RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: O PRÉ-NATAL NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE COMO FERRAMENTA FUNDAMENTAL DE ATENÇÃO AS GRAVIDAS, SUAS DEBILIDADES E POTENCIALIDADES.
ESPECIALIZANDO: OSCAR MACÍAS GUTIÉRREZ
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
O período gestacional corresponde a um momento que desencadeia várias mudanças na vida da gestante, além de todas as alterações em seu corpo, ocorrem também alterações em seu comportamento e sentimentos. Desse modo, a gestação requer atenção e cuidados essenciais, que tenham como base a prevenção de complicações, conforto físico e emocional (BOAROLLI et al., 2016).
A experiência da gestação constitui um momento singular na vida da mulher, da família e do contexto social envolvido, que apresenta mudanças em todo seu contexto biopsicossocial e familiar. Portanto, é uma fase de intenso aprendizado que necessita de preparação tanto psicológica para o parto e para a maternidade como as alterações fisiológicas decorrentes do processo de gestar. Logo, é muito importante que esse momento seja compartilhado com os profissionais na assistência pré-natal, que consiste em um acompanhamento minucioso de todo o processo gravídico-puerperal. É necessário esclarecer e orientar as gestantes sobre as alterações que ocorrem, a fim de que estejam preparadas para vivenciarem as situações que esse momento lhe impõe da melhor maneira, por meio de atendimento qualificado e multidisciplinar, de acordo com a realidade de cada mulher (Costa et al., 2010).
Então, a equipe ou o profissional que auxiliar essas futuras mulheres no exercício de construir sua maternidade desde os primeiros momentos da gestação deve ser sensível e valorizar a linguagem corporal e oral das mesmas, já que elas são influenciadas por expectativas sociais que estão associadas ao desempenho da maternidade e, um misto de sentimentos e cobranças pode resultar em sentimentos difusos (BOAROLLI et al., 2016).
A assistência humanizada, acolhedora, pautada no respeito proporciona às mulheres um sentimento de confiança durante o parto e no ato de cuidar dos filhos, além de melhorar as condições de nascimento, diminuir o número de cesarianas e de partos complicados, diminuir a duração do parto e problemas psicológicos. Assim, desenvolver iniciativas de ampliação, qualificação de atenção à saúde da mulher contribui na tentativa de reduzir problemas associados a esse período. Assim, a Estratégia de Saúde da família (ESF) corresponde a porta de entrada da gestante no sistema de saúde, e constitui em um ponto de atenção estratégico para melhor atender suas expectativas e necessidades (FOSSA et al., 2015).
Vale ressaltar que educar em saúde junto a mulheres em situação gravídico-puerperal, por meio de ações educativas, reflete em transformações quanto a percepção e enfrentamento desses eventos, permitindo a troca de saberes, o esclarecimento de questionamentos e a promoção de saúde, e desse modo, sendo possível repensar as estratégias de atuação frente à temática no contexto da atenção primária (CAMILLO et al., 2016).
A ação tem como ponto de partida a necessidade de reduzir os perfis de morbimortalidade materna e auxiliar na melhoria dos resultados durante o cuidado perinatal a partir de uma construção coletiva de ações com traças de experiência com uma perspectiva humanizada e integrando ações de pesquisa e extensão junto à comunidade. Ou seja, o ensino e o cuidado ofertado às mulheres tornam-se ainda mais importante ser realizado pelo fato de como a saúde se encontra atualmente, e assim, é preciso educar para prevenir, e a mulher tornar-se amparada e acolhida, para que suas dúvidas e anseios possam ser amenizados, e desse modo, proporcioná-la o apoio de que necessita e o conhecimento necessário para cuidar de seu filho (BRASIL, 2015).
Este trabalho é baseado em um relato de experiência sobre a atenção pré-natal em um município localizado no nordeste do Brasil, no interior do estado sergipano, no município de Boquim, na Unidade Básica de Saúde Dr. Gilberto de Carvalho Filho. É uma clínica com locais adaptados onde trabalham quatros equipes de saúdes. Ás vezes enfrentamos situações, problemas com os insumos necessários para trabalhar, falta de manutenção na clínica e recursos para prestar um bom atendimento à população.
No dia dois de maio, nossa equipe de saúde (005) se reuniu para fazer a avalição correspondente ao mês de abril. Após concluída, nós fizemos uma análise, onde avaliamos pontos importantes do AMAQ. Umas das maiores preocupações foi a não assistência de todas as grávidas para o acompanhamento pré-natal, na atenção básica de saúde. É por isso que muitas mulheres estão cheias de dúvidas com respeito a todas as mudanças que sofrem com a gravidez, não chegam preparadas para se desenvolver como mãe no futuro, porque sentem medo e inseguridade. É um fato que quando a grávida apresenta um acompanhamento regular, onde avaliamos o ambiente social, familiar, psicológico, tira todas as dúvidas, diminui os riscos da mãe e da criança. Elas vão a chegar mais seguras a maternidade e vão a ganhar um bebezinho saudável.
