13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: TRABALHO DA EQUIPE PARA GARANTIR BOM ACOLHIMENTO NAS DEMANDAS ESPONTÂNEAS E PROGRAMADAS.

 

ESPECIALIZANDO: OSCAR MACÍAS GUTIÉRREZ

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

 

Durante a organização dos primeiros centros de saúde do Brasil, por volta da década de 80, foi influenciada nos EEUU seguindo o modelo de assistência clínica e vigilância em saúde. Os centros de saúdes seriam responsáveis pelo caráter de ações preventivas, não para o exercício da clínica. O PSF, criado em 1994 foi fortemente influenciado e embasado por essa ideia de vigilância em saúde, pela intervenção territorial e abordagem familiar que perdura até hoje. (Tesser, Neto Campos. 2010).

A saúde da família é atendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em UBS. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais frequentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. (Brasil. 2013).

No processo de qualificação do modelo de assistência, o acolhimento tem se configurado como uma das principais diretrizes operacionais para materializar os princípios do SUS, particularmente os da integralidade da atenção à saúde, universalização do acesso e equidade. É importante ressaltar que a proposta do acolhimento está articulada com outras propostas de mudança no processo de trabalho e gestão dos serviços de saúde, visando à humanização desses serviços. Da mesma forma, é preciso compreender que o sentido e a prática do acolhimento são abrangentes e perpassam os mais variados campos e processos de produção de saúde que implicam, ainda, a produção de subjetividades (BRASIL, 2013).

Para garantir o acolhimento de todas as pessoas que comparecem a unidade básica de saúde, é preciso conhecer os fundamentos ou princípios do acolhimento. Do mesmo jeito é preciso saber quais são as três funções principais do acolhimento que garanta o fluxo e contra fluxo das pessoas, vai a resolver um número importante de problemas da população, responsabilizando a todo o pessoal que trabalha nas unidades de saúdes.

É importante para todos os funcionários da saúde conhecer o que é demanda espontânea, e o que é demanda programada:

 Espontânea: chama-se de demanda espontânea aquele que comparece a unidade de saúde inesperadamente, seja para problemas agudos ou por motivos que o próprio paciente julgue como necessidade de saúde. E ela deve ser acolhida na atenção básica por que o usuário apresenta queixas que devem ser acolhidas e problematizadas junto ao paciente. Desse jeito a equipe de saúde vai absorver em grande parte os problemas de todos os pacientes adoecidos que chegam a unidade básica de saúde.  Aumenta o vínculo da relação médico-paciente e permite a reorganização da equipe na hora de implementar novas estratégias para melhor atendimento e elevar a qualidade dos serviços (BRASIL, 2010).

Demanda programada: Foi implantado como o intuito de reorganizar o acesso ao SUS e dar direcionamento as demandas da população adstrita, além de ter como seus eixos a promoção de saúde e prevenção de agravos. Por isso as agendas dos profissionais são organizadas de forma programadas com períodos específicos para procedimentos e atividades (VELLOSO, 2012). 

As demandas programadas e continuas ajuda realizar um melhor acompanhamento de todos os pacientes com doenças crônicas, nos permite a invenção de novas condutas terapêuticas e estratégias de trabalho, do mesmo jeito uma programação de consultas mais certinha, assim avaliamos a todos os pacientes da área de saúde até 4 vezes ao ano. Para Friederich e Pierantone (2006), a demanda programada aquela que é agendada previamente, ou seja, toda demanda gerada de ação prévia a consulta, sendo um importante instrumento de ação quando se trata de um serviço que compões a rede de APS.

Para nós como equipe de saúde é um reto todos os dias melhorar e elevar o nível dos serviços que nós brindamos a população, é por isso que nossas reuniões de cada quinze dias vão dirigidas a resolver o maior número dos problemas da área de saúde.

A equipe de saúde 005 está localizada em Boquim, um município com mais de 47.000 pessoas, localizado no nordeste do estado de Sergipe. Nossa equipe forma parte dos quatros equipe que trabalham na clínica Dr. Gilberto de Carvalho Filho, e o território abrange área urbana e a maior extensão área rural.  Conta com um total de 3381 pessoas, distribuída em 676 famílias.

