26 de junho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

ASSISTÊNCIA A MULHER NA GESTAÇÃO: Proposta de intervenção na Unidade de Saúde da Família Vista Verde

 

ESPECIALIZANDA: PATRÍCIA OLIVEIRA SILVA

ORIENTADORA: DANIELE VIEIRA DANTAS

         

          A importância do trabalho em equipe numa Unidade de Saúde da Família (USF) se dá não só na divisão de tarefas de acordo com profissões da saúde que se complementam entre si no dia-a-dia, mas também na avaliação das dificuldades encontradas na comunidade e planejamento conjunto de novas ações e estratégias que podem vir a se tornar importantes pontos de intervenção nos problemas que mais afetam a aquela população adscrita.

          Para a avaliação das potenciais fragilidades existentes no cuidado à comunidade atendida pela USF Vista Verde, localizada no bairro Pajuçara, em Natal, área 75 (verde), foi utilizado como instrumento o questionário da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção básica (AMAQ). Esse que contempla os principais pontos de vulnerabilidade na assistência prestada, tendo como relevância o fato de que possibilita que a equipe de saúde da família se reúna e realize uma autoavaliação de todos os pontos sugeridos pelo instrumento que nos cabe, reflexão acerca do que é passível de melhora através de ações dos profissionais de saúde e aquilo que necessita de intervenções mais profundas que só poderiam partir de esferas superiores dos entes municipal, estadual e federal.         

          Assim, realizada a autoavaliação, em conjunto, durante reunião (Figuras 1 e 2) com participação da médica, enfermeira, odontóloga, técnica em saúde bucal e Agentes Comunitários de Saúde (ACS), prosseguiu-se à identificação dos pontos de vulnerabilidade maior de cobertura da nossa comunidade vinculada e, dentre eles, verificaram-se aqueles em que seria possível realizar alguma ação de melhoria e adaptação às exigência sugeridas pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ).

Figura 1: Reunião com profissionais da equipe para identificar aspecto com potencial de modificação na microintervenção           Figura 1. Reunião com a equipe da área 75, USF Vista Verde.

          

Figura 2: Construção do instrumento de microintervenção

Figura 2. Reunião com a equipe da área 75, USF Vista Verde.

          Durante a reunião, foi muito bem observado que seria muito útil que a microintervenção fosse realizada em algum dos grupos de cuidado: idosos, gestantes, crianças e portadores de doenças crônicas, sendo então escolhido em conjunto que a ação seria voltada para atenção à gestante, pois a pontuação no item 4.21 A equipe de Atenção Básica realiza captação das gestantes no primeiro trimestre foi 5, abaixo do esperado. Foi observado por nós que não há um registro de equipe de qual o número real de gestantes na área 75, como essas gestantes estão distribuídas, qual a situação social dessas mulheres, quantas são acompanhadas conjuntamente no pré-natal de alto risco e quantas realizam seu pré-natal na rede privada de saúde e, portanto, não comparecem à USF.

          Baseado na escolha do tema a ser beneficiado, foi reforçado com a equipe, principalmente agentes comunitários de saúde, a importância de identificar e cadastrar de forma precoce as gestantes de suas respectivas microáreas e agendar primeira consulta de pré-natal com a enfermeira da equipe, além de acompanhar longitudinalmente essa mulher na evolução da gestação. Também foi construído um instrumento de registro (Figura 3), que ficará localizado no consultório médico da equipe, visto que a sala de apoio dos agentes de saúde é compartilhada com os profissionais de outra equipes, e este recurso permitirá, mês a mês, que todos os membros da equipe fiquem cientes do número de gestantes existentes na área 75, quantas são acompanhadas no pré-natal de alto risco e quais seus respectivos prontuários.

Figura 3: Instrumento de microintervenção

         Figura 3. Construção do instrumento para o acompanhamento a gestante da USF Vista Verde.

Após esta etapa, o instrumento deverá ser preenchido ao final de cada mês pelos ACS, somando o número de gestante já em pré-natal na USF e aquelas novas gestantes em início de pré-natal, além das gestantes que iniciaram acompanhamento conjunto no pré-natal de alto risco. 

          Espera-se que, em posse deste instrumento devidamente preenchido, a equipe possa planejar ações educativas de acordo com o número de gestantes da área (Encontro de gestantes na USF), convocá-las com maior facilidade para essas atividades, identificar facilmente o número de prontuário daquelas gestantes que, porventura, possam não estar comparecendo às consultas de pré-natal e contactá-las, acompanhar junto à regulação de consultas e exames o andamento dos respectivos pedidos de cada microárea e informá-las caso haja mudança no dia ou horário da consulta de pré-natal. Todas as ações desta microintervenção foram baseadas na Matriz a seguir.

Matriz de intervenção

Descrição do padrão: Acompanhamento das gestantes da área 75 da USF Vista Verde.
Descrição da situação problema: Deficiência no acompanhamento das gestantes da área 75 da USF Vista Verde.
Objetivo/meta: Planejamento estratégico das intervenções a serem realizadas no grupo de gestantes.

Estratégias para alcançar os objetivos/ metas

Atividades a serem desenvolvidas

(detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Prazos

Responsável

Registrar gestantes da área 75.

Construir o instrumento.

Atualizar instrumento mensalmente.

Cartolina, tesoura, cola, papel e impressora

Ampliar o cuidado.

Planejamento de ações.

Maio a dezembro de 2018

Equipe de saúde

 

          Essas ações têm o intuito de ampliar o cuidado e aproximar o usuário do serviço aos profissionais de saúde da equipe responsável. Foi uma experiência estimulante, que levou a equipe a discutir entre si o que estava sendo realizado de forma ineficiente e o que poderia ser aperfeiçoado. 

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