Para conseguir que todas as grávidas assistam a nossa consulta pré-natal e promover uma atenção esmerada, temos que cumprir alguns passos muitos importantes. Disso depende a qualidade que a equipe de saúde possa oferecer a todas as mulheres grávidas, de uma atenção ótima.
Inicialmente o que temos que conhecer e garantir é a captação preços de todas as grávidas até 12 semanas de gravidez, além de garantir os recursos humanos, materiais, físicos e técnicos necessários a atenção pré-natal. Todas as gestantes devem ter solicitado, realizado e avaliado em tempo oportuno os exames de laboratório. Também é necessário promover a escuta ativa de gestantes e garantir o transporte público e gratuito para o atendimento e acompanhamento pré-natal. É direito de elas serem cuidadas, realização das consultas e exames, ter acesso à informação antes, durantes e após o parto, garantir o acesso à unidade de referência especializada e estimular sobre os benefícios do parto fisiológico.
É por isso que despois de quase duas horas de discussão, conformamos uma matriz de intervenção que nos ajudará intervir em nossa área de saúde e cumprir nosso objetivo principal sobre a atenção pré-natal.
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MATRIZ DE INTERVENÇÃO |
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Descrição do padrão: 4.22. A equipe acompanha todas as gestantes do território. |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: 100 % das grávidas não tem um acompanhamento regular pela equipe, já que muitas fazem consultas particulares, outras não cumprem com a periodicidades das consultas pré-natal, além do risco que apresentam muitas. Assim como a inseguridade que apresentam quando ganham o bebezinho. |
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Objetivo/meta: Permitir que o 100 % das grávidas de nossa área de saúde, sejam acompanhadas pela equipe todos os meses, diminuir a morbimortalidade materno infantil e prepará-la para cumprir sua função de mãe no futuro, e possa sentir segurança. |
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Estratégias para alcançar os objetivos /metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Fazer a pesquisa ativa na área de saúde para cadastrar o 100 % das mulheres grávidas
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Realizar visitas domiciliares para identificar as gestantes do território e fazer o cadastramento |
Recurso Humano Lápis, Canetas, Ficha de cadastro individual. Cronograma de visita domiciliar das ACS. Corretivo, Borracha, |
Que o 100 % das gravidas da AS fiquem cadastradas |
ACS. |
Junho/ 15. |
Cadastro atualizado das gestantes. |
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Fazer uma ficha de cadastro individual. |
Utilização do programa Excel no notebook |
Recurso Humano, Notebook |
Que todas as gravidas da área de saúde fiquem cadastradas e tenham identificados todos os riscos. |
Médico da área. Enfermeira. ACS. |
Maio/ 30. |
Cadastro atualizado das gestantes. |
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Cumprir com um cronograma de consultas como parte do acompanhamento pré-natal. |
Visita domiciliar frequente as gravidas e agendamento oportuno para as consultas. Cronograma de consulta visualizado na recepção com identificação da equipe. |
Recurso Humano |
Aumento do número e por cento das consultas pré-natais da equipe. |
Medico da área. Enfermagem. ACS
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Maio/ 8,15,22, 29.
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Prontuários das grávidas. Ficha de cadastro individual. Cronograma de consulta pré-natal. |
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Realizar um exame físico de todos os aparelhos que nos permita fazer uma avaliação geral, fazer medições antropométricas e avaliação dos exames solicitados. |
Consultas pré-natais. |
Recurso Humano, Balança, Fita métrica, estigmou manômetro, estetoscópio. Sonar fetal, Disco gestacional, Registro geral de grávidas. Caneta, Prontuário, Cartão de gravida. |
Detectar todos os riscos que tem as grávidas, e traçar estratégia para fazer um acompanhamento certinho, e evitar complicações maternas e fetal. Melhorar o estado nutricional materno e reduzir o retardo do crescimento uterino. |
Médico da Área de Saúde. Enfermeira. AE. |
Maio/ 8,15,22, 29.
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Prontuários das gravidas. Ficha de cadastro individual. Cartão de gravida. |
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Avaliar a história psicossocial da gravida. |
Consultas pré-natais. Visitas domicilias.
