CAPÍTULO I: EDUCAÇÃO EM SAÚDE, ENGRENAGEM IMPORTANTE NOS CUIDADOS A GESTANTES NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE
ESPECIALIZANDO: KAREL GÓMEZ GARCÍA
ORIENTADOR: CLEYTON CESAR SOUTO SILVA
A universalidade de acesso aos serviços de saúde em todos os níveis de assistência é um dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). A regulamentação da lei estabelece que o acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde será ordenado pela Atenção Primaria à Saúde (APS) o que ratifica ser o nível fundamental, pois constitui o primeiro contato de indivíduos, famílias e comunidades com o sistema e o primeiro elemento de um processo continuo de atenção primaria. (BRASIL, 2015).
A portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017 do Ministério de Saúde estabelece a Política Nacional de Atenção Básica, que considera os termos, Atenção Básica – AB e Atenção Primária à Saúde – APS, como termos equivalentes.
Em seu Art. 2º a Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico, tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância em saúde. São ações desenvolvidas por meio de práticas de cuidado integrado e gestão qualificada, realizadas com equipe multiprofissional e dirigida à população em território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade sanitária, efetivadas pela Estratégia Saúde da Família. (Brasil 2017).
Nesse entorno emerge a Unidade Básica de Saúde Piçarreira, instituição da Atenção Básica no Município de Santana, Amapá, responsabilizada com a saúde dos moradores do bairro.
Sendo assim, com o objetivo de avaliar a qualidade dos serviços que são oferecidos, o ministério preconiza a auto avaliação e avaliação externa chamado Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB). O terceiro ciclo do PMAQ- AB, ocorreu no ano 2017, e nesse momento é necessário fazer uma auto avaliação AMAQ/AB, com um caráter pedagógico, reflexivo e problematizador.
Para cumprir nossa missão de auto avaliação foi convocada toda a equipe da ESF 010, para uma reunião, gerenciada pela enfermeira, com a participação do médico e as quatro agentes comunitárias de saúde (ACS), realizada na sala de enfermagem da UBS. Foi utilizada a versão impressa do AMAQ/AB, para analisar os principais problemas, que ainda afetavam a qualidade de nosso trabalho. A equipe centrou sua análise nas competências referentes a equipe da atenção básica, especificamente nas dimensões de educação permanente, processo de trabalho e Atenção Integral à Saúde, pois foi considerado que seria aí onde estariam os maiores problemas e com probabilidade de dar uma resposta positiva a aqueles identificados.
Foram analisadas cada uma das subdimensões, as quais foi dada uma pontuação de 0 a 10, sendo que as subdimensões que ficaram com pontuação abaixo de 5 eram insatisfatórias.
Em primeiro lugar elencamos os principais problemas identificados, depois foram escolhidos os prioritários para serem enfrentados, tendo de referência alguns elementos, exemplo: o problema é muito frequente? é considerado importante?, existem recursos disponíveis para que a equipe possa enfrenta-lo? e finalmente se a solução é a curto, médio ou a longo prazo. Então verificou-se que todos os problemas identificados como prioritários estavam inseridos na subdimensão, Atenção Integral a Saúde, sendo os seguintes:
Deles foi escolhido pelo consenso da maioria dos participantes como prioritário o segundo listado anteriormente.
Um dos grupos prioritários que deve ser alvo da atividade de educação em saúde na ESF é o grupo de gestantes, pois a mulher está mais susceptível a receber informações e modificar o comportamento.
A carência de informações ou informações inadequadas sobre o parto, o medo do desconhecido, os cuidados a serem prestados ao recém-nascido, entre outros, são fatores comuns de tensão na gestante, por isso a relevância de acolher a gestante, esposo e família desde o primeiro contato com a unidade de saúde. (RIOS CTF; VIEIRA NFC, 2007).
