13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

CAPÍTULO II: O DESAFIO NA IMPLEMENTAÇÃO DE UM
MELHOR ACOLHIMENTO À POPULAÇÃO DA EQUIPE 30 –
USF POTENGI. NATAL-RN.
ESPECIALIZANDO: Mayra Matias Da Costa
ORIENTADOR: Maria Betânia Morais De Paiva
COLABORADORES: Ângela do Amaral (ACS); Edna Trappel (ACS); Ezilda
Medeiros (Odontóloga); Marcia Pinheiro (Enfermeira).

O acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de formas variadas (Brasil, 2011).
Ao iniciar meus atendimentos na Equipe 30 da Unidade de Saúde da Família (USF) Potengi em janeiro de 2018, a equipe completa já estava instalada na localidade há 16 anos e com um modus operandi bem estabelecido e acatado pela comunidade. As consultas eram agendadas em dia único, somente nas sextas-feiras pela manhã, gerando filas que eram iniciadas na madrugada, desobedecendo ao princípio da universalidade, não promovendo um acolhimento humano à população, além de dificultar o acesso e inclusão dos pacientes.

Na tentativa de mudança do processo de trabalho da equipe na perspectiva de melhorar o acesso aos usuários, houve inicialmente certa resistência por parte da direção da unidade, que insiste em manter o antigo modelo de agendamento prévio em um único dia da semana, adotando uma postura inflexível diante da possibilidade de transformação da realidade, chegando-se a escutar na “rádio corredor” que o trabalho na Unidade Básica de Saúde (UBS) “é assim e não tem como mudar”.
Contextualizando o cenário de trabalho, a minha área de atuação está localizada em uma UBS composta quatro (4) equipes de Saúde da Família (ESF) situadas em um espaço físico precário, pequeno e que acaba por dificultar um bom acolhimento à população. Além disso, estamos em processo de transição aguardando a implementação do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), conhecido como prontuário eletrônico do Sistema Único de Saúde (SUS) que além de digitalizar as informações do paciente, irá facilitar a transmissão dos dados para o governo federal. No entanto, esse processo de transição tem dificultado o acesso a agendas e prontuários de usuários que ainda não foram informatizados.

Em reunião de equipe, conseguimos elaborar algumas estratégias na tentativa de melhorar a forma de acolhimento, solicitando para isso, a contribuição e engajamento dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) como elo entre equipe e comunidade com o intuito de esclarecer as dúvidas mais recorrentes da população adscrita. Nessa direção, destaca-se a necessidade do conhecimento atualizado sobre o funcionamento da unidade no tocante às ofertas disponibilizadas no serviço, principalmente, relacionadas à escala da sala de vacinas, sala de curativos, escala de atendimento da enfermeira, da odontóloga e da médica. Outro direcionamento fruto da discussão coletiva, foi a
constatação da necessidade de se ofertar um atendimento inicial realizada pela enfermeira, triando a prioridade dos atendimentos que realmente seriam ofertados pelo serviço médico naquele momento, levando em conta a necessidade e o grau de sofrimento apresentados .
Na implantação da nova forma de acesso, coube aos ACS o papel de orientarem aos usuários por ocasião das visitas domiciliares que os pacientes poderiam ir qualquer dia na unidade para agendamento de consultas e não apenas nas sextas-feiras. A ideia foi bem acolhida por todos, não havendo resistência por parte da equipe e, muito menos, por parte da população em relação à mudança instituída na rotina da unidade de saúde, já que todos achavam absurdo o paciente ter um único dia para agendamentos de consultas, causando filas durante a madrugada, em uma região precária e violenta, submetendo- os a riscos desnecessários.

Percebemos maior satisfação tanto dos usuários, quanto da equipe, que vem trabalhando em maior consonância, mais unida e tendo como devolutiva um atendimento mais assertivo quanto às prioridades dos usuários. Ainda estamos enfrentando certa dificuldade na adesão das técnicas de enfermagem, já que estão há mais de 15 anos trabalhando de acordo com a escala da unidade e não da equipe de saúde.
A equipe agora tem como meta tentar melhorar o agendamento de exames, já que os laboratoriais são agendados somente em um dia na semana, por ordem de chegada, e somente são liberados 30 por semana para as quatro (04) equipes, gerando filas imensas e que se iniciam na madrugada e com os mesmos riscos já apresentados.
Além disso, estamos planejando em tempo oportuno a inclusão da médica na escuta qualificada, ao menos um turno da semana em função da alta demanda por consultas até que, gradativamente, nossa equipe consiga implementar o Acesso Avançado da população, o qual permite atendimentos em dias específicos para demanda espontânea, e mantém demais dias para seguimento de rotina e promoção à saúde, absorvendo a parcela da população que não se adequa ao atendimento programado e reduzindo atendimentos desnecessários em UPAs e também reduzindo o número de internações. (Alves, 2017).

 

Referências:

1) ACOLHIMENTO À DEMANDA ESPONTÂNEA, Série A. Normas e Manuais
Técnicos. Cadernos de Atenção Básica, n. 28, Volume I. Brasília – DF
2011.
2) ALVES, B. IMPLEMENTAÇÃO DO ACESSO AVANÇADO NA UNIDADE DE
ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA VI – MORUMBI, JARDINÓPOLIS-
SP.Unifesp – UNA-SUS, 2017.

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