Gravidez na adolescência
A adolescência corresponde ao período da vida entre os 10 e 19 anos, no qual ocorrem profundas mudanças, caracterizadas principalmente por crescimento rápido, surgimento das características sexuais secundárias, conscientização da sexualidade, estruturação da personalidade, adaptação ambiental e integração social. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)
A gravidez neste grupo populacional vem sendo considerada, em alguns países, problema de saúde pública, uma vez que pode acarretar complicações obstétricas, com repercussões para a mãe e o recém-nascido, bem como problemas psicossociais e econômicos.(REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)
Quanto à evolução da gestação, existem referências a maior incidência de anemia materna, doença hipertensiva específica da gravidez, desproporção céfalo-pélvica, infecção urinária, prematuridade, placenta prévia, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal agudo intraparto, complicações no parto (lesões no canal de parto e hemorragias) e puerpério (endometrite, infecções, deiscência de incisões, dificuldade para amamentar, entre outros.(REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)
As tentativas de prevenção devem levar em consideração o conhecimento dos chamados fatores predisponentes ou situações precursoras da gravidez na adolescência, tais como: baixa autoestima , dificuldade escolar, abuso de álcool e drogas, comunicação familiar escassa, conflitos familiares, pai ausente e ou rejeitador, violência física, psicológica e sexual, rejeição familiar pela atividade sexual e gravidez fora do casamento. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)
É importante lembrar também, que deve ser incluída nas estratégias de prevenção, a averiguação de atitudes frente a adolescente que engravidou. Existem evidências do abandono escolar, por pressão da família, pelo fato da adolescente sentir vergonha devido à gravidez, e ainda, por achar que “agora não é necessário estudar”. Pode haver também rejeição da própria escola, por pressão dos colegas ou seus familiares e até de alguns professores. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)
Entre os países da América do Sul, o Brasil é o quarto com o maior número de adolescentes grávidas. Em cada grupo de mil meninas com idade entre 15 e 19 anos, 68 engravidam. (OPAS/OMS, 2017)
Quando pensamos na abordagem de adolescentes gravidas, o Ministério da Saúde tem priorizado a execução de gestão pública com base em ações de monitoramento e avaliação de cuidados para com estes pacientes, com intuito de diminuir possíveis complicações durante o período de parto e pós-parto.
Estamos utilizando o tópico 4.25 do caderno de Autoavaliação do AMAQ – AB, que planeja e desenvolve ações regulares de planejamento familiar e oferta métodos contraceptivos.
A equipe realizou um conjunto de ações educativas individuais e/ou coletivas para homens e mulheres, em especial para os adolescentes, abordando a decisão de ter filhos ou não, no contexto de seus projetos de vida. Trata de questões a respeito da fertilidade; direitos sexuais e reprodutivos, respeitando os aspectos religiosos, culturais e a diversidade da população. Abordamos de forma facilitada os métodos contraceptivos básicos (camisinhas masculina e feminina, contraceptivos orais e injetáveis); dispositivo intrauterino (DIU); diafragma; realização de laqueadura de trompas e de vasectomia; anticoncepção de emergência.
A Matriz de Intervenção foi realizada de acordo com o caderno do AMAQ, seguindo os parâmetros para a realização de nosso trabalho, sendo estas:
1-DESCRIÇÃO DO PADRÃO: Índice de grávidas na adolescência, UBS Jose Alves Meirelles- Cidade de Tartarugalzinho-AP
2-DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA O ALCANCE DO PADRÃO: Adolescente gravidas ou de risco sem nenhum acompanhamento médico, nutricional ou psicológico.
3-OBJETIVO/META: Identificar e reconhecer adolescentes gravidas com possível risco durante e após a gestação.
3.1ESTRATÉGIA PARA ALCANÇAR OS OBJETIVOS/METAS:
a) Fazer campanhas nas escolas em conjunto com o Programa Saúde na Escola (PSE);
b) Acompanhamento psicológico e domiciliar às adolescentes gravidas;
c) Avaliar como as escolas contribuíram para a prevenção da gravidez indesejada;
d) Avaliar a participação da família na vida da adolescente;
3.2 ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS (DETALHAMENTO DA EXECUÇÃO):
a) Identificação das adolescentes gravidas;
b) Controle das adolescentes com vida sexual ativa;
c) Palestras educativas na Unidade Básica de Saúde e escolas;
d) Consultas médicas e psicológicas para adolescentes gravidas;
e) Acompanhamento das adolescentes após a gravidez;
3.3 RECURSOS NECESSÁRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES:
a) Divulgação na rádio local;
b) Cartazes nas escolas e Unidade Básica de Saúde;
c) Panfletos;
d) Multimídia;
e) Folhas impressas;
4-RESULTADOS ESPERADOS:
a) Identificar as adolescentes grávidas;
b) Informar e conscientizar a importância do acompanhamento médico e psicológico sobre a gestação na adolescência;
c) Reconhecer pacientes com risco durante e após a gravidez;
5-RESPONSÁVEIS:
a) Médico;
b) Nutricionista;
c) Enfermeira;
d) Tec. Em Enfermagem;
e) ACS;
f) Psicólogo;
g) Academia de saúde;
6-PRAZOS:
a) 15 a 30 dias para divulgação;
b) 30 a 60 dias para consulta médica, nutricionista e psicóloga;
c) 60 a 90 dias para repassar o resultado de controle;
d) 200 para finalização da ação;
7-MECANISMO INDICADORES PARA AVALIAR O ALCANCE DOS RESULTADOS:
a) Consulta médica;
b) Consulta com nutricionista;
c) Consulta psicológica ;
d) Controle mensal de adolescentes grávidas;
Conforme está na matriz de intervenção, optamos por intervir junto as escolas, atingindo um número maior de adolescentes em idade entre 15 e 19 anos, contudo enfrentamos o problema financeiro para a compra de matérias básicos como por exemplo: cartolinas, papel A4, fita adesiva, pincel de cor e etc.
A micro intervenção causou um impacto importante e positivo no público alvo tanto as jovens quanto aos familiares que participaram das palestras educativas, foram esclarecidas dúvidas frequentes sobre a gestação e possíveis problemas nesse período gestacional.
Levamos até esses estudantes, profissionais experientes para ministrar palestras, alertando-os sobre os perigos de uma gestação não controlada.
Algumas famílias reconheceram a importância de tratar sobre a vida sexual com seus filhos, mas grande parte não soube como intervir, pois se tornou em alguns casos, um assunto vergonhoso em que os mesmos enfrentaram e não obtiveram resultados.
O número de adolescentes que buscaram informações sobre os métodos anticoncepcionais com a finalidade de dialogar sobre os problemas com os familiares em decorrência da gravidez na adolescência, aumentou consideravelmente nos seguintes dias após as palestras nas escolas.
A equipe irá fazer mensalmente, a partir de junho de 2018, um levantamento de dados junto ao Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), através da Secretaria Municipal da Saúde, onde consta o numero de crianças nascidas no município e quantas são de mães adolescentes, identificando grupos mais vulneráveis.
Ponto(s)