18 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: O ACOLHIMENTO NA UBS USINA SANTANA NO CONTEXTO DA ZONA RURAL DE JAPOATA (SE).

ESPECIALIZANDO: WANDEIR LIMA DOS SANTOS

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

COLABORADORES: ANNAYR BARRETO (COORDENADORA DA ATENÇÃO BÁSICA MUNICIPAL); ALINE TÂMISA OLIVEIRA (ENFERMEIRA DA UNIDADE BÁSICA); ELEÔNIA SILVA (TÉCNICA EM ENFERMAGEM DA UNIDADE BÁSICA); MAÍSA SILVA (AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE); ELENILDA OLIVEIRA (AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE).

 

O acolhimento estabelece ligação concreta e de confiança entre o usuário ou potencial usuário e a Equipe de Saúde, sendo indispensável para atender aos princípios orientadores do Sistema Único de Saúde (SUS). Deve ser efetuado em todos os âmbitos do atendimento e durante todo o tempo, da recepção ao atendimento propriamente dito dos cidadãos (BRASIL, 2004).

Para que o acolhimento seja executado de maneira satisfatória, uma série ordenada de ações organizadas é essencial, isto vai desde a postura adequada e capacitada de cada membro da Equipe de Saúde, escuta de problemas dos usuários, até o conhecimento integral do serviço local implementado e referenciado para encaminhamentos que se fizerem necessários (BRASIL, 2013).

Em nossa Unidade Básica de Saúde (UBS) Usina Santana, trabalhamos quase que de maneira constante com o acolhimento à demanda espontânea por vários motivos, sendo o principal deles, o fato de estar localizada na zona rural, quase 40 quilômetros da Sede Municipal, e ainda sim, gerar bastante dificuldade de deslocamento para usuários de áreas ainda mais remotas daquela região.

Não fazemos distinção de urgências com os demais casos, esta UBS esteve muito próxima de encerrar suas atividades no ano de 2017 por vários motivos como a falta de profissionais para atuar naquela região. Por conta disso, quando iniciei meu trabalho, em comum acordo com toda a Equipe, nos reunimos e definimos que iriamos acolher a todos de acordo aos nossos critérios que ali seriam pré-estabelecidos, mas também, buscando desburocratizar a vida destas pessoas que vivem continuamente em privação social de direitos básicos como transporte, saneamento entre outros.

Foi esclarecido desde a primeira reunião com toda a Equipe sobre a importância de tratar bem todos os que chegam, procurar distinguir casos que necessitam de atenção prioritária no momento, relatar novos pacientes captados na região para registro imediato e que os únicos limites para esta demanda espontânea são o horário de almoço dos profissionais (1h) e o horário de saída da UBS (17h). Casos em que não conseguimos atender e que não sejam classificados como urgência, remarcamos para 48 a 72h, procurando deixar claro e explicado para o usuário.

Com base nesta forma de trabalho, temos conseguido, ao longo dos meses, aumentar o número de atendimentos, tendo um avanço de 15 para 25 pacientes diários na média. No entanto, estamos sempre buscando melhorar, fazendo uso de estratégias para novos registros, evitar o abandono terapêutico além de estimular de maneira integral a prevenção de todo o possível, para isto, reuniões e pequenas palestras estão dentro da pauta, porém estas ultimas, ainda não realizadas pois conseguir reunir uma boa quantidade de usuários no horário laboral daquela região, é um pouco complicado.

Além disso, estamos tentando implementar o Acesso Avançado (AA) como mencionado no loco regional do início deste ano. Porém, cientes das dificuldades por falta de informatização, ou acesso à rede mundial (Internet). Para manter a evolução neste quesito, usaremos ferramentas, estratégias e seguimentos fornecidos pelo Curso de Especialização em Saúde da Família (Eixo II), Itinerários Formativos na Atenção à Saúde, como:

 

 – Atualização e aperfeiçoamento da Equipe de Saúde;

 – Estudo do perfil de demanda espontânea do território;

 – Implantação das estratégias definidas;

 – Análise dos primeiros resultados;

 – Correção e melhoria dos indicadores destacados.

 

Neste contexto, pontuamos as necessidades para melhoria do acolhimento, que vão desde maior investimento na parte física da Unidade, até uma melhor abordagem e orientação por parte dos profissionais da Equipe de saúde, visando otimizar cada vez mais os casos, de maneira sistematizada e coerente.

Nossas intervenções e acolhimento à demanda espontânea são baseados nos fluxogramas conforme sejam por doenças crônicas ou ciclos de vida, como estabelecido desde o início do trabalho. Com estes critérios e um melhor conhecimento por parte de toda a Equipe com relação ao “Acolhimento Ideal”, temos conseguido melhorar gradativamente nosso número de atendimentos e de novos registros, sem maiores problemas. Temos conseguido obter boa aceitação por parte dos usuários, e continuamos a busca constante por melhorias de maneira geral.

 

Referências

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria-Executiva. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. HumanizaSUS: política nacional de humanização: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004. 51p. (Série B. Textos Básicos de Saúde).

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. 56p. (Cadernos de Atenção Básica; n. 28, V. 1).

 

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