A organização das demandas, tanto programadas quanto espontâneas tem sido um desafio constante para profissionais e gestores no município, pois objetiva-se um acolhimento humanizado que responda à necessidade dos usuários e que garanta acesso qualificado a uma população.

É por isso que foi preciso uma análise do comportamento das demandas em nossa equipe, avaliando indicadores desfavoráveis para nossa área de saúde, em que a população é a mais prejudicada, partindo de um ótimo acolhimento pelo pessoal que participa nesta função tão importante, possibilitando que os pacientes sejam escutados e orientados corretamente para seu atendimento oportuno. 

De acordo com a reunião entre os membros da equipe, verificamos que o acolhimento para as demandas espontâneas e programadas tinham muitas imprecisões que pouco a pouco foram mudando para o bem dos pacientes. Antes ficavam muitas pessoas sem poder serem atendidas, uma vez que todas as fichas de marcação eram distribuídas. Existia um baixo percentual do total de consultas feitas pelo médico da área de saúde e a enfermagem. O fluxo de pessoas que assistia à unidade de pronto atendimento era grande e muitas sem chegar a receber atenção medica, além do pouco controle dos pacientes adoecidos com doenças crônicas.

A equipe se traçou como objetivo o aperfeiçoamento próprio para implantar o acolhimento. Nossa estratégia foi direcionada implementar um número de atividades, que possibilitarão que um maior número de pessoas tenha acesso aos serviços oferecidos pela equipe no SUS. Nesse sentido, foi traçada uma estratégia de intervenção para mudar essa realidade.

 

Estratégia de intervenção:

Estratégia para alcançar os objetivos.

Atividades a serem desenvolvidas.

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades.

Resultados esperados.

Responsáveis.

Prazo.

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados.

Cronograma de atividades da equipe no mês.

Negociar com o gerente da clínica agenda para a marcação e agendamento das consultas.

Agenda de consulta. Caneta. Recurso humano. Fichas para a marcação das consultas.

Alcançar maior organização no agendamento dos pacientes e acolhimento.

Gerente da UBS. Médico. Enfermagem. Funcionário da recepção.

Maio/28

Agenda das consultas.

Garantir o funcionário responsável para agendamento das consultas.

Negociar com o gerente da clínica o pessoal responsabilizado pela tarefa, e que seja fixo.

Recurso humano.

Que acha uma melhor informação aos pacientes sobre todas atividades desenvolvidas pela ESF.

Gerente da UBS. Enfermeira da ESF. Médico.

Maio/25

Presença do funcionário na recepção como responsável das marcações das consultas

Estabelecer o número de atendimento da ESF nas oitos horas de trabalho.

Reunião com a equipe toda.

Cronograma de atividades. Agenda de consultas. Folhas, canetas.

Aumento do número das demandas espontâneas e atendimento continuo.

ESF.

Maio/22

Agenda das consultas de acordo com os parâmetros previamente estabelecidos

Cumprimento das 8 horas de trabalho

Reunião com a equipe toda. Controle sobre pessoal da ESF.

Recurso Humano. Ponto de assinatura.

Maior qualidade para o acolhimento.

Recepcionista, AE, ACS, Médico da área e enfermagem.

Maio/28

Pasta do ponto de assinatura.

Realização da triagem como parte do acolhimento.

Negociar com gerente uma sala para desenvolver a atividade.

Recurso humano, aparelho para medir a pressão, balança, fita.

Identificar os pacientes com alteração da pressão e estabelecer prioridade no atendimento.

Recepcionista, AE. Médico. Enfermagem.

Maio/28

Mapa e ficha de atendimento individual. Prontuários.

 

Uma vez aplicada a estratégia de intervenção, começou a se observar mudanças positivas no acolhimento das demandas espontâneas e de atendimento contínuo, aumento do total das consultas por dia e assim o percentual, tendo uma média de entre 22 e 25 pessoas atendidas ao dia, que antes só eram entre 12 e 17 pacientes.  Temos uma recepcionista fixa que está bem capacitada, com uma grande sensibilidade, e existe uma boa comunicação entre a equipe de saúde além de ter conhecimento sobre o cronograma de consultas.

