12 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

    

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

TÍTULO: AÇÕES DE SAÚDE DESENVOLVIDAS NA UBS MAE ALMERINDA PARA DIMINUIR A INCIDÊNCIA DE HTA NA POPULAÇÃO.

 

ESPECIALIZANDO: SUSLEY TRIGUERO OSORIO

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

COLABORADORES: MARILIA MARIA SANTOS.

 

     A HAS é uma condição clínica multifatorial caracterizada por níveis pressóricos elevados e sustentados (>140/90mmhg). Associa-se frequentemente, as alterações funcionais e / ou estruturais dos órgãos–alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e as alterações metabólicas, com aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais. A HAS é um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Sus prevalência no Brasil varia entre 22% e 44% para adultos, chegando a mais de 50% para indivíduos com 60 a 69 anos e 75 % em indivíduos com mais de 70 anos (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA, 2010).

    No Brasil os desafios do controle e prevenção da HAS e suas complicações são das equipes da Atenção Básica. As equipes têm que ser multiprofissionais e seu processo de trabalho tem que incluir o vínculo com a comunidade, sempre analisando a diversidade racial, cultural, religiosa, e os fatores sociais, envolvidos (BRASIL, 2014). O profissional da Atenção Básica tem importância primordial nas estratégias de prevenção, diagnóstico, monitorização e controle da HAS, devem ter sempre em foco o princípio fundamental da prática centrada na pessoa, por esse motivo a micro intervenção foi feita na UBS Mãe Maria de Almerinda, município Indiaroba, Estado de Sergipe, onde eu trabalho desde julho de 2017 quando comecei no Programa Mais Médicos no Brasil.

   A micro intervenção teve como objetivo diminuir a alta incidência de HAS na população da área de saúde (200 pacientes hipertensos para um 7,5%), diminuir o número de complicações cardiovasculares e aumentar a percepção do risco e os conhecimentos da população sobre esta doença. Para realizar a avaliação deste problema de saúde foi realizada uma reunião com a equipe de saúde (enfermeira, técnica de enfermagem, Agentes Comunitários de Saúde e médica) identificando-se como causas fundamentais da prevalência elevada desta doença a pouca adesão ao tratamento, estilos de vida não saudáveis, falta de acompanhamento médico pela equipe de saúde e pouco conhecimento da doença pela população. Como parte da micro intervenção foram realizadas diferentes ações de saúde como palestras e dinâmicas de grupo tanto na UBS como na comunidade explicando o que é HAS, causas principais, sinais e sintomas , complicações mais frequentes , importância do tratamento médico e de estilos de vida saudáveis, com a participação ativa da população e da equipe de saúde , mostrando-se a técnica correta de tomar pressão arterial e foram fornecidas informações sobre alimentação saudável e pratica de exercícios físicos.

     Como parte da metodologia usada foi feita a auto avaliação de acordo com o Instrumento AMAQ (BRASIL, 2017), identificando a HAS como principal problema de saúde com uma pontuação de 5, por esse motivo nós fizemos uma matriz de intervenção como eu mostro a seguir:

 

Quadro 1: Matriz de Intervenção. Subdimensao: Atenção Integral a Saúde, 2018.

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

Descrição do padrão: 4.29 Organização da Equipe de Atenção Básica da atenção a pessoas com Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus e obesidade com base na estratificação de risco.

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Alta incidência de HAS na população.

Objetivo/meta: Diminuir a incidência de HAS na população, aumentar a percepção do risco, diminuir o número de complicações cardiovasculares e aumentar o nível de conhecimento da população sobre esta doença.

Estratégias para alcançar os objetivos /metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

  Organizar o plano de trabalho mensal para aumentar o número de atendimentos desse grupo de risco, planificar ações de saúde como palestras na comunidade e na UBS para aumentar o nível de conhecimento da população, atualizar mensalmente a base de dados da UBS para conhecer o comportamento do indicador e aumentar a disponibilidade da medicação anti-hipertensiva no município para evitar complicações e aumento da morbilidade.

1.Discussão na reunião de avaliação mensal a quantidade de pacientes hipertensos nas micro áreas de cada agente de saúde e cadastro.

2.. Realizar cadastro de pacientes em uso de medicação anti-hipertensiva.

3.Realizar atividades de promoção de saúde na comunidade cada mês.

4.Aumentar a preparação dos agentes comunitários de saúde sobre esta doença para melhorar o trabalho na comunidade.

1.Recursos Humanos (equipe de saúde, pacientes, etc.)

2.Material audiovisual, cadeiras, mesas, material de oficina, prontuários

1.Diminuir a incidência de HAS.

2.Diminuir as complicações cardiovasculares derivadas da HAS.

3.Aumentar o nível de conhecimentos da população sobre esta doença.

4.Aumentar a percepção do risco sobre HAS.

Equipe de Atenção Básica.

6 meses.

Avaliar o cálculo do risco cardiovascular, avaliar frequência de consultas nos prontuários, avaliação antropométrica, avaliar adesão ao tratamento médico.

Fonte: AMAQ, 2017.

Como parte do micro intervenção, foi elaborado um instrumento de avaliação e monitoramento mensal, conforme mostrado no quadro 2, para acompanhar o problema selecionado.

Quadro 2: Instrumento de Avaliação/Monitoramento da HAS, 2018.

NOME

IDADE

MICRO ÁREA

USO DE MEDICAÇÃO ANTI-HIPERTENSIVA

PRESENÇA DE COMPLICAÇÕES.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Elaboração própria, 2018.

Com a realização do micro intervenção aumentou o nível de conhecimento da doença na comunidade, aumentou a percepção de risco, mostrou a importância do cumprimento do tratamento médico e levar estilos de vida saudáveis como evitar hábitos tóxicos e pratica de exercícios físicos. Para a equipe aumentou a preparação das Agentes comunitários de Saúde para melhorar a educação da população sobre esta doença, deu dicas para aumentar a qualidade no atendimento médico e melhorar a planificação do plano de trabalho. Além dos resultados obtidos ainda a prevalência de HAS é muito alta na comunidade, é preciso continuar aumentando a preparação do pessoal da saúde, sobre todo das Agentes Comunitários de Saúde, aumentar a disponibilidade de medicação anti-hipertensiva nas UBS e aumentar a acessibilidade da população aos laboratórios clínicos para realização de exames importantes no acompanhamento médico.

Referências

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Auto avaliação para melhoria do acesso e da qualidade da atenção básica: AMAQ [recurso eletrônico]/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 164p.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: hipertensão arterial sistêmica/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 128 p. (Cadernos de Atenção Básica, n. 37).

 

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA/SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO/SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão. Arq. Bras Cardiol 2010; 95(1 supl.1):1-51.

 

UBS MÃE MARIA DE ALMERINDA. Base de dados. Abril 2018.

 

 

 

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