3 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

 TITULO: Diminuição do tabagismo na população da UBS Josefa Alves dos Santos. Município: São Vicente.

.ESPECIALIZANDO: Arisbel Gonzalez Mckenn.

 ORIENTADOR: Isaac Alencar Pinto.

Em tempos remotos o tabagismo era tratado como inofensivo e atualmente graças a vários estudos já é visto como uma dependência que acarreta vários prejuízos à saúde. Por outro lado, o controle do tabagismo exige um eficiente e sistemático mecanismo de vigilância para monitorar as tendências de consumo de tabaco.

Para reverter essa situação, o Ministério da Saúde (MS) do Brasil, assumiu através do Instituto Nacional de Câncer, em 1989, o papel de organizar o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes no pais, e a consequente, morbimortalidade por doenças tabaco relacionadas. Através do PNCT pode-se afirmar que é um facilitador de apoio para as Unidades de Saúde, como intervenção na luta contra o tabagismo.

As legislações referentes ao tratamento do tabagista e ao apoio ao fumante do MS, através da portaria no. 1.035, de 31 de maio de 2004, ampliam o acesso a abordagem e ao tratamento do tabagismo para a rede de atenção básica e de média complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Plano para implantação da abordagem e Tratamento do Tabagismo no SUS, aprovado pela Portaria SAS\MS  442\04 foi dividido nos seguintes tópicos: rede de atenção ao tabagista; capacitação; credenciamento; referência e contra referência; medicamentos e materiais de apoio. (1).

Vale ressaltar que é necessário considerar que o ato de fumar é um comportamento aprendido, desencadeado e mantido por determinadas situações e emoções. Nesse sentido, os medicamentos devem ser utilizados em associação com uma boa abordagem (modelo cognitivo comportamental): dessa forma o tabagista se sente mais confiante para pôr em pratica as orientações recebidas durante as sessões. (2),(3).

No município de São Vicente, localizado no estado do Rio Grande do Norte (RN) a problemática do tabagismo não é diferente das demais regiões do mundo e do Brasil.

Para este trabalho, fizemos uso da AMAQ (Auto avaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica), como ferramenta auto avaliativa que abre possibilidades de construção de soluções fundamentadas na identificação de problemas. Nesse caso, nossa equipe de saúde conjuntamente com a equipe do NASF (Núcleos Ampliados de Saúde da Família), realizamos uma reunião na qual começamos a identificar as situações que precisavam ser revistas ou modificadas.

Nosso encontro foi marcado por uma dinâmica de participação ativa dos presentes com períodos de reflexão e discussão sobre os principais problemas de saúde em nosso território, assim como a disponibilidade de recursos e tempo para executá-los e obter os melhores resultados.

Na segunda fase de nosso encontro e utilizando os padrões de qualidade do AMAQ, identificamos aquelas situações mais críticas que apresentávamos. De uma maneira mais objetiva e quase unânime, se determinou que o Tabagismo (4.39 A equipe de saúde Básica desenvolve ações voltadas aos usuários de tabaco no seu território), foi o principal problema com uma pontuação de 02 pontos, nosso objetivo\meta proposto foi obter a redução do número de fumantes em nosso território de atuação.

A fumaça do cigarro exposta no ambiente depois de tragada é uma cancerígena do tipo A (são substâncias que tem a capacidade de provocar alterações diretamente a nível celular e causar em consequência transformações que podem ou não desembocar em um processo canceroso). Isso traz risco a saúde das pessoas que não são fumantes, mas convivem com um.

Nossa equipe de saúde, conjuntamente com a equipe do NASF, realizamos a tarefa de criar um grupo de tabagismo em nossa área de atenção, para isso contamos com o apoio dos agentes comunitários de saúde, os quais fizeram uma pesquisa ativa dos fumantes, em suas respectivas áreas e quais deles tinham desejos de abandonar o hábito.

Inicialmente a quantidade de fumantes inscritos foi muito baixa pois muitos deles não tinham vontade de abandonar o dito hábito e outras não reconheciam ser fumantes (alegavam que somente fumavam em poucas ocasiões e que não estavam sentindo nenhum tipo de sintomas prejudiciais.

Nosso grupo está composto atualmente por 30 pacientes, mais esperamos que este número continue crescendo. Nestes primeiros pacientes aplicamos a Escala Fagerstrom, para assim classificar os fumantes e estabelecer uma ordem de prioridade e personalizar o tratamento para cada um deles.

Nossos primeiros encontros foram para realizar atendimento individual a cada paciente na qual se realizou um interrogatório para conhecer se tinha algum tipo de doença crônica não transmissível; exame físico detalhado; questionar se estavam consumindo algum tipo de medicamento psicotrópico; e também se realizou uma avaliação odontológica por parte da equipe de saúde bucal.

