TITULO: PLANEJAMENTO REPRODUTIVO. USO DOS SERVIÇOS DE SAUDE EM ATENÇAO PRIMARIA DE SAUDE.
ESPECIALIZANDO: MARIA EUGENIA FIGUEROA OLIVERA.
ORIENTADOR: CLEYTON CESAR SOUTO SILVA.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define saúde sexual como um estado físico, emocional, mental e social de bem-estar em relação à sexualidade; não é meramente ausência de doenças, disfunções ou debilidades. A Saúde sexual requer abordagem positiva e respeitosa da sexualidade, das relações sexuais, tanto quanto a possibilidade de ter experiências prazerosas e sexo seguro, livre de coerção, discriminação e violência. Para se alcançar e manter a saúde sexual, os direitos sexuais de todas as pessoas devem ser respeitados, protegidos e satisfeitos. (BRASIL, 2013)
A atenção à saúde sexual e reprodutiva é uma das áreas de atuação prioritárias da atenção básica. (BRASIL, 2010), e sua oferta deve ter como princípio a garantia dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos, conforme inscritos nas políticas que vêm sendo desenvolvidas pelo estado brasileiro, como a Política Nacional de Assistência Integral à Saúde da mulher (BRASIL, 2004) e a Política Nacional de Direitos Sexual e Reprodutivos (BRASIL, 2005). Inserido nesse nível de atenção, a assistência ao planejamento reprodutivo consiste, sobretudo, em ações de promoção, prevenção, informação e educação em saúde.
Respeito ao planejamento reprodutivo nossa equipe de saúde desenvolve ações educativas para homes e mulheres sobre a decisão de ter filhos, as mesmas são desenvolvidas na consulta individual e nas palestras realizadas na sala de recepção, mas considero que devem se incrementar devido ao baixo nível de assistência por esses motivos, além de que o homem não assiste a consulta.
Ofertamos métodos contraceptivos básicos a população e explicamos a necessidade de utilizá-los, explicamos as vantagem e desvantagem de cada um deles e a escolha do método é feita pelo usuário. Aproveitamos o espaço da reunião da equipe para discutir temas sobre diversidade sexual, relações de gênero, prevenção de HIV/AIDS e outras ISTs. Realizamos acompanhamento adequado dos casos diagnosticados de HIV, até o momento não temos casos novos. As ISTs que são diagnosticadas se tratam adequadamente e acompanhadas pela equipe. Nas ações grupais planejadas discutimos temas relacionados com a saúde sexual, geralmente direcionadas a grupos de jovens, gestantes e em menor frequência a idosos, o qual é uma fragilidade.
Quanto ao pré-natal e puerpério considero que a equipe faz busca ativa das gestantes de nossa área de abrangência, inclusive adolescentes, além de levantamento periódico das gestantes do bairro, incluindo aquelas que optaram por realizar o seu pré-natal em serviços privados, as quais são visitadas mensalmente. As cadernetas das gestantes são preenchidas adequadamente.
Nas consultas são solicitados todos os exames complementares recomendados segundo trimestre e patologias associadas à gravidez, realizamos tratamento adequado e oportuno das ISTs diagnosticadas. Com o apoio do NASF são avaliadas todas as gestantes e orientadas quanto aos cuidados nutricionais e estimuladas a preservar hábitos de vida saudáveis. Nas consultas do terceiro trimestre orientamos a importância de retornar para a consulta do puerpério, orientamos sobre o aleitamento materno exclusivo, além dos primeiros cuidados do recém-nascido.
Considero que nossa equipe está organizada para realizar este acompanhamento. Mas temos fragilidades que precisamos superar. Considerando que o planejamento familiar tem papel decisivo na abordagem e intervenção da gravidez, e o baixo uso dos serviços de planejamento familiar por homes e mulheres, a presente Microintervenção tem como objetivo realizar ações educativas para melhor assistência ás demandas desse grupo populacional.
Na pratica, o planejamento familiar preconizado pelo Ministério da Saúde não é compatível com as ações realizadas pela ESF, uma vez que, apesar de ser considerado prioritário, o planejamento familiar ocupa plano secundário nos serviços de saúde, onde maior ênfase é dada ao ciclo gravido-puerperal. (MOURA ERF, SILVA RM, GALVÃO MTG. 2007) (OSIS MJD, FAÚNDES A, MAKUCH MY, MELLO MB, SOUSA MH, ARAÚJO MJO. 2006) Até mesmo o encaminhamento ao atendimento de planejamento familiar é feito principalmente para mulheres que estão no pré-natal ou pós-parto. Não se observa o mesmo empenho para atender as necessidades de mulheres em idade reprodutiva que ainda não possuem antecedente gestacional ou que sejam sexualmente inativas ou ainda, aquelas que tenham dificuldades para engravidar. Mostrando, portanto, que na organização dos serviços não é prioridade oferecer ás usuárias a possibilidade de trilhar sua trajetória sexual sem risco de gravidez indesejada ou mesmo ter os filhos que deseje. (HEILBORN ML, PORTELLA AP, BRANDÃO ER, CABRAL CS, GRUPO CONPRUSUS. 2009)
Para o desenvolvimento desta Microintervenção realizamos uma reunião da equipe, onde discutimos o tema de planejamento reprodutivo e concordamos na importância de incrementar as ações educativas com caráter grupal na comunidade para elevar as demandas de homes e mulheres à consulta. Portanto, além das palestras decidimos realizar mensalmente uma ação de saúde direcionada a este grupo populacional.
Considerando que os ACS constituem papel importante na busca ativa dos usuários, nos encontramos com um grande desafio que foi elevar o nível de conhecimento sobre planejamento reprodutivo destes profissionais, para o qual acrescentamos nas reuniões da equipe um ponto para educação permanente sobre o tema.
A equipe ficou muito animada com esta Microintervenção porque conseguimos aumentar o número de pacientes atendidos na consulta de planejamento familiar, alcançamos maior nível de conhecimento sobre Saúde Reprodutiva e todos concordamos na necessidade das capacitações sistemáticas devido á relevância do tema.
A assistência em planejamento familiar é de grande importância para a experiência de vida sexual e reprodutiva saudável. Considero que além da necessidade de explorar o tema, para melhorar esta Microintervenção poderíamos dar continuidade acompanhando e avaliando a evolução da assistência prestada, assim como a repercussão a longo prazo na vida deste grupo populacional.
Referencias.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher: princípios e diretrizes. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2004.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos: uma prioridade do Governo. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2005.
BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, departamento de Atenção Básica. Saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília, DF, Ministério da Saúde, 300 p., 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica. Saúde sexual e Reprodutiva. Brasília – DF. 2013
HEILBORN ML, Portella AP, Brandão ER, Cabral CS, Grupo CONPRUSUS. Assistência em contracepção e planejamento reprodutivo na perspectiva de usuárias de três unidades do Sistema Único de Saúde no Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Cad Saúde Pública 2009; 25(Supl. 2): S269-S278
MOURA ERF, Silva RM, Galvão MTG. Dinâmica do atendimento em planejamento familiar no Programa Saúde da Família no Brasil. Cad Saúde Pública 2007; 23(4):961-970.
OSIS MJD, Faúndes A, Makuch MY, Mello MB, Sousa MH, Araújo MJO. Atenção ao planejamento familiar no Brasil hoje: reflexões sobre os resultados de uma pesquisa. Cad Saúde Pública 2006; 22(11):24812490.
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