17 de Maio de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

OBSERVAÇÃO NA UNIDADE DE SAÚDE

Especializanda: CAROLLYNE DANTAS DE OLIVEIRA

Orientador: Isaac Alencar Pinto

O Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) foi instituído em 2011 como parte de uma pactuação das três esferas do governo que procuravam um melhor acesso e qualidade dos serviços da Atenção Básica em todo território nacional. Como um de seus pontos trazia como base a valorização da atenção básica, um dos setores mais importantes referente ao nosso sistema de saúde, e que vem sofrendo com alguns problemas ao longo dos anos, além de um remodelamento no financiamento do SUS, vinculando o repasse dos recursos financeiros a implantação e alcance dos padrões proposto pelo programa (BELLO et al, 2014; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012, 2017; MOREIRA, 2016; PINTO et al, 2012).

O PMAQ através da Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) procura encontrar fragilidades que precisam ser reorganizadas tanto por parte do trabalho em equipe como por parte da gestão, e de fortalecer ainda mais os pontos que já se apresentam otimizados. Além disso através desse programa e da autoavaliação o Ministério da Saúde consegue desenvolver ações de monitoramento e avaliação de processos de trabalho e dos seus resultados. É diante desses pontos que nota-se a importância de cada equipe de saúde trabalhar em cima do PMAQ/AMAQ para que haja cada vez mais uma melhoria da atenção básica nacional (BELLO, et al, 2014; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012, 2017; MOREIRA, 2016; PINTO et al, 2012).

Com base nisso foi feito este relato de experiência referente à primeira microintervenção proposta pelo Curso de Especialização em Saúde da Família do PEPSUS. Esta atividade foi desenvolvida durante o período de 9 a 27 de abril de 2018 na Unidade de Saúde da Família Gramoré, localizada na zona norte da cidade de Natal, Rio Grande do Norte. A atividade foi dividida em duas etapas, sendo a primeira referente ao AMAQ que após ser respondido pela equipe nos mostrou alguns pontos com uma pontuação inferior a 5, demonstrando uma baixa qualidade nos mesmos; e uma segunda etapa relacionada aos indicadores do PMAQ.

A primeira etapa da microintervenção foi pensada após a equipe responder ao AMAQ durante a reunião de equipe que se realiza na sexta-feira pela manhã. Após responder o instrumento de avaliação e discutir os resultados foi visto que um ponto já havia sido abordado em uma matriz de intervenção anterior, porém não foi posta em prática, e assim resolvemos por se tratar de um item importante, retoma-lo nesta matriz de intervenção. O item 4.54 do AMAQ diz: “ A equipe de Atenção Básica disponibiliza canais de comunicação com os usuários de forma permanente”, entretanto na USF Gramoré fora a reunião mensal com o conselho de saúde o qual alguns representantes da comunidade fazem parte, como estabelecido em lei, não existe nenhum canal permanente de comunicação entre os usuários e a unidade de saúde. Sendo assim, as críticas, sugestões e elogios são feitos no “boca a boca’’, de forma que muitas vezes os funcionários não tomam conhecimentos dos mesmos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2017).

Figura 1: Equipe 39 da Unidade de Saúde da Família Gramoré - foto tirada durante reunião da equipe

Figura 1: Equipe 39 da Unidade de Saúde da Família Gramoré – foto tirada durante reunião da equipe

A interação comunidade – usuários – unidade de saúde é de extrema importância, pois é através do feedback dos indivíduos envolvidos nesse cenário que conseguimos avaliar a qualidade do funcionamento e serviços prestados pela equipe de saúde e demais setores da unidade. Portanto é relevante incentivar a prática de sugerir, elogiar e criticar o serviço oferecido; além de incentivar a participação da comunidade no planejamento das ações desenvolvidas na unidade.

Quando foi levantada propostas para a matriz de intervenção, também foi analisada a real possibilidade de desenvolve-la devido  as dificuldades financeiras encontradas pela unidade no atual momento. Portanto foi assim proposto algo que também não demandasse tantos recursos sofisticados para que fosse desenvolvido. Dessa forma para a realização de tal intervenção basta apenas papel (sendo impresso o formulário de avaliação – Figura 2 – na própria unidade), lápis e uma caixa de sugestões. Além disso fazer o convite para a participação dos usuários. O principal resultado esperado diante dessa matriz de intervenção é a melhoria do serviço oferecido e do entrosamento da comunidade com a unidade de saúde.

