13 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

 

TÍTULO: O PRÉ-NATAL NA ATENÇÃO BÁSICA DE SAÚDE COMO FERRAMENTA FUNDAMENTAL DE ATENÇÃO AS GRAVIDAS, SUAS DEBILIDADES E POTENCIALIDADES.

 

ESPECIALIZANDO: OSCAR MACÍAS GUTIÉRREZ

 

ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO

 

 

O período gestacional corresponde a um momento que desencadeia várias mudanças na vida da gestante, além de todas as alterações em seu corpo, ocorrem também alterações em seu comportamento e sentimentos. Desse modo, a gestação requer atenção e cuidados essenciais, que tenham como base a prevenção de complicações, conforto físico e emocional (BOAROLLI et al., 2016).

A experiência da gestação constitui um momento singular na vida da mulher, da família e do contexto social envolvido, que apresenta mudanças em todo seu contexto biopsicossocial e familiar. Portanto, é uma fase de intenso aprendizado que necessita de preparação tanto psicológica para o parto e para a maternidade como as alterações fisiológicas decorrentes do processo de gestar. Logo, é muito importante que esse momento seja compartilhado com os profissionais na assistência pré-natal, que consiste em um acompanhamento minucioso de todo o processo gravídico-puerperal. É necessário esclarecer e orientar as gestantes sobre as alterações que ocorrem, a fim de que estejam preparadas para vivenciarem as situações que esse momento lhe impõe da melhor maneira, por meio de atendimento qualificado e multidisciplinar, de acordo com a realidade de cada mulher (Costa et al., 2010).

Então, a equipe ou o profissional que auxiliar essas futuras mulheres no exercício de construir sua maternidade desde os primeiros momentos da gestação deve ser sensível e valorizar a linguagem corporal e oral das mesmas, já que elas são influenciadas por expectativas sociais que estão associadas ao desempenho da maternidade e, um misto de sentimentos e cobranças pode resultar em sentimentos difusos (BOAROLLI et al., 2016).

A assistência humanizada, acolhedora, pautada no respeito proporciona às mulheres um sentimento de confiança durante o parto e no ato de cuidar dos filhos, além de melhorar as condições de nascimento, diminuir o número de cesarianas e de partos complicados, diminuir a duração do parto e problemas psicológicos. Assim, desenvolver iniciativas de ampliação, qualificação de atenção à saúde da mulher contribui na tentativa de reduzir problemas associados a esse período. Assim, a Estratégia de Saúde da família (ESF) corresponde a porta de entrada da gestante no sistema de saúde, e constitui em um ponto de atenção estratégico para melhor atender suas expectativas e necessidades (FOSSA et al., 2015).

Vale ressaltar que educar em saúde junto a mulheres em situação gravídico-puerperal, por meio de ações educativas, reflete em transformações quanto a percepção e enfrentamento desses eventos, permitindo a troca de saberes, o esclarecimento de questionamentos e a promoção de saúde, e desse modo, sendo possível repensar as estratégias de atuação frente à temática no contexto da atenção primária (CAMILLO et al., 2016).

A ação tem como ponto de partida a necessidade de reduzir os perfis de morbimortalidade materna e auxiliar na melhoria dos resultados durante o cuidado perinatal a partir de uma construção coletiva de ações com traças de experiência com uma perspectiva humanizada e integrando ações de pesquisa e extensão junto à comunidade. Ou seja, o ensino e o cuidado ofertado às mulheres tornam-se ainda mais importante ser realizado pelo fato de como a saúde se encontra atualmente, e assim, é preciso educar para prevenir, e a mulher tornar-se amparada e acolhida, para que suas dúvidas e anseios possam ser amenizados, e desse modo, proporcioná-la o apoio de que necessita e o conhecimento necessário para cuidar de seu filho (BRASIL, 2015).

Este trabalho é baseado em um relato de experiência sobre a atenção pré-natal em um município localizado no nordeste do Brasil, no interior do estado sergipano, no município de Boquim, na Unidade Básica de Saúde Dr. Gilberto de Carvalho Filho. É uma clínica com locais adaptados onde trabalham quatros equipes de saúdes. Ás vezes enfrentamos situações, problemas com os insumos necessários para trabalhar, falta de manutenção na clínica e recursos para prestar um bom atendimento à população. 

No dia dois de maio, nossa equipe de saúde (005) se reuniu para fazer a avalição correspondente ao mês de abril. Após concluída, nós fizemos uma análise, onde avaliamos pontos importantes do AMAQ.  Umas das maiores preocupações foi a não assistência de todas as grávidas para o acompanhamento pré-natal, na atenção básica de saúde. É por isso que muitas mulheres estão cheias de dúvidas com respeito a todas as mudanças que sofrem com a gravidez, não chegam preparadas para se desenvolver como mãe no futuro, porque sentem medo e inseguridade. É um fato que quando a grávida apresenta um acompanhamento regular, onde avaliamos o ambiente social, familiar, psicológico, tira todas as dúvidas, diminui os riscos da mãe e da criança. Elas vão a chegar mais seguras a maternidade e vão a ganhar um bebezinho saudável.

