TITULO: Prioridades e soluções na minha unidade.
ESPECIALIZANDO: Yelena Tabio Suárez
ORIENTADOR: Tulio Felipe Vieira de Melo
COLABORADORES: Amanda Pereira Ferreira(Enfermeira)
Este relato tem o intuito de escreveras experiências durante a elaboração e execução da microintervenção realizada na Estratégia de Saúde da Família ESF 4º Equipe no município de Vera Cruz, Rio Grande do Norte. Foi utilizado como instrumento para a autoavaliação o manual da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e de Qualidade da Atenção Básica (AMAQ), que faz parte do ciclo contínuo e reafirma o compromisso com o processo, sendo um instrumento que permite avaliar o grau de adequação da suas práticas aos padrões de qualidade apresentados. Além, trataremos sobre como são feitos os registros e como ocorre o monitoramento dos indicadores de desempenho pactuados do PMAQ para mensurar os resultados e o desempenho da equipe. (BRASIL, 2017).
A informação que fornece deve proporcionar conhecimento às equipes e à gestão, de forma a subsidiar o planejamento e as tomadas de decisão. Não há dúvida de que, para o alcance de bons resultados nos indicadores e nos padrões de qualidade definidos pelo PMAQ, é essencial a realização constante de ações de monitoramento. (BRASIL, 2017).
Diante disso, a temática mostra-se de alta relevância, pois permite contextualizar a realidade através da identificação das dificuldades na área de abrangência da Equipe de Atenção Básica e estimular mudanças para superação dos problemas.Este relato visa refletir sobre a responsabilidade a respeito da organização e da prática de trabalho para estimular o compromisso da contínua melhoria.
O processo iniciou-se realizando um encontro com a equipe, onde foram analisados e avaliados os padrões de qualidade a partir de suas categorias, permitindo identificar com maior facilidade o desafio ou problema mais crítico, e refletimos sobre as causas. Toda a equipe emitiu os nós críticos e assim orientamos nossas prioridades a traçar estratégias para a melhoria do acesso e qualidade. Por fim, se definiu responsáveis e prazo de execução e pactuamos as ações a serem implementadas e as estratégias de monitoramento e avaliação das ações. Após fazer o reconhecimento da área de abrangência e suas particularidades, a equipe percebeu vários problemas, os que foram analisados e priorizados, concluindo que o uso abusivo do tabaco é o problema mais relevante que afeta a população.
Atualmente, o tabagismo é reconhecido como uma doença epidêmica resultante da dependência de nicotina e classificado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas(F17)na Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (OMS, 2007)
O tabaco, consumido de diferentes maneiras, configura-se hoje como a principal causa evitável de morte no Brasil e no mundo. O seu uso contribui diretamente para o desenvolvimento de diversos agravos de saúde, destacando-se as doenças cardiovasculares, o câncer e as doenças respiratórias obstrutivas crônicas. Sua prevalência vem aumentando progressivamente no último século, gerando custos sociais e econômicos enormes. Visto o impacto na saúde, individual e coletivamente, é essencial que sejam desenvolvidas ações de prevenção ao uso do tabaco, especialmente no âmbito da Saúde e da Educação.(BRASIL 2015)
Observaram-se várias dificuldades que favorecem a prevalência do problema, como o alto grau de dependência á nicotina da maioria dos fumantes e o baixo nível de conhecimento a respeito das complicações relacionadas ao uso do tabaco. Nota-se também a alta distribuição e venda de cigarros, incentivando seu consumo. Além disso, percebe-se a falta de incentivo á realização de atividades educativas sobre tabagismo e inexistência de ações de promoção a saúde e prevenção de agravos relacionados ao consumo do tabaco.
Porém, verificamos que diante das dificuldades, possuímos muitas potencialidades que facilitam a criação de estratégias de intervenção para superação das fragilidades encontradas.Embora o Brasil seja o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de tabaco, o País tem conseguido desenvolver ações importantes para o controle do tabagismo, das quais se destacam as campanhas alertando sobre as armadilhas dos cigarros de baixo teor de nicotina, proibindo as expressões light e mild nas embalagens; a proibição das propagandas de cigarro, exceto nos pontos de venda; a colocação de gravuras nas embalagens de cigarro, mostrando os efeitos danosos do tabaco; a criação de ambientes 100% livres de fumaça; e a descentralização do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, oferecendo tratamento para o fumante que deseja parar de fumar, com ênfase na Atenção Básica. Todas essas ações, refletidas na queda contínua da prevalência de tabagismo no País nas últimas décadas, têm conferido ao Brasil o reconhecimento enquanto uma liderança internacional no controle do tabaco. (BRASIL 2015).
