PROGRAMA DE EDUCAÇÃO PERMANENTE: PREVENÇÃO DE IST’s NA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE EUNICE BARBOSA
ESPECIALIZANDO: FREDSON DA COSTA CALDAS
ORIENTADORA: JULIANA FERREIRA LEMOS
CAPÍTULO I: Observação na Unidade de Saúde
A primeira microintervenção deu-se na Unidade Básica de Saúde Eunice Barbosa. Possui atualmente 3060 pacientes cadastrados, em uma área com cerca de 522 famílias de classe baixa e classe média baixa. Atende cerca de 120 pessoas por dia. 20 consultas na parte da manhã, 20 consultas no período da tarde. Atualmente conta com 04 enfermeiras, 07 Auxiliares de enfermagem e 11 administrativos. Possui NASF, não possui CAPS.
Foi marcada uma reunião a ser realizada na sexta feira dia 11 de Maio de 2018. Em virtude da grande demanda de pacientes, alguns tiveram de ser desmarcados para efetuar tal reunião.
Primeiramente foram saudados todos na reunião, como não deu pra reunir todos os colaboradores, foi feito com o disponível, 09 participantes. A seguir, apresentou-se o que seria o AMAQ.
Foi explicado aos presentes que se trata de uma auto avaliação no âmbito do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ/AB) tida como um ponto de partida para a melhoria da qualidade dos serviços, visto que o Ministério da Saúde (MS) entende que os processos auto avaliativos ajudam e estão comprometidos com a melhoria contínua da qualidade de modo que poderão potencializar outras estratégias da fase de desenvolvimento do PMAQ/AB (BRASIL, 2012).
Também foi dado o conceito do que são os processos auto avaliativos, explanando o fato dos mesmos necessitarem ser contínuos e permanentes, constituindo-se como uma cultura interna de monitoramento e avaliação através da gestão, da coordenação de equipes e de profissionais (BRASIL, 2012).
Com destaque para o fato de o AMAQ, através das intervenções apresenta entre o intervalo de uma autoavaliação e outra, o intervalo de tempo suficiente para a execução de parte do plano de intervenção, permitindo que nos próximos momentos auto avaliativos sejam identificadas melhorias na qualidade dos serviços (BRASIL, 2012).
Após estas breves explanações, iniciou-se a leitura sobre os conceitos do AMAQ. De modo que inúmeros pontos necessitavam de melhoria, contudo elegeu-se a subdimensão participação, controle social e satisfação do usuário como indicador (parâmetro) a ser intervindo.
Percebeu-se que poderíamos assegurar aos cidadãos o acesso a informações e a participação na formulação, tanto na implementação, como na avaliação das políticas de saúde, como uma ação inscrita no direito à saúde e no exercício da cidadania. Apresentando assim, um estímulo à participação de usuários e entidades da sociedade civil no processo de organização de rede de atenção e do trabalho em saúde, à luz de suas necessidades individuais e coletivas. Neste sentido é imprescindível para a transformação das condições de saúde e vida da população e efetivação dos princípios da integralidade (BRASIL, 2012).
Esta participação das comunidades seria realizada através da inserção da comunidade na Unidade de Saúde. Foi sugerido por uma das enfermeiras um projeto de intervenção que tratasse sobre as ISTs, gravidez na adolescência, entre outras ações que poderiam promover uma maior participação da sociedade local na Atenção Básica.
Apresenta-se, portanto, alguns dados da literatura, sendo que as ISTs são causadas por mais de 30 agentes etiológicos (vírus, bactérias, fungos e protozoários), sendo transmitidas, principalmente, por contato sexual e, de forma eventual, por via sanguínea. A transmissão de uma IST ainda pode acontecer da mãe para a criança durante a gestação, o parto ou a amamentação. Essas infecções podem se apresentar sob a forma de síndromes: úlceras genitais, corrimento uretral, corrimento vaginal e DIP (BRASIL, 2016).
Segundo a OMS (2013), mais de um milhão de pessoas adquirem uma IST diariamente. A cada ano, estima-se que 500 milhões de pessoas adquirem uma das IST curáveis (gonorreia, clamídia, sífilis e tricomoníase). Da mesma forma, calcula-se que 530 milhões de pessoas estejam infectadas com o vírus do herpes genital (HSV-2, do inglês Herpes Simplex Vírus tipo 2) e que mais de 290 milhões de mulheres estejam infectadas pelo HPV.
