10 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 TITULO: Acolhimento à Demanda Espontânea e Programada na UBS Wender Rodrigues de Souza/Porto Grande/AP

ESPECIALIZANDO: CARLOS TEJEDA CLEMENTE

ORIENTADOR: CLEITON CESAR SOUTO SILVA

A atenção básica, enquanto um dos eixos estruturantes do SUS, vive um momento especial ao ser assumida como uma das prioridades do Ministério da Saúde e do governo federal. Entre os seus desafios atuais, destacam-se aqueles relativos ao acesso e acolhimento, à efetividade e resolutividade das suas práticas, ao recrutamento, provimento e fixação de profissionais, à capacidade de gestão/coordenação do cuidado e, de modo mais amplo, às suas bases de sustentação e legitimidade social. (BRASIL, 2013).

A Unidade Básica de Saúde teve sua origem em 1994, com a implantação do PSF (Programa de Saúde da Família) pelo Governo Federal, sendo uma estratégia de organização da Atenção Básica do Sistema Único de Saúde, buscando a melhoria das condições de vida da comunidade de cada município (BRASIL, 2006).

A ESF é um  modelo de organização dos serviços de atenção primária da saúde, baseado em equipes  multiprofissionais compostas por, no mínimo, 1 médico, 1 enfermeiro, 1 técnico em  enfermagem e de quatro a seis  agentes comunitários de saúde (ACS) podendo ser complementado pela equipe de saúde  bucal e prioriza a promoção de saúde tendo como foco, a coletividade (DUNCAN, 2004).

As equipes são responsáveis por um número definido de famílias em uma área  geográfica delimitada. Atua com a promoção da saúde, prevenção, recuperação,  reabilitação de doenças e agravos comuns, e na manutenção da saúde desta população (BRASIL, 2013).  A base no atendimento no modelo clássico de saúde é a demanda espontânea, que consiste no paciente que comparece na unidade de saúde de forma inesperada, seja por motivo agudo ou que o próprio paciente julgue necessidade de saúde (BRASIL, 2010).

A ESF não deve ignorar a demanda espontânea, porém, como sua prioridade é a promoção de saúde, deve organizar suas atividades de modo a superar os problemas prioritários de saúde/doença da população. Este aspecto é fundamental para que o trabalho de saúde da família consiga impacto nos indicadores de saúde local, reduzindo atendimento ambulatorial nos serviços de urgência. A demanda espontânea pode acontecer de duas formas: com casos de intervenção que podem ser programadas (não agudos) e de casos de atendimento imediato e prioritário (agudos). Nos casos não agudos pode requerer ações voltadas a orientação e atendimento (DUNCAN, 2004).

O acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, baseado no encontro de trabalhadores de saúde e usuários, no ato de receber e escutar as pessoas. Realizar o acolhimento com escuta qualificada, classificação de risco, avaliação das necessidades de saúde e da vulnerabilidade é o objetivo que se deve alcançar (BRASIL, 2011).

Começo

          Na UBS wender Rodrigues de Souza do município Porto Grande, existe uma estrategia de acolhimento com clasificação de risco, que começou no ano 2016, quando os profissionais do equipe se encontraram  para discutir os termos de essa estratégia a fim de mellhorar a qualidade da atemção para as pessoas que vem à UBS a procura de ajuda para seus problemas de saúde. Dentro dos objetivos desse encontro estava aquele de propor um plano de ações para organizar a demanda espontânea e programada para a equipe de saúde da família, procurando aumentar o atendimento programado e reduzir o atendimento espontâneo, bem como fornecer ações de promoção de saúde.

De acordo com a enfermeira do equipe, os primeiros tempos foram difíceis, devido à inexperiência do pessoal da equipe, além do grande número de pessoas que foram pra a UBS diariamente na procura de atendimento espontanêo, apesar de muitas vezes não corresponder a uma necessidade urgente de atenção médica.

Por sua vez, esta sobrecarga nos serviços da UBS trouxe como conseqüência que outra população que deveria ser atendido buscando a prevenção de doenças e promoção de saúde acabavam ficando mais desprotegidas.

A primeira proposta então foi a capacitação da equipe para enfrentar esta situação, onde foi  enfatizado  as funções da recepção na chegada do usuário, prioridades para escuta qualificada, objetivo do acolhimento, funções do ACS no acolhimento, fluxo quando usuário chega a UBS, funções da equipe de saúde  na sala de atividade coletiva, fluxos para gerenciamento de agenda puericultura, promoção de saúde, atendimentos por turnos prevenção, pré-natal , cronogramas de doenças crônicas e demandas livres.