Figura 2: Formulário de avaliação de satisfação do usuário

Figura 2: Formulário de avaliação de satisfação do usuário

Para a realização do mesmo precisamos contar com todos os profissionais da unidade de saúde, e não apenas da equipe que está propondo a matriz de intervenção. Os prazos para desenvolver este trabalho são de médio e médio-logo prazo, sendo feita dessa forma uma avaliação mensal dos formulários (a primeira no inicio de junho), e uma convocação de reunião para discutir os resultados a cada 4 meses (a primeira em setembro), após o relatório quadrimestral.

A segunda etapa da microintervenção está relacionada aos indicadores do PMAQ e foi levantada também durante uma reunião de equipe para discussão do relatório quadrimestral. Há cerca de dois meses foi iniciado na unidade o uso do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), e só agora diante das reuniões realizadas para discussão e realização do relatório quadrimestral foi visto a deficiência para avaliar a quantidade de encaminhamentos realizados para a atenção secundária. O PMAQ traz como um dos seus indicadores no eixo Resolutividade da Equipe de Atenção Básica o percentual de encaminhamentos para serviços especializados, e assim devido ao problema enfrentado atualmente, esse foi o ponto escolhido para tentar-se aprimorar (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2012).

Procurando uma melhoria e informatização dos serviços da atenção básica, foi desenvolvido o e-SUS, um sistema informatizado para coleta de dados que está implantado nas Unidades de Saúde. O e-Sus pode coletar os dados dentro da unidade de duas formas, através das fichas do e-SUS impressas e preenchidas pelos profissionais, sendo os dados posteriormente digitados para um software que não necessita de internet para ter acesso ao sistema, é a chamada Coleta de Dados Simplificada (CDS); ou com acesso a internet através do PEC utilizado nos atendimentos e nas salas de consultório, que já coleta os dados automaticamente alimentando o sistema com as informações.

Sendo assim, antes da instalação do PEC na unidade todos os atendimentos realizados eram registrados na ficha do e-SUS e posteriormente transferidos para o CDS. Dessa forma todas as condutas incluindo os encaminhamentos para os serviços especializados conseguiam ser contabilizados de forma fidedigna. Com o PEC, esses encaminhamentos deixaram de ser registrados, de forma que ficam subdimensionados.

Para esclarecer melhor, ao final de uma consulta médica utilizando o PEC, quando se define a conduta só podemos selecionar as seguintes opções: retorno para consulta agendada, retorno para cuidado continuado/programado, agendamento para grupos, agendamento para NASF e/ou alta do episódio. Portanto não aparece a opção encaminhamento para serviço especializado, e assim tal conduta não fica contabilizada no sistema, logo atrapalhando a análise desses dados de grande importância.

A forma pensada para iniciar o registro e monitoramento deste indicador foi através da construção de uma planilha eletrônica (Figura 3) visando colher informações que possibilitem mensalmente contabilizar o percentual de encaminhamentos, além de realizar uma análise crítica da real necessidade de encaminhar tal paciente. Alguns dos pontos escolhidos para entrarem na avaliação foram: motivo do encaminhamento, patologia de base e o serviço especializado encaminhado. A planilha será preenchida diariamente no decorrer das consultas.

Figura 3: Controle dos encaminhamento para serviços especializados

Figura 3: Controle dos encaminhamento para serviços especializados

Ao final de cada mês será analisado os serviços de especialidades mais solicitados, e a percentagem de encaminhamentos realizados, bem como será realizada a sua análise crítica. O cálculo para o percentual de encaminhamentos será baseado no número de atendimentos médicos. Além de se fazer um comparativo entre os meses para avaliar se houve diminuição, aumento ou se mantiveram-se iguais o número de encaminhamentos. Espera-se assim com o decorrer do processo que haja um aprimoramento dos encaminhamentos para as diversas especialidades, de forma a melhorar o fluxo dos pacientes que realmente necessitam de atendimento nestes serviços, respeitando o princípio da integralidade proposto pelas diretrizes do SUS, e a coordenação do cuidado.

Referências

1. Bello, A.M.F. et al. Análise do Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica em Recife-PE. Saúde Debate, v. 38, n. 103, p. 706-719. Rio de Janeiro. 2014.

2. Ministério da Saúde. Saúde mais perto de você – Acesso e Qualidade. Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ).Brasília. 2012.

3. Ministério da Saúde. Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ).Brasília. 2017.

4. Moreira, K.S. et al. Qualidade da Atenção Básica: avaliação das Equipes de Saúde da Família. Saúde Debate, v. 40, n. 111, p. 117-127. Rio de Janeiro. 2016.

5. Pinto, H.A. et al. O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica: Reflexões sobre o seu desenho e processo de implantação. Rev. Eletr. de Com. Inf. Inov. Saúde, v. 6, n. 2. Rio de Janeiro. 2012.

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