27 de julho de 2018 / SEM COMENTÁRIOS / CATEGORIA: Relatos

TITULO: Observação na Unidade  Básica de Saúde.

ESPECIALIZANDA: Anelys Mendoza González.

ORIENTADORA: Romanniny Hevillyn Silva Costa Almino.

 

A Unidade Básica de Saúde (UBS) é essencial para o acesso à saúde porque se configuram como sendo a porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), e deve oferecer serviços que propiciam o acesso resolutivo em tempo oportuno e com qualidade (BRASIL, 2017a).

A rotina da Unidade Básica de Saúde deve atender às características do processo de trabalho na Atenção Básica, tendo em vista o diferencial do trabalho em equipe e as recomendações da atual Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), a qual salienta sobre a importância da integralidade e continuidade no cuidado, humanização e responsabilização com os usuários, articulação entre ações individuais e de vigilância em saúde com enfoque nas ações de atenção às condições crônicas (BRASIL, 2017a).

O Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ) é um grande avance nesse sentido porque estabelece padrões de qualidade que permitem uma maior efetividade em nosso trabalho, têm como principal objetivo levar a saúde até as pessoas mais necessitadas e elevar a satisfação da população com a Atenção Básica em Saúde (BRASIL, 2017b).

Para garantir uma melhor qualidade da atenção que compreenda os princípios de integralidade, universalidade, equidade e participação social, são necessárias a avaliação constante e a identificação dos nós críticos que devem ser trabalhados, assim como, as ações de intervenção que devem ser implementadas. Porém, o Ministério da Saúde apresenta a ferramenta Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (AMAQ) (BRASIL, 2017b).

Nesse sentido, a nossa equipe fez uma autoavaliação baseada no instrumento da AMAQ sendo a mesma uma ferramenta potente que auxilia no debate da identificação das dificuldades e potencialidades do processo de trabalho na UBS, assim como para propor estratégias para melhoria do acesso e atenção à saúde.

Assim a minha microintervenção teve como objetivo identificar os principais problemas da unidade básica de saúde e criar uma matriz de intervenção que permitisse dar solução aos principais problemas para obter melhores resultados e impacto positivo na saúde da população.

Para realizar a microintervenção, primeiramente, convocamos uma reunião da equipe, a qual é composta por médica, enfermeira, técnica de enfermagem, técnica de vacina, cirurgião dentista, técnica microscopista, 13 agentes comunitários de saúde e 5 agentes de combate às endemias. Durante a reunião, cada membro da equipe teve a oportunidade de expor a sua opinião.

Ao avaliarmos a dimensão gestão municipal, subdimensões implantação e implementação da atenção básica no município, organização e integração da Rede de Atenção à Saúde, gestão do trabalho e participação, controle social e satisfação do usuário identificamos alguns problemas, como: áreas de abrangência da UBS com déficit de cobertura e falta de transporte para fazer atendimento nos bairros mais longes.

 Na dimensão gestão na atenção básica, subdimensões apoio institucional, educação permanente e monitoramento e avaliação observamos a limitação de atuação e articulação da equipe do Núcleo de Apoio a Saúde da Família (NASF) e a dificuldade de acesso à internet por parte da equipe para acesso ao telessaúde e outras ferramentas e sistemas.

 Já na dimensão Unidade Básica de Saúde, subdimensão infraestrutura e equipamentos e subdimensão insumos, imunobiológicos e medicamentos evidenciamos que existem deficiências porque a unidade não cumpre com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, uma vez que não contamos com sala de nebulização, a unidade só tem um banheiro, os consultórios são pequenos com pouca ventilação constituindo um maior risco de infeções transmissíveis pela via respiratória. Além disso, temos problemas com a falta de medicamentos. Tudo isso são elementos que influenciam negativamente na qualidade da atenção de saúde à população.

Em relação à dimensão educação permanente, processo de trabalho e atenção integral á saúde as problemáticas encontradas foram poucas, pois, realizamos atividades, como: reuniões quinzenais para planejamento das ações, alimentação de dados para os sistemas de informações em saúde, acolhimento da demanda espontânea priorizando as urgências e emergências, atendimento  programado às grávidas e lactantes, visitas domiciliares, atividades educativas, acompanhamento aos pacientes com hipertensão arterial e diabetes, vigilância para prevenção de câncer de colo de útero e de mama, vacinação, teste de malária, dentre outras.

Os problemas detectados pela equipe são muitos e em geral o poder de resolução depende da gestão municipal, mas a construção da matriz de intervenção foi baseada em problemas com maior possibilidade de resolutividade pela nossa equipe.

 Nossa matriz de intervenção baseou-se no padrão: ‘A equipe de atenção básica desenvolve ações de vigilância ambiental e sanitária’. Assim, a matriz tem como objetivo diminuir o número de casos de malária, tendo em vista os altos índices dessa doença no nosso território.

Para tanto, criamos estratégias, como: inclusão das áreas descobertas nas visitas feitas pelos Agentes de Combate às Endemias, busca ativa dos casos sintomáticos de malária, educação à população sobre os sintomas e medidas preventivas, incluindo, erradicação do vetor, e orientação à população sobre a importância da adesão ao tratamento, realização de teste de malária às grávidas e às pessoas das áreas de risco epidemiológico.

O resultado esperado será conseguir atender as áreas de risco e contribuir para o conhecimento da população. Toda a equipe será responsável pelas atividades, as quais ocorrerão de forma contínua. A avaliação mensal dos resultados alcançados se dará mediante o indicador que mede o índice de atendimento por condição de saúde avaliada.

Com a microintervenção a equipe aprendeu a importância da avalição sistemática de nosso trabalho para identificar os principais problemas e criar estratégias efetivas para a solução dos mesmos.

As dificuldades na execução da microintervenção foram unificar critérios e conscientizar a equipe das nossas potencialidades para solucionar os principais problemas com base ao trabalho com responsabilidade e planejamento para obtermos uma melhoria da qualidade de atenção à saúde da família e comunidade.

Referências

BRASIL. Ministério da Saúde. PNAB: Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da saúde, 2017a. 

BRASIL. Ministério da Saúde. PMAQ: manual instrutivo para as equipes de atenção básica e NASF. Brasília: Ministério da Saúde, 2017b.

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