28 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

 

ACOLHIMENTO A DEMANDA ESPONTÂNEA E PROGRAMADA NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE BOQUEIRÃO

 

ESPECIALIZANDA: LILIANA ROMÁN RAMÍREZ

ORIENTADORA: DANIELE VIEIRA DANTAS

 

A Atenção Básica ou Atenção Primária de Saúde (APS) se caracteriza pela grande proximidade ao cotidiano da vida das pessoas e coletivos em seus territórios, sendo as Unidades Básicas de Saúde (UBS) o tipo de serviço com maior grau de descentralização; além de ser uma das principais portas de entrada do sistema de saúde e atenção básica, tem se que constituir uma porta aberta capaz de dar respostas positivas aos usuários, não podendo se tornar simplesmente um lugar burocrático e obrigatório de passagem para outros tipos de serviços (STARFIELD, 2002).

O acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidados reais entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de formas variadas (STARFIELD, 2002).

Na UBS Boqueirão, localizada no município de Touros, Rio Grande do Norte, temos a maioria dos atendimentos por consulta agendada e deixamos vagas para casos de demanda espontânea avaliando prioridades e urgências que possam ocorrer.

          Nossa equipe considera que atender a demanda espontânea é importante porque o usuário também define com formas ou graus variados o que é necessidade de saúde para ele. Cada indivíduo é diferente, o que não constitui uma emergência para a equipe durante a classificação de risco, pode ser uma necessidade urgente para o usuário. Então os casos “não urgentes”, por exemplo, poderão ser agendados para uma consulta eletiva e os casos “pouco urgentes” poderão ser atendidos em outro turno, de acordo com cada situação e com o volume da demanda espontânea do dia (LEITE et al., 2015).

Nesse sentido, o acolhimento tem papel fundamental e deve ser realizado com esforço de diálogo e compreensão, para que se evitem queixas desnecessárias, retornos repetitivos e busca por outros serviços. É importante que as UBS estejam abertas e preparadas para acolher o que não pode ser programado, as eventualidades ou imprevistos. E, para isso, nossa equipe tem trabalhado constantemente na capacitação dos profissionais que realizam o acolhimento.

O acesso com equidade deve ser uma preocupação constante no acolhimento à demanda espontânea. Uma estratégia importante de garantia desse acesso é a adoção da avaliação/estratificação de risco e de vulnerabilidades como ferramenta, possibilitando identificar as diferentes gradações de risco e realizar as devidas priorizações.

            Vale a pena ressaltar que o risco não se resume apenas a termos biológicos. É essencial lembrar que há algumas condições que aumentam a vulnerabilidade das pessoas e que o acolhimento representa grande oportunidade de inclui-las em planos de cuidado. Podemos citar exemplos de prioridades como: criança desnutrida que não é levada às consultas de puericultura há 10 meses; homem de 55 anos que vai a um serviço de saúde pela primeira vez depois de muitos anos; mulher em idade fértil que não realiza citologia oncótica há quatro anos, que trabalha como diarista sem carteira assinada e cuida sozinha de dois filhos menores de idade, entre outros. Esses usuários podem procurar a UBS com um problema clinicamente simples e de baixo risco, mas a ocasião torna-se momento oportuno para ofertar ou programar outras possibilidades de cuidado.

É importante destacar que nossa equipe de saúde conta com pessoas capacitadas, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) sensibilizados e conhecedores da área que atendem, a técnica em enfermagem e a enfermeira que realizam o acolhimento, esclarecem dúvidas constituem e organizam as demandas e espontânea da população. Além disso, a equipe da UBS esforça-se para resolver os problemas dos usuários e diminuir os encaminhamentos desnecessários ao pronto atendimento do hospital.

Na busca de aperfeiçoar o trabalho, a equipe realiza reunião mensal para tratar de diversos temas e capacitar os profissionais sobre acolhimento, classificação de risco, visualizando a melhoria da qualidade da assistência ao usuário.

Nessas reuniões, é discutida a prioridade de atendimento dos usuários. Cada paciente deve ser acolhido e identificado quanto ao problema de saúde, coletando e analisando as informações que permitem a determinação da prioridade real. Cada membro de equipe deve ser capaz de identificar qual a maior prioridade clínica, sempre utilizando a escala de priorização de atendimento.

            Além disso, faz necessário capacitação da equipe de enfermagem da UBS, uma vez que esta ainda não possui habilidades suficientes para diferenciar casos urgentes de não urgentes, provocando diversas interrupções a consulta médica para tomada de decisão. Por isso decidimos oferecer mais capacitações aos membros da equipe para realizar o correto acolhimento e melhorar o fluxo de pacientes na Unidade.

 

 

 

REFERÊNCIAS

STARFIELD, Barbara. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002. Disponível em: <https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/0253.pdf>. Acesso em: 30 jun. 2018.

LEITE, Luís et al. Chest pain in the emergency department: risk stratification with Manchester triage system and HEART score. BMC Cardiovascular Disorders, v. 15, n. 48, 1-7, jun. 2015. Disponível em: <https://bmccardiovascdisord.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12872-015-0049-6>. Acesso em: 30 jun. 2018.

 

 

 

 

 

 

 

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