TÍTULO: O acolhimento como parte essencial na Unidade Básica de Saúde Maria Gomes de Andrade.
ESPECIALIZANDO: Yanisley Rodriguez de la Cruz.
ORIENTADORA: Maria Helena Pires Araújo.
O acolhimento pode ser visto como um dispositivo de garantia para a entrada da demanda espontânea dos usuários nas unidades, como forma de acolher o sofrimento e a doença, ultrapassando a lógica programática, que excluía a entrada de usuários que não se enquadravam nos programas e prioridades estabelecidas (BRASIL, 2013). O acolhimento merece atenção especial dentro da equipe de saúde, pois é o ponto central no atendimento ao usuário. Por isso, neste relato abordarei o acolhimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) em que atuo. O objetivo é compartilhar a experiência do acolhimento em uma UBS localizada no interior do estado do Sergipe.
O acolhimento representa o espaço para a escuta que possibilita o reconhecimento de risco e vulnerabilidade dos indivíduos, reafirmando o princípio da equidade e, inclusive, possibilitando a identificação de novos riscos. Na nossa unidade ele é organizado de forma que o usuário seja o centro, partindo dos princípios como: atendimento de todas as pessoas que procurarem o serviço de saúde; Reorganização do processo de trabalho; Fortalecimento e criação de vínculo entre usuário e equipe de saúde.
Muitas vezes, o aumento da demanda e a sobrecargade trabalho dos profissionais que atuam na equipe tem dificultado o desenvolvimento de ações voltadas para a promoção da saúde e prevenção de doenças. Além disso, enfrentamos no dia a dia dificuldades como: a presença de só um local para acolhimento que não é suficiente para o fluxo de usuários quando existem 4 consultas funcionando; Déficit de alguns equipamentos como tensiômetro para crianças e obesos, assim como balança para criança e obesos; Falta de privacidade para o usuário ficar a vontade e possa falar sobre o que o trouxe à unidade de saúde; Falta de preparo do professional que trabalha no acolhimento para dar resposta às necessidades de saúde da população.
Diante de todas essas dificuldades foi preciso realizar uma reunião da equipe em conjunto com a gerente da UBS para implementar o acolhimento como uma opção de resposta às necessidades dos usuários que procuram nosso serviço de saúde. A reunião gerou várias opiniões, mas prevaleceu a ideia de que o professional que fica na sala de acolhimento e quem vá realizar a primeira escuta é quem vai avaliar as necessidades do usuário naquele momento e terá autonomia para dar seguimento ao fluxo. Desta forma, ele poderá encaminhar o usuário para consulta médica e/ou de enfermagem, agendar consulta para outro dia da semana, agendar consulta para o Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF – AB), ou mesmo agendar uma visita domiciliar. De tal forma o sujeito não fica sem uma resposta ou atendimento pelo simples fato de não estar agendado nesse dia.
A reunião da equipe foi muito importante, pois identificou-se que o conceito de acolhimento, principalmente entre os profissionais de saúde, ainda estava atrelado a triagem e ao atendimento de usuários não agendados. Neste sentido, a microintervenção pode ampliar o conhecimento dos membros da equipe acerca do acolhimento. E o aperfeiçoamento sobre o acolhimento foi sendo realizado nos dias posteriores à microintervenção. Afinal, ele configura-se como espaço pedagógico, já que, a partir da escuta qualificada e identificação da necessidade do usuário, é possível a atuação da equipe envolvendo novos saberes e tecnologias, realizando a clínica ampliada, cujo olhar leva, consequentemente, a ampliação do cardápio de opções da unidade, (BRASIL, 2013).
Como toda mudança, a implantação do acolhimento gerou diversas opiniões na população, pois os usuários que compareciam à UBS por demanda espontânea sempre eram encaminhados à consulta médica e, muitas vezes, por motivos que não demandavam atendimento no mesmo dia, sobrecarregando o trabalho do médico. Ademais, os atendimentos resultantes do acolhimento à demanda não fazem parte da agenda. E, em virtude das limitações para o acesso, resultaram em filas e insatisfações, em que parte da população não conseguia ser atendida nas suas necessidades. Além disso, muitos usuários deixavam a UBS sem resolver suas demandas.
Nossa equipe teve vários desafios como ter uma sala de acolhimento totalmente equipada, a necessidade de mudanças na organização do processo de trabalho da equipe, a adoção de estratégias para que o profissional responsável pela primeira escuta reconheça adequadamente os riscos e vulnerabilidades e que fosse capaz de orientar o usuário devidamente. Contudo, apesar dos vários obstáculos enfrentados pelos profissionais, os mesmos estão se esforçando para melhorar o atendimento e melhorar o vínculo entre os usuários e a equipe da atenção básica. Desta forma, espera-se que com o passar dos dias os desafios sejam dirimidos.
Ponto(s)