Para conseguir que todas as grávidas assistam a nossa consulta pré-natal e promover uma atenção esmerada, temos que cumprir alguns passos muitos importantes. Disso depende a qualidade que a equipe de saúde possa oferecer a todas as mulheres grávidas, de uma atenção ótima.

Inicialmente o que temos que conhecer e garantir é a captação preços de todas as grávidas até 12 semanas de gravidez, além de garantir os recursos humanos, materiais, físicos e técnicos necessários a atenção pré-natal. Todas as gestantes devem ter solicitado, realizado e avaliado em tempo oportuno os exames de laboratório. Também é necessário promover a escuta ativa de gestantes e garantir o transporte público e gratuito para o atendimento e acompanhamento pré-natal. É direito de elas serem cuidadas, realização das consultas e exames, ter acesso à informação antes, durantes e após o parto, garantir o acesso à unidade de referência especializada e estimular sobre os benefícios do parto fisiológico.

É por isso que despois de quase duas horas de discussão, conformamos uma matriz de intervenção que nos ajudará intervir em nossa área de saúde e cumprir nosso objetivo principal sobre a atenção pré-natal.

 

MATRIZ DE INTERVENÇÃO

Descrição do padrão: 4.22. A equipe acompanha todas as gestantes do território.

Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: 100 % das grávidas não tem um acompanhamento regular pela equipe, já que muitas fazem consultas particulares, outras não cumprem com a periodicidades das consultas pré-natal, além do risco que apresentam muitas. Assim como a inseguridade que apresentam quando ganham o bebezinho.

Objetivo/meta: Permitir que o 100 % das grávidas de nossa área de saúde, sejam acompanhadas pela equipe todos os meses, diminuir a morbimortalidade materno infantil e prepará-la para cumprir sua função de mãe no futuro, e possa sentir segurança.

Estratégias para alcançar os objetivos /metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

Resultados esperados

Responsáveis

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Fazer a pesquisa ativa na área de saúde para cadastrar o 100 % das mulheres grávidas

 

Realizar visitas domiciliares para identificar as gestantes do território e fazer o cadastramento

Recurso Humano

Lápis, Canetas, Ficha de cadastro individual. Cronograma de visita domiciliar das ACS. Corretivo, Borracha,

Que o 100 % das gravidas da AS fiquem cadastradas

ACS.

Junho/ 15.

Cadastro atualizado das gestantes.

Fazer uma ficha de cadastro individual.

Utilização do programa Excel no notebook  

Recurso Humano, Notebook 

Que todas as gravidas da área de saúde fiquem cadastradas e tenham identificados todos os riscos.

Médico da área.

Enfermeira.

ACS.

Maio/ 30.

Cadastro atualizado das gestantes.

Cumprir com um cronograma de consultas como parte do acompanhamento pré-natal.

Visita domiciliar frequente as gravidas e agendamento oportuno para as consultas. Cronograma de consulta visualizado na recepção com identificação da equipe.

Recurso Humano

Aumento do número e por cento das consultas pré-natais da equipe.

Medico da área. Enfermagem. ACS

 

Maio/ 8,15,22, 29.

 

Prontuários das grávidas. Ficha de cadastro individual. Cronograma de consulta pré-natal.

Realizar um exame físico de todos os aparelhos que nos permita fazer uma avaliação geral, fazer medições antropométricas e avaliação dos exames solicitados.

Consultas pré-natais.

Recurso Humano, Balança, Fita métrica, estigmou manômetro, estetoscópio. Sonar fetal, Disco gestacional, Registro geral de grávidas. Caneta, Prontuário, Cartão de gravida.

Detectar todos os riscos que tem as grávidas, e traçar estratégia para fazer um acompanhamento certinho, e evitar complicações maternas e fetal. Melhorar o estado nutricional materno e reduzir o retardo do crescimento uterino.

Médico da Área de Saúde.

Enfermeira.

AE.

Maio/ 8,15,22, 29.

 

Prontuários das gravidas. Ficha de cadastro individual. Cartão de gravida.

Avaliar a história psicossocial da gravida.

Consultas pré-natais. Visitas domicilias.

 

Recurso Humano

Fazer uma história psicossocial de todas as gravidas para acompanha-las como um todo. Diminuir todos os riscos ambientais que possam existir na casa. Diminuir os riscos de acidentes na casa.

Médico da Área de Saúde.

Enfermeira.

ACS.

AE.

Maio/ 30.

Prontuários das gravidas. Ficha de cadastro individual.

Educação de situações de risco e avaliação contínua dos riscos.

Palestras de educação e atividades de apoio as gestantes. Consultas pré-natais.

