Título: Estamos Crescendo
Especializando: Lídia Galvão Wilhelm
Orientadores: Maria Betania Morais de Paiva
Observação na Unidade de Saúde
Com este relato, pretendemos apresentar a experiência de nossa equipe (equipe 3) da Unidade Básica de Saúde (UBS) Monte Líbano, num exercício de autoavaliação, utilizando o modelo Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade (AMAQ), ferramenta criada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de auxiliar a melhoria dos serviços oferecidos à população. A partir dessa autoavaliação, elaboramos uma Matriz de Intervenção com a finalidade de planejar as ações a serem executadas, além de um instrumento capaz de avaliar e monitorar um dos indicadores de desempenho do Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade (PMAQ).
A preocupação com a qualidade do serviço oferecido à população é inerente tanto aos gestores quanto aos profissionais das equipes de saúde. O AMAQ é capaz de estimular as reflexões dessas equipes, no sentindo de identificar falhas e propor ações que possibilitem melhoria da qualidade dos serviços.
O AMAQ trabalha com 4 dimensões e 14 subdimensões, sendo 7 relacionadas à Gestão e 7 à Unidade Básica.
Quadro 1 – Dimensão e Subdimensões
|
Dimensão |
Subdimensões |
|
Unidade Básica |
H – Infraestrutura e equipamentos (8 Padrões);
I – Insumos, imunobiológicos e medicamentos (8 Padrões). |
|
Educação Permanente, Processo de Trabalho e Atenção integral à Saúde |
J – Educação permanente e qualificação das equipes
de Atenção Básica (3 Padrões); K – Organização do processo de trabalho (14 Padrões); L – Atenção integral à saúde (35 Padrões); M – Participação, controle social e satisfação do usuário (4 Padrões); N – Programa Saúde na Escola (6 Padrões). |
Fonte: Elaboração da autora, 2018.
É um instrumento que se propõe a identificar pontos positivos e negativos no desenvolver das atividades, favorecendo a elaboração de estratégias para enfrentamento das deficiências.
A reunião das equipes e discussão conjunta dos problemas constitui outra grande vantagem na autoavaliação, pois, a partir daí, surgem propostas de ações com melhora na qualidade do serviço.
Na nossa UBS, o AMAQ já tinha sido aplicado no final de 2017. Decidimos, então, utilizar esses mesmos dados para fazer a reavaliação. Reunimos a nossa equipe, composta por mim (médica), 1 enfermeira, 1 técnica de enfermagem, 4 Agentes Comunitários de Saúde (ACS), sendo que 1 técnica de enfermagem estava de férias e temos carência de 2 ACS, o que dificulta o trabalho de duas micro-áreas. Além das discussões do grupo, participamos e colocamos em discussão o AMAQ na reunião geral da Unidade.
Os Padrões de cada subdimensão foram analisados e, ao final, classificados em dois grupos. Os que tiveram nota acima de 7, estavam no grupo Melhores Desempenhos. Já os que tiveram nota abaixo de 5, ficaram no grupo Piores Desempenhos, assim, ilustrado no quadro seguinte.
Quadro 2 – Classificação dos Padrões
|
Classificação dos Padrões |
|
|
Melhores Desempenhos (nota acima de 7) |
31
(3.2; 3.8; 3.10; 3.11; 4.1; 4.2; 4.4; 4.5; 4.6; 4.9; 4.11; 4.12; 4.13; 4.16; 4.18; 4.20; 4.21; 4.22; 4.24; 4.25; 4.26; 4.29; 4.31; 4.33; 4.34; 4.36; 4.42; 4.43; 4.44; 4.46; 4.51) 47% dos 65 Padrões |
|
Piores Desempenhos (nota abaixo de 5) |
12
(3.3; 3.5; 3.6; 3.7; 3.13; 3.15; 4.3; 4.19; 4.35; 4.37; 4.39; 4.52) 18% dos 65 Padrões |
Fonte: Elaboração da autora, 2018.
Fomos orientados para que escolhêssemos uma subdimensão com nota igual ou abaixo de 5 que fosse relevante e factível para equipe e elaborássemos uma Matriz de Intervenção com estratégias para enfrentamento do problema. A maioria das 12 subdimensões com pior desempenho tinham a ver com equipamentos, material e estrutura e, portanto, não estavam na nossa área de interferência.
