TITULO: Diminuição do tabagismo na população da UBS Josefa Alves dos Santos. Município: São Vicente.
.ESPECIALIZANDO: Arisbel Gonzalez Mckenn.
ORIENTADOR: Isaac Alencar Pinto.
Em tempos remotos o tabagismo era tratado como inofensivo e atualmente graças a vários estudos já é visto como uma dependência que acarreta vários prejuízos à saúde. Por outro lado, o controle do tabagismo exige um eficiente e sistemático mecanismo de vigilância para monitorar as tendências de consumo de tabaco.
Para reverter essa situação, o Ministério da Saúde (MS) do Brasil, assumiu através do Instituto Nacional de Câncer, em 1989, o papel de organizar o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que tem como objetivo reduzir a prevalência de fumantes no pais, e a consequente, morbimortalidade por doenças tabaco relacionadas. Através do PNCT pode-se afirmar que é um facilitador de apoio para as Unidades de Saúde, como intervenção na luta contra o tabagismo.
As legislações referentes ao tratamento do tabagista e ao apoio ao fumante do MS, através da portaria no. 1.035, de 31 de maio de 2004, ampliam o acesso a abordagem e ao tratamento do tabagismo para a rede de atenção básica e de média complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS).
O Plano para implantação da abordagem e Tratamento do Tabagismo no SUS, aprovado pela Portaria SAS\MS 442\04 foi dividido nos seguintes tópicos: rede de atenção ao tabagista; capacitação; credenciamento; referência e contra referência; medicamentos e materiais de apoio. (1).
Vale ressaltar que é necessário considerar que o ato de fumar é um comportamento aprendido, desencadeado e mantido por determinadas situações e emoções. Nesse sentido, os medicamentos devem ser utilizados em associação com uma boa abordagem (modelo cognitivo comportamental): dessa forma o tabagista se sente mais confiante para pôr em pratica as orientações recebidas durante as sessões. (2),(3).
No município de São Vicente, localizado no estado do Rio Grande do Norte (RN) a problemática do tabagismo não é diferente das demais regiões do mundo e do Brasil.
Para este trabalho, fizemos uso da AMAQ (Auto avaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica), como ferramenta auto avaliativa que abre possibilidades de construção de soluções fundamentadas na identificação de problemas. Nesse caso, nossa equipe de saúde conjuntamente com a equipe do NASF (Núcleos Ampliados de Saúde da Família), realizamos uma reunião na qual começamos a identificar as situações que precisavam ser revistas ou modificadas.
Nosso encontro foi marcado por uma dinâmica de participação ativa dos presentes com períodos de reflexão e discussão sobre os principais problemas de saúde em nosso território, assim como a disponibilidade de recursos e tempo para executá-los e obter os melhores resultados.
Na segunda fase de nosso encontro e utilizando os padrões de qualidade do AMAQ, identificamos aquelas situações mais críticas que apresentávamos. De uma maneira mais objetiva e quase unânime, se determinou que o Tabagismo (4.39 A equipe de saúde Básica desenvolve ações voltadas aos usuários de tabaco no seu território), foi o principal problema com uma pontuação de 02 pontos, nosso objetivo\meta proposto foi obter a redução do número de fumantes em nosso território de atuação.
A fumaça do cigarro exposta no ambiente depois de tragada é uma cancerígena do tipo A (são substâncias que tem a capacidade de provocar alterações diretamente a nível celular e causar em consequência transformações que podem ou não desembocar em um processo canceroso). Isso traz risco a saúde das pessoas que não são fumantes, mas convivem com um.
Nossa equipe de saúde, conjuntamente com a equipe do NASF, realizamos a tarefa de criar um grupo de tabagismo em nossa área de atenção, para isso contamos com o apoio dos agentes comunitários de saúde, os quais fizeram uma pesquisa ativa dos fumantes, em suas respectivas áreas e quais deles tinham desejos de abandonar o hábito.
Inicialmente a quantidade de fumantes inscritos foi muito baixa pois muitos deles não tinham vontade de abandonar o dito hábito e outras não reconheciam ser fumantes (alegavam que somente fumavam em poucas ocasiões e que não estavam sentindo nenhum tipo de sintomas prejudiciais.
Nosso grupo está composto atualmente por 30 pacientes, mais esperamos que este número continue crescendo. Nestes primeiros pacientes aplicamos a Escala Fagerstrom, para assim classificar os fumantes e estabelecer uma ordem de prioridade e personalizar o tratamento para cada um deles.
