HUMBERTO REINALDO LABRADOR RODRIGUEZ
ORIENTADOR: MARIA BETÂNIA MORAIS DE PAIVA.
COLABORADORES: MERLINDE SARMIENTO FERNANDEZ.
Capítulo I: Estratégia de intervenção para reduzir a incidência de Hipertensão Arterial e seus principais fatores de risco na comunidade.
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica não transmissível que atinge uma alta porcentagem de pessoas no mundo todo. Ela é responsável, quando não é tratada adequadamente, por complicações que diminuem a produtividade e a qualidade de vida dos pacientes levando-os a prostração e/ou morte. Constitui uma das principais causas de morte no Brasil e no mundo pelas suas complicações.
Considera-se na atualidade uma das doenças mais comuns, que atinge cerca de 30% da população brasileira e acarreta elevados custos médicos socioeconômicos devido a suas complicações (acidentes vasculares cerebrais, doenças coronárias, insuficiência renal crônica), tornando-se atualmente um problema de saúde pública (PESSUTO et al.,1998).
Entretanto, ela permanece um dos maiores problemas de saúde pública no Brasil, sendo causa direta de cerca de 7,5 milhões de mortes no mundo, anualmente (BRITO, et al., 2012), Keamey, et al.,(2005), estimaram em 26.4% no ano 2000 a prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), no mundo correspondendo a 972 milhões de pessoas hipertensas.
No Brasil, a hipertensão arterial afeta 32,5% (36 milhões) de adultos, 60% de idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes devido a doenças cardiovasculares (DCV).
Em 2013, houve 1.138.670 mortes, das quais 339.672 (29,8%) foram por doenças cardiovasculares (DCV), principal causa de morte no Brasil (SOCIEDADE BRASILEIRA DE
CARDIOLOGIA, 2016).
Outro fator de risco muito difícil de controlar é o estresse. Definido como a capacidade natural do individuo para reagir as situações de perigo, preparando-se para enfrentar ou fugir, fazendo com que o organismo libere hormônios, como adrenalina, que provoca o aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial. Preocupações com a família, pressões diárias, excesso de trabalho, risco de desemprego, trânsito, falta de dinheiro, falta de segurança, desilusões amorosas; são alguns dos desencadeadores desta reação primitiva e tão danosa (SANTOS et al., 2006).
Uma das principais maneiras de prevenir as patologias vasculares é fazendo com que as pessoas estejam atentas aos fatores de risco que as cercam, por isso, a orientação de um profissional médico é fundamental (FERRETTI, 2014).
Minha Unidade Básica de Saúde não esta longe da realidade do Brasil e do mundo; sendo a HAS uma das doenças crônicas mais prevalentes e que causa quase todos os eventos coronários e cardiovasculares de maneira geral.
Trabalho na Unidade Básica de Saúde (UBS) Vereador João Queiroz de Souza, localizada no bairro Paraíso pertencente ao município Pau dos Ferros/RN; que tem em seu território uma população de aproximadamente 3.573 habitantes coberta por esta UBS. Tendo em conta a prevalência, a incidência e as consequências fatais deste problema de saúde que afeta a nossa comunidade, decidimos fazer um projeto de intervenção que por sua vez será a base da nossa micro intervenção, tendo como objetivos fundamentais: a diminuição da prevalência, da incidência e dos principais fatores de risco da hipertensão arterial em nossa comunidade. A mesma será de grande importância, pois fornecerá a nossa equipe as ferramentas necessárias para atingir nosso objetivo.
Para realizar a micro intervenção primeiro convocamos uma reunião com toda a equipe de saúde, para produzir uma autoavaliação e um diagnóstico situacional da unidade de saúde e do processo de trabalho de forma coletiva.
Para isso utilizamos o manual de Autoavaliaçao de Melhoria do Acesso e Qualidade (AMAQ), que é o instrumento de autoavaliação usado com esta finalidade, identificando as potencialidades e as fragilidades reais. Tendo em conta as fragilidades como possíveis pontos de partida para uma intervenção e utilizando um conjunto de padrões de qualidade que o AMAQ fornece, revelando quais são os padrões com maiores problemas que devem ser enfrentados pela equipe. Fizemos uma lista de problemas para avaliar e cada um deles aplicou uma escala de 0-10 pontos.
Depois fizemos a seleção dos problemas que tiveram nota igual a cinco ou menor, dando uma ordem de prioridade de acordo com a possibilidade de intervenção de nossa equipe, sem delegar instâncias superiores; o que nós somos capazes de modificar, enquanto equipe, com os recursos que temos disponíveis e que está dentro de nossa governabilidade, garantindo assim a modificação da realidade de nossa equipe.