Uma subdimensão chamou nossa atenção por ser algo que vinha ocorrendo e escapando da nossa percepção: a puericultura em crianças na faixa de 2 a 9 anos de idade não estava acontecendo de maneira regular. Ao completar 2 anos de idade, as crianças praticamente tinham “alta” e só voltavam ao serviço se estivessem doentes.
Atualmente, tem chamado atenção dos médicos que atendem crianças, o fato de estarem sendo identificadas doenças de adultos com origem na infância, tais como a obesidade, diabetes, hipertensão e outras. A vida sedentária e alimentação não saudável são algumas causas desses problemas (RICCO, CIAMPO e ALMEIDA 2008). SegundoAMAQ (2016), 16,6% das meninas e 18,8% dos meninos brasileiros de 5 a 9 anos estão obesos. Por outro lado, o avanço das altas tecnologias e superespecializações com a cultura da medicalização em detrimento do cuidado, “fatiam” a criança, ficando o “indivíduo” em segundo plano (RICCO, CIAMPO e ALMEIDA 2008). Para que possamos reduzir doenças em adultos, devemos cuidar das crianças (RICCO, CIAMPO e ALMEIDA 2008). Nesse cenário, decidimos implantar a atividade da puericultura na faixa etária de 2 a 9 anos, contemplando a recomendação do Ministério da Saúde. Elaboramos, então, a Matriz de Intervenção com as estratégias definidas para tal.
Matriz de Intervenção
Descrição Padrão: 4.19 A equipe de Atenção Básica acompanha as crianças com idade até nove anos, com definição de prioridades a partir da avaliação e classificação de risco e análise de vulnerabilidade.
Descrição da situação problema para o alcance do padrão: Abandono da puericultura após os 2 anos de idade.
Objetivo/Meta: Implantar a puericultura para crianças na faixa etária 2 a 9 anos.
Quadro 3 – Matriz de Intervenção
| Estratégia para alcançar os objetivos/ metas |
Sensibilizar familiares e equipes para importância da puericultura |
| Atividades a serem desenvolvidas (Detalhamento da Execução) |
– Criar o Cadastro de Crianças de 2 a 9 anos de idade; – Reunião com familiares que tenham filhos menores de 2 anos que estão na puericultura; – Utilizar o Bolsa Família para identificar e cadastrar crianças de 2 a 9 anos de idade; – Realizar o Cadastro das crianças na faixa etária de 2 a 9 anos que venham à Unidade; – Realizar busca ativa na comunidade pelos agentes comunitários de saúde;
|
| Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
– Recursos humanos; – Recursos materiais: material de expediente. |
| Resultados esperados |
Ter a atividade de puericultura implantada para crianças de 2 a 9 anos de idade. |
| Responsáveis |
Dra. Lídia |
| Prazos |
1 mês |
| Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
– Avaliação sistemática pela equipe; – Controle de comparecimento das crianças cadastradas em planilha eletrônica; – Elaboração de um Gráfico para monitoramento dos dados; – Criação de um Painel de Monitoramento dos Indicadores a ser afixado na sala de espera. |
Fonte: Elaboração da autora, 2018.
Levando em conta os indicadores de desempenho estabelecidos na Aula 2 da Unidade 4, decidimos elaborar um instrumento de monitoramento do percentual de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida. Desta forma, criamos a tabela abaixo para monitorar o indicador.
Quadro 4 – Tabela do indicador de desempenho 7.
|
7. Percentual de recém-nascidos atendidos na primeira semana de vida |
|
|
Quantidade de recém-nascidos da Equipe |
X |
|
Consultas realizadas de recém-nascidos da Equipe |
Z |
|
Percentual de recém-nascidos atendidos |
Y% |
Fonte: Elaboração da autora, 2018.
Enfrentei dificuldades na realização da tarefa: não havia arquivos do AMAQ de 2017 na Unidade e ninguém sabia onde achá-los; não compreendia bem como desenvolver as tarefas solicitadas; enfrentei resistência no sentido de sensibilizar e reunir os colegas para discutir o AMAQ; a sobrecarga de atividades na Unidade e nas tarefas do PEPSUS também dificultaram o trabalho, além do desconhecimento na área de informática e internet.
Mas, enfim, com ajuda e participação dos colegas, estamos conseguindo concluir esta etapa da melhor forma possível. Que venha a próxima etapa.
Ponto(s)