11 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

PLANEJAMENTO REPRODUTIVO, PRÉ-NATAL E PUERPÉRIO NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE (UBS) IRMÃ ANA DIAS

 

ESPECIALIZANDA: LUDMILA ALMENARES GONZÁLEZ

ORIENTADOR: DANIELE VIERA DANTAS

COLABORADOES: ANA SANTANA VALE DOS SANTOS, ROSILEYDIS TEIXEIRA, INDIRA ARAÚJO

                                                      

Em 1996, a Lei n.º 9.263, fala que o planejamento familiar é um conjunto de ações para regular a fecundidade com direitos iguais para formar, limitar ou aumentar a descendência pela mulher, pelo homem ou pelo casal. É a livre decisão do casal, e o Estado deve proporcionar os recursos para garantir esse direito (BRASIL, 2005).

A saúde sexual é uma condição de mulheres e homens para desfrutar e expressar sua sexualidade, sem riscos de doenças sexualmente transmissíveis, gestações não desejadas, repressão, violência e discriminação. Permite gozar uma vida sexual informada, segura, com muita autoestima, e respeito mútuo nas relações sexuais (BRASIL, 2012).

O Ministério da Saúde recomenda que as ações de anticoncepção devem ser garantidas para todas mulheres e homens em idade fértil, adultas (os) e adolescentes, que desejam ter acesso a métodos contraceptivos para não ter filhos não desejados (BRASIL, 2005).   

Nossa equipe tem como parte do trabalho do dia a dia na Unidade Básica de Saúde (UBS) o aconselhamento, as atividades educativas e atividades clínicas como parte da promoção, proteção e recuperação da saúde da população. Realizamos ações educativas, para homens e mulheres, sobre a decisão de ter filhos ou não.

Nós fazemos reuniões com o grupo de mulheres em idade fértil e os homens para discutir sobre os diferentes métodos contraceptivos que dispomos na Unidade. Difundimos informação das vantagens e a importância da utilização adequada para evitar as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e os gravidezes indesejadas. Informamos que o método é de livre escolha e enfatizamos a importância principalmente para as mulheres dos grupos de riscos, como adolescentes, cardiopatas, hipertensas, asmáticas, entre outras. Percebemos problemas com os mais jovens porque não gostam de usar as camisinhas, por problemas de tabus. Também contamos com uma população com baixo nível intelectual e cultural, fatores que influem na promiscuidade e desconhecimento dos métodos anticoncepcionais tanto femininos como masculinos.

Outro tema discutido é sobre diversidade sexual, relações de gêneros e prevenção de Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)/ Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (AIDS) e outras IST, com o objetivo de orientar e aconselhar a todas as pessoas com dúvidas sobre a sexualidade, sempre respeitando a decisão do paciente. Enfatizamos sobre o início precoce das relações sexuais e os riscos para a saúde. Indicamos exames para prevenção de câncer de colo de útero, mama, próstata e para investigação de IST. Fazemos a notificação e encaminhamento adequado dos casos diagnosticados de HIV para a consulta de infectologia e tratamos corretamente os pacientes com as demais IST na UBS.    

No que diz respeito ao acompanhamento pré-natal, que tem como objetivo assegurar o desenvolvimento da gestação, permitindo o parto de um recém-nascido saudável, sem impacto para a saúde materna, inclusive abordando aspectos psicossociais e as atividades educativas e preventivas. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) têm a responsabilidade da busca ativa de todas as gestantes de nossa área de abrangência, inclusive as gestantes que fazem acompanhamento pré-natal em serviço privado. Todos os meses é feito o levantamento do número total das gestantes.

O pré-natal é feito pela enfermeira e a médica, sempre tratando de que a captação seja precoce, antes das 12 semanas. Preenchemos adequadamente a caderneta da gestante, revisamos as vacinas e indicamos todos os exames do trimestre, mas atualmente temos dificuldades com a realização e muitas gestantes chegam ao terceiro trimestre sem ter feitos exames do primeiro.  São tratadas adequadamente as IST quando diagnosticadas. Orientamos desde a consulta de captação como deve ser a dieta durante toda a gestação e estimulamos hábitos saudáveis. Nesse aspecto, contamos com o apoio do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) e são acompanhadas pela nutricionista. Todas são enviadas a consulta de odontologia e classificadas segundo os riscos, em gestantes de baixo ou alto risco. As de alto riscos são encaminhadas a consulta especializada e temos como fragilidade a demora para agendamento dessas consultas.   

Falamos também da importância da consulta do puerpério e em conjunto com os ACS realizamos a visita puerperal na primeira semana, com o objetivo de avaliar, orientar e aconselhar a puérpera com o recém-nascido e a família sobre os cuidados durante essa etapa da vida, além da amamentação e os métodos contraceptivos para um bebe saudável e uma puérpera sem complicações. Tratamos de dar todo apoio nesse momento tão importante no pós-parto, por todas as mudanças que acontecem, uma vez que as mulheres trazem consigo ansiedade, angustias, decepções, que podem levar a complicações sérias.          

Portanto, depois desta reflexão a equipe está organizada para realizar este acompanhamento. Contamos com as ferramentas para aconselhar, orientar e ajudar a nossa comunidade, mas proponho para continuar com a transformação da realidade a capacitação periódica e permanente de toda a equipe, sobre planejamento reprodutivo, pré-natal e puerpério, temas tão importantes e presentes no dia a dia do trabalho.

Também ressalto e importância de melhorar a disponibilidade dos métodos anticoncepcionais na Unidade, o problema dos exames complementares das gestantes que demoram muito a chegar ou não chegam, as consultas especializadas de pré-natal alto risco e aumentar as intervenções educativas com toda a comunidade.

Como micro intervenção desse módulo reforçamos o grupo das mulheres, de diferentes idades, através de reuniões as últimas quintas feiras de cada mês para debater estes temas tão importantes e com tanto desconhecimento. Nossa equipe também decidiu fazer atividades educativas com maior frequência nas escolas, para esclarecer todas as dúvidas dos adolescentes. 

                                         

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Série direitos sexuais e direitos reprodutivos uma prioridade do governo. Brasília: Ministério da Saúde, 2005.

______. Atenção a Saúde Sexual e Reprodutiva. Brasília: Ministério de Saúde, 2012.

 

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