Finalmente selecionamos um desses problemas com uma pontuação igual ou menor que 5 para alcançar o padrão preconizado e construímos a matriz de intervenção.
Tendo em conta que o problema fundamental que motivou a realização deste micro intervenção que foi a alta incidência e prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e seus
principais fatores de risco, decidimos em conjunto com a equipe de saúde selecionar um problema para aplicar a matriz de intervenção:
A organização insuficiente da atenção às pessoas com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), Diabetes Mellitus (DM) e Obesidade com base na estratificação de risco.
Descrição tabela:
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Descrição do padrão: 4.29 A Equipe de Atenção Básica organiza a atenção às pessoas com hipertensão, Diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. |
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Descrição da situação – problema para o alcance do padrão: A organização insuficiente da atenção às pessoas com hipertensão, diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. |
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Objetivos/Metas: Melhorar a atenção das pessoas com hipertensão, Diabetes e obesidade com base na estratificação de risco. |
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsável
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Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Melhorar a qualidade e organização dos grupos de hiperdia com base na estratificação de risco. |
Realizar palestras, dinâmicas de grupo, exercícios físicos, atividades de laser e qualidade de vida.
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Recursos humanos e outros recursos como materiais explicativos, data show, computador, etc.
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Elevar o nível de conhecimento dos pacientes sobre os fatores de risco de sua doença, bem como suas principais complicações e a modificação de estilos de vida não saudáveis. |
Equipe Básica de Saúde e profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). |
Um ano
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Através das reuniões mensais avaliando a frequência dos participantes
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Reforçar o trabalho destinado a mudar hábitos e estilos de vida pouco saudáveis.
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Planejar, organizar e executar atividades educativas para a promoção e prevenção da saúde, com o objetivo de promover hábitos e estilos de vida saudáveis. (Palestras, Rueda de conversa, dinâmicas de grupo).
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Murais, computador, Data show, materiais explicativo.
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Elevar o nível de consciência da população sobre a importância de mudar hábitos e estilos de vida não saudáveis ou pouco saudáveis.
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Equipe Básica de Saúde e profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). |
Um ano.
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Aumento na frequência dos participantes. Mudança nos hábitos e estilos de vida.
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Esse problema está relacionado ao padrão 4.29, descrito no padrão de Atenção Integral à Saúde. Objetivo: Melhorar a atenção de pessoas com Hipertensão Arterial Sistêmica
(HAS), Diabetes Mellitus (DM) e Obesidade com base na estratificação de risco.
Estratégia 1 para alcançar os objetivos/metas:
-Melhorar a qualidade e organização dos grupos de Hiperdia com base na estratificação de risco.
Atividades a serem desenvolvidas: Realizar palestras, dinâmicas de grupo, exercícios físicos, atividades de laser e qualidade de vida.
Recursos necessários para o desenvolvimento: Recurso humano e outros recursos como: materiais explicativos, computador, data show.
Resultados esperados: Elevar o nível de conhecimento dos pacientes sobre os fatores de risco de sua doença, bem como suas principais complicações e a modificação de estilos de vida não saudáveis.
Responsáveis: Equipe Básica de Saúde e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF).
Prazo: Um ano.
Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados: Através de reuniões mensais avaliando a frequência dos participantes.
– Estratégia 2:
Reforçar o trabalho destinado a mudar hábitos e estilos de vida pouco saudáveis.
Atividades a serem desenvolvidas: Planejar, organizar e executar atividades educativas para a promoção e prevenção da saúde, com o objetivo de promover hábitos e estilos de vida saudáveis( Palestras, Rueda de conversa, dinâmicas de grupo).
Recursos necessários para o desenvolvimento: Murais, computador, data show, materiais explicativos.
Resultados esperados: Elevar o nível de consciência da população sobre a importância de mudar hábitos e estilos de vida não saudáveis ou pouco saudáveis.
Responsáveis: Equipe de saúde e Núcleo de Apoio á Saúde da Familia (NASF).
Prazos: 1 ano.
Mecanismos o indicadores para avaliar o alcance dos resultados: Aumento da frequência dos participantes. Mudança nos hábitos e estilos de vida.
