RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: O ACOLHIMENTO NORTEANDO AS PRÁTICAS DA EQUIPE EM CARIRA (SE).
ESPECIALIZANDO: NADIESKA CELESTE TRILLO GONZÁLEZ
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
A Unidade Básica de Saúde Bonfim pertence ao município Carira, no Estado de Sergipe, localizado no nordeste do Brasil. Esta atende 1456 habitantes, que apesar de que não ter uma população muito grande é um área bem extensa. A equipe do Bonfim é composta por um médico, um enfermeiro, um técnico de enfermagem e Cinco Agentes Comunitários de Saúde. A equipe está dividida por cinco microáreas.
Existem várias definições de acolhimento, tanto nos dicionários quanto em setores como a saúde. A existência de várias definições revela os múltiplos sentidos e significados atribuídos a esse termo, de maneira legítima, como pretensões de verdade.
O acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de formas variadas (“há acolhimentos e acolhimentos”). Em outras palavras, ele não é, a priori, algo bom ou ruim, mas sim uma prática constitutiva das relações de cuidado. Sendo assim, em vez (ou além) de perguntar se, em determinado serviço, há ou não acolhimento, talvez seja mais apropriado analisar como ele se dá. O acolhimento se revela menos no discurso sobre ele do que nas práticas concretas (BRASIL, 2012).
É importante que a demanda apresentada pelo usuário seja acolhida, escutada, problematizada, reconhecida como legítima. Às vezes, há coincidência da demanda e do olhar técnico-profissional. No entanto, quando isso não acontece, é necessário um esforço de diálogo e compreensão, sem o qual são produzidos ruídos que se materializam, por exemplo, em queixas, reclamações, retornos repetidos, busca por outros serviços (BRASIL, 2013).
Não devemos esquecer, também, que mesmo os usuários que são acompanhados regularmente pelas ações programáticas podem apresentar exacerbações em seu quadro clínico e demandar atenção em momentos que não o de acompanhamento agendado. Dá-se o nome de demanda espontânea, aquele paciente que comparece a UBS inesperadamente seja por motivos que o próprio paciente julgue como necessidade de saúde, e ela devem ser acolhidas na atenção básica, que pode ser capaz de absorver e ser resolutiva em grande parte dos problemas de saúde através da criação e fortalecimento de vínculos. Cria-se, então, oportunidade para invenção de novas estratégias de cuidado e de organização dos serviços.
Por sua vez, a demanda programada é aquela que é agendada previamente, ou seja, toda demanda gerada de ação previa à consulta, sendo um importante instrumento de ação quando se trata de um serviço que compõem as redes de atenção primaria a saúde pautada em ações preventivas.
Para realização da microintervenção, o primeiro passo foi reunir a equipe de saúde, que já possuia uma estratégia de acolhimento implantada.. Nossa unidade oferta consultas de puericultura, atenção pré-natal, atenção a hipertensos e diabéticos, saúde de idosos, saúde mental e realização de visitas domiciliares, que são agendadas (marcadas) pelos agentes comunitários de saúde.
O primeiro contato do usuário é na recepção, para serem direcionados ao atendimento, evitando esperas desnecessárias. Também temos a classificação de risco, feita pelo enfermeiro, para organizar o acesso do usuário. Isso acontece quando as consultas são programadas.
Quando se trata de demanda espontânea, o fluxograma também inicia-se pela recepção, escuta qualificada pelo enfermeiro, classificação de risco e consulta com o médico, que avaliará se o problema pode ser resolvido na UBS, ou precisa de encaminhamento para o hospital, nos casos de agudização. Para ampliar o conhecimento sobre as principais necessidades da população realizamos visitas domiciliares e reuniões com os usuários. Assim, temos tido resultados satisfatórios com essa forma de acolhimento. Identificam-se na nossa equipe a sensibilidade, o compromisso, a responsabilidade e o reconhecimento da importância do acolhimento no atendimento integral e resolutivo aos usuários na UBS.
Como dificuldades do acolhimento, posso dizer que na minha área apesar de não ter uma população muito grande, é um área bem extensa ou seja que atende 5 (cinco) micro áreas onde só duas de elas contam com um posto de saúde completamente estruturado e as outras 3 (três) o atendimento é feito em escolas e isso dificulta um pouco mais ou acolhimento, já que não tem uma sala de acolhimento, os usuários conhecem pouco ou nada do tema, ademais do extensos períodos de tempo entre o agendamento e a realização do atendimento.
Como potencialidades do acolhimento posso disser que em nossa equipe trabalhamos para melhorar o acolhimento a pesar das poucas condições, fazemos reuniões mensais, buscamos estratégias para melhorar, trabalhamos em equipe coisa que é muito importante se queremos melhorar nosso trabalho, os agentes comunitários de saúde são bem acolhidos por a comunidade, fazemos visitas domiciliares, pesquisamos e avaliamos os riscos presentes em nossa comunidade, fazemos palestras em dependência do problema de saúde presente em nossa comunidade e com o objetivo de educar nossa população em quanto a acolhimento.
A medida que trabalhamos, pode surgir alguma eventualidade, que podemos aprender com ela e nos aperfeiçoar para trazer melhorias ao acolhimento da população. A organização a partir do acolhimento dos usuários exige que a equipe reflita sobre o conjunto de ofertas que ela tem apresentado para lidar com as necessidades de saúde da população, pois são todas as ofertas que devem estar à disposição para serem agenciadas, quando necessário, na realização da escuta qualificada da demanda.
É importante, por exemplo, que as equipes discutam e definam (mesmo que provisoriamente) o modo como os diferentes profissionais participarão do acolhimento: Quem vai receber o usuário que chega; como avaliar o risco e a vulnerabilidade desse usuário; o que fazer de imediato; quando encaminhar/agendar uma consulta médica; como organizar a agenda dos profissionais; que outras ofertas de cuidado (além da consulta) podem ser necessárias etc. Como se pode ver, é fundamental ampliar a capacidade clínica da equipe de saúde, para escutar de forma ampliada, reconhecer riscos e vulnerabilidades e realizar/acionar intervenções.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Acolhimento à demanda espontânea. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. (Cadernos de Atenção Básica; n. 28, v.1).
BRASIL. Ministério da Saúde. Acolhimento à demanda espontânea: queixas mais comuns na atenção básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n. 28, v.2).
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