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Recurso Humano |
Fazer uma história psicossocial de todas as gravidas para acompanha-las como um todo. Diminuir todos os riscos ambientais que possam existir na casa. Diminuir os riscos de acidentes na casa. |
Médico da Área de Saúde. Enfermeira. ACS. AE. |
Maio/ 30. |
Prontuários das gravidas. Ficha de cadastro individual. |
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Educação de situações de risco e avaliação contínua dos riscos. |
Palestras de educação e atividades de apoio as gestantes. Consultas pré-natais. Informar a gestão. |
Recurso Humano, Datashow, panfletos sobre riscos na gravidez, materiais de estudo sobre riscos na gravidez. |
Aumento de demanda de atenção, redução de urgências, diminuição do habito de fumar, redução de morte e complicações no embaraço. |
Médico da área. Enfermeira. ACS. AE. |
Maio/ 15, 30 |
Ficha de cadastro individual. Prontuário das gestantes. Cronograma de consultas. Reunião com a secretaria.
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Para atingir nosso objetivo, foi muito importante a inclusão da equipe toda, que todo o pessoal adquirisse consciência da importância do que significa uma atenção pré-natal ótima para as gestantes. Analisamos as potencialidades e dificuldades que podem se apresentar para alcançar o 100 % da atenção pré-natal a nossas grávidas.
Sobre as potencialidades, com a matriz de intervenção avaliamos cada parâmetro da atenção pré-natal de certo modo, semanalmente podemos ver, como fica o número de consultas de nossa equipe, se está aumentando ou não as demandas das gravidas. Cada quinzena se analisa o cumprimento das atividades educativas, e como se comporta o número de grávidas por micro área de saúde, assim como o total de pesquisas feitas pelas ACS.
Ao final de mês, realizaremos uma avaliação geral de todos os pontos desenvolvidos de acordo a matriz de intervenção, que vai dar uma noção de como se comporta a atenção pré-natal em nossa equipe de saúde. Isso vai nos permitir mudar ou não, nossas estratégias de trabalho. Nossa intervenção na área desse jeito permite identificar e diminuir os riscos das grávidas, aumenta o conhecimento sobre a importância do parto e dá mais segurança a mãe na hora de ganhar. Aumenta a consciência sobre a importância da atenção pré-natal e sua periodicidade. As gestantes receberão uma melhor orientação sobre a gravidez e que o que devem fazer se se apresentarem alguma situação. Também está permitindo captações precoces que nos ajuda dar início a uma atenção pré-natal regular.
Agora todo trabalho, meta, objetivos, estão marcados por muitas dificuldades que não dependem só da equipe de saúde, se não, por um grupo grande de gestores. A atenção pré-natal se vê afetada pela falta de recursos na clínica como falta de aparelhos para medir a pressão arterial, de fitas, e só temos um sonar fetal que apresenta dificuldades técnicas. Contamos com pouco apoio das gestões do município. Também a atenção pré-natal está afetada também pela não oportuna avaliação dos exames solicitados nos trimestres da gravidez, devido à liberação deles pela internet. É um fato que todas as atividades realizadas para melhorar o acompanhamento da população, precisa de um grupo de fatores objetivos e subjetivos, onde a equipe de saúde e a gestão do município são responsáveis.
Desde que foi discutida e formada a matriz de intervenção para potencializar a atenção pré-natal em nossa área de saúde, aumentou o número de gestantes acompanhadas pela equipe. Se realizou um registro oficial para o cadastro de cada uma delas, e para o domínio da equipe toda. Também em coordenação com o coordenador da clínica, divulgamos na frente (recepção), o cronograma de consultas para a atenção pré-natal por trimestre, para conhecimento de todas as gestantes do território. Ainda as demandas de consultas pré-natais estão por abaixo do propósito que tentamos alcançar, mas estamos trabalhando para melhorar este aspecto.
Continuam faltando a consultas um número importante de grávidas. Nossa equipe não apresenta até momento sífilis congênita e diminuiu os riscos e complicações em todas as gestantes acompanhadas pela equipe. Nosso propósito é que todas as grávidas cheguem às maternidades ótimas para parir e implementar consultas especializadas para acompanha-las, já que nossa clinica conta com NASF e Obstetra. É por isso que vamos levar a discussão também o dia 30 de maio com a gestão municipal de saúde do município, a estratégia de trabalho direcionada a melhorar a atenção pré-natal no município, como ferramenta fundamental na atenção básica as gestantes.
Refrências
BOAROLLI, M. et al. Avaliação de estresse, depressão e ansiedade em um grupo de gestantes cadastradas na estratégia saúde da família do bairro São Sebastião, Criciúma. Revista do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica/Saúde da Família, v. 3, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo de atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus. Brasília, 2015.
CAMILLO, B. S. et al. Ações de educação em saúde na atenção primária a gestantes e puérperas: revisão integrativa. Revista de enfermagem UFPE on line-ISSN: 1981-8963, v. 10, n. 6, p. 4894-4901, 2016.
COSTA, E. S. et al. Alterações fisiológicas na percepção de mulheres durante a gestação. Rev. Rene, Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 86-93, abr/jun. 2010.
Ponto(s)