Em nossa equipe todos os profissionais estão capacitados para o acompanhamento de usuários de tabaco, pois a Secretaria de Saúde promoveu uma capacitação sobre o plano para implantação da abordagem e tratamento do tabagismo no SUS para os profissionais da atenção básica, e assim estar preparados (e sensibilizados) para estimular e apoiar ao paciente a parar de fumar. Foi uma capacitação ampla, onde tratamos temas como o Questionário de Tolerância de Fagerström, que fornece uma medida quantitativa, de 0 a 10 pontos, que avalia o grau de dependência física à nicotina, incluindo o processo de tolerância e a compulsão; instrumento principal para elaborar um plano de tratamento.
Todos os profissionais foram capacitados para informar o usuário sobre o que é a dependência química, os seus malefícios, quais sintomas ele poderá experimentar ao parar de fumar, quais métodos para cessação estão disponíveis, qual o papel do medicamento e quais os tipos de medicamento. Outra potencialidade é que na farmácia municipal já está disponível os medicamentos para terapia de reposição de nicotina através de adesivos transdérmicos, e cloridrato de bupropiona, para providenciar aos fumantes que manifestaram interesse em cessar o uso do tabaco. Contamos com o apoio do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) para desempenhar atividades de promoção de saúde e prevenção de doenças e agravos, trabalhamos em conjunto para propiciar eficácia durante o acompanhamento desses usuários.
Partindo do problema prioritário e suas dificuldades e potencialidades encontradas, foi elaborado em conjunto uma matriz de intervenção para sua superação. A situação problema, alta incidência e prevalência do consumo de cigarro está relacionada á descrição do padrão 4.39 queanalisa se a equipe de atenção básica desenvolve ações voltadas aos usuários de tabaco no seu território, onde analisamos se a equipe de atenção básica desenvolve ações para a cessação de fumar entre os usuários de tabaco e ações educativas para redução do seu uso, especialmente entre crianças e adolescentes, tais como: parceria com escolas para a realização de discussão sobre o tema tabagismo; promoção de ambientes de livres de fumo; tratamento para cessação de fumar na população usuária de tabaco de seu território; interface com o programa de tabagismo de referência, entre outras.
Esta intervenção tem como objetivo sensibilizar aos fumantes sobre os riscos do tabagismo para contribuir na redução do número de pessoas tabagistas na área de abrangência da UBS. Nesse sentido, como estratégias pactuamos criar um grupo de abordagem e tratamento do tabagismo para aqueles que desejam parar de fumar.
Nas atividades a serem desenvolvidas se programaram reuniões para abordar temas sobre como fumar afeta a saúde e como vencer os sintomas de abstinência para permanecer sem fumar; precisando do local para as reuniões e os medicamentos para o fornecimento aos fumantes. O resultado esperado é cessação do consumo de cigarro pelos usuários com menor desconforto causado pela abstinência á nicotina; sendo responsabilidade de os profissionais da equipe diminuir o número de fumantes em um prazo de 3 meses. Para avaliar o alcance dos resultados o mecanismo e indicadores utilizados foi um projeto terapêutico singular. Há 5 semanas se fornece apoio a um grupo de 17 tabagista onde 10 pararam de fumar, representando um 58% na taxa de sucesso da terapêutica.
Durante o encontro, após a autoavaliação, refletimos sobre como são feitos os registros de indicadores de desempenho pactuados do PMAQ e como ocorre o monitoramento, relevando a importância que, para que este último aconteça é necessária a alimentação regular, consistente e em tempo oportuno do Sistema de Informação em Saúde da atenção básica.
A grande expectativa do Ministério de Saúde é a de que os resultados dos indicadores reflitam o esforço das equipes de saúde e da gestão na melhoria da qualidade da Atenção Básica. Na unidade esses registros são feitos utilizando de forma complementar o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) e a Coleta de Dados Simplificada (CDS) do e-SUS AB, realizando a avaliação dos relatórios do próprio sistema para seu monitoramento. Contamos com algumas dificuldades pela informatização parcial da unidade, já que nem todas as salas de atendimento têm computador e em ocasiões a lenta conexão á internet impede acessar ao sistema impossibilitando o registro da informação diário.
A realização desta micro-intervenção foi construtiva para a equipe, já que abriu possibilidades de construção de soluções fundamentadas na identificação de problemas. Além disso, incentivo o compromisso da equipe ao perceber a autonomia na construção do cuidado do território, reafirmando que através de uma adequada análise situacional da área somos capazes de reconhecer os problemas e suas causas, permitindo verificar a realidade e identificar as fragilidades e as potencialidades da rede da Atenção Básica. Espero que após refletir a importância do processo, eleve o compromisso cada vez mais garantindo a qualidade na atenção.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica : AMAQ [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 164 p. : il. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/autoavaliacão_acesso_qualidade_atencao_basica_ eletronico_1ed.pdf>.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica : o cuidado da pessoa tabagista / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 34 p. : il. Disponível em : <http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_40.pdf.
CID-10/Organização Mundial da Saúde. Tradução Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doen ças emPortuguês. 10. ed. rev. – São Paulo: Editora de Universidade de São Paulo, 2007. 313 p.
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