Segundo a enfermeira foi muito importante ter a disposição de todos os membros da equipe para realizar essa tarefa e desse jeito ficaram todos os profissionais capacitados para fornecer orientações e redirecionar os usuários para as ações planejadas de acordo com a demanda apresentada. Para isso foi necessário fortalecer as reuniões da equipe, enfatizando a responsabilidade de cada um com o atendimento dos pacientes, desde a recepção até a saída.

Também a enfermeira conta que como todas as coisas novas, este proceso teve contratempos e pessoas que não aceitaram as mudanças, mas com o tempo a população estava se adaptando e entendendo as vantagens da programação e foi alcançado um aumento do grau de satisfação do usuário com a utilização dos protocolos  com definição de diretrizes terapêuticas para acolhimento.

Na atualidade a equipe realiza o acolhimento com classificação de risco e vulnerabilidades, ordenando os atendimentos por critérios de avaliação de risco e não por ordem de chegada, como as consultas médicas, onde ha pacientes que apresentan risco de agravo a saúde e cuja duração de espera é até 20 minutos, entregando o prontuário para o usuário e encaminhando-o para a sala de atividade coletiva.  São feitas escutas qualificadas e individualizadas garantindo a privacidade do usuário. Após o termino das consultas agendadas são atendidos então aqueles pacientes que não tem risco de agravo a saúde.

Também as consultas de enfermagem ou agendamentos  para os pacientes com queixas recentes ou agudas não ultrapassam 15 dias, sem risco de agravo à saúde, onde  devem ser avaliados pela enfermeira e encaminhados para agendamento. Os agendamentos dos pacientes que não apresentam nenhum risco de agravo à saúde são  encaminhados para agendamentos de consulta. Alem de tudo isso são programadas também as visitas domiciliares para o acompanhamento de pessoas com doenças crónicas o daqueles que não poden vir na UBS.

Melhorias no trabalho e na atenção à saúde da população após o acolhimento

Apos este planejamento têm sido alcançado um aumento do atendimento programado de todos os ciclos de vida, portadores de doenças ou não,  uma redução da demanda espontânea na Unidade Básica de Saúde, o desenvolvimento de ações promoção de saúde e a redução de atendimentos ambulatoriais de urgência.

O proceso da implantação do acolhimento foi um grande ensinamento para nossa equipe de saúde, uma vez que pode-se constatar a necessidade de uma programação organizada para o desenvolvimento do trabalho, bem como as vantagens dela para prover um  melhor atendimento para as pessoas que procuram os serviços da UBS, já que possibilita estratégias de abordagem ao indivíduo por meio da consulta programada e por participação em atividades de grupo. Isso leva a uma maior adesão por parte do usuário às atividades de promoção da saúde, do autocuidado, de adesão ao tratamento e consequentemente, aumento do vínculo do usuário com a equipe de saúde.

REFERÊNCIAS 

BRASIL. Ministério da Saúde. HumanizaSUS: Política Nacional de Humanização :A Humanização como Eixo Norteador das Práticas de Atenção e Gestão em todas as Instancias do SUS. Brasília :MS, 2004.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Humaniza SUS: acolhimento com avaliação e classificação de risco: um paradigma ético-estético no fazer em saúde / Ministério da Saúde, Secretaria-Executiva, Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. – Brasília: Ministério da Saúde, 2004, p.5.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica Acolhimento à demanda espontânea /Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. -1. ed., 1. reimpr. -BRASILIA :Ministério da Saúde ,20013.

CAMPOS, Francisco Carlos Cardoso de; FARIA, Horácio Pereira de; SANTOS, Max André dos. Elaboração do plano de ação. In: CAMPOS, Francisco Carlos Cardoso de; FARIA, Horácio Pereira de; SANTOS, Max André dos. Planejamento e avaliação das ações em saúde. 2ª ed. Belo Horizonte: Nescon/UFMG, 2010. 118p. :il.

COSTA, M. A. R.; CAMBIRIBA, M. da S. Acolhimento em enfermagem: a visão do profissional e a expectativa do usuário. Ciência, Cuidado e Saúde, Maringá, v. 9, n. 3, p. 494-502, jul.-set. 2010. Disponível em: <http://tinyurl.com/jwrvuyk>. Acesso em: 13 Out. 2016.

DUNCAN, Bruce B. (et al). Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3 ed. Porto Alegre: Artmed 2004.

INOJOSA, R.M.Acolhimento: A qualificação do encontro entre profissionais de saúde e usuários.X Congresso Internacional de CLAD sobre a Reforma do Estado e da Administração Pública, Santiago, Chile, 18 – 21 de Outubro de 2005.

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