Nossa intervenção permitiu também que as consultas começassem às 8h, já que a triagem está sendo realizada cedo, permitindo dar prioridades aos pacientes que apresentem valores de tensão arterial elevadas ou que estejam em condições de urgência para atendimento no instante. Também foi articulado o protocolo de prioridade aos idosos. O percentual de pacientes encaminhados para UPA diminuiu, alcançando maior controle das doenças não transmissíveis nos pacientes. Ficou estabelecido um cronograma para as consultas de atendimento contínuo de todos eles para o ano.

Em coordenação com o gerente da clínica, publicamos o cronograma de atividade da equipe para todo o mês, facilitando e permitindo que a população conheça mais sobre nossa proposta de trabalho em função deles.  Aumentamos o número das consultas agendadas, que nos possibilitou aumentar os acompanhamentos na ABS pela equipe de saúde, (15 pacientes pela manhã com 3 vagas para urgências, e 7 pacientes pela tarde com 2 vagas para urgências). 

Toda essa reorganização da equipe deu cobertura a trabalhar mais em conjunto com o NASF-AB, Obstetra e Cirurgião que fazem consultas na UBS, porquanto permite ter uma melhor avaliação, critério e conduta a seguir dos pacientes atendidos por eles. Também possibilitou a confecção de um novo modelo de (RCOP) que abarca tudo o que precisamos saber dos pacientes. 

É um fato que, apesar de todas as mudanças feitas pela equipe para proporcionar um bom acolhimento às demandas espontâneas e de atendimento contínuos, ainda falta muito para que nosso objetivo seja cumprido ao 100 %, sendo necessário continuar trabalhando com persistência e dedicação como uma prioridade da equipe.

Todo trabalho está marcado por dificuldades e o nosso não está isento delas. As identificadas por a equipe na discussão das demandas estão: falta de apoio por parte dos gestores, escassos recursos materiais para trabalhar, inexistência de uma análise objeto cada mês por parte da gestão, do comportamento das consultas na UBS e das equipes de saúde para conhecer as fortalezas e debilidades, além da demora na tomada de decisões importantes para desenvolvimento de atividades.

            Tem-se como perspectivas dessa intervenção mudar atitudes burocráticas que possam entorpecer o fluxo dos pacientes na hora do acolhimento para as demandas espontâneas e contínua; identificar e avaliar todos os meses nossas debilidades para definir estratégias que nos permitam melhorar o sistema de atendimento da equipe; discutir com os gestores as propostas de trabalhos feitas pela equipe para aperfeiçoamento do acolhimento a demandas espontâneas e contínuas; trocar o modelo de RCOP existente por um mais atualizado e completo e  que a população receba melhor orientação na hora de agendar uma consulta, ou sem precisarem ser atendidos na hora.  Também está dentro dessa perspectiva que a opinião dos pacientes seja satisfatória e se sintam felizes pelo tratamento recebido.

 

Refrências

 

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização. Acolhimento nas práticas de produção de saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2013. 44 p. (Série B. Textos Básicos de Saúde).

 

FARIA R. C.; CAMPOS EMMS. Demanda Espontânea na Estratégia de Saúde da Família: uma análise dos fatores que a influenciam e os desafios na reorientação do modelo assistencial do SUS. Rev APS. 2012 abr/jun; v.15, n.2, p.148-157.

 

KELL, Maria do Carmo Gomes; SHIMIZU, Helena Eri. Existe trabalho em equipe no Programa Saúde da Família?. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro,  v. 15, supl. 1, p. 1533-1541,  June  2010 .

 

VELLOSO, Valéria Barros. Organização de demanda espontânea e programada e acolhimento na Estratégia de Saúde da Família: um relato de experiência. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Medicina. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva Conselheiro Lafaiete, 2012. 32f. Monografia (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família).

 

TESSER, Charles Dalcanale; POLI NETO, Paulo; CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Acolhimento e (des)medicalização social: um desafio para as equipes de saúde da família. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro ,  v. 15, supl. 3, p. 3615-3624,  Nov.  2010.

 

 

LISTA DE SIGLAS:

 

– ABS: Atenção Básica de Saúde.

– AE: Assistente de Enfermagem.

– ESF: Equipe de Saúde da Família.

– EE.UU: Estados Unidos.

– RCOP: Registro Clinico Orientado por Problemas.

– NASF: Núcleo de Apoio à Saúde da Família.

– UBS: Unidade Básica de Saúde.

–  UPA: Unidade de Pronto Atendimento.

– ACS: Agente Comunitária de Saúde.

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