2 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

CAPÍTULO I: Organização do Fluxo de Atendimento Médico

 

Aluna: Lidia Gama Andrade

Orientadora: Juliana Ferreira Lemos

Iniciei as minhas atividades na UBS José do Prado Franco Neto em Nossa Senhora do Socorro-SE, em julho de 2017 e não haviam reuniões mensais para organizar processo de trabalho e nem discutir melhorias. Insistir na ideia que um cronograma de atividades mensal iria organizar melhor o fluxo e facilitaria o trabalho dos profissionais, desde então as reuniões são realizadas.

Em uma das reuniões de equipe, realizamos a Autoavaliação para a Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica-AMAQ, esta é entendida como ponto de partida da fase de desenvolvimento do Programa Nacional de Melhoria do Acesso da Qualidade da Atenção Básica-PMAQ, uma vez que os processos orientados para a melhoria da qualidade têm início na identificação e no reconhecimento das dimensões positivas e também problemáticas do trabalho da gestão e das equipes de Atenção à Saúde. (BRASIL, 2017)

Os processos autoavaliativos na Atenção Básica devem ser contínuos e permanentes, servindo como orientação interna da equipe e monitoramento da gestão. Seu intuito é verificar a realidade da saúde local, identificando os pontos que requerem maior atenção e os recursos e capacidades da rede, promovendo assim maior facilidade no planejamento de intervenção para a melhoria do acesso e da qualidade dos serviços. (BRASIL, 2017)

Com essa avaliação, pudemos notar que nossos principais problemas, encontram-se na infraestrutura, equipamentos, insumos, organização e processo de trabalho. O prédio da UBS esta deteriorando, parte dele está interditado, algumas salas tem rachaduras e mofo nas paredes, poucos banheiros e estão danificados, não há sala de reunião, a recepção é pequena e sem ventilação, o acolhimento e a triagem são realizados na recepção, faltam materiais de trabalho, sonar, fita métrica, avental descartável para realização do citológico, a geladeira de vacinas apresenta defeitos constantemente, não temos internet ou telefone, não possuímos prontuário eletrônico, alguns medicamentos encontram-se em falta. O processo de trabalho está em modificação, entrei numa unidade em que não se fazia atendimento por grupos prioritários (gestantes, hipertensos, diabéticos, puericultura, saúde mental) e não se tinha controle sobre estes, hoje estamos mais organizados.

Dentre os principais problemas enfrentados na UBS, destacamos a dificuldade em conseguir consulta médica, daqueles pacientes que não são de grupos prioritários. Grande parte da população reclama, pois, nossa Unidade, até o mês de abril, contava somente com demanda espontânea, os pacientes assim, tinham que chegar cedo se quisessem conseguir uma vaga de atendimento.

A prática de distribuir fichas estimulava a formação de filas desde a madrugada ou noite do dia anterior, com permanência do usuário de cerca de 7h em uma fila para obter uma das 15 fichas distribuídas ao dia. Isso induzia, também, a venda de fichas por pessoas que se posicionavam precocemente na fila, mesmo sem necessitarem de consulta médica, como também a “marcação de lugar” com objetos diversos, tornando-se um sistema de acesso de exclusão. (SOUZA, 2007)

Observava-se, então, uma sobrecarga à demanda espontânea visto que, pela dificuldade de conseguir a consulta, os usuários procuravam o atendimento em horários diversos, mesmo quando em casos de doenças crônicas e gravidade mínima, ou até mesmo para apresentação de exames solicitados em consultas prévias, sem necessidade de atendimento de urgência.

Traçamos então, um planejamento para organizar o fluxo pautado em agendamentos prévios de grupos prioritários e não prioritários. Definimos estratégia de ação, que iniciou pela conscientização da população sobre agendamentos de consulta, busca ativa no território realizada pelos agentes comunitários de saúde (ACS) daqueles pacientes mais necessitados, agendamento com antecedência das consultas e confirmação da presença quando próximo a data de atendimento. Separamos um caderno para agendamento das consultas médicas, de enfermagem e odontologia. Esperamos com isso um maior número de agendamentos, organização do fluxo, facilidade no acesso da população desassistida, reduzir sobrecarga do trabalho profissional, maior adesão daqueles de grupos prioritários e satisfação da comunidade.

Para que a população possa acompanhar os resultados foi elaborado um gráfico em colunas com porcentagem mensal de atendimentos agendados (prioritário e não prioritário) e este ficará exposto na recepção da UBS, atualizado a cada mês.

Apesar do pouco tempo de implantação, a medida vem surtindo um bom efeito, pois boa parte da população que não havia conseguido acesso, agora está satisfeita. A sobrecarga dos profissionais também reduziu, pudemos abranger boa parte da população desassistida até então e conseguimos uma maior adesão daqueles que requerem maior atenção.

è Gráfico demonstrativo do percentual de consultas realizadas pelo médico.

Percentual de   consultas agendadas MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Hipertensos
Diabéticos
Pré-natal e puerpério
Puericultura
Não prioritários*

*Pacientes que não se enquadram nas consultas por grupos prioritários (hipertensos, diabéticos, gestantes, crianças).

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

DESCRIÇÃO DO PADRÃO: percentual de atendimentos consultas agendadas

DESCRIÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA PARA O ALCANCE DO PADRÃO: dificuldade de boa parte da população em conseguir consulta médica.

OBJETIVO/META: implementar agendamento de consultas médicas na UBS, organizando o fluxo.

ESTRATEGIA PARA ALCANÇAR OS OBJETIVOS/METAS: reunião de equipe,

Motivação da equipe. Avaliar resultados.

ATIVIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS: conscientização da população sobre agendamentos de consultas; busca ativa no território a ser realizada pelos ACS; agendar com antecedência as consultas e confirmar a presença quando próximo a data de atendimento.

RECURSOS NECESSARIOS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES: caderno para agendamento de consultas médicas. Cartolina e pincel para detalhar resultados.

RESULTADOS ESPERADOS: maior número de agendamentos, organização do fluxo, facilitar o acesso da população desassistida, reduzir sobrecarga do trabalho profissional.

RESPONSAVEIS: médico, enfermeiro e ACS

PRAZOS: continuo

MECANISMOS E INDICADORES PARA AVALIAR O ALCANCE DOS RESULTADOS: será elaborado um gráfico em colunas com porcentagem mensal de atendimentos agendados e este será exposto na recepção da UBS.

Referências:

1-                 BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica: AMAQ [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 164 p.: il. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/autoavaliacao_acesso_qualidade_atencao_basica_. Acesso em: 06 de Maio 2018.

2-                 SOUZA CFM. A percepção dos usuários da UBS Cedro-Alvorada sobre o acolhimento de demandas de pronto-atendimento e de acompanhamento no PSF da UBS Cedro. [Dissertação]. Rio Grande do Sul. Escola de administração. Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2007.

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