Segundo o Ministério da Saúde (BRASIL, 2008) no estudo intitulado “Prevalências e frequências relativas de Doenças Sexualmente Transmissíveis em populações selecionadas de seis capitais brasileiras, 2005” apresentou dados relevantes para avaliar a situação das IST no país. As pessoas que procuraram atendimento em clínicas de IST apresentaram alta prevalência de IST sintomáticas e assintomáticas associadas. A prevalência de IST bacterianas foi de 14,4%, e a das virais, 41,9%. Os resultados mostraram que a prevalência da infecção pelo HPV é elevada e afeta fundamentalmente os adolescentes e jovens, sugerindo que a infecção produz-se em geral em idade mais precoce, no início das relações sexuais. As maiores taxas de infecção gonocócica e por clamídia foram observadas nas pessoas mais jovens.
Basicamente percebeu-se que, ainda que não estivesse totalmente completa, a equipe sentiu-se integrada ao projeto e ficou bastante animada com o mesmo. Havendo até sugestões de outros temas para promover a participação, o controle social e a satisfação do Usuário com a Atenção Básica oferecida na Unidade de Saúde Eunice Barbosa.
Verificou-se que a maior dificuldade está em convencer a Secretaria de Saúde a promover insumos para que estas campanhas possam ser executadas, como também a questão de tempo dos funcionários para realizar esta intervenção sem interferir na agenda de atendimentos da Unidade de Saúde.
Acredita-se que esta intervenção possa promover grandes impactos na comunidade, primeiramente pelo fato das ISTs serem consideradas uma epidemia na atualidade, como também na demonstração que a Unidade de Saúde se preocupa com a satisfação dos mesmos e se os serviços oferecidos na Unidade de Saúde estão a contento.
Matriz de Intervenção – Educação Permanente (Projeto de Intervenção prevenção de IST’s na Unidade Básica de Saúde Eunice Barbosa)
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Descrição do padrão: ISTs |
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Descrição da situação-problema para o alcance do padrão: Contágio de Infecções Sexualmente Transmissíveis |
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Objetivo/meta: Prevenir ao máximo o grupo de risco através da orientação e distribuição de preservativos a infecção de infecções sexualmente transmissíveis |
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Estratégias para alcançar os objetivos/metas |
Atividades a serem desenvolvidas (detalhamento da execução) |
Recursos necessários para o desenvolvimento das atividades |
Resultados esperados |
Responsáveis |
Prazos |
Mecanismo e indicadores para avaliar o alcance dos resultados |
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Apresentação da Intervenção da Prevenção das ISTs
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Reunião com a equipe apresentando o AMAQ, suas potencialidades, conceitos, e propondo a intervenção junto ao grupo considerado de risco sobre as ISTs. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Instrutivo AMAQ. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. (BRASIL, 2016) |
Que a equipe abrace o projeto, que entenda a proposta; |
Médico |
05 meses |
Relatório da Microintervenção |
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Agendamento de treinamento com a equipe |
Agendamento do treinamento com a equipe. |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. (BRASIL, 2016) |
Entendimento dos profissionais da UBS de como lidar com as ISTs. |
Médico e enfermeiros |
45 dias |
Agenda e relatório de execução |
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Treinamento |
Reunião como a equipe da UBS |
Humanos: Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. (BRASIL, 2016) |
Aprendizagem de como prevenir com as ISTs. |
Médico e enfermeiros |
21 dias |
Relatório de aprendizagem |
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Agendamento das Ações |
Agendar com os pacientes considerados de risco as reuniões |
Humanos: pacientes |
Adesão de no mínimo 10 pacientes considerados dentro do grupo de risco |
Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
15 dias. |
Agenda |
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Execução das ações |
Palestras, orientações, rodas de conversa, entre outras medidas com objetivo de prevenir as ISTs |
Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos. Materiais: apresentações, folhetos, cartazes, entre outros. |
Compreensão e adoção de medidas de prevenção as ISTs. |
Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
21 dias |
Questionário, relatórios |
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Monitoramento |
Verificação através de conversa com os ACSs se os pacientes escolhidos estão vindo até o posto buscar preservativos, perguntando sobre. |
Humanos: pacientes, Médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, ACSs, administrativos.
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Compreensão por parte dos pacientes dos males envolvidos com as ISTs. |
Paciente Médico Enfermeiros, ACSs, Auxiliares, Administrativos. |
04 meses |
Relatórios |
Referências Utilizadas na Microintervenção I
BRASIL Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Auto avaliação para a Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica : AMAQ / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 134 p.: il. – (Série B. Textos básicos de saúde).
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Global incidence and prevalence of selected curable sexually transmitted infections. Geneva: WHO, 2008. Disponível em: <http://www.who.int/ reproductivehealth/publications/rtis/stisestimates/en/>. Acesso em: 23 Maio 2018.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Prevalências e frequências relativas de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) em populações selecionadas de seis capitais brasileiras, 2005. Brasília: Ministério da Saúde, 2008.
BRASIL. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
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