O potencial desta micro intervenção reside precisamente em uma grande experiência para toda a equipe, uma vez que demostrou mais uma vez as vantagens do trabalho de equipe e as enormes possibilidades que sempre teremos para obter resultados satisfatórios e conquistar um objetivo em comum, quando se faz um bom trabalho em equipe. Considero que todos nós ganhamos conhecimento com este projeto, tanto os membros da equipe de saúde quanto nossos pacientes que são finalmente, a razão de ser do nosso trabalho e nosso principal objetivo na execução do mesmo. Definimos mais facilmente quais são as potencialidades e as fragilidades de nossa unidade básica de saúde e as potencialidades e fragilidades do trabalho de nossa equipe, bem como a ampla gama de problemas preexistentes, facilitando assim o trabalho de preparar as estratégias e ações mais precisas para a sua solução. Quanto as dificuldades podemos mencionar sobre a falta de espaço adequado para as reuniões da equipe, como as palestras e atividades educacionais planejadas com a população, principalmente devido a inadequação da estrutura física da Unidade Básica de Saúde (UBS) para melhorar a acessibilidade de os pacientes idosos que constituem a maioria dos pacientes com maior risco cardiovascular, com HAS e outras doenças crônicas e fatores de risco cardiovascular, objetivo de nossa intervenção. A micro intervenção tem tido um grande impacto, embora os resultados sejam de longo prazo, na medida em que conseguimos elevar a cultura de saúde desses pacientes, conseguiremos conscientizar muitos desses pacientes sobre a importância da prática de exercícios físicos, sobre a importância de uma alimentação saudável, modificação em geral dos hábitos e estilos de vida inadequados.
Conjuntamente com a equipe de saúde da unidade, montamos alguns instrumentos que permitem o acompanhamento de vários dos indicadores de avaliação do PMAQ; como por exemplo: O percentual de atendimentos de consultas por demanda espontânea; percentual de atendimentos de consulta agendada; índice de atendimentos por condição de saúde avaliada, percentual de encaminhamentos para serviço especializado, entre outros indicadores. Mensalmente e com a ajuda dos consolidados que facilita o prontuário eletrônico, estes instrumentos são alimentados na forma de tabelas para sua posterior análise e avaliação nas reuniões da equipe a cada mês. Considero estes instrumentos de grande importância e muito adequados a realidade do trabalho da nossa e de qualquer outra unidade, pois através deles podemos fazer a análise, avaliação e acompanhamento de cada um dos indicadores e assim direcionar nosso trabalho com base nos resultados. Abaixo mostramos alguns desses instrumentos:

REFERÊNCIAS
Brasil. Ministério. Programa Nacional de Melhoria de Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) – Manual instrutivo terceiro ciclo (2015-2016). Brasília, 2015.
Brito Thiago Midlej; ARTIGAS, Dantes Marcelo G. Como diagnosticar e tratar hipertensão arterial sistémica. RBM. V.69, n.12, p.6-15, dez.2012. Disponível em:< http://www.moreirajr. Com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=5281>. Acesso em: 20 abril2018.
Ferretti, Fátima. et al. Impacto de programa do educação em saúde no conhecimento de idosos sobre doenças cardiovasculares. 2014. Disponível em:<http//www.unochapeco.edu.br/static/data/portal/dowloas/2835.pdf.Acesso em: 17 abril 2018.
KEARNEY, P. M.; REYNOLDS,K; MUNTNER, P.; WELTON,P. K.; HE,J. Global burden of hypertension: analysis of worldwide data. US National Library of medicine Institutes of Heartth.Pubmet.gov. Jan 15-21; 365.
Ministério da saúde. Autoavaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica-AMAQ. 3.ed, Brasília: Ministério da saúde, 2016. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/documentos/AMAQ_AB_SB_3ciclo.pdf. Acesso em: 16 abril 2018.
Ministério da saúde. Tutorial para preenchimento da autoavaliação. Disponível em: http://amaq.lais.huol.ufrn.br/amaq_homologacao/static/assets/docs/como_fazer_autoavaliacao.pdf . Acesso em: 18 abril 2018.
Ministério da saúde. Manual instrutivo: Sistema de ampliação. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/sistemas/qualificaUbs/manual_instrutivo_sistema_ampliaçao.pdf>. Acesso em 16 abril2018.
PESSUTO, J. ; CAVALHO, E.C. de. Fatores de risco em indivíduos com hipertensão arterial. Enfermagem, Ribeirão Prestó. Revista Latinoamericana. v.6.n.1, p.33-39 jan. 1998. Disponível em: http://www. scielo.br/pdf/rlse/v6n 1/3919. Acesso em: 21 abril2018.
SANTOS, Z, M. S.A., SILVA. R. M. Prática do autocuidado vivenciada pela mulher hipertensa: uma análise no âmbito da educação em saúde. Associação Brasileira de Enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem_REBEn mar/abr. 59 (2). 2006.
SILVA, Luciana Saraiva da; COTTA, Rosangela Minardi Mitre, Carla de Oliveira Barbosa. Estratégias de promoção de saúde e prevenção primária para enfrentamento das doenças crônicas: revisão sistemática. Revista Panam.
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