20 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TITULO: USO INDISCRIMINADO DE PSICOTROPICOS; PROPOSTA DE UM PLANO DE INTERVENÇÃO.

ESPECIALIZANDO: DRA YAMILET FERNANDEZ FERNANDEZ.

ORIENTADOR: TULIO FELIPE VIEIRA DE MELO.

           A Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) é um instrumento de autoavaliação que auxilia no planejamento de ações da equipe, com este são identificados os nós críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas, é um ponto de partida de melhoria da qualidade dos serviços, sendo um processo necessário nas ações de monitoramento e acompanhamento pelos gestores, profissionais e equipe. A autoavaliação é um processo contínuo que deve ser feito anualmente. (BRASIL, 2017).

            Minha equipe fez a auto avaliação no ano passado, levando em consideração um conjunto de padrões e qualidades que revelam quais são os padrões com mais problemas que devem ser enfrentados pela equipe com o objetivo de qualificar o processo de trabalho e atenção oferecida aos usuários. (BRASIL, 2017).

            O objetivo desta microintervenção foi elaborar uma proposta de intervenção para o uso abusivo e indiscriminado de psicotrópicos. Aprendemos que de forma organizada e monitorada podemos identificar os principais problemas que afetam a população e contribuir para uma solução rápida.

            Em nossa equipe usamos o AMAQ por meio físico através do caderno impresso. Iniciamos a autoavaliação realizando um encontro com a equipe onde analisamos e avaliamos as dimensões e subdimensões, permitindo identificar de forma mais eficaz o problema mais crítico que afeta a população, baseou-se essa análise nos princípios e diretrizes da atenção básica no Brasil, com um total de quatro dimensões distribuídas em quatorze subdimensões, que, por sua vez, apresenta padrões correspondentes ao que é esperado em termos de qualidade para atenção tanto para equipe de atenção básica quanto para equipe de saúde bucal.

            A Unidade Básica de Saúde (UBS) Sítio Conceição esta localizada no município Nova Cruz, Rio Grande do Norte com assistência na área rural, servindo mais de 2500 pessoas, temos uma população de recursos escassos, sendo a maioria dos usuários trabalhadores da agricultura.

            Na autoavaliação, foi encontrado um elevado de número de pacientes que fazem uso irracional de psicotrópicos. Isso foi detectado através do registro de receitas renovadas mensalmente pela equipe. O uso de substâncias psicotrópicas tem sido alvo de inúmeros estudos no Brasil e no mundo devido ao seu grande impacto social,econômico,e principalmente, no que remete a saúde da população e suas consequências referentes ao uso abusivo destas drogas.

            Ao longo do tempo com a popularização do uso dos psicotrópicos, novos problemas foram evidenciados, grande parte deles, decorrentes do mau uso desses medicamentos. Com a realização desta microintervenção em nossa unidade observou-se um elevado número de renovações de receitas, a maioria benzodiazepinas. Nós também observamos que não é realizado nenhum acompanhamento dos usuários dessas drogas periodicamente e nem são oferecidas alternativas do tratamento.

            O conjunto de padrões foram definidos pela relação direta com as práticas e competências dos atores envolvidos – gestão, coordenação e equipe de atenção básica – embora os dois componentes centrais estejam organizados de maneira equivalente, deve-se considerar que o componente gestão é corresponsável por parte das condições e oportunidades que permitem a equipe acontecer.Ressalta-se ainda, que os elementos de estrutura, embora possam e devam ser avaliados no âmbito do trabalho das equipes, são de maior responsabilidade dos gestores, devendoser objeto de autoanálise desse ator.

            Após fazer o reconhecimento da área de abrangência e suas particularidades,a equipe detectou problemas que afetam a população como a alta incidência de pacientes diabéticos,pouca assistência a consulta de planeamento familiar das mulheres em idade fértil, uso irracional de psicotrópicos,presença de doenças diarreicas e respiratória, ambos obtiveram pontuação menor ou igual pontuação 5. Destaca-se o uso irracional de medicamentos psicotrópicos pelos pacientes sendo neste último o principal problema. Esse tema é de relevante importância, pois permite contextualizar a realidade por meio da identificação das dificuldades na equipe de atenção básica e,assim,estimular mudanças para a superação de problemas.

            Diversas dificuldades foram identificadas que favorecem a prevalência do problema, como elevado número de renovações de receitas de psicotrópicos, a maioria benzodiazepínicos,foi observado também que não é realizado nenhum acompanhamentoperiódico dos usuáriose nem são oferecidas alternativas não medicamentosas para queixas relatadas quando possível. Existem outros fatores que favorecem essa prevalência como baixo nível cultural, baixa cultura de saúde, alto índice de famílias disfuncionais, alto índice de desemprego, também a realização de poucas atividades educativas sobre uso irracional de psicotrópicos e inexistência de incentivos para atividades de promoção em saúde e prevenção de agravos.