Informar a gestão.

Recurso Humano, Datashow, panfletos sobre riscos na gravidez, materiais de estudo sobre riscos na gravidez.

Aumento de demanda de atenção, redução de urgências, diminuição do habito de fumar, redução de morte e complicações no embaraço.

Médico da área.

Enfermeira.

ACS.

AE.

Maio/ 15, 30

Ficha de cadastro individual.

Prontuário das gestantes. Cronograma de consultas.

Reunião com a secretaria.

 

 

 

Para atingir nosso objetivo, foi muito importante a inclusão da equipe toda, que todo o pessoal adquirisse consciência da importância do que significa uma atenção pré-natal ótima para as gestantes. Analisamos as potencialidades e dificuldades que podem se apresentar para alcançar o 100 % da atenção pré-natal a nossas grávidas.

Sobre as potencialidades, com a matriz de intervenção avaliamos cada parâmetro da atenção pré-natal de certo modo, semanalmente podemos ver, como fica o número de consultas de nossa equipe, se está aumentando ou não as demandas das gravidas. Cada quinzena se analisa o cumprimento das atividades educativas, e como se comporta o número de grávidas por micro área de saúde, assim como o total de pesquisas feitas pelas ACS. 

Ao final de mês, realizaremos uma avaliação geral de todos os pontos desenvolvidos de acordo a matriz de intervenção, que vai dar uma noção de como se comporta a atenção pré-natal em nossa equipe de saúde. Isso vai nos permitir mudar ou não, nossas estratégias de trabalho. Nossa intervenção na área desse jeito permite identificar e diminuir os riscos das grávidas, aumenta o conhecimento sobre a importância do parto e dá mais segurança a mãe na hora de ganhar. Aumenta a consciência sobre a importância da atenção pré-natal e sua periodicidade. As gestantes receberão uma melhor orientação sobre a gravidez e que o que devem fazer se se apresentarem alguma situação.  Também está permitindo captações precoces que nos ajuda dar início a uma atenção pré-natal regular.

Agora todo trabalho, meta, objetivos, estão marcados por muitas dificuldades que não dependem só da equipe de saúde, se não, por um grupo grande de gestores.  A atenção pré-natal se vê afetada pela falta de recursos na clínica como falta de aparelhos para medir a pressão arterial, de fitas, e só temos um sonar fetal que apresenta dificuldades técnicas. Contamos com pouco apoio das gestões do município. Também a atenção pré-natal está afetada também pela não oportuna avaliação dos exames solicitados nos trimestres da gravidez, devido à liberação deles pela internet. É um fato que todas as atividades realizadas para melhorar o acompanhamento da população, precisa de um grupo de fatores objetivos e subjetivos, onde a equipe de saúde e a gestão do município são responsáveis. 

Desde que foi discutida e formada a matriz de intervenção para potencializar a atenção pré-natal em nossa área de saúde, aumentou o número de gestantes acompanhadas pela equipe. Se realizou um registro oficial para o cadastro de cada uma delas, e para o domínio da equipe toda. Também em coordenação com o coordenador da clínica, divulgamos na frente (recepção), o cronograma de consultas para a atenção pré-natal por trimestre, para conhecimento de todas as gestantes do território. Ainda as demandas de consultas pré-natais estão por abaixo do propósito que tentamos alcançar, mas estamos trabalhando para melhorar este aspecto.

            Continuam faltando a consultas um número importante de grávidas. Nossa equipe não apresenta até momento sífilis congênita e diminuiu os riscos e complicações em todas as gestantes acompanhadas pela equipe. Nosso propósito é que todas as grávidas cheguem às maternidades ótimas para parir e implementar consultas especializadas para acompanha-las, já que nossa clinica conta com NASF e Obstetra.  É por isso que vamos levar a discussão também o dia 30 de maio com a gestão municipal de saúde do município, a estratégia de trabalho direcionada a melhorar a atenção pré-natal no município, como ferramenta fundamental na atenção básica as gestantes. 

 

 

 

 

 

Refrências

 

BOAROLLI, M. et al. Avaliação de estresse, depressão e ansiedade em um grupo de gestantes cadastradas na estratégia saúde da família do bairro São Sebastião, Criciúma. Revista do Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica/Saúde da Família, v. 3, 2016.

 

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Protocolo de atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia relacionada à infecção pelo vírus. Brasília, 2015.

 

CAMILLO, B. S. et al. Ações de educação em saúde na atenção primária a gestantes e puérperas: revisão integrativa. Revista de enfermagem UFPE on line-ISSN: 1981-8963, v. 10, n. 6, p. 4894-4901, 2016.

 

COSTA, E. S. et al. Alterações fisiológicas na percepção de mulheres durante a gestação. Rev. Rene, Fortaleza, v. 11, n. 2, p. 86-93, abr/jun. 2010.

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