Nossos primeiros encontros foram para realizar atendimento individual a cada paciente na qual se realizou um interrogatório para conhecer se tinha algum tipo de doença crônica não transmissível; exame físico detalhado; questionar se estavam consumindo algum tipo de medicamento psicotrópico; e também se realizou uma avaliação odontológica por parte da equipe de saúde bucal.
Depois disso classificamos os pacientes em dois grupos:
Já na segunda etapa começamos a fase de intervenção, na qual se apoiou nas palestras especializadas e ações coletivas, estas tiveram como tema fundamental:
Para o tratamento medicamentoso (bupropiona, parche transdérmico e chiclete) foram utilizados critérios nos quais os pacientes que conseguissem cessar o uso do tabaco após a intervenção cognitivo-comportamental, história de tentativa de cessar tabagismo sem sucesso e presença de sintomas de abstinência estariam inclusos para a utilização da medicação de primeira linha (chiclete e parche transdérmico). Caso fosse percebida ainda dificuldade e sintomas de abstinência a associação de medicação de segunda linha foi acrescentada (Bupropiona).
Isto foi feito da seguinte maneira: cada semana um membro do NASF (Psicóloga, nutricionista, fisioterapeuta) e um membro da nossa equipe de saúde (Medico, Enfermeira, Odontólogo e agente de saúde) são os encarregados de realizar as atividades citadas acima. Explicando por meio de panfletos e vídeos os principais efeitos adversos, complicações e repercussões a longo prazo sobre nosso organismo.
Para avaliar o alcance dos resultados do grupo utilizamos os registros em atas as quais são monitoradas mensalmente pelos profissionais de saúde do projeto.
Matriz de Intervenção
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Descrição do padrão: A equipe de atenção básica desenvolve ações voltadas aos usuários de tabaco no seu território. |
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Descriçãoda situação-problema para o alcance do padrão: A falta de motivação dos pacientes e ainda a falta de apoio da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura Perante o desenrolar o trabalho. |
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Objetivo/meta: Diminuir e\ou eliminar número de fumantes do grupo terapêutico; obter uma maior adesão ao tratamento; e oferecer uma melhor qualidade de vida aos pacientes. |
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismos e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Sensibilização dos pacientes. Elaboração de calendário periódico |
Palestras especializadas, Ações coletivas, Ações demonstrativas |
Prontuário dos pacientes, Microfone e Projetor multimídia
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Diminuição do número de fumantes em nosso território |
Equipe de Saúde da UBS e NASF |
3 meses |
Avaliação da quantidade de participantes que deixaram de fumar
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Escuta qualificada, Roda de conversa, Tratamento medicamentoso. Explicação por meio de panfletos e vídeos dos principais efeitos adversos e complicações. |
Caixa de som, Notebook, medicamentos |
Promover a incorporação de um maior número de pacientes a nosso grupo de apoio.
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Equipe de Saúde da UBS e NASF | 3 meses | Pacientes que permanecem no grupo.
Número de participantes que relataram estar sem fumar. |
Percebendo a importância de um planejamento e engajamento, nós buscamos oferecer ao tabagista o apoio na criação de um espaço, no qual o sujeito poderá pensar e criar novas possibilidades de vinculo, expressão e questionamento das relações intersubjetivas que estabelece com o mundo.
A avaliação da equipe é que se faz necessária a implantação de programas voltados ao público tabagista nas UBS. No entanto, este trabalho para um melhor resultado, deve-se ser encarado como um planejamento a longo prazo.
Como um dos problemas identificados, percebemos a falta de motivação dos pacientes e ainda a falta de apoio da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Saúde perante o desenrolar do trabalho. Tais dificuldades foram parcialmente superadas, o que preparou ainda mais a equipe multiprofissional da unidade, nos levando a buscar estratégias de motivação traçando um vínculo entre UBS e população adscrita.
Na realização das atividades, percebemos o interesse e preocupação de alguns pacientes, que refletiram como o tabagismo interfere na vida social, econômica e principalmente na saúde. Assim, a atenção básica de nossa área tem a responsabilidade de identificar essas pessoas e oferecer apoio tanto psicológico como farmacológico, aprimorando os atendimentos dentro da Atenção Primária a Saúde.
Conseguir, através deste projeto, fazer com que trinta tabagistas ingressassem e intervir no habito de vida dos mesmos é o que nos encoraja a continuar, independentemente dos obstáculos.
Ponto(s)