TÍTULO : ACOLHIMENTO E ACESSO AVANÇADO NA UBS NUBIA BEZERRA DE PARAZINHO/RN
ESPECIALIZANDO: ILIANA PUENTES BARROSO
ORIENTADOR: MARIA BETÂNIA MORAIS DE PAIVA
COLABORADORES: ENFERMEIRA ELIZANGELA ALVES PEREIRA
Esta experiência tem como objetivo relatar como foi o processo de conhecimento e implementação do acesso avançado na Unidade Básica de Saúde (UBS). Para isso foi necessário colocar o assunto como pauta na reunião mensal, pois não foi possível separar um expediente do cronograma só para esse tópico pela demanda diária de pacientes. Pela falta de conhecimento dos membros da equipe sobre o termo acesso avançado, foi necessário procurar uma definição clara sobre o assunto.
De acordo com a literatura o, Acesso Avançado (AA) é um sistema moderno de agendamento médico que consiste em agendar as pessoas para serem atendidas pelo médico no mesmo dia ou em até 48 horas após o contato do usuário com o serviço de saúde. Diversos Sistemas Nacionais de Saúde no mundo, tais como Canadá e Inglaterra, por exemplo, implementaram o acesso avançado na Atenção Primaria à Saúde (APS) com o objetivo de melhorar o acesso das pessoas aos cuidados em saúde. O Acesso Avançado tem como objetivos diminuir o tempo de espera por uma consulta médica, diminuir o número de faltas às consultas médicas e aumentar o número de atendimentos médicos da população. Equipes de Saúde da Família, estratégia preconizada pelo Ministério da Saúde como formas de orientação da Atenção Primária no Brasil têm utilizado esse novo sistema com tais objetivos. (VIDAL, 2013)
Após a apresentação da definição do AA, os membros da equipe ficaram encantados com a possibilidade de se colocar em prática esse modelo no nosso dia a dia. Para iniciar a discussão, foi necessário estudar o perfil da demanda espontânea e programada da área de abrangência, pois ao se trabalhar em uma área rural onde a assistência médica ocorre basicamente na UBS, muitas vezes, há uma grande sobrecarga em função da demanda por serviços de saúde, fato que compromete o cronograma de atividades, especialmente com relação aos atendimentos médicos. A programação da equipe é projetada para fornecer cuidados para 100% da população adscrita e sempre está aberta a mudanças, mas ainda temos grandes dificuldades visto que o índice de demanda espontânea diária ultrapassa de longe às demandas programadas, muitas vezes sem uma real necessidade de atendimento no momento.
Nessa direção, foi colocado em discussão a necessidade do aperfeiçoamento da equipe para implementar o acolhimento, pois trata-se de uma estratégia importante para o bom funcionamento do acesso avançado. Foi consensual entre os profissionais presentes a falta de preparação do pessoal atualmente responsável pela escuta, no caso, a recepcionista e a técnica enfermagem. Para iniciar o longo processo de capacitação, começamos analisando o cronograma (foto 2).
Foto2. Cronograma mês 5/2018

Após a análise do cronograma todos concordaram mais uma vez, que nossa maior fragilidade está no acolhimento, no momento da chegada do paciente que não tem nenhum consulta marcada para esse dia e quer ou precisa de assistência médica ou outro serviço qualquer. Diante dessa constatação, emergiram alguns questionamentos, a saber: Qual paciente precisa de consulta em tempo hábil? Qual paciente pode ser agendado para o segundo expediente do dia? Qual paciente pode esperar para ser agendado até 48 horas depois, sem ser prejudicado o estado de saúde dele?
As respostas às perguntas acima descritas tiveram como objetivo melhorar o fluxo de demandas, proporcionar um melhor serviço à comunidade e, também, evitar a sobrecarga de trabalho. Além disso, foi pactuado com a equipe a continuidade dos treinamentos sistemáticos sobre colhimento, conforme as estratégias elaboradas na matriz de intervenção
Durante a discussão coletiva observamos resistências e algumas críticas emitidas pela recepcionista e pela técnica de enfermagem. Alguns agentes de saúde expressaram que essa nova forma de organização do processo de trabalho da equipe poderia ocasionar algumas reclamações por parte de usuários, mas também, elogios de outros, durante o início da implementação de acesso avançado na nossa UBS, fato plenamente aceitável em todo processo de mudança.
Finalmente, todos concordam que uma vez adaptados ao sistema, vamos ter melhores resultados e vamos conseguir trabalhar mais com a promoção da saúde e prevenção dos agravos, que é o nosso principal objetivo na atenção primária e está sendo inviabilizado em virtude da sobrecarga cotidiana.
REFERÊNCIAS
1- VIDAL, T. B. O acesso avançado e sua relação com o número de atendimentos
médicos em atenção primária à saúde. 2013.86f. Dissertação (Programa de
Pós- Graduação em Epidemiologia)- Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Faculdade de Medicina. Disponível em: http://hdl.handle.net/10183/87111.
Acesso em: 29 de maio 2018.
Ponto(s)