RELATO DE EXPERIÊNCIA
TÍTULO: ESTRATÉGIA PARAAUMENTAR O ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO NAS PUÉRPERASDA EQUIPE TRÊS DA UBS RAIMUNDO GOOD LIMA, EM ESTÂNCIA (SE)
ESPECIALIZANDO: NEIRIS MONTES DE OCA REYES
ORIENTADOR: RICARDO HENRIQUE VIEIRA DE MELO
A saúde reprodutiva é um estado de completo bem-estar físico, mental e social, em todos os aspectos relacionados com o sistema reprodutivo e as suas funções e processos, e não de mera ausência de doença ou enfermidade. Isso implica, por conseguinte, que a pessoa possa ter uma vida sexual segura e satisfatória, tendo autonomia para se reproduzir e a liberdade de decidir sobre quando e quantas vezes deve fazê-lo. Implícito nessa última condição está o direito de homens e mulheres de serem informados e de terem acesso a métodos eficientes, seguros, permissíveis e aceitáveis de planejamento familiar (BRASIL, 2012).
“A atenção em saúde sexual e em saúde reprodutiva é uma das áreas de atuação prioritárias da Atenção Básica à saúde. Deve ser ofertada observando-se como princípio o respeito aos direitos sexuais e aos direitos reprodutivos. Desenvolver esse trabalho não é tarefa simples, tendo em vista a alta complexidade que envolve o cuidado dos indivíduos e famílias inseridos em contextos diversos, onde é imprescindível realizar abordagens que considerem os aspectos sociais, econômicos, ambientais, culturais, entre outros, como condicionantes e/ou determinantes da situação de saúde. Isso exige uma nova postura e qualificação profissional, com enfoque não só para o indivíduo, mas também para a família e a comunidade, lembrando que, no contexto atual, as famílias assumem diferentes conformações, não apenas aquela de grupo nuclear específico, formado por pai, mãe e filhos. Além disso, é importante compreender a família também como um espaço emocional e social, onde podem se reproduzir as mais diversas formas de relações da sociedade” (BRASIL, 2010, p.9).
A atenção obstétrica e neonatal, prestada pelos serviços de saúde, deve ter como características essenciais a qualidade e a humanização. É dever dos serviços e profissionais de saúde acolher com dignidade a mulher e o recém-nascido, enfocando-os como sujeitos de direitos.
A humanização diz respeito à adoção de valores de autonomia e protagonismo dos sujeitos, de corresponsabilidade entre eles, de solidariedade dos vínculos estabelecidos, de direitos dos usuários e de participação coletiva no processo de gestão.
A atenção com qualidade e humanizada depende da provisão dos recursos necessários, da organização de rotinas com procedimentos comprovadamente benéficos, evitando-se intervenções desnecessárias, e do estabelecimento de relações baseadas em princípios éticos, garantindo-se privacidade e autonomia e compartilhando-se com a mulher e sua família as decisões sobre as condutas a serem adotadas.
São diretrizes para nortear a atenção ao pré-natal, ao parto e puerpério (SÃO PAULO, 2010): Respeito à autonomia da mulher na tomada de decisões sobre sua vida, em particular em relação a sua saúde, a sua sexualidade e a reprodução; Garantia de acesso a uma rede integrada de serviços de saúde que propicie abordagem integral, visando à promoção da saúde, o início precoce do acompanhamento das gestantes, a prevenção, diagnóstico e tratamento adequado dos problemas que eventualmente venham a ocorrer nesse período; Oferta de cuidado referendada pelas melhores evidências científicas disponíveis; Garantia de adequada infraestrutura física e tecnológica das diversas unidades de saúde para atendimento da gestante e da puérpera; Garantia de aprimoramento permanente dos processos de trabalho envolvidos, buscando a integração dos diversos campos de saberes e práticas e valorizando o trabalho em equipe multiprofissional e a atuação interdisciplinar; Desenvolvimento contínuo de processos de educação permanente dos profissionais de saúde; Incentivo ao parto e ao aleitamento materno qualificados, seguros, adequados à situação e respeitosos às e confortáveis percepções das mulheres.
O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos de idade ou mais, e que nos primeiros seis meses, o bebê receba somente leite materno, sem necessidade de sucos, chás, água e outros alimentos. Quanto mais tempo o bebê mamar no peito, melhor para ele e para a mãe. Depois dos seis meses, a amamentação deve ser complementada com outros alimentos saudáveis e de hábitos da família. Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional (BRASIL, 2012).
Para dar inicio nesta microintervenção foi feito uma reunião com toda a equipe. A enfermeira fez uma avaliação das ações do planejamento familiar, atenção pré-natal e puerpério realizando explicação detalhada de como é feito os atendimentos em nossa UBS.
Nossa equipe de trabalho identificou como principal problema de saúde relacionado com atenção no puerpério: Alta incidência de puérperas que não realizam o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês do nascimento do bebe.
Como objetivo geral: Aumentar o aleitamento materno exclusivo até os seis meses nas puérperas.
Durante as discussões, a equipe concordou-se que para resolver este problema, teriam que ser desenvolvidas varias atividades desde o inicio da gravidez para incentivar as mães, fizemos palestras interativas com as puérperas e com as gestantes, participando também de elas os pães das crianças. Elas plantearam seus inquietudes e preconceitos com respeito ao aleitamento materno exclusivo, nós aclaramos todas suas duvidas e reforçamos os benefícios da amamentação tanto para mãe , quanto para o bebê, para a família e para o sistema de saúde. Ao final falamos sobre as dicas para amamentação, possíveis causas para o abandono do aleitamento materno e como afrontá-los. Para o desenvolvimento de isto precisamos de vários recursos como data show, caneta, folhas brancas, folders, computador, locais disponíveis para dar as palestras.
O prazo de cumprimento foi junho dos 2018, posso dizer que a microintervenção cumpriu com o seu objetivo, pois o 100 % das puérperas neste momento cumprem com o aleitamento materno exclusivo até os seis meses. Para avaliar estes resultados utilizamos como instrumento os prontuários e produção do sistema de saúde (e-SUS).
A equipe reconhece que temos que reforçar e melhorar o atendimento e comunicação das puérperas e para isto serão criados grupos de gestantes e puérperas da área. Além disso, ratificamos a necessidade da primeira visita puerperal ocorrer na primeira semana após da chegada da mulher e do recém-nascido na residência, buscando um melhor acolhimento.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012. (Cadernos de Atenção Básica, n° 32).
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde sexual e saúde reprodutiva. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. (Cadernos de Atenção Básica, n. 26).
SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenadoria de Planejamento em Saúde. Assessoria Técnica em Saúde da Mulher. Atenção à gestante e à puérpera no SUS – SP: manual técnico do pré natal e puerpério. São Paulo: SES/SP, 2010.
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