13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: IMPLANTANDO O ACOLHIMENTO NA UBS ERIONALDO CORREIA PEREIRA, EM POÇO REDONDO (SE)

 

ESPECIALIZANDO: WILIAN OSVALDO PEREZ TORRES

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

 

A Atenção Primária de Saúde (APS) é uma forma de organização dos sistemas de serviços de saúde, na qual é a porta de entrada ao sistema de saúde. Esta conta com atributos essenciais e atributos derivados. Dentro dos atributos essenciais se encontra o acesso ao primeiro contato. O acesso é o elemento estrutural necessário para atenção de primeiro contato e a acessibilidade é a forma que possibilita que as pessoas cheguem aos serviços médicos. (BRASIL, 2013).

Nossa UBS, considerando os parâmetros definidos pelo Programa de Requalificação de Unidades  Básicas de Saúde, é porte III com a presença de 3 equipes de atenção básica. Nos primeiros dias de trabalho na clínica, observamos como  dificuldade principal, a falta de organização no  momento  de fazer a triagem dos pacientes: pessoas que dormiam na clínica para poder pegar fichas, pessoas que só vinham renovar  receitas e queriam ser atendidas primeiro, pacientes com pressão arterial muito alta com sintomatologia tinham que esperar até o final para serem atendidos, além de gestantes e mães com crianças muito pequenas. Outras pessoas voltavam a suas casas, pois na obtinham fichas e não eram escutados seus problemas de saúde. O acolhimento praticamente não existia, pois era feito só ela técnica de enfermagem e recepcionista que não estavam preparadas para essa função.

Devido à relevância do problema observado, nossa equipe decidiu fazer esta microintervenção com o objetivo de melhorar  de forma gradual a organização do trabalho no momento de fazer a triagem e fornecer o  acolhimento a todas as  pessoas que chegaram à  unidade de saúde. A primeira tarefa a desenvolver foi o aperfeiçoamento da equipe para implantar o acolhimento em nossa UBS e melhorar a forma de fazer a triagem. Para isso se convocou  uma reunião com a participação de todos os integrantes da equipe, juntamente com  o diretor da clínica como convidado para identificar as fragilidades e potencialidades da UBS para implantar o acolhimento, além de colaborar com o  planejamento das ações e estratégias que nos ajudarão a alcançar o objetivo definido.

Durante a reunião se analisaram as principais dificuldades que impossibilitavam a realização do acolhimento na clínica, como a falta de um pessoal preparado e capacitado disponível para fazer o acolhimento, a não existência de um local com as condições e o conforto necessário para escutar as queixas dos pacientes e a ausência de um horário específico para fazer o acolhimento. Para a realização de uma boa triagem era necessário estabelecer uma estratégia como forma de organizar, avaliar e orientar as pessoas que buscam assistência médica na UBS, então decidimos criar um protocolo de atendimento baseado na classificação de riscos de  Manchester, o qual não busca dar diagnósticos, mas sim prioridades clínicas, garantindo um atendimento mais adequado e equânime (JUNIOR et el., 2014).

Também foi muito importante organizar a agenda do médico e enfermeiro para poder fazer o acolhimento, destinando a primeira hora de trabalho (de 7: 00 am  a 8:00 am) a essa atividade. Este acolhimento é feito de forma alternada entre o médico e o enfermeiro. Os pacientes que chegaram depois do tempo  eram  acolhidos  pela técnica de enfermagem  e encaminhados para nossas consultas, conforme avaliado o caso. Ainda não contamos com um local destinado só para o acolhimento, o que não foi possível até então devido à infraestrutura da clínica. Em razão disso, a equipe, em consenso com o a  direção da unidade,  começou a fazer esta ação na sala atividades coletivas.

Apesar do pouco tempo na implantação do acolhimento na UBS e do fato de estarmos dando os primeiros passos, nossa equipe observou mudanças com respeito a   forma de trabalhar em conjunto para alcançar  um mesmo objetivo, a importância de  não deixar ir um paciente de nossa área de saúde sem ser atendido ou ao menos agendar uma consulta nas próximas 48 horas, fazendo com que as pessoas aumentem a credibilidade em nosso trabalho e fortalecendo também o vínculo entre a  população e a equipe de saúde.

É importante ressaltar  que quando algum paciente que tem acompanhamento por nossa equipe já seja diabético, hipertenso ou asmático e vai à consulta por outra queixa que não seja da sua doença base, aproveitamos para fazer uma consulta integral e assim evitamos uma consulta agendada. Também tratamos de não agendar consultas com datas muito distantes das procura inicial porque os pacientes esquecem ou não vão na clínica, pois já não tem a queixa  nesse momento. Todo paciente de nossa área que chegue à consulta, tratamos também  de resolver seu problema no mesmo dia ou ao menos dentro das primeiras 48, trabalhando conforme o lema do acesso avançado: “’FAZER O TRABALHO DE HOJE, HOJE MESMO””.

Outra forma de comunicação implementada por nossa equipe de saúde foi o uso do aplicativo WhatsApp para orientar as pessoas a agendar uma consulta para outro dia segundo seja mas conveniente para o paciente. Organizamos nossas agendas baseadas também no acesso avançado, destinando 70% para os atendimentos para a demanda espontânea, deixando 30% para as consultas programadas.

Esperamos que, com a continuidade desta microintervenção, os resultados de nosso trabalho sejam melhores, salientando que o mais importante é fornecer uma atenção de qualidade à população.

 

Referências

 

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 56 p.(Cadernos de Atenção Básica; n. 28, V. 1).

 

JUNIOR WC, TORRES BLB, RAUSCH MCP. Sistema Manchester de Classificação de Risco: Comparando modelos. Grupo Brasileiro de Classificação de Risco – GBCR. Brasil; 2014. [on line] Disponível em: http://gbcr.org.br/public/uploads/filemanager/source/53457bf080903.pdf. Acesso em: 10/07/2018.

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