Contudo, o que se pode notar, atualmente, em várias rotinas se dá prioridade, por diversos motivos aos atendimentos individuais, limitados ao espaço físico de uma sala de atendimento. É imprescindível assim, que todos os profissionais que atuam na ESF considerem a gestação como um momento ímpar para a realização de ações educativas coletivas. Nesse sentido a equipe 010, refletiu sobre as causas do problema prioritário, com a finalidade de construir uma matriz de intervenção, conforme Anexo 1.
A equipe considerou muito relevante que para poder dar solução ou desenvolver a estratégia de intervenção precisávamos da ajuda de todos os atores sociais e os profissionais envolvidos na AB, com ações interdisciplinares e intersetoriais, orientadas para a melhoria da organização e qualidade dos serviços, conforme descrito a seguir: desenvolver curso de capacitação em atividades de promoção de saúde; realizar visita domiciliar as gestantes para explicar da importância da criação do grupo; palestra de nutrição, de atividades físicas na gravidez, doenças na gravidez; realizar atividade grupal de conjunto com os parceiros, para incentivar o pré-natal do parceiro; realizar uma vídeo palestra sobre o trabalho de parto; palestra sobre importância da realização dos exames na gravidez.
Foram identificados os responsáveis de cada atividade, a participação de profissionais da equipe do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF), os recursos materiais e humanos que se precisam, além,dos mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados.
Como parte deste processo de construção coletiva, a equipe selecionou um dos indicadores previstos para monitorar o cumprimento das ações das equipes no processo de melhoria e qualidade dos serviços, foi escolhido o percentual de serviços ofertados pela equipe de Atenção Básica, em especial o atendimento em grupo, como atividade coletiva. (BRASIL 2017)
É essencial que as UBS, estejam organizadas para disponibilizar aos usuários o acesso aos serviços, para promover um cuidado adequado ás necessidades de saúde da população; o parâmetro esperado para o indicador é de 70%/mês.
Num segundo momento foi elaborado um instrumento que permite o controle e monitoramento das gestantes de nossa área de abrangência por ACS, como foi o momento da captação da gravidez (1º, 2º e 3º trimestre) e a participação delas nas atividades coletivas, depois da conformação do grupo de gestantes, outro elemento incluído no registro foi se teve participação do parceiro no controle pré-natal. Desta forma, o instrumento permitiu o controle das gestantes da área, para ter uma melhor retroalimentação do processo do controle pré-natal e sua participação nas atividades do grupo de Gestante, conforme anexo 2.
Posso declarar que na primeira etapa da micro intervenção, que foi a elaboração da matriz de intervenção, não existiu dificuldade, a equipe mostrou receptividade, boa vontade, parceria e compromisso em dar solução a estratégia planejada, com a participação de outros colegas. O grupo de gravidas já foi constituído, tendo a primeira atividade coletiva planejada o que poderá demonstrar bons resultados da mesma.
Todavia, para o alcance dos objetivos desejados, em relação á efetividade do instrumento de monitoramento do indicador percentual de serviços ofertados, é necessário o preenchimento das fichas de atendimento coletivas de forma correta e o envio delas para ser informatizadas no sistema estatístico de e-SUS a nível municipal. Porem vai depender, além do desenvolvimento do grupo de gestantes, o preenchimento dos modelos para efetuar o cálculo porcentual.
Foi uma ótima experiência para nossa equipe e pessoalmente enriqueceu meus conhecimentos nesta área.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A Atenção Primária e as Redes de Atenção à Saúde. Brasília: Conass, 2015.
BRASIL. Diário oficial da União. Seção 1. Nº 183, sexta-feira, 22 de setembro de 2017.http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=68&data=22/09/2017
BRASIL. Portal do Departamento de Atenção Básica. 2017. http://dab.saude.gov.br/portaldab/noticias.php?conteudo=_&cod=2467. Acesso em 13 de maio 2018. As 14h.
