

Dentre os itens com pontuação inferior a 05 no AMAQ estava o acompanhamento pré-natal, por isso o escolhemos para ser alvo da microintervenção. Durante a avaliação foi discutido que o início tardio no acompanhamento pré-natal, que as gestantes não realizavam as 06 consultas mínimas preconizadas pelo Ministério da Saúde, as dificuldades na realização na rede pública municipal dos exames solicitados em tempo oportuno e com isso as gestantes não retornavam para as consultas subsequentes. Somado a isso não havia comunicação efetiva entre a enfermeira e/ou o médico anterior e os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), e por isso a busca ativa das gestantes faltosas não era realizada.

Com base nas hipóteses acima descritas, minha equipe e eu conversamos sobre como construir nossa matriz de intervenção; e após muito discutir chegamos às seguintes estratégias:

a) A gestante passou a sair com a consulta subsequente já marcada, seja para a consulta médica ou com a enfermeira, respeitando o intervalo preconizado pelo Ministério da Saúde de acordo com a idade gestacional, conciliando com o grau de risco de cada gestação;

b) A comunicação entre a enfermeira e eu tornou-se mais efetiva, facilitando o encaminhamento quando observado algum sinal de gravidade ou sintoma que precise de manejo terapêutico farmacológico;

c) Por fim, a principal mudança, foi a implementação da busca ativa em parceria com os ACS pelas gestantes faltosas e re-encaminhá-las para as consultas agendadas.

Nós aprendemos que a comunicação entre os membros da equipe é algo imprescindível para o bom funcionamento das nossas atividades. Além disso, foi colocado às claras que todos tem missões a cumprir para que nós ofertemos um serviço de qualidade as nossas gestantes, pois com a satisfação destas aumenta o vínculo de confiança equipe-gestante-família.

Mas ainda temos obstáculos a superar, como por exemplo: manter a boa comunicação a longo prazo, estimulando continuamente nossos membros para realizar seus papéis dentro da matriz de intervenção;  além disso, a dificuldade na realização dos exames dentro da rede pública no meu município, o que atrasa o retorno para as consultas e retarda a identificação e tratamento de patologias como diabetes gestacional, infecção recente por toxoplasmose.

O tempo de execução dessa intervenção foi curto, e com mais tempo poderemos amadurecer nossas práticas na atenção à gestante e desenvolver novas atividades com outros profissionais para agregar atividades e expandir o cuidado, além de estender essa relação criada durante o pré-natal para a consolidação das consultas de puerpério e ao acompanhamento de puericultura.

Quanto a pontos positivos, podemos destacar o aumento na resolubilidade das queixas das pacientes (tratamento de cistites, vaginose bacteriana, hiperêmese gravídica) e encaminhamento para o pré-natal de alto risco mais precoces; além de aumento na taxa de consultas realizadas no último trimestre da gestação.

Uma descoberta interessante com a efetivação da busca ativa foi que algumas gestantes não residiam no endereço informado e que na verdade um parente morava na nossa área de abrangência e devido a carência do serviço onde estas residiam acabavam “migravam para nossa área” para realizar as consultas.

A expectativa é que com continuação dessas mudanças tenhamos melhor adesão ao acompanhamento pré-natal, com maior participação dos ACS na busca ativa, início cada vez mais precoce das consultas de pré-natal, com melhora no indicador de morbi-mortalidade materno-infantil local.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria no 1.459, de 24 de junho de 2011a.  Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1459_24_06_2011.html. Acesso 14/05/2018

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