27 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

Gravidez na adolescência

 

           A adolescência corresponde ao período da vida entre os 10 e 19 anos, no qual ocorrem profundas mudanças, caracterizadas principalmente por crescimento rápido, surgimento das características sexuais secundárias, conscientização da sexualidade, estruturação da personalidade, adaptação ambiental e integração social. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)

           A gravidez neste grupo populacional vem sendo considerada, em alguns países, problema de saúde pública, uma vez que pode acarretar complicações obstétricas, com repercussões para a mãe e o recém-nascido, bem como problemas psicossociais e econômicos.(REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)

            Quanto à evolução da gestação, existem referências a maior incidência de anemia materna, doença hipertensiva específica da gravidez, desproporção céfalo-pélvica, infecção urinária, prematuridade, placenta prévia, baixo peso ao nascer, sofrimento fetal agudo intraparto, complicações no parto (lesões no canal de parto e hemorragias) e puerpério (endometrite, infecções, deiscência de incisões, dificuldade para amamentar, entre outros.(REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)

           As tentativas de prevenção devem levar em consideração o conhecimento dos chamados fatores predisponentes ou situações precursoras da gravidez na adolescência, tais como: baixa autoestima , dificuldade escolar, abuso de álcool e drogas, comunicação familiar escassa, conflitos familiares, pai ausente e ou rejeitador, violência física, psicológica e sexual, rejeição familiar pela atividade sexual e gravidez fora do casamento. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)

           É importante lembrar também, que deve ser incluída nas estratégias de prevenção, a averiguação de atitudes frente a adolescente que engravidou.   Existem evidências do abandono escolar, por pressão da família, pelo fato da adolescente sentir vergonha devido à gravidez, e ainda, por achar que “agora não é necessário estudar”. Pode haver também rejeição da própria escola, por pressão dos colegas ou seus familiares e até de alguns professores. (REVISTA BRASILEIRA DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA, 2006)

           Entre os países da América do Sul, o Brasil é o quarto com o maior número de adolescentes grávidas.  Em cada grupo de mil meninas com idade entre 15 e 19 anos, 68 engravidam. (OPAS/OMS, 2017)

Quando pensamos na abordagem de adolescentes gravidas, o Ministério da Saúde tem priorizado a execução de gestão pública com base em ações de monitoramento e avaliação de cuidados para com estes pacientes, com intuito de diminuir possíveis complicações durante o período de parto e pós-parto.

Estamos utilizando o tópico 4.25 do caderno de Autoavaliação do AMAQ – AB, que planeja e desenvolve ações regulares de planejamento familiar e oferta métodos contraceptivos.

 A equipe realizou um conjunto de ações educativas individuais e/ou coletivas para  homens e mulheres, em especial para os adolescentes, abordando a decisão de ter filhos ou não, no contexto de seus projetos de vida. Trata de questões a respeito da fertilidade; direitos sexuais e reprodutivos, respeitando os aspectos religiosos, culturais e a diversidade da população. Abordamos de forma facilitada os métodos contraceptivos básicos (camisinhas masculina e feminina, contraceptivos orais e injetáveis); dispositivo intrauterino (DIU); diafragma; realização de laqueadura de trompas e de vasectomia; anticoncepção de emergência.

  A Matriz de Intervenção foi realizada de acordo com o caderno do AMAQ, seguindo os parâmetros para a realização de nosso trabalho, sendo estas:                      

 

1-DESCRIÇÃO DO PADRÃO: Índice de grávidas na adolescência, UBS Jose Alves Meirelles- Cidade de Tartarugalzinho-AP

2-DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA O ALCANCE DO PADRÃO: Adolescente gravidas ou de risco sem nenhum acompanhamento médico, nutricional ou psicológico.

3-OBJETIVO/META: Identificar e reconhecer adolescentes gravidas com possível risco durante e após a gestação.

 

 3.1ESTRATÉGIA PARA ALCANÇAR OS OBJETIVOS/METAS:

 

a)    Fazer campanhas nas escolas em conjunto com o Programa Saúde na Escola (PSE);

b)    Acompanhamento psicológico e domiciliar às adolescentes gravidas;

c)    Avaliar como as escolas contribuíram para a prevenção da gravidez indesejada;

d)    Avaliar a participação da família na vida da adolescente; 

 

3.2 ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS (DETALHAMENTO DA EXECUÇÃO):

 

a)    Identificação das adolescentes gravidas;

b)    Controle das adolescentes com vida sexual ativa;

c)    Palestras educativas na Unidade Básica de Saúde e escolas;

d)    Consultas médicas e psicológicas para adolescentes gravidas;

e)    Acompanhamento das adolescentes após a gravidez;

 

3.3 RECURSOS NECESSÁRIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES:

 

a)    Divulgação na rádio local;

b)    Cartazes nas escolas e Unidade Básica de Saúde;

c)    Panfletos;

d)    Multimídia;

e)    Folhas impressas;

 

4-RESULTADOS ESPERADOS:

 

a)    Identificar as adolescentes grávidas;

b)    Informar e conscientizar a importância do acompanhamento médico e psicológico sobre a gestação na adolescência;

c)    Reconhecer pacientes com risco durante e após a gravidez; 

 

5-RESPONSÁVEIS:

 

a)    Médico;

b)    Nutricionista;

c)    Enfermeira;

d)    Tec. Em Enfermagem;

e)    ACS;

f)     Psicólogo;

g)    Academia de saúde;

 

6-PRAZOS:

 

a)    15 a 30 dias para divulgação;

b)    30 a 60 dias para consulta médica, nutricionista e psicóloga;

c)    60 a 90 dias para repassar o resultado de controle;

d)    200 para finalização da ação;

 

7-MECANISMO INDICADORES PARA AVALIAR O ALCANCE DOS RESULTADOS:

a)    Consulta médica;

b)    Consulta com nutricionista;

c)    Consulta psicológica ;

d)    Controle mensal de adolescentes grávidas;

 

    Conforme está na matriz de intervenção, optamos por intervir junto as escolas, atingindo um número maior de adolescentes em idade entre 15 e 19 anos, contudo enfrentamos o problema financeiro para a compra de matérias básicos como por exemplo: cartolinas, papel A4, fita adesiva, pincel de cor e etc.

    A micro intervenção causou um impacto importante e positivo no público alvo tanto as jovens quanto aos familiares que participaram das palestras educativas, foram esclarecidas dúvidas frequentes sobre a gestação e possíveis problemas nesse período gestacional.

    Levamos até esses estudantes, profissionais experientes para ministrar palestras, alertando-os sobre os perigos de uma gestação não controlada.

 Algumas famílias reconheceram a importância de tratar sobre a vida sexual  com seus filhos, mas grande parte não soube como intervir, pois se tornou em alguns casos, um assunto vergonhoso em que os mesmos enfrentaram e não obtiveram resultados.

  O número de adolescentes que buscaram informações sobre os métodos anticoncepcionais com a finalidade de dialogar sobre os problemas com os familiares em decorrência da gravidez na adolescência, aumentou consideravelmente nos seguintes dias após as palestras nas escolas.

    A equipe irá fazer mensalmente, a partir de junho de 2018, um levantamento de dados junto ao Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), através da Secretaria Municipal da Saúde, onde consta o numero de crianças nascidas no município e quantas são de mães adolescentes, identificando grupos mais vulneráveis.

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