ACOLHIMENTO E DEMANDA ESPONTÂNEA PARA HIPERTENSOS E DIABÉTICOS NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE NOVA APARECIDA
ESPECIALIZANDA: MIRELVYS RODRIGUEZ PILETA
ORIENTADORA: DANIELE VIEIRA DANTAS
A Unidade Básica de Saúde (UBS) Nova Aparecida encontra-se na zona urbana do município de Natal, Rio Grande do Norte (RN), tem uma área de abrangência de aproximadamente 815 famílias cadastradas e 3.318 habitantes, com uma maior porcentagem de pacientes em idade adulta e terceira idade.
A equipe da UBS realizou reunião para avaliar o trabalho da unidade de saúde, essa reunião é feita a cada quinze dias e um dos problemas achados foi o aumento significativo das consultas por demanda espontânea e, dentro destas, grande quantidade de consultas por agravos em indivíduos hipertensos e diabéticos e consequente aumento da morbimortalidade por estas causas. Tais agravos têm como causais fundamentais: deficiente controle e acompanhamento dos pacientes hipertensos e diabéticos, maus hábitos e estilos de vida inadequados da população, aumento dos fatores de risco vascular por falta de conhecimento e educação da população, definindo-se estes como nós críticos.
Após fazer uma análise com a equipe de saúde, foram identificados alguns problemas que estão provocando essa situação em nossa área de abrangência, como a falta de adequado registro estatístico dos hipertensos e diabéticos da UBS e acompanhamento inadequado desses usuários, sendo orientados apenas pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), sem assistência do profissional o médico.
Outro problema, diz respeito aos hábitos e estilos de vida inadequados da população e sua falta de conhecimento sobre os fatores de riscos associados às Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). E, por último, e não menos importante, a não realização da consulta de Hiperdia, visto que os usuários não têm adequada avaliação de fatores de risco cardiovasculares e o planejamento do acompanhamento é deficiente. Com isso observa-se um aumento dos agravos e mortalidade por causas relacionadas ao aparelho cardiovascular resultando como primeira causa de morte no município.
Pela importância das doenças crônicas não transmissíveis hoje no desenvolvimento de agravos e complicações como a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e a Diabetes Mellitus (DM), que levam o paciente a morte, é preciso quebrar antigas formas de trabalhar e agir de maneira diferenciada no processo saúde-doença, realizando uma abordagem preventiva sobre fatores de risco que são comuns, diminuindo as consultas de demandas espontâneas por condições agudas destas doenças.
Nossa intervenção alcançou uma cobertura para hipertensos de 82,8%, (438 hipertensos) e 77,3% para diabéticos (190 diabéticos). Para conseguir esses números, durante a intervenção, a equipe foi submetida a capacitações para ter condições de seguir as recomendações do Ministério da Saúde relativas ao rastreamento, diagnóstico, tratamento e monitoramento da HAS e DM. A intervenção promoveu um trabalho em equipe e multidisciplinar, na qual cada profissional sabia quais eram suas atribuições e suas responsabilidades com as ações do projeto e com a população. Realizamos atividades de educação em saúde e acompanhamento juntos aos usuários que foram motivados principalmente pelas ACS da área, sendo responsáveis pelo acolhimento e busca ativa dos usuários e pelas palestras aos familiares. Também contamos o engajamento de outros profissionais, como nutricionista e educadora física, que participaram dos grupos de usuários.
O acolhimento foi pensado como estratégia de mudança no processo de trabalho em saúde e, apesar de constituir uma etapa desse processo – o momento de recepção do usuário e a abertura das possibilidades de resposta –não deve ser reduzido, ao contrário, deve ser entendido e praticado adequadamente. O ato de escuta é um momento de construção, em que o trabalhador utiliza seu saber para a construção de respostas às necessidades dos usuários, e pressupõe o envolvimento de toda a equipe que, por sua vez, deve assumir postura capaz de acolher, de escutar e de dar resposta mais adequada a cada usuário, responsabilizando-se e criando vínculos.
No Brasil a prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica é estimada acima de 30%, aumentando proporcionalmente com a idade, atingindo mais de 50% da população entre 60 e 69 anos e 75% da população acima de 70 anos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).
Antes dessa microintervenção as atividades de atenção aos programas de hipertensos e diabéticos eram insuficientes. O projeto melhorou a qualidade do serviço, viabilizando a atenção a um maior número de pacientes, organizou a agenda de trabalho, melhorando positivamente o acolhimento na unidade e permitindo realizar atendimentos a demanda espontânea de maneira mais organizada.
REFERÊNCIA
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq. Bras. Cardiol., v. 95, n. 1, sup. 1, p.1-51, 2010.
Ponto(s)