Para a identificação dessas fragilidades convocou-se uma reunião, com todos os membros da Estratégia de Saúde da Família (ESF) Traíras, município de Macaíba/Rn, com o objetivo de realizar uma autoavaliação crítica e reflexiva de todo o processo de trabalho da equipe. Para isso, utilizou-se como instrumento o manual de Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade de Atenção Básica (AMAQ). Na reunião pode-se discutir acerca das dimensões e subdimensões do AMAQ, produzindo uma escala avaliativa onde os pontos mais frágeis, com pontuação igual ou inferior a 5, seriam analisados criteriosamente.
Na análise da realidade em nossa comunidade e área de abrangência pode-se perceber uma demanda de pacientes com descontinuidade da linha de cuidado referente ao sobrepeso e obesidade. Sendo esse tema escolhido para a construção de nossa matriz de intervenção. “A obesidade apresenta etiologia multifatorial destacando-se como fatores de risco passíveis de modificação a alimentação não saudável e a inatividade física. No tocante à alimentação, modificações importantes têm sido observadas na dieta dos brasileiros nos últimos anos, com destaque para o aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados e redução daqueles minimamente processados como frutas, verduras e legumes” (CESAR, 2012, p.452.).
Pode-se perceber também que muitos desses usuários se perdem na rede, uma vez que a grande maioria destes apenas realizavam exames complementares e tentavam realizar “dietas” as quais não conseguiam cumprir e não retornavam às consultas. No entanto, não basta apenas encaminhar para a nutricionista do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF), ou ainda tentar convencê-los a mudar os hábitos, é necessário reestabelecer metas e elaborar planos de cuidados direcionados a cada paciente.
Buscando alcançar essa meta, foi formado um grupo – com pacientes que se enquadram em tais características – e o inserimos em um programa já existente no nosso município, “Macaíba na Medida”, que conta com a atuação frequente da nutricionista, psicóloga e educador físico do NASF. Esse grupo tem objetivo de realizar uma mudança de hábitos de vida desses pacientes e será acompanhado a cada mês em reuniões pré-determinadas para abordagem de temas relacionados a alimentação saudável, hábito da prática de exercício físico e acompanhamento médico e de enfermagem e dos demais profissionais que irão compor o projeto.
O grupo é composto por homens e mulheres entre 20-45 anos , valendo destacar a participação de um dos ACS e da enfermeira, onde todos relatam a prática incorreta da alimentação e da inatividade física. Na primeira reunião realizou-se a coleta de dados básicos sobre as pacientes como:
Realizou-se também uma demonstração aos pacientes junto aos profissionais do NASF com atividades educativas realizadas pelos mesmos.
Vale ressaltar que infelizmente uma das grandes fragilidades para realizar a intervenção é o mau costume dos próprios pacientes desacreditarem nos grupos realizados e acharem que apenas consultas individualizadas com os profissionais resolvem todos os problemas. Entretanto, no primeiro contato, mesmo que com pouca adesão no inicio espera-se que a motivação para realizar a MEV seja passada para os outros pacientes e que os mesmo possam se motivar a participarem do grupo. Espera-se ainda um aumento do numero de pacientes que queiram iniciar uma vida mais saudável e dar continuidade a essa linha de cuidado. Entretanto a empolgação dos que estão presentes no grupo é uma das grande potencialidades que os motiva de forma progressiva para um bom resultado.
Traça-se assim metas e planos em conjunto para efetivar a intervenção (tabela 1 e 2), sendo elas:
A estratégia adotada por nós é a recomendada pelo Ministério da Saúde (MS) que, de uma forma generalizada, se propõe a diminuir riscos e prejuízos de ordem biológica e psicossociais quando associados a comportamentos e práticas indevida que causam de risco à saúde, sem exigir a eliminação de tal comportamento para que a oferta de cuidado aconteça. O objetivo principal é respeitar as escolhas e formas em que os pacientes se comportam, por exemplo: propor para pacientes que compõem o Hiperdia (Hipertensos e Diabéticos) forma novas de ingestão de açúcar e sal, ou a introdução de novos hábitos de vida no dia a dia do paciente que possam evoluir e facilitar o manejo do quadro clínico no decorrer do tratamento.
Foi idealizado e realizado um cartão para acompanhamento regular dos pacientes em cada reunião, para que como equipe multiprofissional possamos avalia-los de forma ampla. No cartão contam as seguintes informações: data, peso, IMC, circunferência abdominal e pressão arterial. Esse cartão servirá de base para construir um instrumento de registro e acompanhamento de indicadores de saúde, que terá o objetivo de avaliar e rastrear o risco de evento cardiovascular dos usuários que estão no grupo de obesos e sobrepeso. Tabela 3.
A microintervenção foi uma experiência exitosa para a equipe. Com ela, pode-se realizar uma avaliação de toda a equipe e unidade de saúde, discutindo ponto a ponto as potencialidades e fragilidades do processo de trabalho. Assim, tivemos a oportunidade de traçar estratégias com o intuito de minimizar tais fragilidades e de potencializar os pontos positivos. No processo de construção da microintervenção, nos deparamos com muitos obstáculos como a falta de materiais e estrutura, mas o comprometimento da equipe estimulou a construção das ações. Sendo assim, com a manutenção do processo autoavaliativo, a equipe poderá conhecer melhor as necessidades do serviço.
Tabela 1. Descrição das ações.
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Estratégias para alcance dos objetivos e metas |
Atividades a serem desenvolvidas |
Recursos necessários |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismo de avaliação de resultados |
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Realização de reuniões mensais para pesagem, medição, calculo de IMC e redução de danos a saúde. Junção do Macaíba na medida ao MEV. |
Reuniões mensais Introdução da alimentação saudável Pratica de exercícios físicos |
Balança de ate 150kg Fita métrica Esfignomonometro Estetoscópio Cartão MEV do usuário para seu controle próprio Calculadora. |
Conscientizar uma melhor qualidade de vida, com hábitos mais saudáveis. Perca de peso adequada. Adequação de alimentação. Pratica de atividade física. |
Médica da ESF. Enfermeira ESF Psicologa Nasf Nutricionista Nasf Educador Fisico Nasf |
Mensal. Total de 6 reuniões ate a conclusão do projeto. |
Planilha de avaliação para resultados e progressão. |
Tabela 2. Acompanhamento das ações.
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Planejamento |
Troca de alimentos de forma consciente? |
Prática de atividade física regular? |
Ingeriu água corretamente? |
Sintomas patológicos ? |
Como esta o Sono? |
Diuresis / Catarsis? |
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1ª Reunião |
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2ª Reunião |
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3ª Reunião |
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4ª Reunião |
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5ª Reunião |
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6ª Reunião |
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Tabela 3. Instrumento de registro e acompanhamento do indicador.
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Data |
Peso |
Circunferência Abdominal |
IMC (Índice de Massa Corporal) |
Pressão Arterial |
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Ponto(s)