Depois disso classificamos os pacientes em dois grupos:

  1. Aqueles que tinham maior dependência ao cigarro e que além disso tinham alguma doença crônica não transmissível.
  2. E os que tinham menor dependência ao habito de fumar sem nenhuma doença crônica.

Já na segunda etapa começamos a fase de intervenção, na qual se apoiou nas palestras especializadas e ações coletivas, estas tiveram como tema fundamental:

  •  “Entender porque se fuma e como isso afeta a saúde”.
  •  Ações demonstrativas “Viver os primeiros dias sem fumar”. Nesta etapa, os participantes foram divididos em dois grupos, nos quais aqueles pacientes que haviam diminuído o número de cigarros pudessem expor suas vivências.
  • Escuta qualificada e roda de conversa, tendo como tema, “Como vencer os obstáculos para permanecer sem fumar”. Aqui houve troca de experiências entre os pacientes relatando sobre as diversas tentativas de parar de fumar. Baseadas nas informações, foram feitas orientações, na busca de atividades prazerosas, no intuito de substituir os sintomas de abstinência.

Para o tratamento medicamentoso (bupropiona, parche transdérmico e chiclete) foram utilizados critérios nos quais os pacientes que conseguissem cessar o uso do tabaco após a intervenção cognitivo-comportamental, história de tentativa de cessar tabagismo sem sucesso e presença de sintomas de abstinência estariam inclusos para a utilização da medicação de primeira linha (chiclete e parche transdérmico). Caso fosse percebida ainda dificuldade e sintomas de abstinência a associação de medicação de segunda linha foi acrescentada (Bupropiona).

Isto foi feito da seguinte maneira: cada semana um membro do NASF (Psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta) e um membro da nossa equipe de saúde (Medico, Enfermeira, Odontólogo e agente de saúde) são os encarregados de realizar as atividades citadas acima. Explicando por meio de panfletos e vídeos os principais efeitos adversos, complicações e repercussões a longo prazo sobre nosso organismo.

Para avaliar o alcance dos resultados do grupo utilizamos os registros em atas as quais são monitoradas mensalmente pelos profissionais de saúde do projeto.

Matriz de Intervenção

 

Descrição do padrão:  A equipe de atenção básica desenvolve ações voltadas aos usuários de tabaco no seu território.

Descriçãoda situação-problema para o alcance do padrão: A falta de motivação dos pacientes e ainda a falta de apoio da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura Perante o desenrolar o trabalho.

Objetivo/meta: Diminuir e\ou eliminar número de fumantes do grupo terapêutico; obter uma maior adesão ao tratamento; e oferecer uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

 

Estratégias para alcançar os objetivos/metas

Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução)

Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades

 

 

Resultados esperados

 

 

Responsáveis

 

 

Prazos

Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados

Sensibilização dos pacientes.

Elaboração de calendário periódico

Palestras especializadas,

Ações coletivas,

Ações demonstrativas

Prontuário dos pacientes,

Microfone e

Projetor multimídia

Diminuição do número de fumantes em nosso território

Equipe de Saúde da UBS e NASF

3 meses

Avaliação da quantidade de participantes que deixaram de fumar

Escuta qualificada,

Roda de conversa,

Tratamento medicamentoso.

Explicação por meio de panfletos e vídeos dos principais efeitos adversos e complicações.

Caixa de som,

Notebook, medicamentos

 Promover a incorporação de um maior número de pacientes a nosso grupo de apoio.

Equipe de Saúde da UBS e NASF 3 meses Pacientes que permanecem no grupo.

Número de participantes que relataram estar sem fumar.

Percebendo a importância de um planejamento e engajamento, nós buscamos oferecer ao tabagista o apoio na criação de um espaço, no qual o sujeito poderá pensar e criar novas possibilidades de vinculo, expressão e questionamento das relações intersubjetivas que estabelece com o mundo.

A avaliação da equipe é que se faz necessária a implantação de programas voltados ao público tabagista nas UBS. No entanto, este trabalho para um melhor resultado, deve-se ser encarado como um planejamento a longo prazo.

Como um dos problemas identificados, percebemos a falta de motivação dos pacientes e ainda a falta de apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde perante o desenrolar do trabalho. Tais dificuldades foram parcialmente superadas, o que preparou ainda mais a equipe multiprofissional da unidade, nos levando a buscar estratégias de motivação traçando um vínculo entre UBS e população adscrita.

Na realização das atividades, percebemos o interesse e preocupação de alguns pacientes, que refletiram como o tabagismo interfere na vida social, econômica e principalmente na saúde. Assim, a atenção básica de nossa área tem a responsabilidade de identificar essas pessoas e oferecer apoio tanto psicológico como farmacológico, aprimorando os atendimentos dentro da Atenção Primária a Saúde.

Conseguir, através deste projeto, fazer com que trinta tabagistas ingressassem e intervir no habito de vida dos mesmos é o que nos encoraja a continuar, independentemente dos obstáculos.

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