AVALIAÇÃO DA ATENÇÃO A PACIENTES COM DOENÇAS MENTAIS DO PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA IV GARGALHEIRAS
ESPECIALIZANDA: LUCELIA TORRES RODRIGUEZ
ORIENTADORA: DANIELE VIEIRA DANTAS
A saúde mental não está dissociada da saúde geral e por isso faz-se necessário uma preparação completa dos profissionais, aumentando o conhecimento sobre o tema para assim identificar e avaliar as demandas presentes nas Unidades de Saúde. O acolhimento em saúde mental é muito importante. Nele, os profissionais podem oferecer um espaço de escuta ao paciente e as famílias, de modo que eles sintam segurança e tranquilidade para expressar seus problemas (BRASIL, 2013).
A criação de uma rede de atenção psicossocial foi uma tarefa significativa e as unidades dessa rede oferecem aos pacientes a utilização de cada nível de atenção, de forma continuada e segura. A construção de um sistema ágil de referência e contrarreferência aumenta a efetividade e organização do serviço e assim oferece uma assistência de qualidade. Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) são unidades importantes da rede, com funções específicas (BRASIL, 2013).
Essa microintervenção foi desenvolvida na área de abrangência do Programa Saúde da Família (PSF) IV Gargalheiras, na zona rural do município Acari. A reunião foi feita na Secretaria Municipal de Saúde, com os integrantes da equipe médico, enfermeiro, Agentes Comunitários de Saúde (ACS), dentista e auxiliar de saúde bucal. O objetivo foi avaliar o trabalho na rede de atenção a saúde mental dos pacientes de nossa unidade básica.
Em Acari, não temos CAPS, a população do município é de 11.035 habitantes, menos de 20.000 pessoas, que é o número mínimo para se ter um CAPS I. Apesar disso, contamos com o serviço bastante organizado de dois CAPS perto da cidade: um em Currais Novos, com atendimento duas vezes por semanas e outro em Caicó, em atenção aos usuários de álcool e drogas e com internamento para pacientes em surtos. A referência e contrarreferência é feita via telefone e em conjunto com a equipe do NASF do nosso município, que conta com assistente social, psicóloga, terapeuta ocupacional, fonoaudióloga e nutricionista, equipe preparada para agir assim que identifica uma demanda de saúde mental.
Para entender melhor o trabalho da equipe no município, apresento o caso da paciente X, residente na minha área de atuação, 37 anos, solteira, sem filhos, usuária de drogas, com esquizofrenia paranoide, que abandonou o tratamento. O ACS fez o primeiro acolhimento na residência, constatando que a paciente esquizofrênica sem tratamento é usuária de drogas (cocaína), reside com a mãe, condições desfavoráveis (culturais, econômicas, sanitárias e sociais), com alucinações, irritada, não se alimenta e não consegue dormir.
Como a paciente precisava de atendimento de urgência com psiquiatra, a equipe entrou em contato com o NASF do município que de imediato realizou a visita e depois de avaliada pela psicóloga, assistente social e equipe de saúde do PSF, foi encaminhada para o especialista em Caicó. A paciente X ficou internada com diagnóstico de surto psicótico. Após a alta, retornou para nossa área com acompanhamento pelo psiquiatra, pelo NASF e pela equipe do PSF. A referência e contrarreferência foi feita pelo telefone.
Durante essa microintervenção, a equipe demostrou algumas fragilidades como a falta de controle dos pacientes em tratamento psicoterápico e para esse controle foi construída a planilha abaixo.
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NOME COMPLETO |
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IDADE |
SEXO |
DATA |
CARTÃO SUS |
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ENDEREÇO |
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HÁBITOS TÓXICOS
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IDENTIDADE |
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ANTECEDENTES PESSOAIS
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ANTECEDENTES FAMILIARES
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TRATAMENTO PSICOTRÓPICO
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OUTROS TRATAMENTOS
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AVALIAÇÃO: NASF, CAPS
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OBSERVAÇÕES
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PSF |
MÉDICO |
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PRONTUÁRIO |
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A equipe também sentiu a necessidade de se trabalhar mais os estressores psicossociais e intervir com a família. Quanto as fortalezas, temos uma equipe completa e boa relação com a equipe do NASF. Sabemos que ainda há muitas coisas para fazer e com certeza vamos realizá-las.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Saúde Mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
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