            Existem 198 usuários cadastrados na unidade que fazem uso de algum tipo de medicamento de controle especial.Foi constatado que aproximadamente 168 pacientes fazem uso de benzodiazepínicos.Dos usuários das substancias benzodiazepínicas a maior quantidade são mulheres que predominam sob os homens no uso desses medicamentos. No Brasil os benzodiazepínicos são utilizados por aproximadamente 3,3% da população e a porcentagem de mulheres que utilizam a substancia é aproximadamente maior que a dos homens.(CARLINE, et al., 2002).

            Diversas substancias psicoativas são usadas para aliviar o estado emocional negativo,ou seja,medo e ansiedade.Dentre tais substâncias os benzodiazepínicos são os mais indicados e prescritos.No entanto de acordo com Nordon et al.(2009),a prescrição desses fármacos,em geral,também é inadequada,em especial no nível primário de atendimento.

            Além das dificuldades percebemos que temos potencialidades que facilitam a criação de estratégias de intervenção para superação das fragilidades encontradas, contamos com o apoio do Núcleo Ampliado em Saúde da Família (NASF),para desempenhar atividades de promoção de saúde, proteção, recuperação, e prevenção de doenças e seus agravos.

            Tivemos dificuldades em elaborar a matriz como não tendo 100% da população inserida na unidade porque temos áreas descobertas. Nós também tínhamos potencialidade como o bom trabalho feito pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) na adequada pesquisa desses pacientes. Vale ressaltar que o grave problema com o uso abusivo dessa droga se junta a uma prescrição excessiva, especialmente dos ansiolíticos e depressivos, pelo médicos.(PELEGRINI, 2003).

            Esta matriz de intervenção foi proposta após a exposição dos problemas identificados com a presença de todos os membros da equipe básica de saúde.

            As estratégias para alcançar os objetivos foram: abordagem familiar onde às atividades a serem desenvolvidas foram orientações para os familiares para melhoria da convivência com os pacientes psíquicos.Já os recursos utilizados para o desenvolvimento das atividades foram panfletos, folders, cartazes ilustrativos falando sobre o paciente psíquico, esperando como resultado melhor convívio com o paciente e aceitação da sociedade. Os responsáveis foram a Estratégia de Saúde da Família (ESF) e NASF, com um prazo de 6 meses utilizando mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados como visita domiciliar,reunião com os familiares para avaliar o resultado alcançado e registro das reuniões.

            Outra estratégia foi registro da anamnese na história do paciente.A atividade desenvolvida aqui foi conversa individual com o paciente utilizando como recurso a evolução do paciente na ficha individual.Resultado esperado dando continuidade do tratamento, os responsáveis são,Médico,Enfermeiro e ACS com um prazo de 30 dias utilizando uma busque-a ativa dos prontuários para avaliar a evolução com relatório de cada caso.

            Utilizamos diferentes indicadores para avaliar o uso irracional de drogas psicotrópicas já explicadas,também avaliamos os pacientes levando em consideração o sofrimento psíquico,exemplificados como quadros de sofrimento emocional difuso,depressão,lutos,transtornos ansiosos,queixas somáticas sem causa orgânica definida,perda de contato com a realidade/delírios,alucinações,isolamento social,entre outras,priorizando os maiores indicadores de incidência.Qualquer sinal de sofrimento psíquico pode ser rotulado como uma patologia cujo tratamento será a administração de psicofármacos.

A expectativa do Ministério de Saúde é a de que os resultados dos indicadores reflitam o esforço das equipes de saúde e da gestão na melhoria da qualidade da Atenção Básica.Em nossa unidade esses registros são feitos utilizando a coleta de dados atravez da ficha de atendimento e prontuário individual de cada paciente para a digitação diaria.Contamos com algumas dificuldades pela informatização parcial da unidade,já que nem todas as salas de atendimento tem computador e em ocasiões a lenta conexão á internet impede acesar ao sistema impossibilitando o registro da informação diaria.Com a microintervenção tentamos em nossa equipe construir um plano de intervenção para reduzir o uso indiscriminado de psicotrópicos em nossa área sem afetar os verdadeiros diagnósticos e necessidades dos pacientes que necessitam.Aprendemos que trabalhando em equipe e utilizando a realidade das comunidades podemos melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

REFERENCIAS

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica : AMAQ [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretariade Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017. 164 p 1. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/autoavaliacao_acesso_qualidade_atencao_basica_ eletronico_1ed.pdf>.

CARLINE E.A.et al.l Levantamento domiciliart sobre o Uso de drogas psicotrópicas no Brasil:Estudo Envolvendo as 107 Maiores Cidades do Pais.2001.São Paulo,2001 CNES Net Secretaria de Atenção á Saúde.

NORDON,D.G.et al.Caracteristicas do uso de benzodiazepinicos por mulheres que buscavam tratamento na atenção primaria.Revista Psiquiatria do Rio Grande do Sul,nov.2009.Disponível em:file:///C:/Documents%20and%20settings/administrador/Desktop/Nescon/Artigos/Artigo%20 benzo.pdf>acessoem:05maio.2014

PELEGRINI,M.R.F.O abuso de medicamentos psicotrópicos na contemporaneidade.Psicol.cienc.prot.Brasilia,V.23,n.1,Mar 2003.Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?scrip=sci_arttext&pid=S1414_989320030000100006&ing=em&nrm=150.Acesso em 21 Mar.2014.

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