Rios CTF, Viera NFC. Ações educativas no pré-natal: reflexão sobre a consulta de enfermagem como espaço para educação em saúde. Ciênc. Saúde Coletiva.2007;12(2):477-486.
ANEXO 1
MATRIZ DE INTERVENÇÃO
| Descrição do padrão: 4.49 A equipe de Atenção Básica desenvolve grupos terapêuticos na unidade de saúde e/ou território | ||||||
| Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: A equipe não tem criado os grupos terapêuticos. | ||||||
| Objetivo/meta: Criação do grupo de gestantes. | ||||||
|
Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
| Capacitação dos ACS e atores sociais da comunidade | Desenvolver curso de capacitação em atividades de promoção de saúde. | Recursos humanos: Psicólogo do NASF
Materiais: Sala de Aula para realizar o curso. |
Capacitar os ACS e atores sociais da comunidade | Enfermeira | Um curso no
Mês de Maio. |
Supervisar o curso.
Capacitar o 90 % das personas envolvidas. |
| Criação do Grupo das Gestantes | Realizar visita domiciliar as gestantes para explicar da importância da criação do grupo. | Recursos humanos:
ACS e atores sociais da comunidade Materiais: Sala de Aula para realizar o curso. |
Visitar as gravidas da área. | Enfermeira e técnica de enfermagem | 15 dias. | Visitar o 100 %
Das gestantes |
| Desenvolver atividades educativas com as gestantes | Palestra sobre Nutrição | Recursos humanos:
Nutricionista do NASF Materiais: Sala de Aula para realizar o curso, Projetor, cartaz do evento. |
Incrementar os conhecimentos sobre nutrição. | Coordenador da equipe do NASF | 1 vez por mês: junho 2018
(primeiros 15 dias do mês) |
Entrevistas as gestantes
Supervisar a palestra |
| Palestra sobre atividades físicas na gravidez | Recursos humanos:
Educador físico do NASF Materiais: Sala de Aula para realizar o curso, Projetor, cartaz do evento. |
Incrementar os conhecimentos sobre atividades físicas na gestação | Coordenador da equipe do NASF | 1 vez por mês: junho 2018
(segundos 15 dias do mês) |
Entrevistas as gestantes
Supervisar a palestra |
|
| Palestra sobre doenças na gravidez. | Recursos humanos:
Médico da equipe. Materiais: Sala de Aula para realizar o curso. Projetor, cartaz do evento. |
Incremen
tar os conhecimentos sobre infecção urinaria, anemia, hipertensão e diabetes gestacional. |
Enfermeira | 1 vez por mês: julho 2018
(primeiros 15 dias do mês) |
Entrevistas as gestantes
Supervisar a palestra |
|
| Palestra sobre importância da realização dos exames na gravidez: Hb, teste rápidos, glicemia, EAS, Sorologia de Toxoplasmoses, Citomegalovírus, Rubéola e outros | Recursos humanos:
Enfermeira da equipe. Recursos materiais: Testes Rápidos e outros. Sala de aula. |
Incrementar os conhecimentos sobre importância dos exames na gravidez | Médico | 1 vez por mês: julho 2018
(segundos 15 dias do mês) |
Entrevistas as gestantes
Supervisar a palestra |
|
| Realizar uma vídeo palestra sobre o trabalho de parto | Recursos humanos:
Médico e Psicóloga. Recursos materiais: vídeo, projetor. Sala de aula |
Incrementar a preparação psicológica para o trabalho de parto | Enfermeira | Mês de Agosto 2018 | Entrevistas as gestantes
Supervisar a palestra |
|
| Realizar atividade grupal de conjunto com os parceiros, para incentivar o pré-natal do parceiro. | Recursos humanos:
Enfermeira e Psicóloga do NASF |
Incrementar a participação do parceiro no pré-natal. | Enfermeira | Mês de Agosto 2018.
2dos quinze dia do mês. |
||
Ponto(s)